"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

11 Março 2012

A Impossibilidade de Ateísmo Real



Por João Calvino

Isto, sem dúvida, será sempre evidente aos que julgam com acerto, ou, seja, que está gravado na mente humana um senso da divindade que jamais se pode apagar. Mais: esta convicção de que há algum Deus não só é a todos ingênita por natureza, mas ainda que lhes está encravada no íntimo, como que na própria medula, que a contumácia dos ímpios é testemunha qualificada, a saber, lutando furiosamente, contudo não conseguem desvencilhar-se do medo de Deus.

Ainda que Diágoras, e tantos como ele, através de todos os séculos, zombeteiramente motejem de tudo quanto diz respeito à religião, e como Dionísio tem ridicularizado o juízo celeste, esse não passa de um riso sardônico, pois que em seu interior o verme da consciência rói mais pungente que todos os cautérios.

Não digo o que Cícero dizia, que com o correr do tempo os erros se tornam obsoletos; enquanto que, com o passar dos dias, mais cresce e melhor se faz a religião. Ora, o mundo, como pouco adiante se haverá de dizer, tenta quanto está em seu poder alijar para bem longe o conhecimento de Deus, e de todos os modos corrompe-lhe o culto. Afirmo simplesmente isto: enquanto na mente se lhes enlanguesce essa obstinada dureza que os ímpios avidamente evocam para repudiarem a Deus, no entanto cobra viço, e por vezes medra vigoroso, esse senso da divindade que, tão ardentemente, desejariam fosse ele extinto. Donde concluímos que esta não é uma doutrina que se aprende na escola, mas que cada um, desde o ventre materno, deve ser mestre dela para si próprio, e da qual a própria natureza não permite que alguém esqueça, ainda que muitos há que põem todo seu empenho nessa tarefa.4

Portanto, se todos nascem e vivem com essa disposição de conhecer a Deus, e o conhecimento de Deus, se não chega até onde eu disse, é caduco e fútil, é claro que todos aqueles que não dirigem quanto pensam e fazem a esta meta, degeneram e se apartam do fim para o qual foram criados.5 Isto não foi desconhecido nem aos próprios filósofos. Ora, Platão6 não quis dizer outra coisa, visto que amiúde ensinou que o sumo bem da alma é semelhança com Deus, quando, apreendido o conhecimento dele, toda nele se transforma. Daí, muito a propósito, nos escritos de Plutarco arrazoa também Grilo, quando afirma que os homens, uma vez que a religião lhes seja ausente da vida, não só em nada excedem aos animais, mas até em muitos aspectos lhes são muito mais dignos de lástima, porquanto, sujeitos a tantas espécies de males, levam de contínuo uma vida tumultuária e desassossegada.

Portanto, o que os faz superiores é tão-somente o culto de Deus, mediante o qual se aspira à imortalidade.

Notas: 4. Primeira edição: “Donde concluímos que não é matéria que se haja primeiro de aprender nas escolas, mas de que desde o ventre cada um é mestre a si [próprio] e de que não sofre a própria natureza alguém se esqueça, inda que, com todas as forças, muitos isso intentem.”
5. Primeira edição: “Logo, se todos foram nascidos e vivem nesta condição, [isto é,] para conhecerem a Deus, mas, a não ser que a este ponto hajam [ele] de chegar, difuso e evanescente é o conhecimento de Deus, é evidente que da lei de sua criação aberram todos estes que a este escopo não destinam os pensamentos e ações todos de sua vida.”
6. Fedon e Tecleto.

FONTE: INSTITUTAS DA RELIGIÃO CRISTÃ - VOL. I - PG. 55-56 - EDITORA CULTURA CRISTÃ

06 Março 2012

Efésio 1.4 (parte3) - Determinismo Bíblico - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 04.03.2012



Por Filipe C. Machado


"Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo" (Ef 1.4 - grifo meu).

As Escrituras são claras: "antes da fundação do mundo". Não há quem possa negar esse termo, seja por vã pretensão ou por ignorância. Mas visto que os homens esquecem-se facilmente daquilo que leem, ouvem e por vezes até mesmo aprendem, o Senhor proveu ainda outros testemunhos de como esse entendimento é de suma importância para a vida cristã:

- "Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras" (At 15.18 - grifo meu).
- "Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25.34 - grifo meu).
- "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24 - grifo meu).
- "O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (1 Pe 1.20 - grifo meu).
- "E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8 - grifo meu).

