"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

27 agosto 2016

A Palavra não Escrita






Depois de seis anos, escrevendo o meu primeiro livro de poesias, acabou de sair a publicação de "A Palavra Não Escrita". Ele não é fruto unicamente do meu esforço, mas de muitas outras pessoas, algumas delas não tive o prazer de conhecer, mas auxiliaram na minha formação o suficiente para que a obra viesse a lume. 

Em especial, queria agradecer ao amigo e irmão Sammis Reachers, do Poesia Evangélica, que empreendeu um trabalho primoroso, dedicado e não remunerado, para fazer a edição e a arte (e se recusou a ter o nome incluído nos créditos). 

Por isso, nada melhor do que deixá-lo falar, transcrevendo, a seguir, o prefácio que ele gentilmente elaborou para o meu livro. Uma honra e tanto!

A todos que participaram direta ou indiretamente na realização dessa obra, o meu sincero e muito obrigado.

Em especial a Cristo, sem o qual não haveria motivação e força para concluí-lo!

A ele, toda honra e glória!

PS: Baixem, leiam e divulguem o livro, gratuitamente!

Ele pode ser acessado na página do Poesia Evangélica
Ou
No site Monergismo, do amigo e irmão, Felipe Sabino. 
Ou, 
ainda, no Internautas Cristãos, do também amigo e irmão Tiago Knox.


PREFÁCIO

"A poesia de Jorge F. Isah nasce carregada de enlevo hermético. Como os mestres hermetistas italianos do século XX (Montale, Quasimodo, Ungaretti), a cada poema de Jorge somos confrontados pelo toque da Esfinge, “decifra-me ou te devoro”, e mais, “decifra-me e devora-me”: que maior convite pode fazer um poeta, pode propor um poema?
  
E Jorge avança, como alfarrabista de palavras que é, como artista ora cônscio, ora febril, a estabelecer seus mosaicos na tabula rasa do papel; sua arte nunca é superficial, nunca é simplória: ela não solicita, mas é uma onda densa que arrasta, desperta e conclama ao mergulho em suas torrentes verbais. Exige a atenção, engaja e transveste seus leitores no tensionado herói Teseu, cuja atenção freme ululante enquanto avança pelo labirinto - cujas bifurcações vão se adensando a cada quadra. O prêmio para aquele que perseverar está ao fim do labirinto, embora feito da soma de suas partes: o gozo silencioso da celebração poética, o graal misterioso e assaz buscado, o pequeno êxtase quase epifânico (pois a poesia tem e terá sempre - quem a furtará? - algo de religião, de religação com o divino) que só a verdadeira arte pode inocular nas veias da alma. 

Este A Palavra Não Escrita é um manjar pleno para o verdadeiro apreciador de poesia, posto em salvas de prata onde o leitor sorverá a multiplicidade de percepções do autor, cujos versos transitam das elucubrações de sua alma às mazelas da sociedade, do fulgor metapoético, da poesia que se dobra sobre si mesma, à louvação dAquele que é a fonte matricial de toda poesia, justiça e beleza.  

Uma jornada com poder de transformar percepções, cujo arco tensionado se estende do álacre ao pungente: esta é a proposta de Jorge Isah neste seu elaborado labirinto."
   Sammis Reachers

02 julho 2016

Um Deus preso no tempo




Por Jorge Fernandes Isah



  
É sempre complicado falar das coisas de Deus, mesmo guiados pelo Espírito Santo, a nossa visão é limitada pela infinitude, transcendência e perfeição divinas, então entender e compreender tudo é impossível, sendo seres limitados e imperfeitos, muitas coisas nos serão ininteligíveis e incompreensíveis, no sentido de sabermos em detalhes explica-las. Devemos, logo, ter a humildade de reconhecer os termos demarcados pelo Senhor a impedir-nos de esmiuçar e descrever toda a verdade. Ainda que nos seja revelado tudo nas Escrituras, tudo aquilo que ele quis manifestar, muitas delas serão aceitas pela fé, sabendo ser a Bíblia a palavra divina, ela é a verdade, e de que, se o Senhor escreveu, independente da capacidade de entender um ou outro enunciado, deve ser simplesmente aceita e jamais questionada, evitando-se a especulação, exatamente por sua complexidade. Enquanto Deus vê o todo, vemos, quando atentamos corretamente, fracionada e parcial. Deve bastar-nos, e ser suficiente para deleitarmo-nos, reconhecer a realidade da Escritura, posto Deus tê-la escrito e revelado, mesmo sem nos dar maiores explicações. Rejeitar algo maravilhoso, sublime, porque não as alcançamos, pela insignificância e limitação da mente e espírito, torna-nos em arrogantes, presunçosos, incapazes de admitir a própria realidade, auspiciando nas divagações e especulações uma vantagem suficiente para igualar-nos a Deus (ou até mesmo tornar-nos superiores), e assim encobrir a debilidade inerente e contemplada na natureza humana.

Eleição incondicional é, então, o ato divino de escolher pessoas entre a totalidade da humanidade caída, condenada, morta espiritualmente, e fazer delas o seu povo, regenerando-as e salvando-as da condenação advinda pelo pecado; sem que elas tivessem condição alguma a favorecê-las na escolha, pois a escolha é dele, feita exclusivamente por ele, pela liberdade e vontade soberanas que ele tem de escolher sem qualquer restrição, coação ou limitação exterior a ele. Deus é absoluto, supremo em suas decisões, implicando ser ele livre para escolher quem quer, da maneira que quer, sem ninguém poder questioná-lo, como Paulo, peremptoriamente, declara em Romanos:


“Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? ” (Rm 9.20)

         Deus livremente escolhe, segundo a sua vontade, de entre os seus inimigos, pessoas as quais separou para serem o seu povo.

           Como Deus é eterno, e tudo relacionado com ele é eterno, a eleição também é eterna. Há várias passagens na Escritura afirmando a nossa eleição antes da fundação do mundo. Esta expressão não está limitada a um momento histórico, a um evento temporal, mas significa que, desde sempre, desde quando o Senhor existe, ela foi planejada, estando sempre em sua mente, assim como a sua causa também é eterna. Pense um pouco, e tente responder: Você pode dizer o motivo pelo qual, não havendo nada em nós a agradá-lo, Deus elege?

 Seria por ele ter antevisto, no tempo, que responderíamos prontamente ao chamado santo do Senhor? De ter ele previsto que alguns creriam e, por isso, predestinou-os à salvação? Esta é, certamente, a resposta mais óbvia, uma solução humana que não contempla a realidade divina, porém tem uma aceitação quase unânime, em nossos dias. Também chamado de presciência, advoga o conhecimento prévio de Deus de todas as coisas como o motivo para a eleição. Acontece haver duas definições de presciência, uma antibiblica e a outra bíblica. A primeira, definida como Deus não estando no tempo, mas este sendo parte da criação, vê tudo e todos num mesmo instante. A dificuldade em se dar um sentido exato à sentença é facilmente verificada em como dispomos de uma linguagem restrita para um conhecimento também restrito. Um instante é uma fração de tempo, contido no tempo, mas não há como abandoná-lo na tentativa de trazer significado ao termo “presciência”, pois, de outra maneira, tornar-se-ia, por completo, incompreensível. Ao dizer que Deus vê tudo num instante, mesmo esse “instante” sendo infinito e eterno, é prova da delimitação reservada ao homem de não alcançar a amplitude indeterminada, a perfeição intangível, a santidade ilimitada, da mente divina. É preciso, muitas vezes, para a nossa compreensão, rebaixarmos a magnitude de Deus ao nível da insignificância humana.
 
