"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

03 abril 2011

Como abracei as doutrinas da graça


By Vanderson M. da Silva

Vitral com Calvino
Vitral com imagem de João Calvino. Créditos: slinkstercat (sob Creative Commons).


No texto de hoje pretendo discorrer sobre o que me levou a aderir ao sistema teológico conhecido como calvinismo, palavra tão antipática à grande maioria dos cristãos de nosso País, sejam eles evangélicos ou católicos. Calvinismo que, no Brasil, jamais gozou do prestígio que já teve em outros lugares e momentos históricos (e.g., Grã-Bretanha e EUA da era puritana, por volta dos séculos XVII e XVIII), e que é amiúde mal compreendido e detratado por muitos crentes. Entre eles se incluem até certos professores de instituições teológicas, os quais preferem caricaturizar esse sistema teológico, apegar-se a interpretações subjetivas e arbitrárias das Escrituras e ignorar deliberadamente até a própria história de suas denominações.
Criado no ramo arminiano de um dos arraiais evangélicos brasileiros, também nutria meus preconceitos em relação ao calvinismo. Lembro-me bem de um livro que li na minha adolescência a respeito da doutrina da predestinação, de autoria do assembleiano Severino Pedro (CPAD). Os argumentos do escritor pentecostalista reforçaram o meu repúdio a um sistema que, no meu entendimento, ofendia à inteligência e atentava contra a própria Bíblia. Aderi de vez então ao arminianismo (na verdade, semi-pelagianismo) ali defendido.
Todavia, isso não quer dizer que todas as minhas dúvidas foram respondidas. Uma das coisas que me inquietou por muito tempo foi a questão da salvação daqueles que jamais tiveram uma oportunidade de ouvirem a mensagem evangélica: qual seria o destino final deles depois da morte? Seria justo condená-los eternamente às chamas do Inferno? Passagens como  Rm 2.11-16 não me satisfaziam — como, aliás, não satisfazem a crente algum que tenha audácia bastante para querer impor limites à soberania de Deus, como eu naquela época e como muitos e muitos ainda hoje.

Um comentário:

Helvecio.p disse...

Caro irmão,

Não pretendo altercar com o irmão acerca de detalhes do calvinismo e por oposição e falta de opção, com o arminianismo (parece impossível falar-se do calvinismo sem referir-se as doutrinas divulgadas por Arminius ). Mas lendo o seu texto, não pude deixar de observar a pergunta feita quando era de um segmento doutrinariamente não calvinista. O que seria dos que nunca ouviram o evangelho e portanto nem oportunidade para aceitá-lo ou não? Perdidos é a resposta, como todos, que não crerem em Jesus, no passado, hoje e até a sua primeira vinda, arrebatamento, etc, etc, ( Há mudou a escatologia também...tudo bem ).A questão é que o homem desde o Édem nasce perdido ( pelo menos ultrapassando a infância, outro problema ). Então a questão é: pergunta errada, resposta errada. E mais o modelo calvinista não suaviza ( e nem deveria ) a situação do perdido, de certa forma determina a sua condição de haver possibilidade de salvação. O que é humanamente falando, pior?

Um abraço irmão.