Quando a Bíblia declara a sentença que estamos vendo, de modo algum ela pretende ser abstrata ou uma mera conjectura do que pudesse ser a realidade. Homem algum tem o direito ou poder de dar outra interpretação àquela mesma fornecida pela Escritura, isto é, de que mesmo antes da fundação do mundo o Senhor já havia decretado invariavelmente todas as coisas que haveriam e deixariam de acontecer. Um Deus soberano não poderia decretar o Seu querer e simplesmente aguardar passivamente a atitude de seus criados. Um Deus soberano não poderia dar vida à uma massa caótica e em seguida iniciar o seu descanso sabático. A soberania de Deus não poderia ser passiva de controvérsia ou rebeldia humana, pois tal feito anularia Seu pleno poder e decretos eternos. Por isso é que na teologia bíblica e verdadeira se diz crer no chamado determinismo bíblico.

Enfatizo o bíblico porque muitos homens incautos têm ultrajado essa bela e magnífica doutrina legada pelo Senhor a todos os Seus santos, levando muitos a crer num mero fatalismo sob o pretexto de "o que quer que deva ocorrer, certamente ocorrerá, por isso não faremos coisa alguma". O determinismo bíblico é o entendimento de que nada que nos vem nesse mundo ou deixa de ocorrer, escapa à mão soberana e completa do Senhor - os pássaros nascem por ordem decretada pelo Senhor, antes da fundação do mundo; os rios deságuam no mar, e, contudo, ele não se enche - por meio do decreto divino; os animais procuram e encontram comida em meio à terra seca, devido ao decreto do Senhor; a natureza reúne suas nuvens e trovões e desgarra sua força sobre a terra, pois assim foi do agrado do Senhor; o infante que nasce com algum problema genético incurável, nasce sob a soberania plena de Deus; até mesmo a mais forte e equipada aeronave cai sobre o mar com a determinação de Deus -, contudo, também tem muito firme em seu corpo de doutrina que apesar do Senhor ter-nos ensinado que todos os eventos - tanto bons como maus - ocorrem por Seu firme propósito, Ele também nos ensinou que somos responsáveis por nossos atos. O homem é responsável e instruído a não construir sua casa em barrancos que podem escorregar, o construtor de navios deve ter toda cautela e prudência ao fixar as juntas e soldá-las ao casco do navio, o atirador de elite tem o dever de ser bem treinado a fim de executar o malfeitor e não a vítima. Já para o determinismo fatalista, embora ecoe nosso primeiro ponto, nega veementemente o segundo, isto é, crê na soberania plena de Deus, mas dispensa a responsabilidade humana, pois diz ser contraditório afirmar que Deus ordena todos os feitos e ao mesmo tempo nos tornarmos responsáveis diante d'Ele.

Quando falamos em determinismo bíblico, precisamos ter muito claro em nossos corações que o Senhor não é homem para que fale falsidades: "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?" (Nm 23.19); nem tampouco é inconstante em Seus feitos: "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17 - grifo meu). A Bíblia claramente nos ensina que não há nada que se faça debaixo do sol que não tenha sido previamente determinado pela vontade secreta e soberana do Senhor. Por algum motivo - que nos é desconhecido - o Senhor teve por bem decretar absolutamente tudo o que iria acontecer aos homens. Para o Senhor, o tempo não é marcado em séculos, décadas, anos, meses, horas, minutos ou segundos, mas sim por uma determinação que se estende até o final do universo. Deixe-me explicar melhor:

O Eterno não controla o universo por meio da presciência, pois isso seria dizer que o Senhor criou o universo, colocou o homem, "congelou" a criação, isto é, fez com que tudo cessasse de funcionar sobre a terra e então apertou "play" para ter uma prévia do que aconteceria: viu então que o homem estava no jardim, nomeava os animais e com eles interagia, mas, de repente viu que o homem estava sozinho; pensou então o Senhor: "Não é bom que o homem esteja só" - apertou "stop" e resolveu que também deveria criar uma mulher, pois conseguiu visualizar que no futuro, caso o homem estivesse sozinho, não lhe seria benéfico tal situação. Ora, não é preciso se alongar em tal exemplo simplório, pois se o Senhor raciocinasse dessa forma, Ele seria a menor criatura de todo o universo, não sendo sequer capaz de ordenar e orquestrar de forma plenamente correta e adequada aquilo que Ele mesmo criara. Se Deus não houvesse determinado cada momento de nossas vidas, seria o mesmo que ao dar vida a uma invenção, não saber como colocá-la para funcionar. O determinismo está de mãos dadas com a total soberania do Senhor. Determinar os acontecimentos no mundo é um desdobramento natural da essência pura, santa e plenamente capaz do Senhor, pois se n'Ele reside toda sabedoria, quem melhor para arquitetar tudo o que se passa conosco e com a natureza?

No entanto, reconheço que o determinismo está sujeito a ofender muitas pessoas, pois um dos primeiros pensamentos que lhes veem a mente é: "Então quer dizer que tudo o que eu faço é porque Deus quis que eu fizesse?". Respondo: Exatamente. "Então até mesmo o meu pecado está dentro dos decretos divinos?". Respondo novamente: Certamente. Porém, ressalvo usando as palavras de Paulo: "Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm 6.1,2). Ou seja, já nos é claro que temos nossa responsabilidade diante do Senhor, que devemos buscar viver uma vida santa e piedosa diante do Altíssimo, que o pecado habita em nós e que temos o dever de dominá-lo pelas forças dadas mediante o Senhor - "Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" (Gn 4.7) -, que conforme também lemos no relato de Gênesis, o pecado foi fruto da maldade humana e rebeldia contra o Senhor; ainda que tudo isso estivesse nos Seus planos eternos e insondáveis. É dado a esse fato de ambas as doutrinas serem apresentadas na Bíblia que devemos compreender que: precisamos orar, planejar e executar tudo nessa vida como se dependêssemos de nós mesmos, sabendo, contudo, que tudo depende de Deus (Rm 11.36). Isto é, a determinação eterna do Senhor não nos deve ser desculpa para não realizar as suas ordenanças nesse mundo, ao mesmo tempo que quando as executamos, não devemos nos esquecer de que é Ele quem efetua em nós tanto o querer como o realizar (Fp 2.13).

"Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?" (Rm 11.34). Paulo é enfático ao fazer a pergunta retórica aos romanos. Paulo questiona-lhes acerca de que vã pretensão o homem poderia partir para questionar os intentos de Deus. O apóstolo indaga aos romanos: "Quem foi seu conselheiro?" - quer dizer, quem de vós esteve junto na eternidade e definiu e traços planos juntamente com o Deus trino? Qual dentre vós desejou sobrepujar a sabedoria divina, santa e imaculada do Senhor, a ponto de querer Lhe orientar sobre como os eventos deveriam ser regidos? "Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?" (1 Co 2.16). Não há homem nessa terra que saiba o que o Senhor tem planejado desde os tempos primórdios. As perguntas de Paulo são por demais claras para nós: não há ninguém que possa conhecer a vontade secreta do Senhor; e mais: não há ninguém que possa mudar tal vontade.

Devemos ser francos conosco mesmos e admitirmos: "O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" (Rm 11.33). E também: "E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!" (Sl 139.17). Não sabemos o que porquê do Senhor haver decretado todas as coisas nesse mundo e ao mesmo tempo ter dito que somos responsáveis por elas. Não entendemos como pode ter sido Adão um homem livre e ao mesmo tempo escravo da determinação de Deus. Não compreendemos como podemos dominar o pecado e ao mesmo tempo ter a ciência de que todas as coisas acontecem por meio do decreto de Deus. Simplesmente não sabemos, não nos "entra" na mente essa aparente dualidade conflitante de doutrinas; e essa é, portanto, uma das razões porque devemos rejeitar um racionalismo demasiado, isto é, buscar compreender todas as coisas por meio da mera razão, pois se assim procedermos, estaremos negando que o pecado corrompeu até mesmo a razão e lógica humana. Em nosso ser decaído e manchado pelo pecado, não conseguimos adentrar a mente divina e captarmos o sentido de tudo o que faz, no entanto, como já temos visto, o apóstolo Paulo nos diz que o Senhor já "nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3), ensinando-nos de que mesmo contra nossa lógica e argumentação, o Senhor decretou que havemos de ser grandemente abençoados por nossa união salvífica em Cristo, afinal, "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28).