Prosseguindo, a ideia de presciência, definida segundo uma ótica não bíblica, tem a conotação de Deus prever, antever, conhecer de antemão, todos os atos e eventos históricos, antes deles se realizarem. Assim, Deus, conhecendo que fulano responderia positivamente ao chamado ou “esforço” do Espírito, através da fé, crendo para a sua salvação, tornou-se um eleito, em definição corrente e usual entre os cristãos. Ao ver os eventos descortinados diante dos olhos, e a resposta positiva do homem, Deus o predestinou, elegendo-o. Encontramos um sério problema nesta definição, posto Deus escolher quem o escolheu, mesmo o fazendo antes dos eventos, mas apenas um momento após vislumbrá-los, antevê-los, significando, de qualquer maneira, que a escolha divina se deu após a decisão, a escolha humana estabelecendo-se efetivamente. Ou seja, do ponto de vista lógico, Deus escolheu depois da escolha do homem, logo, não é, na verdade, a escolha divina, mas a ratificação divina à escolha humana. Somente depois de confirmado pelo antever, Deus tornou-a firme, validando a eleição, cuja causa e origem está no homem, cuja atitude de responder positivamente ao chamado divino é a razão, o agente eficaz que justifica a existência do não existente, sendo a origem da eleição, o ato motivador e o princípio gerador. Deus nada pode fazer, como um agente passivo, se tornando prisioneiro da vontade humana. Mas há algo ainda pior: este esquema faz de Deus prisioneiro do tempo, ou seja, prisioneiro da sua própria criação.

Se a presciência é a antevisão de Deus dos fatos futuros, e ele elege o homem a partir dessa visão, mesmo Deus não estando no tempo, ele estaria “refém” do tempo, posto somente "validar" a eleição após certificar-se da resposta positiva do homem. Ora, há uma visão do futuro, o próprio futuro é um fragmento temporal, e a resposta humana se dará nele, então a presciência, como um “decreto comprobatório” dessa visão, depende essencialmente da resposta transitória do homem, levando a uma decisão temporal, não eterna, tornando o próprio Deus em um ser limitado por sua própria criação. Neste sentido, Deus elegeria e predestinaria somente "após" observar a resposta positiva ou negativa do homem. Há, aqui, uma condição de subordinação de Deus, passível de afetar o atributo da soberania, na qual ele pode tudo, ontologicamente, mas está condicionado à iniciativa humana, no tempo, no sentido de o seu conhecimento, ainda que completo, amplo, o restringe e o faz dependente, podendo tornar-se imobilizado nos casos das respostas serem negativas. Sendo eterno, se sujeitaria a efemeridade, resignando-se a uma mera coadjuvância, não o causador e gerador do ato, mas uma testemunha ocular; onde a sua vontade não é imperiosa, determinante, mas sancionada por uma ação futura, temporal, a não apenas influenciar, mas ocasionar a eternidade. Ou seja, não é o eterno a fundar o tempo, mas uma fração ou frações dele a sedimentar o perene. E a própria ideia de Deus conforme revelado na Escritura tornar-se-ia impossível, ou, no mínimo, questionável. 

Uma analogia possível, guardadas as devidas proporções, seria um copo de suco de laranja ser a causa da existência da laranjeira e seus frutos; em outras palavras, o menor, o suco de laranja, fundacionaria o maior, a laranjeira, quando na verdade acontece o contrário. O temporal nunca poderá justificar e fundamentar o eterno, posto ser este a instituir aquele. E Deus estaria aprisionado em sua própria criação, não somente agora mas para sempre, dadas as consequências da eternidade firmarem-se nas ações transitórias, das quais ele não tem poder de decisão, nem são por ele controladas.
Podemos resumir este estado de coisas em duas frases:
“Deus escolhe, elege, o salvo”. Esta proposição não fere, enfraquece a soberania divina, ou transforma-o em um mero espectador, mas em um agente ativo na ação de escolher. É ele quem, por sua exclusiva vontade, decide, a partir de si mesmo, quem será eleito, sem atentar para nenhum fator externo a ele. 
“O homem, ao responder positivamente, pela fé, é escolhido por Deus”. Esta proposição faz de Deus um agente passivo, que decide a partir de uma ação exterior a si, como uma reação à resposta positiva ou negativa do homem; pois, antes, a sua motivação está associada, ou melhor, parte da resposta humana, da manifestação da sua vontade, sem a qual Deus está incapacitado de condenar ou não, posto o homem ser autônomo e detentor do livre-arbítrio. Em linhas gerais, Deus está em uma camisa de força, imóvel, podendo apenas assentir ao movimento humano, concordando ou discordando mentalmente, mas ratificando-o, independente da resolução tomada pelo homem, a qual, em última instância, põe termo à questão, dando-lhe o desfecho final. 
Isso faz de Deus, em algum aspecto, refém da autonomia humana, de tal maneira que ele estará condicionado a ela, submetendo-se (e a ideia de voluntariedade inexiste como explicação), numa posição subjacente, secundária, ao desígnio estabelecido pelo homem a partir da própria vontade; esta, sim, determinante da eleição, enquanto a divina é apenas confirmatória, e não causativa, ratificando o que Deus já havia vislumbrado, por verdadeiro, pela antevisão. 
Nesse aspecto, a soberania divina é frágil, enquanto a força encontra-se na vontade determinada do homem; e nem mesmo Deus pode demovê-lo para o bem, pois sua vontade permanece imperiosa; assim, se o homem desejar permanecer em sua rebeldia, Deus não poderá fazer nada. Como observador, resta-lhe a condição de testemunha, estando apto a confirmar e declarar o assistido, cumprindo o papel de passividade cabível. Ainda mais angustiante é saber que, segundo essa definição, o Senhor ama a todos os homens, indistintamente, e não pode exercer nenhuma ação visando preservar o objeto do seu amor, antes, porém, deve respeitar e salvaguardar as decisões tolas de suas criaturas, culminando em lança-las, os amados, no Inferno. Após a condenação, o amado tornar-se-á em odiado, e sobre ele a ira e justiça divinas recairá. Temos, via de regra, um deus esquizofrênico, o qual ama suas criaturas, derramando sobre elas a sua graça, morrendo por todas elas na cruz, pagando o sacrifício impossível de ser quitado, mas, na hora “h”, nada disso se torna relevante, pois se o homem não quiser receber todas essas dádivas, pode recusá-las, anulando os seus eventuais efeitos, tornando-os inócuos como uma rosca espanada. 
Outra analogia seria a de um garoto, de dez anos, subir no alto de um prédio de cinco andares, vestido de Super-Homem, e ameaçar atirar-se do telhado. Ele acredita possível voar, e espera alcançar a mesma velocidade do Homem-de-aço, vista no último filme. Ainda que tenha machucado algumas vezes, e tirado sangue de joelhos e cotovelos, sempre reputou ser aquilo fruto de uma kriptonita invisível, enfraquecendo-o. Porém, agora, ele está certo de não haver nenhuma ameaça, nem mesmo tênue. Sente-se corajoso como nunca para realizar o mesmo feito do seu ídolo. Seu avô chega a tempo de impedi-lo, e tenta demovê-lo dessa ideia, dizendo que, se pular, ele morrerá, não verá mais seus pais, seus irmãos, os colegas de escola, não tomará mais sorvete, nem jogará futebol, o seu PlayStation será dado ao irmão caçula, que herdará também o quarto e todos os demais brinquedos... Além do mais, diz, você não é o Super-Homem, o Super-Homem não existe, é uma história, e homem nenhum jamais voou por si mesmo. Então, durante a conversa, ele se aproxima o suficiente para agarrar a criança, salvando-a de precipitar-se no vazio, mas insiste em convencê-la, argumentando, crendo que ela acreditará na própria insensatez e gravidade do seu ato, e pelo seu livre-arbítrio¹ decidirá com correção. Mas o garoto está cheio da conversa do avô e, mentalmente, quer provar que está certo; o Super-Homem não é uma mentira, ele viu, estava lá, voando, atravessando paredes, segurando aviões em pleno voo, mostrando o quanto era hábil no que fazia. Num átimo, lança-se do topo do edifício, estatelando-se no chão. O avô, no momento em que podia segurá-lo, recua a mão, lembrando-se de que a decisão é do netinho, e ele não pode interferir em suas escolhas, mesmo danosas e mortais. Quase teve remorsos, mas entendeu ser impossível ir contra a decisão da criança. Mesmo sabendo que o conhecimento dela da realidade era insuficiente para tomar uma decisão acertada, mesmo sabendo que esteve, até aquele tempo, enganada com a ilusão hollywoodiana de um super-herói voador, que sua mente estava mais afeita à fantasia do que à verdade, mesmo assim, não poderia intervir. Considerou-se impotente, entristecido, mas convicto de haver preservado a vontade da criança, a qual, em última instância, não a teve cumprida, posto não ter voado, nem permanecido vivo, como supunha, chegando a um final impensado e não desejado. 
Se porventura, todos os homens negassem a graça, a expiação e a justificação de Cristo (hipoteticamente, claro, a despeito de muitos já o fazerem efetivos), as quais não saíram da categoria de possibilidades, jamais, e em tempo algum, alcançaram o estado de certezas, elas não teriam qualquer sentido, e seriam um retumbante fracasso. Deus teria malogrado em seu propósito, o de salvar alguns, e ainda hoje, segundo essa visão, ele fracassou, pois, se Cristo morreu por todos e sua graça é resistível, não há eficiência na expiação e justificação, em salvar todos, mas apenas a contingência de, eventualmente, um e outro decidir abandonar o pecado e aceitar a salvação (mais por um mérito pessoal que pelo convencimento sobrenatural); além do quê, Deus passaria o atestado de incompetência.
Diante desta descrição, como não julgar esse "Deus" um miserável, e cego, e nu, submetendo a sua sabedoria, perfeição, santidade e poder, às vontades de suas criaturas imperfeitas, tolas, pecadoras e frágeis? 
Pois bem, a maior parte desse esquema não provém da Bíblia, nem da revelação divina, mas de distorções interpretativas do texto sagrado (ainda que exista uma lógica interna culminando nessa conclusão, contudo, o pressuposto do livre-arbítrio e do tempo, onde a vontade está atrelada, e sob os efeitos da transitoriedade, não se harmoniza com a realidade bíblica, sendo um equívoco) aliadas à especulações filosóficas e a necessidade de justifica-las, tendo como ponto comum a rebeldia e intransigente autoglorificação humana, em que o seu destino depende exclusivamente de si mesmo. Mas, se nos aspectos mais comuns e insignificantes da vida, nem assim o homem tem o poder de estabelece-los, muitas vezes, por que haveria de deter praticamente a totalidade das virtudes necessárias à salvação da alma, garantindo um lugar ao lado de Deus, na eternidade (algo que demandaria uma sabedoria próxima da perfeição)? Se está à mercê de forças externas a si, capazes de determinarem parte do curso existencial terreno, em um aspecto temporal, o que dizer de algo grandioso e dependente de um grau superlativo de virtudes? Ao ponto de ser necessário um estado de harmonia absoluta entre o espírito do homem e o Espírito de Deus? De onde tiraria essa superioridade espiritual sendo detentor de uma alma caída, pecadora e corrupta? Qual transformação seria indispensável à essa conversão? Uma vontade dominada pelo pecado? Controlada pela carne? Em oposição a Deus? 
Alguém dirá: Mas o Senhor derrama a sua graça sobre aquele homem, e ele pode então ver...
Ao que digo: será? Se ele é capaz de vislumbrar as benevolências, o amor, o sacrifício, a misericórdia e a graça divinas, e permanece resoluto em manter o seu estilo de vida, depravado, corrupto, e maldito, terá entendido de verdade quem é Deus? Quem ele é? E, caso não tenha entendido, de que adiantará a graça se não pode, ao menos, movê-lo ao conhecimento divino? Será uma graça inútil, anulada por sua estupidez.
 