Alguns argumentam que no Senhor não reside qualquer determinismo, pois segundo pensam, o seguinte versículo - "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo 5.17) - abona a ideia de que o Senhor ainda "trabalha", ainda está executando seus propósitos de acordo com o que a situação requer. Ainda que tal argumento seja parcialmente válido, o intento dessas palavras santas de Jesus são de que, apesar de ter criado o mundo, não o deixou (o mundo) livre para para ver o que acontecia, mas sim que, além da criação, também nos proveu o Seu sustento, de forma a entendermos que o Senhor trabalha até agora em nossa providência e bênção, mas jamais como intentando nos dizer que o Senhor está trabalhando hoje sem que isso tenha sido decretado na eternidade. Deus trabalha pelos Seus, mas nunca baseado na situação momentânea, e sim tão somente devido ao Seu próprio decreto eterno ter firmado que dia-a-dia nos susteria mediante Sua mão graciosa.

Diante disso nos perguntamos qual vem a ser a validade e bênçãos que decorrem dum decreto estabelecido desde a eternidade e que certamente não falhou, falha ou falhará nos tempos vindouros.

Em primeiro lugar, o determinismo bíblico nos ensina a confiar na mão poderosa do Senhor e render-Lhe glórias e louvores por tudo o que temos recebido, pois não há nada melhor do que confiar em Sua onipotência, afinal, quem é tão grande e excelso em poder a ponto de poder afirmar que "até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mt 10.30) e que por isso nos diz, "Não temais, pois"?

Em segundo lugar, o determinismo bíblico instrui-nos a não confiar em nossas próprias forças, pois apesar de termos de lutar contra toda adversidade, tentação e pecado presente em nossas vidas, o Senhor nos instruiu: "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5 - grifo meu). Nosso bom mestre nos ensina que devemos estar firmemente arraigados n'Ele, presos, unidos, alicerçados na Sua palavra e em Sua justiça, pois Ele é a videira, Ele é o canal principal, a fonte que possui as raízes para nos nutrir e dar o devido crescimento - A glória do fruto não está em si mesmo, mas naquele em que está firmado.

Em terceiro lugar, o determinismo bíblico nos ensina a baixar nossas cabeças e ser reverentes diante do Senhor: "Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras" (Ec 5.2). O autor é claro: " porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra". Como constantemente nos esquecemos dessa realidade e queremos contender com o Senhor sobre os "porquês" de Suas obras e os motivos de muitas vezes não nos ter sustentado da maneira como achávamos que deveria ter operado! Jó quis argumentar com o Senhor, mas em vez de fazer sua sustentação oral e persuadir o Eterno, ouviu-O diretamente dizer: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência" (Jó 38.4).

Por fim, o determinismo bíblico deve-nos estimular a oração, vida santa, evangelismo e tudo o mais quanto o Senhor requer de Seus filhos. A determinação eterna de Deus dever-nos-ia impulsionar na oração, pois embora não saibamos como orar, deixou registrado: "E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis" (Rm 8.26) - ainda que sejamos falhos em nossas orações, a certeza de que tudo é ordenado por Deus necessita nos fazer alegres por saber que até mesmo em nossas fraquezas o Senhor está conosco. Do mesmo modo, o determinismo também precisa nos carregar à uma vida santa diante do altar do Senhor, pois mesmo diante de tantos percalços e vicissitudes da vida, temos a certeza de que o Senhor guiará todos os Seus filhos rumo à vida eterna: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6) - mas essa não é uma promessa na qual devamos descansar de braços cruzados e vivermos de maneira devassa, e sim que apesar de estarmos na labuta pelo reino dos céus e pecarmos por diversas vezes, o Senhor nos leva ao arrependimento sincero e nos moldará gradativamente à estatura do varão perfeito (Ef 4.13). Assim também acontece no evangelismo, pois, embora devamos nos esforçar e nos preparar para apresentar a mensagem do evangelho com a mais firme e fiel postura, fazendo uso das melhores palavras a fim de persuadir os homens, o próprio apóstolo nos exorta dizendo que não são as palavras que convencem o homem do pecado, mas o poder do Espírito Santo e soberano do Senhor: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria... A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" (1 Co 2.1,4).