Notas: 1- A própria noção de "livre-arbítrio" está equivocada, posto a criança estar "presa", de alguma maneira, a uma coação exterior a si mesmo, ou seja, o personagem "Super-homem", o último filme, a sua fantasia de homem-de-aço, tudo isso cooperando para mover a sua vontade a fim de realizar o ato desejado. O livre-arbítrio não é sinônimo de vontade, pois esta é controlada pelo Espírito Santo ou pelo pecado. Não há meio termo; enquanto o livre-arbítrio pressupõe neutralidade, uma neutralidade livre de qualquer influência ou coação externa e interna (somos, desde cedo, expostos à moral, à ética, a valores sociais, leis, etc, capazes de formar o nosso caráter, e, ao se ter um caráter, levando-nos para um lado ou outro, em nossas decisões, já não somos "neutros", significando na impossibilidade da neutralidade, logo, do livre-arbítrio)
2- Advogo que nem mesmo Deus detém o livre-arbítrio, pois ele não pode fazer, nem como hipótese, algo que contradiga o seu Ser, de maneira que ele somente fará e decidirá por atitudes segundo a sua natureza, e jamais contra ela.
3- Fragmento de um esboço, a tornar-se apostila ou livro, sobre a Eleição Incondicional , portanto, são ideias e exposição preliminares, podendo sofrerem alterações, no futuro.

4- Texto publicado, originalmente, no Kálamos, em 17/10/2015

04 abril 2014

Usando os talentos para a glória de Deus

Pr. Luiz Carlos Tibúrcio


Graças a Deus pelos hinos que foram entoados e pelo especial cantado pelas irmãs Lia e Cida, os quais enchem muito de alegria o nosso coração pelo sacrificio maravilhoso do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos tem uma mensagem de amor naquele local de sofrimento que é a cruz, onde o Senhor padeceu por nós.

Vamos abrir as nossas Bíblias em Mateus, capítulo 25, versículo 14, onde compartilharemos a Palavra de Deus; alegres por estarmos aqui com os irmãos... graças a Deus que temos um conselheiro que sabe todas as nossas necessidade, temos um médico, temos um advogado e temos um Salvador que é Cristo. Amém!


Mateus 25... versículo 14... Mateus 25.14... A Palavra de Deus diz:


“Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens” (ACF)

Graças a Deus por isso. Graças a Deus que temos um Pai que cuida de nós, e vai cuidar de todos aqueles que nós temos apresentados diante do Seu trono, dentro do plano eterno do Senhor.


O Senhor Jesus Cristo está aqui, no capítulo 24 e 25 ensinando a respeito do Reino de Deus; está ensinando sobre as coisas celestiais, ensinando o seu povo através de parabolas. Primeiramente a palavra de Deus nos diz que um homem tinha pessoas a seus serviços, que tinha empregados que cuidavam das suas coisas, ele chama os seus servos e dá ordem a eles; e hoje vamos pensar numa mensagem cujo tema é: Usando os seus talentos para a glória de Deus. E esta é uma coisa que devemos pensar, a qual devemos nos perguntar: será que estamos usando os talentos que Deus nos tem dado para a glória Dele? Para servi-lO? Para o louvor do Seu santo Nome?... Graças a Deus, porque servimos ao Senhor, porque não temos outro Senhor, que não o Senhor nosso Deus, o Deus Vivo e Único, amém!


O povo de Israel diz: Nós não servimos a outro deus, mas apenas ao nosso Senhor. E graças a Deus por nós, que hoje estamos aqui ouvindo a Sua santa Palavra, e servimos a Deus, nós cristãos, por Jesus Cristo nosso Senhor; o qual nos fez agradável ao Pai. Aqui, novamente, podemos, por Jesus Cristo, prestar serviços a Deus.


A Palavra de Deus diz: “Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens”. 


Vejam que coisa fantástica a Palavra de Deus diz. Ela fala sobre um homem que chama aqueles que estão a serviço dele, e lhes entrega todos os seus bens. E nós, como cristãos e servos que não temos o talento, estaremos dizendo: nós não servimos ao Senhor. E esta conclusão lógica vem porque “aqueles servos o senhor chamou, e àqueles servos ele concedeu-lhes talentos. Esse senhor, esse grande senhor e grande homem, entregou todos os seus bens nas mãos dos seus servos. Nós temos aqui uma palavra e uma relação de absoluta confiança. Há um livro, se não me engano do Pr. John MacArthur, em que ele diz que Deus tinha um só plano, o plano de Deus para aqueles doze homens era que através deles Ele transformaria o mundo. Ele faria a Sua obra completa. E esta é uma coisa fantástica para a nossa análise, porque realmente podemos pensar que, quando vamos fazer nossas coisas temos o plano “b”, a válvula de escape “c”, caso a válvula “a” e “b” não funcionem; temos o pára-quedas de emergência, caso o principal não se abra... sempre temos que elaborar um plano, e ter algum tipo de garantia ou segurança para o caso do nosso plano principal não dar certo. Mas veja que Deus escolheu aqueles homens simples para que através deles o mundo conheça a glória do Senhor.

Pois hoje, o Senhor tem chamado a nós, e nós devemos fazer a obra Dele. O Senhor tem nos chamado... a Sua palavra diz que aos que Ele chamou a estes também Ele santificou, e a estes também Ele enviou. Nós somos enviados a fazer uma obra, uma obra em nome do Senhor.


No verso 14 lemos que o senhor depositou todos os seus bens nas mãos dos seus servos, e partiu para uma terra distante, para longe; e outra particularidade dessa relação é que o senhor estava seguro de que os servos fariam conforme o seu mandado. Amém, irmãos!


O Senhor espera que sejamos servos obedientes; o Senhor tem nos chamado, e tem nos dado a Sua graça para que possamos servi-lO a cada dia de nossas vidas... está é uma relação de confiança... Deus espera que O obedeçamos em tudo e por toda a nossa vida. Eu posso ou não abrir a minha Bíblia e estudar. Posso ou não falar do amor de Jesus a todas as pessoas. Posso ou não ser honesto e verdadeiro nas minhas relações. Para ter a graça do Senhor em minha vida eu tenho de viver em conformidade com a vontade de Deus.


A Palavra de Deus diz que esse servo... irmão... já viu como um servo age quando o patrão está por perto? Como ele é zeloso com as coisas, vai organizar a mesa, executa bem o seu trabalho, a fim de agradar ao seu patrão? Conta-se uma história de um homem que se chamava José. Ele, depois de algum tempo no trabalho, sentia-se sem reconhecimento. Ele era um homem responsável. Então, passado algum tempo, ele já não se empenhava com antes. Começou a negligenciar o seu serviço, a fazer as coisas meio que por pirraça. Num certo dia, em que ele estava zangado com o seu patrão, porque o patrão não havia aumentado o seu salário como fizera com outros, varrendo o seu setor, pensou: 


“Sabe, não vou mais caprichar com isso aqui não, vou fazer de qualquer jeito”. 

Pegou o lixo e jogou debaixo do tapete. Pouco depois, o seu chefe encontrando-o, e diz:

“Sr. José, passe no meu escritório depois do expediente, pois precisamos conversar”.


O Sr. José pensou: “Puxa-vida! Acho que ele descobriu o que fiz de errado... provavelmente vai me mandar embora... puxa-vida, e agora? O que vou fazer?”


No final da tarde, dirigiu-se à sala do chefe. Chegando lá, foi recebido imediatamente.


“Boa tarde, sr. Everaldo!”


“Boa tarde, sr José! Sente-se.”


Ele sentou, esperando apreensivo.


“Sr. José, tenho observado o seu trabalho, e visto já há algum tempo a dedicação e zelo com que tem desempenhado a sua função. E tenho pensado que já há muito o senhor tem merecido um aumento. E não sei por quê ainda não lhe foi dado. Mas, o que quero dizer é que, a partir deste mês o senhor receberá um aumento, que fez por merecê-lo...”.


Ao sair da sala, o sr. José correu até o tapete e tirou o lixo de debaixo dele; retornando agradecido para casa.


Irmãos, a Palavra de Deus nos chama ao serviço de Deus; não como aquele que serve enquanto o patrão está perto, mas como aquele que serve com fidelidade mesmo na sua ausência.


A Palavra de Deus diz que esse senhor chamou os seus servos e ausentou-se para uma terra distante. E diz mais, versículo 15: “E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe”. Coisa fantástica que esse senhor faz ao dar cinco talentos para um, dois para outro e um para outro, mas o faz segundo a capacidade de cada um deles. E aprendemos que Deus nunca vai nos chamar a fazer uma tarefa para a qual Ele não nos capacitou. Deus nunca nos chamará a fazer algo na Sua seara, para a Sua glória, sem que primeiro Ele nos dê condições para executá-lo. Quando sirvo ao Senhor, quando bendigo-O, louvando-O em qualquer área da minha vida, seja no ministério da Sua palavra, seja na administração do serviço, seja com os dons que Ele me deu, em todas essas coisas, primeiramente, Deus irá suprir para que eu possa dar. O Rei Salomão quando da construção do templo, quando fez a oração de consagração ao templo disse: Senhor, nós não estamos fazendo um templo, Tu nos destes para Tu dar. E assim foi Deus quem primeiramente deu a eles condições para que eles pudessem servi-lO. Amém, irmãos!... E nós serviremos a Deus; e nós O servimos, seja com os nossos bens materiais, com os nossos talentos individuais, com a inteligência, a capacidade e habilidades, porque Ele nos deu para que O servíssemos.


Outra coisa interessante é que o senhor, nessa parábola, estava avaliando os seus servos, e sabia da capacidade de cada um deles.


Prosseguindo, o versículo diz: “E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles, e granjeou outros cinco talentos”. Eu gosto de uma outra tradução (ARA) que diz que aquele servo, o que tinha cinco talentos, saiu imediatamente a negociar com ele e ganhou outros cinco. O fato dele sair imediatamente evidencia-se o zelo para com as coisas do seu senhor. E percebemos quando uma pessoa é zelosa com as coisas de Deus ou com qualquer outra coisa, porque o zelo se conhece rapidamente. Aquele que realmente é zeloso com as coisas de Deus, tem a disposição para servir. Há situações em que se diz que gostaria muito de servir, que desejaria muito servir, de ter tempo para servir; mas, porque a vida é muito atarefada, são tantas coisas para se fazer, estou impedido de servir. Isso não é verdade, afinal de contas, todos nós temos vinte e quatro horas no dia. O tempo é igual para todos nós, só que alguns conseguem servir a Deus, outros não.


Vemos aquele servo, após receber cinco talentos, partir a negociar, mostrando presteza, pois o fez imediatamente.


Quando devemos servir ao Senhor, meus irmãos? Hoje! O dia é hoje, o qual estamos vivendo. Devemos planejar o futuro, de como administrar a obra do Senhor, devemos planejar os eventos que faremos para louvar o Senhor, mas hoje deve ser o nosso dia de começar o serviço a Deus.