Amém!

Fonte: 2Timóteo 3.16

29 Fevereiro 2012

Não existe nada de errado com o Evangelho

Por Adilson Marcos

Tenho visto, atualmente, praticas envolvendo a maior parte das igrejas (incluindo Católicas e Protestantes), que podemos definir, no mínimo, como estranhas, confusas, algumas até revoltantes; e o resultado só poderia ser um: alimentar corações a manterem-se afastados de qualquer contato com qualquer denominação (generalizado), em resposta aos erros que eu vou citar abaixo.
- atitudes estranhas e confusas envolvendo dons do Espírito Santo, venda de pedaços do céu, adoração, veneração, culto a imagens e santos,
- hipocrisia e discriminação,
- praticas e atitude contraria a Bíblia durante o culto e no dia-a-dia, etc.

Vejam a quantidade de erros que existem, e estes transformados em motivos, são utilizados como justificativa para tal afastamento.
Reconheço que estes fatos são verdadeiros no sentido de existir, são noticias comuns e usadas com freqüência pela mídia em virtude da grande audiência que conseguem, o que mostra interesse do público em geral, evidenciando e resultando nestes dois comportamentos:
1 – um carro precisa de combustível para se locomover, e eu preciso saber destes erros na igreja para ter certeza que a minha decisão de manter distancia é a mais correta, ou seja, entre o mundo e a igreja eu prefiro o mundo, pois pelo menos aqui (mundo) eu faço o que eu quero sem dar “satisfação a Deus”.
2 – frases como, "Estou decepcionado", 'nunca imaginei que isso poderia acontecer na igreja", "não quero mais saber", "existem pessoas mais “corretas”  e “menos erradas” no mundo"...
Estas conclusões são motivadas por, além dos erros que já listamos, também pela concepção de que a igreja é lugar de pessoas perfeitas em plenitude moral e de caráter.

Continuando, eu queria que meditássemos no exercício deste terceiro comportamento, que na verdade deve ser a busca de entendimento do porquê certas coisas acontecem no âmbito da igreja:
- Será que estes comportamentos (errôneos) estão de acordo com o evangelho? São causados por ele?

Vamos a uma reflexão bíblica...
Sobre o evangelho: Em quem também vós estais, depois que ouvistes A PALAVRA DA VERDADE, O EVANGELHO DA VOSSA SALVAÇÃO; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. Efésios 1:13 
Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Romanos 1:16

Sobre a igreja: O fato de você morar na garagem não te faz um carro, muito menos freqüentar uma igreja não te faz um cristão. Podemos ainda avaliar pelo seguinte aspecto teológico; igreja visível e invisível.
A igreja visível consiste de todos aqueles que estão inscritos como membros da igreja. Não é difícil determinar quem são, porque seus nomes aparecem nos registros das igrejas. Com pouco esforço, podem-se saber quantos são.
A igreja invisível, por outro lado, é composta exclusivamente daqueles que, pela graça do Espírito Santo, nasceram de novo. Não é difícil entender o porquê este aspecto da igreja deve ser caracterizado como invisível. É impossível para nós afirmar com certeza quem são e quem não são regenerados. Somente o Deus onisciente pode fazer tal distinção. De vez em quando encontramos um pastor que diz poder indicar, sem equívoco, quem são "os que nasceram de novo" em sua congregação, porém, tal afirmação é arrogante e altiva.