E ele granjeou outros cinco talentos. Aquele que era fiel e estava apressado para servir ao Senhor, foi ele quem granjeou outros cinco talentos. Significa que ele negociou, usou seus talentos, e mais talentos obteve. Irmãos, um talento de prata em Israel pesava quarenta e cinco quilos; um talento de ouro pesava noventa e um quilos, o que era um pequena fortuna... Versículo 17: “Da mesma sorte, o que recebera dois, granjeou também outros dois”. Aquele que recebeu dois talentos, granjeou também outros dois talentos.


Versículo 18, diz: “Mas o que recebera um, foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor”. Essa terceira pessoa recebeu apenas um talento, e era esse talento conforme a sua capacidade. Pensem comigo: ele procurou um lugar, provavelmente distante, onde ninguém conhecia, um esconderijo, e chegando lá, cavou um buraco profundo, e colocou o talento, cobrindo-o com terra, fechando o buraco; talvez, plantando uma árvore por cima, colocando grama para disfarçar; ele enterrou o seu talento. Sabe, ninguém podia ver aquele talento. Parece-se com a vida de alguns cristãos, que realmente decidem que serão salvos pelo Senhor, mas que não O servirão. Decidem que podem ser crentes em Deus, mas também podem viver a sua vida, levando-a da forma que quiserem, com tempo para o trabalho, para os estudos, a família; contudo, sem tempo para servir a Deus.


A Palavra de Deus diz que esse servo enterrou o talento do seu senhor; mesmo sabendo que aquele talento pertencia ao seu senhor. Como devo encarar as bênçãos que o Senhor tem me dado? Como administro os recursos que Deus tem me dado? Eles são dados para a glória de Deus? Veja meus irmãos, quantas coisas podemos fazer, se cada um de nós se dispuser a contribuir com uma parte dos seus bens, com uma parte do seu tempo, com as suas habilidades, para a glória do Senhor. Se cada um de nós administrar de tal forma os seus bens, deles sobrará para que se contribua mais para a obra de Deus. Quantas igrejas são perseguidas mundo afora? Quantos irmãos passam por aflições no momento? Quantos necessitados precisam ouvir do amor do Senhor Jesus Cristo? E a obra que temos de fazer para louvar e bendizer o nome do Senhor?... E esse servo enterrou o seu talento.


Versículo 19: “E muito tempo depois veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles”. Atentemos para o que o versículo diz: e passou-se muito tempo depois. Durante aquele tempo, os servos podiam falar: “Meu senhor não me olha. Há quanto tempo ele foi embora, e não voltou mais. Podemos agora gastar aquilo que é do senhor”. Ou mesmo a possibilidade daquele servo que não servia de poder servir. Talvez, desenterrar o talento que havia enterrado, e assim, servi-lo.


Versículo 20, diz: “Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles”. Que tipo de servos somos? Será que somos o que recebeu cinco talentos? Ou por acaso não seríamos o que recebeu dois talentos?... Quando nos envolvemos com a obra de Deus, cada vez mais nos envolveremos e estaremos envolvidos; e temos visto que, quando nos voltamos para o serviço do Senhor, as oportunidades aparecem e se tornam cada vez maiores. As pessoas começam a nos procurar, a bater em nossa porta, começam a nos pedir ajuda, orientação, e assim, servimos a Deus segundo a Sua vontade.


Esse servo recebeu cinco talentos e granjeou outros cinco para o seu senhor. “E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Que palavras doces para aquele servo que servia ao senhor de uma forma prazerosa, que honrava-o diligentemente. A resposta do senhor para aquele servo foi “servo bom e fiel... entra no gozo do teu senhor”.


Versículo 22 e 23: “E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Será que somos ainda como aquele servo que recebeu dois talentos? E que mesmo não recebendo grandes talentos foi fiel naquilo que o seu senhor lhe deu? Será meu irmão, que Deus talvez não lhe chamou para ser um pregador, uma pessoa de oração, um evangelista? E nas coisas mais simples, mesmo aquelas que ninguém nota, ser fiel ao Senhor? Será que Ele não nos chamou para com um sorriso dizer às pessoas: “seja bem-vindo à nossa igreja”; e fazê-lo com alegria no Senhor? Ou para zelarmos pelo trabalho na igreja? Ou ainda, visitarmos uma senhora, e ali lermos a Bíblia com ela, confortando-a, zeloso naquilo que faço? A Palavra de Deus diz: “sobre o pouco foste fiel... entra no gozo do teu senhor”.


Versículo 24 diz: “Mas, chegando também o que recebera um talento”... Vemos que, a narrativa da Palavra de Deus primeiro fala do servo que recebeu cinco talentos, depois do que recebeu dois, e, por fim, daquele que recebeu um talento; e aqui ele é o último também a vir prestar contas ao seu senhor... “Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste”. E pior do que enterrar o seu talento, era o conceito que aquele servo tinha do seu senhor. Aquele servo pensava que o seu senhor era um homem duro que ceifava onde não semeava, e ajuntava onde não espalhava. Se sou um servo do Senhor, eu recebi dele um talento. Se não recebi um talento, não sou um servo do Senhor. Se não uso o talento que Ele me deu para a Sua glória, estou dizendo, como aquele servo dizia no seu coração (Senhor Jesus Cristo aqui apresenta fatos, embora seja uma parábola, Ele não apresenta possibilidades, mas fatos):“Tu és um homem duro, que ceifas o que não plantou e ajuntas o que não espalhou”. E assim é como o Senhor via aqueles servos, que apesar de servos, não O serviam. Que coisa triste, irmãos, a situação daquele servo...


Nós servimos a um Deus maravilhoso, todo generoso e cheio de misericórdia. Graças a Deus porque não O servimos por obrigação, embora Ele mereça, embora Ele tenha autoridade para mandar em nós; mas graças a Deus, nós o serviremos em amor. Graças a Deus eu vejo irmãos que vêm com dificuldade à igreja. Não é uma coisa fácil. Muitos moram longe, distante daqui, mas ainda assim ousam vir à igreja para ouvir a Palavra do seu Senhor. E vejo irmãos que com dificuldade buscam servir ao Senhor, as vezes com apertos, lutas... e sabe de uma coisa, nós a cada dia estamos a serviço do nosso Senhor, e devemos persistir e continuar.


Aquele servo demorou a vir prestar contas ao seu senhor. No versículo 25 ele continou dizendo: “E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu”. Parece que essa é a situação de algumas pessoas que dizem servir a Deus. Se você perguntar a elas sobre as doutrinas bíblicas, elas serão capazes de responder-lhe, terão na ponta da língua os preceitos de Deus, sobre diversos aspectos teológicos; mas a Palavra de Deus é clara em dizer que: ninguém vem a mim sem que o Pai que me enviou não o trouxer. Para que alguém vá até o Senhor Jesus é preciso que o Pai o leve. Mas quando se trata de servir a Deus, a situação muda de figura. Quando se trata de servir a Deus com os seus bens, com os seus talentos, a coisa se complica. Pensemos, irmãos: Como alguém que é um servo do Senhor pode esconder na terra aquilo que Deus deu para que o nome Dele seja glorificado? Como o servo pode servir assim? Escondendo, guardando aquilo que é para ser usado?


Versículo 26 diz: Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros”. Em outras palavras, meus irmãos, como é que eu posso viver negligenciando aquilo que Deus me deu? Antes eu deveria entregar para aos que gerenciam corretamente, aos que sabem fazer negócio (“Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros”).