O próprio fato de que a igreja invisível consiste exclusivamente de pessoas regeneradas, se deduz que este aspecto da igreja é certamente glorioso. Cada um dos membros dela foi "tirado da potestade das trevas, e transportado para o reino do seu Filho amado" (Colossenses 1:13). De todos seus membros pode-se dizer que "eram trevas, mas agora sois luz no Senhor" (Efésios 5:8). "Como pedras vivas", eles são "edificados como casa espiritual e sacerdócio santo..." (1 Pedro 2:5). Eles são lavados, são santificados, são justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de Deus (1 Coríntios 6:11). Juntos constituem o corpo de Cristo (Colossenses 1:18). Certamente, eles não alcançaram a perfeição; contudo, eles têm agora a vitória sobre o pecado e o diabo através de Jesus Cristo, seu Senhor. Nele [Cristo] eles são perfeitos.
É CERTO DIZER QUE A IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM SOMENTE QUANDO ESTAMOS FALANDO DE EDIFÍCIOS, TEMPLOS CONTRUIDOS POR MÃOS HUMANAS.
Sobre os erros na igreja: como a igreja é formada por pessoas e estas não são perfeitas, o que deve provocar luta contra essa imperfeição e não comodismo com esse estado, o erro é resultante simplesmente de pessoas que como já vimos acima, ou não entenderam o evangelho e persistem no erro ou por algumas ainda serem suscetíveis a tal condição.

Na parábola do joio (Mateus 13:24-30), um homem plantou sementes no seu campo mas o inimigo plantou joio no mesmo campo. Uma vez que o trigo e o joio começaram a crescer juntos, os servos sugeriram que arrancassem o joio. O dono da casa não os deixou tirar o joio. Ele deixou o joio crescer junto com o trigo até a colheita, quando o trigo foi recolhido e o joio foi queimado.
Algumas pessoas ensinam que esta parábola fala sobre a igreja, mostrando que os pecadores convivem com os fiéis na igreja, aguardando o julgamento final de Deus. Mas tal interpretação contradiz a palavra do Senhor.

O próprio Jesus explicou a parábola, dizendo que "o campo é o mundo" (Mateus 13:38). No mundo, os servos dele convivem com os pecadores. Ele orou sobre os apóstolos: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou" (João 17:15-16). Embora os servos dele sejam santificados, não podem sair do mundo.
Mas na igreja é diferente. Quando o joio se manifesta entre o povo de Deus, deve ser arrancado. Paulo instruiu a igreja dos coríntios sobre como resolver o problema de imoralidade no meio da congregação. Ele usou palavras fortes para descrever a atitude certa em relação ao irmão que volta e permanece no pecado: "...já sentenciei...que o autor de tal infâmia seja...entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus].... Lançai fora o velho fermento....agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador" (1 Coríntios 5:3-5,7,11). Paulo escreveu aos tessalonicenses: "Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente..." (2 Tessalonicenses 3:6).
Paulo resumiu bem a diferença entre a igreja e o mundo: "Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor" (1 Coríntios 5:13).
Concluímos então que erros ocorridos na igreja que desviam o entendimento das pessoas sobre as verdades fundamentais do evangelho, não necessariamente são de pessoas que verdadeiramente buscam servir a Deus e que a igreja verdadeira (a que se submete a bíblia) deve militar contra tais situações. 

Também se torna sem fundamento quando alguém se baseia em tais erros para justificar a distancia para com a igreja de Cristo, a NOIVA que ele virá buscar.
"Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for, e vos preparar lugar, VOLTAREI e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver". João 14:1-3
Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. (Apocalipse 21:2-3)
Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. João 6:68 

23b como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Efésios 5:23b-27

Fonte: Postura Bíblica

24 Fevereiro 2012

Eles estão entre nós: ativistas gays "cristãos"




Por Júlio Severo

Se você não vai à igreja deles, eles irão até a sua. Ativistas gays “cristãos” estão se infiltrando no meio de eventos cristãos a fim de sabotarem o que sabemos da Bíblia e homossexualismo.

Em conversa ontem com um ministério evangélico de São Paulo, fui informado que numa vigília do ministério, aberta às igrejas evangélicas, houve uma experiência incomum.

O líder da vigília aproveitou o momento de oração para apresentar para o grupo de intercessores e interessados em oração alguns pedidos especiais de oração, inclusive sobre o aborto e o homossexualismo. O líder destacou meu nome como um homem na frente de batalha nessas questões.

Logo que ele citou meu nome, um pequeno grupo de “crentes” se levantou e se retirou, mandando depois um bilhete reclamando da menção do nome de Julio Severo e oposição ao homossexualismo. Nesse ponto, um evangélico, que havia sido gay, se manifestou dizendo que conhecia o pequeno grupo de “crentes” descontentes. Eles eram na verdade membros de uma igreja inclusiva — uma igreja evangélica para homens e mulheres “evangélicos” que estão determinados a permanecer no homossexualismo.

Ao conhecer a realidade do episódio, o líder da vigília ficou perplexo com a ousadia da militância gay “cristã”, que adotou a postura de se infiltrar e se misturar num evento evangélico a fim de provocar questionamentos.
Essa é, no meu entender, uma nova fase da guerra espiritual que estamos enfrentando.

Eles agora estarão vindo às nossas reuniões para marcar presença e dar “testemunho” de suas perversões teológicas. Estarão vindo às nossas vigílias e reuniões de oração, não para orar, mas para provocar desconcerto com seu testemunho contraditório.

Eles estão também marcando presença na internet, em sites evangélicos populares, lançando dúvidas em posições contrárias à agenda gay e ao homossexualismo por meio de sabotagens teológicas de conhecidas passagens da Bíblia, como anda fazendo a “pastora” lésbica Lanna Holder.

O número de “pastores” gays assumidos está aumentando. Um site com aparência “evangélica”, por exemplo, traz um artigo, assinado por um “Reverendo Márcio Retamero, Pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro”. “Pastor” e “comunidade” aí são “evangélicos” só no rótulo, e o artigo, intitulado “Carta Aberta a Júlio Severo - Homofóbico e Fundamentalista Religioso”, segue a linha da sabotagem teológica pró-homossexualismo.

Mas o Rev. Retamero, como gosta de ser chamado, não é universalmente anti-evangélico. Sua língua mostra respeito e admiração por evangélicos que, como ele, desprezam o conservadorismo evangélico.

Duas mensagens diretas de Retamero ao Genizah manifestam sua alegria, sem nenhum sentimento de sabotagem ou provocação de questionamentos:

“Parabéns, mil vezes, parabéns! Gostaria de ler um texto lúcido como o assinado por você em outros blogs na web. O Estado é Laico e a Igreja (no sentido calvinista do conceito) deve, para seu próprio bem, ser separada do Estado. Nós, LGBTs brasileiros e brasileiras, não queremos amordaçar ninguém… O problema é o desiquilíbrio de certos púlpitos e a falta de amor destes para com seres humanos e o elevado amor ao dinheiro como vocês aqui no Genizah denunciam sem piedade, no que fazem muito bem! Mais uma vez, parabéns! Oxalá os protestantes deste país pensassem como você! Rev. Márcio Retamero”. (Publicado em 9 de maio de 2011 às 00:31 no Genizah.)
“Graça e Paz! Gostei muito do seu artigo, ele me dá muita esperança no futuro, quando leio reflexões como essa que o sr. agora traz. Sou Pastor da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo e da Igreja da Comunidade Metropolitana do Rio de Janeiro (Comunidade Betel) e sou gay assumido desde que não tive como mais permanecer na IPB por conta da minha orientação sexual e não OPÇÃO sexual, posto que eu e creio que nenhum outro LGBT OPTARIA por ser gay, caso isso lhe fosse oferecido como opção. Seu artigo me trouxe alegria não apenas enquanto pastor gay e de gays, mas enquanto ser humano gay, que não tem medo, nem vergonha de sê-lo, posto que não optei por isso, mas desde que me entendo como gente, sou assim. Homofobia é pecado sim! E obrigado por dizer isso com todas as letras! Saudações em Jesus Cristo nosso Rei, Salvador e Senhor, Rev. Márcio Retamero”. (Publicado em 19 de janeiro de 2012 às 14:10 no Genizah.)

Por que um pastor da teologia gay criticaria adeptos de uma teologia esquerdista e liberal?

Além de Retamero, outros ativistas gays “cristãos” não poupam elogios ao tabloide sensacionalista Genizah. Em contraste, esses mesmos ativistas, se identificando ou não como tais, não poupam críticas aos sites evangélicos mais conservadores. Logo que um site evangélico publica um bom artigo contra a agenda gay, os infiltradores aparecem com argumentos envenenados para provocar desacreditamentos, numa linguagem de “evangélico” para evangélico. Eles entram sorrateiramente nas seções de comentários, com cara de um João ou Maria, rebatendo mensagens cristãs com interpretações inspiradas diretamente na teologia gay.