Podemos chegar ao ponto de dizer: “Irmão, eu não sei qual é o meu dom... Não sei... Se Deus me deu um dom especial, eu não sei qual é.” E eu lhe pergunto: O que você faz da sua vida para a glória de Deus? Como você tem glorificado a Deus com a sua vida? Que serviço você presta a Deus? Qual a motivação que você tem para o trabalho na seara do Senhor? Onde você está servindo ao seu Senhor?... Seria o caso de se responder: “Eu realmente não faço nada, mas eu visito os irmãos, visito doentes nos hospitais... eu não sou grande coisa, mas quando tenho oportunidade entrego um folheto, quando sou chamado a fazer uma visita eu vou, quando posso falar do amor de Jesus a alguém eu falo... mas eu não sei se o sirvo”... Esse irmão pode não saber, mas Deus sabe, porque o Senhor está atento a todas as coisas; e Ele sabe qual é o servo que lhe serve, e qual o que não lhe serve.


Versículo 28: “Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos”. Jesus diz que, aquele que possuía um talento, e se negou a servir ao seu senhor, dele foi tirado o que tinha; e dado ao servo que possuía dez talentos. Em outras palavras, o que o Senhor diz é que, aquele homem nunca foi um servo. Por algum momento ele parecia ser um servo, um talento estava com ele para a glória de Deus, mas ele nunca foi um servo. Se nós olharmos, neste momento, em todo o mundo, os homens deveriam glorificar a Deus com suas vidas. Mas eles encaram o Senhor como mau, e não merecedor de ser glorificado. Uma coisa que o mundo quer é que essa forma de ignorância, a religião, seja tirada do seu meio, para que assim ele seja melhor. Por isso, querem melhor o mundo acabando com a fé que algumas pessoas têm. Mas se procurarmos vislumbrar o bem que eles dizem fazer à humanidade, não veremos nada.


A Palavra de Deus diz: “Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros”. Onde estão, meus irmãos, os servos do Senhor com os seus talentos? Onde eles estão usando os seus talentos? Os quais deveriam ser usados para a glória de Deus?


Em João, capítulo 15.8, diz: “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos”. O Senhor Jesus Cristo diz que o Pai é glorificado na medida em que nossas vidas dão frutos para a glória de Deus. Na medida em que nossas vidas dão louvor e honra ao nosso Deus.


Em Hebreus 13.13-14, diz: “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura”. Algumas pessoas estão vivendo aqui, como um fim, como se a suas vidas fossem apenas terrenas. Vivendo para si mesmas, somente para este mundo, e o talento que Deus lhes deu para a Sua glória está enterrado em algum lugar, está debaixo de um móvel, encostado num canto. Os irmãos não fazem conta da quantidade de professores que poderiam ensinar as crianças. Os irmãos não sabem de quantos grandes mestres têm os talentos enterrados; e outros, por causa do que desejam e almejam ganhar para as suas vidas, esqueceram-se de toda a teologia que a Bíblia ensinou-lhes, e passaram a ministrar o que agrada às pessoas e ao mundo. Sabe por que, irmãos? Porque algumas pessoas se ofendem com a Palavra, como a própria Palavra diz. Muitas vezes a Palavra é ofensiva, embora nós não devamos sê-lo. Muitas vezes a Palavra choca, embora não devamos chocar. E se quisermos agradar aos homens, não agradaremos a Deus. E, infelizmente, é exatamente isso o que elas empenham-se em fazer, enterrando o talento do Senhor, vivendo apenas e tão somente suas próprias vidas. Fico pensando como seria entregar o tesouro, o ouro ao bandido... Mas porque não usá-lo a serviço do Rei? Seja lavando os pratos, passando a roupa, varrendo a casa daquele que serve? Já que não sou capaz, nem competente para fazer a obra do Senhor, então, lavarei a roupa do irmão, cozinharei para ele, e assim contribuirei para que o nome de Deus seja exaltado. Porque ainda que o Senhor nos dê algo simples a fazer, Ele será glorificado com a nossa fidelidade, na simplicidade.


Meu irmão, minha irmã, se você recebeu do Senhor um chamado para o ministério, não enterre o seu talento, use-o para a glória de Deus, servindo-O; porque ainda que Ele tarde, certamente, Ele virá.


Porque assim diz o Senhor: “Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.
Amém!

Fonte: Tabernáculo Batista Bíblico
*Todos os versículos são transcritos da Bíblia Almeida Corrigida e Fiel da SBTB (ACF)

31 março 2014

Como ler livros e fugir da desonestidade intelectual





 Por Jorge Fernandes Isah

A edição de que disponho não é a da "É realizações", mas uma antiga, da extinta "Agir", cujo título é "A Arte de Ler", e não a literalização do título em inglês: "How to read a book".

Como não há, no momento, outra edição além da publicada pela "É realizações", coloquei a capa e o link para a editora, a fim de que os interessados comprem-no [até porque as edições antigas somente podem ser adquiridas em sebos, como eu fiz, e, muitas vezes, por um preço absurdo].

A atual edição tem mais de 400 páginas, enquanto a minha dispõe de quase 300. Não houve acréscimo, ao que parece, mas uma redisposição editorial do texto.

Quanto ao livro, é o seguinte: ao começar a leitura, constatei o que já sabia e que vivia tentando não me lembrar: eu não sei ler um livro! Para quem tem um blog de livros, isso é uma realidade dura e trágica. Mas era o que eu percebia a cada frase ou texto que me apresentava incompreensível. É claro que, como há péssimos leitores, também há os péssimos autores. Aqueles que aparentam ser intelectuais, mas não passam de enganadores. Escrevem frases enigmáticas, misteriosas, complexas, que o único intuito de não serem inteligíveis, pois, na verdade, não sabem a mínima do que estão falando, e preferem mesmo enganar. São os "picaretas", que aparentam sofisticação e hermetismo, quando não passam de ignorantes, iletrados e fraudadores. 

Mas há aqueles autores que estão degraus acima da nossa compreensão, não porque eles são desonestos, mas porque nós é que deixamos a honestidade de lado, ao considerarmo-nos capazes de compreender o que escrevem, quando não somos. Nesse caso, a fraude se torna no próprio leitor. Quantas vezes nos deparamos com um texto complexo, e simplesmente o abandonamos, considerando-o chato ou pedante? Sempre temos uma desculpa para a própria ignorância e má-leitura, infelizmente. E a culpa não é do autor, nesse caso; mas a transferimos a ele, indevidamente.

Fato é que, ao iniciar o livro do Adler, percebi-me não um leitor mediano, a quem o autor dirige a sua obra, mas abaixo do mediano. Sempre evitei livros técnicos, um pouco por preguiça, outro tanto por ignorância. E sempre considerei suficiente entender um pouco do livro, mesmo que esse pouco fosse muito pouco mesmo. As vezes, nos contentamos em apreender nada e a considerar o aprendizado como qualquer coisa que vem à mente. Passamos de leitores a reescritores, dizemos aquilo que o autor não disse como se fosse ele dizendo. Em todos esses casos, eu, você, e em quem mais a carapuça servir, agimos desonestamente.

Ainda não cheguei ao ponto em que Adler revelará, por completo, como fazer uma boa leitura, mas estou ansioso[1]. Até mesmo porque quero ler melhor, e, na verdade, abandonar as fileiras do analfabetismo funcional. O que seria bom se, até muitos chamados intelectuais, refletissem e vissem como são maus-leitores, muitos, como eu, no analfabetismo.

Interessante que, ao dizer à minha esposa que eu era um leitor ruim, ela disse: se você é mau-leitor, o que eu sou, então?... Bem, não me consolou em nada, mas me deu a certeza de que estamos num período negro na intelectualidade, e isso tudo reflete-se na sociedade, onde um ex-presidente, semianalfabeto, se gaba de não gostar de ler, e temos cada vez mais leitores preguiçosos, que consideram possível o conhecimento por osmose, aumentando a legião de palpiteiros e "chutadores", aqueles que atiram para todos os lados sem ter alvo algum.

Pelo pouco que li, algo em torno de 60 páginas, "Como ler livros" ou a "A arte de ler", é leitura fundamental. Agora, fica a pergunta: não se sabendo ler, é possível aprender a ler, lendo? [rsrs]... Descubra, por si mesmo. 
 
Notas: 1- Com isso, não estou dizendo que a "A Arte de Ler" é um manual infalível, e que todos passarão a ler conforme as técnicas ali expostas. Não é isso! Mais do que ensinar como fazer, ele nos mostra o que não devemos fazer enquanto bons leitores. A partir daí, pode-se traçar um "roteiro' de como se obter o melhor de uma leitura, pois há várias, não se podendo ler da mesma maneira uma obra de ficção [que está pronta e acabada, nos dando todo o caminho a percorrer] e uma de não-ficção, em que temos de preencher as "lacunas" deixadas pelo autor. É claro que as "dicas" nos guiarão a meditar nos objetivos, métodos e o porquê de se ler determinado livro, o que vale dizer que não há um padrão único ao qual todos devem seguir para "aprender a ler". Porém, há um mínimo a se saber, e, sem ele, não se caminhará muito nesse conhecimento.

21 março 2014

O pecado que Cristo não levou

















Por Jorge Fernandes Isah


Defendi AQUI e AQUI a eternidade da natureza humana de Cristo; e a imutabilidade da natureza humana de Cristo, e do próprio homem, AQUI. Serei excomungado de vez, agora, por voltar ao tema. Antes, definirei alguns pressupostos da ortodoxia cristã quanto ao Redentor, para situar-nos:

1)Cristo é 100% Deus e 100% homem;
2)Cristo é uma única pessoa, não havendo duas mentes nem duas personalidades, mas apenas uma, o Verbo eterno.
3)As duas naturezas de Cristo não se misturam, ainda que se comuniquem.
4)Os atributos de uma natureza não são passados para outra natureza, fazendo com que Cristo se tornasse em um terceiro ser a partir da misturas de suas naturezas.
5)Cristo é eterno em sua divindade, e temporal em sua humanidade.
6)Cristo foi gerado em Maria, virgem, pelo Espírito Santo.
7)Cristo é descendente de Adão, assim como o é de Abraão e Davi.
8)Cristo não tem pecados, jamais pecou.

Posto o que a ortodoxia cristã advoga para o Redentor, pergunto: Sendo o Senhor descendente de Maria, Davi, Abraão e Adão, por que não herdou o pecado, nem participou da corrupção da raça humana? [1]

Alguns dirão que o fato de Maria não ser fecundada por um homem, mas pelo Espírito Santo, fez com que Cristo não recebesse a imputação do pecado original. Contudo, Maria também não é descendente de Adão? Ao que replicarão: o pecado está na semente do homem, não na semente da mulher, como parece indicar Gn 3.15. Em outras palavras, esse argumento afirma que a semente da mulher, isoladamente, não tem o pecado, o qual está presente na semente do homem. Como são necessárias as duas sementes, o óvulo, feminino, e o sêmen, masculino, para se ter o ovo ou zigoto [2], Cristo não herdou o pecado por não ser gerado natural mas sobrenaturalmente. Porém, fica a questão: o fato de Cristo ser gerado pelo Espírito, por si só não o tornaria essencialmente diferente do homem?

Não consigo entender porque Cristo teria de ser Ipsis litteris como homem para que sua obra na cruz fosse eficaz. Ele tinha de ser igual a nós em tudo para ser real? Mas real em qual aspecto? No aspecto imperfeito herdado de Adão? Ou na perfeição existente em Si mesmo? O fato de não ser imperfeito o torna em um homem irreal? Ou a sua humanidade perfeita faz dele o homem perfeito?

O fato de não ter pecado, nem ter a possibilidade de pecar, o torna essencialmente diferente do restante da humanidade. E dizer que, em algum aspecto, Cristo pudesse pecar ou sujeitar-se ao pecado [hipoteticamente falando], implicaria na possibilidade de Deus pecar, o que é absurdo, e se opõe frontalmente à Escritura. Entender os textos que dizem que Ele em tudo foi tentado como nós, como uma possibilidade de pecar, significa que poderia, a qualquer momento, ceder à tentação, e por si só lançaria por terra o princípio de que Cristo é o santo de Deus [Mc 1.24;Lc 4.34]. É como se quiséssemos, meio à forceps, deter uma mínima, irrisória, participação na salvação. Chamar a atenção para nós mesmos, como se algo de bom em nós existisse em Cristo. Como a dizer: "se não houvesse a parcela humana em Cristo, não haveria salvação". De certa forma, esperamos exaltar-nos, ainda que inconscientemente, na salvação que é completamente divina, e procede somente de Deus. É o que diz o profeta: "Do Senhor vem a salvação" [Jn 2.9] Como disse Arthur Pink:

"The humanity of Christ was unique. History supplies no analogy, nor can His humanity be illustrated by anything in nature. It is incomparable, not only to our fallen human nature, but also to unfallen Adam’s. The Lord Jesus was born into circumstances totally different from those in which Adam first found himself, but the sins and griefs of His people were on Him from the first. His humanity was produced neither by natural generation (as is ours), nor by special creation, as was Adam’s. The humanity of Christ was, under the immediate agency of the Holy Spirit, supernaturally "conceived" (Isa. 7:14) of the virgin. It was "prepared" of God (Heb. 10:5); yet "made of a woman" (Gal. 4:4.) [3]

Porém, o pecado de Maria persiste, a menos que se faça como os católicos e se defenda a sua não-pecabilidade. Mas a Bíblia não afirma isso, pelo contrário, diz que todos pecaram, sem distinção [Rm 3.23], e de que apenas Cristo jamais pecou [Hb 4.15]. Então, do ponto de vista bíblico, como seria possível Cristo, sendo homem, não herdar o pecado original?

Há a necessidade de se definir o pecado original, e de que forma, biblicamente, é transmitido. “Pecado original significa o pecado derivado de nossa origem, não é uma expressão bíblica (foi Agostinho quem a cunhou), mas é uma expressão que traz a uma proveitosa focalização a realidade do pecado em nosso sistema espiritual” [4]; ou ainda: "o estado e condição de pecado em que os homens nascem" [5], em outras palavras, o pecado original é algo que não somente nos distingue de Cristo, mas algo que vai muito além, impossibilitando-o de ser igual a nós. Assim, entendo que o pecado não é algo passado de pai para filho, na fusão dos elementos reprodutores do homem e da mulher. Por isso a distinção acima sobre semente não procede como argumento para Cristo não herdar o pecado. Adão, ao cair, representou a raça humana no Éden, de tal forma que todos os homens, sem exceção, caíram juntamente com ele. Todos os homens estavam em Adão [e também as mulheres, claro], o qual foi o cabeça da raça humana, de tal forma que toda a humanidade estava nele, participando do seu pecado, e assumindo a culpa advinda dele. Por isso todos caíram, e morreram juntamente com Adão: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” [Rm 5.12]. Deus nos considera tão responsáveis por esse pecado quanto Adão, de tal forma que nascemos “mortos em ofensas e pecados” [Ef 2.1], mesmo quando ainda não cometemos efetivamente nenhum delito. Ele está em nosso coração como uma disposição natural, como algo intrínseco à natureza humana, apenas à espera para manifestar-se; algo latente que acontecerá a seu tempo, sem chance de não ocorrer, a menos que não haja tempo [como na morte de bebês prematuros].

A pergunta inicial está a reclamar uma resposta: Por que Cristo não herdou o pecado?

Há quem diga que o fato de Cristo ser Deus, anulou a herança do pecado. Como Deus não pode pecar, sendo santo e perfeito, a humanidade do Redentor tornou-se imune pela impecabilidade divina. Porém... Se as suas duas naturezas não se misturam, como é que a divina “anulou” na humana o pecado federal? Se elas não se misturam, como o pecado original não foi transmitido a Cristo? Há duas hipóteses, ao meu ver:

1) Cristo não herdou sua humanidade de Maria. Desta forma, o Espírito Santo foi quem gerou o homem Cristo, apossando-se apenas da carne, do físico doado por Maria. É o que parece dizer o anjo: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” [Mt 1.20]. E a resposta que ela recebeu ao questionar o anjo: “Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” [Lc 1.34-35].

2) Cristo sempre teve a natureza humana, como essência. O que foi gerado em Maria foi o corpo, a parte material do Senhor.

Sendo essa a minha opção predileta, primeiro, definirei o que entendo por essência, conforme o dicionário Michaelis:

Essência: sf (lat essentiaNatureza íntima das coisas; aquilo que faz que uma coisa seja o que é, ou que lhe dá a aparência dominante; aquilo que constitui a natureza de um objeto.

Compreendo que o homem é um ser completo, carne e alma [6]. Porém, entendo que a humanidade está presente na alma, usando o corpo como dispensário ou habitáculo. Desta forma, o pecado age na alma, e é ela que precisa de regeneração. Quando Adão pecou, a morte veio como conseqüência da transgressão da Lei divina, da ordem expressa de Deus: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente, morrerás” [Gn 2.17]. Na desobediência do homem, encontramos dois tipos de morte: a física e a espiritual. A física, fez do corpo corruptível, o qual voltará à terra, como está escrito: "No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” [Gn 3.19]. A espiritual, causou a separação do homem de Deus; ele perdeu a comunhão com o Criador, de tal forma que foi necessário reabilitá-lo através do sacrifício de Cristo na cruz, o qual pagou os pecados do seu povo, expiando-o, justificando-o diante de Deus [Hb 2.17]. Por sermos descendentes de Adão, automaticamente fomos representados por ele no Éden, e recebemos a maldição do pecado: as duas mortes.

Cristo, ao receber os pecados do seu povo, por imputação, morreu fisicamente, pois é-lhe impossível morrer espiritualmente, visto ser Deus. Para Cristo, não há morte espiritual, apenas física. Da mesma forma, os eleitos, aqueles que foram ligados eternamente a Deus na temporalidade, pela obra de Cristo, também não morrem mais espiritualmente, mas apenas em sua corporeidade. Porque “estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” [Ef  2.5-6]. Ora, alguém que estava morto e foi vivificado pode morrer novamente? Especialmente se foi vivificado em Cristo? Se foi ressuscitado nEle? Se está assentado nos lugares celestiais com Ele? O que nos impede de desfrutar completamente desta obra de Deus são exatamente duas coisas: a temporalidade, estarmos no tempo, e o corpo, que precisa cumprir o castigo de morrer em sua corruptibilidade.

Alguém poderá pensar: "mas esse seu argumento não se parece com o gnosticismo dos primórdios da igreja? Quando o corpo era visto como mau?"...

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01 março 2014

Por mais homens e mulheres (de verdade)





(Texto originalmente publicado no jornal "Correio Popular", de Campinas - SP, em 13.02.14)



Por Letícia Maria Barbano

No ônibus ou em uma conferência, é quase impossível encontrar um homem que ceda seu assento para uma mulher se sentar. Pagar a conta do restaurante? Abrir a porta do carro? Certas gentilezas passaram a ser caricatas e sinônimos de alienação. E homens que assumam seus papéis de pais de família, dispostos a, se necessário, matar e morrer pela esposa e filhos? Onde estão eles? Afinal, em termos gerais, por que os homens não agem mais como homens? A resposta é simples: porque mulheres não agem mais como mulheres.

Na antiguidade, a maioria das sociedades pagãs enxergava a mulher como objeto, escrava do homem, sem vontade própria, descartável e, muitas vezes, não-humana. Com o advento da Idade Média, a Igreja conquistou para a mulher a dignidade que esta merecia: não era serva, nem patroa, mas companheira e igual em dignidade perante o homem. É desta época o chamado “amor cortês”, em que ser cavalheiro e tratar bem uma mulher não significava que ela era inferior ao homem, mas sim que, por ser tão sublime, merecia especial gentileza. Nessa época as mulheres se vestiam com distinção e modéstia, pois sabiam que o que é sagrado, merece ser velado.

Desde o renascimento até os dias de hoje, percebemos que a mulher voltou à condição de objeto e descartável que o Cristianismo havia redimido. Já previu Edmund Burke, o chamado “pai” do conservadorismo, que o que chamamos hoje de relativismo moral – que é o famoso não existir certo nem errado, mas tudo depender dos valores de cada pessoa – levaria a sociedade a ser enlouquecida e sem parâmetros. Cada mulher guiada por seus próprios valores passa a agir do modo que lhe convier. Dentro deste quadro de “cada um fazer o que quer porque acha certo”, sem ter um direcionamento moral do que realmente é certo e errado, a mulher se torna a maior vítima. Não há mais lei ou moral que a proteja ou que a exalte. Se um homem trata a mulher como objeto, ora, são os valores dele. O resultado é uma sociedade profundamente degradada, cheia de mulheres magoadas, homens sem virtudes, crianças sem pais, e famílias despedaçadas.

A mulher por sua vez, também embalada pela mentalidade relativista, passa a se comportar com vulgaridade, sem pudor, sem modéstia, sem a delicadeza e feminilidade próprias de seu sexo. Comprada a ideia de pseudoliberdade que a pílula anticoncepcional deu, a mulher torna-se dona de seu próprio corpo e vontade, e, agora, pode ter o prazer que desejar, sem que isso tenha como consequência uma gravidez. Se ela pode ter relação sexual quando, como e onde ela quiser, por que não se vestir do jeito que quiser? Se portar do jeito que quiser? Abandonar virtudes e distinções? Rejeitar o dom da maternidade? Viver livremente! Por que não?

A mulher perdeu sua essência e, como consequências, a família e a sociedade também. Um antigo ditado dizia que, em um casamento, o homem era a cabeça e a mulher o pescoço. A cabeça toma as decisões, mas o pescoço a direciona e orienta. Se o pescoço está fraturado, engessado, flácido ou até ferido, como a cabeça conseguirá olhar para outros cenários e fazer as melhores escolhas?

Para restaurar a dignidade da mulher em nossa sociedade, não são necessários movimentos políticos financiados por instituições globalistas. É necessário, primordialmente, uma restauração da moral, especialmente da moral feminina. Necessita-se resgatar as virtudes do mundo, os valores sagrados, a diferenciação de certo e errado.

Somente com a reconquista da moral feminina, um homem passará a agir como homem. Porque a mulher voltou a agir como mulher.


Fonte: Impressões Sem Pressões
 
Nota: Meu comentário no blog do irmão Tom Alvim: 
"Ótimo texto da Letícia!
Realmente, o apelo à liberdade feminina [sic] transformou-se rapidamente em libertinagem e o que vemos são homens e mulheres, ambos, sofrendo por conta das suas transgressões e tornando quase impossível o relacionamento entre ambos. O que era para ser um complemento, ou seja, Deus criou homem e mulher para se completarem, fez-se, pela mentalidade diabólica, separação, de maneira que se opõem e, muitas das vezes, torna-os em inimigos. Uma triste realidade a trazer apenas e tão somente sofrimento e dor... Os modernos e pós-modernos acham que agindo assim estão destruindo a "hipocrisia cristã", seja lá o que querem dizer com isso, mas, no lugar dela, colocam a imoralidade, o ódio, e o desprezo ao próximo, como se, para ambos, o outro não fosse mais do que um pedaço de carne exposto na vitrine... Ao invés da soma, anulam-se; e a conta foi para o vermelho rapidamente."