Os únicos que escapam dessa campanha de infiltração e críticas são os evangélicos com comportamento de Genizah.

Precisamos pois nos preparar para essa invasão, mantendo firme nosso testemunho e alerta, pois diferente do homossexual comum, que está ocupado com seu pecado sexual, o militante gay “cristão” é um indivíduo ocupado com seu pecado sexual e também ocupado com a promoção e imposição de seu pecado sexual.

O homossexual comum não refuta a condenação da Bíblia ao homossexualismo. O ativista gay “cristão” tem sua própria interpretação da Bíblia, onde coloca na boca de Deus palavras de aceitação ao homossexualismo que Deus nunca disse. Ele sabe desmentir, como “evangélico”, evangélicos que creem e pregam o que a Bíblia realmente diz sobre o homossexualismo.

O homossexual comum não tem interesse nenhum em doutrinar os outros em seus pecados pessoais. Em contraste, o ativista gay, “cristão” ou secular, não pensa em outra coisa.

O alerta de Jesus é válido para todos nós: “Orai e vigiai”.

Orar: Manter comunhão com o Pai, Filho e Espírito Santo, dando atenção à Sua voz.

Vigiai: Manter os olhos bem abertos e atentos, tendo cuidado e tendo abertura para as oportunidades de Deus e tendo atitude de prudência diante de situações de risco que podem aparecer. Manter os olhos no Senhor e em sites que verdadeiramente glorificam Seu nome, não em sites que abusam do Seu nome para defender a teologia gay ou servir, direta ou indiretamente, de cúmplices para essa teologia.

Diante da infiltração gay “cristã” e seus cúmplices, oremos, vigiemos e mantenhamos firme o testemunho da Palavra de Deus.

Nota: A foto desta postagem não consta no original 

18 Fevereiro 2012

Falando com Deus


Por Natan de Oliveira

Como se dirigir em oração a Deus?

Meu velho pai me disse uma vez que usava certas palavras para garantir e que ficasse absolutamente claro que o Deus a quem ele se dirigira era o Deus da Bíblia.

Ele tinha e tem aberturas solenes de orações que viraram lendas entre os que viveram com ele.

A grande abertura de oração que eu prefiro no meu pai é esta:

"Deus da Glória, Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, Deus Criador dos céus e da terra, meu Deus..." e depois disto meu pai orava então as palavras que se aplicavam à ocasião em questão.

Há outras famosas aberturas de oração do meu pai, mas esta é que me diz mais ao coração.

Faço na abertura das minhas orações noturnas o uso das mesmas palavras, e sem a menor vergonha plagio seu prefácio diante de Deus.

Deus da Glória...
... Porque não é um deus da minha imaginação.
Mas um Deus que está acima da compreensão humana e que se revela na Escritura.

Deus de Abraão...
... Porque é o Deus da Bíblia, que se revelou a Abraão como o autor da fé.

Deus de Isaque...
... Porque é o Deus da promessa, que chama pessoas para o seu Reino, não por causa do sangue, mas por causa da fé, dada gratuitamente para homens e mulheres de todos os tipos de povos, línguas e nações, que mesmo sem serem descendentes de sangue de Abraão, o são pela fé, e pela promessa.

Deus de Jacó...
... Porque é o Deus que transforma um enganador (Jacó), em um homem novo (Israel). Qualquer tipo de homem ou mulher pode ser transformado de um "Jacó" para um "Israel".

Deus Criador dos céus e da terra...
... Para que não fique nenhuma dúvida, de que o Deus para quem dirigimos a nossa oração seja um e não outro, o único Deus verdadeiro, aquele que criou tudo do nada e torna toda a realidade presente possível de existir. 

Dirigimos portando nossas orações para Aquele que sustenta todas as coisas.

Confiantes de sermos ouvidos, mesmo que Ele não esteja atentamente nos ouvindo, o que é impossível, pois Ele é onipresente, e as palavras da nossa boca antes de se formarem, já estão patentes e cristalinas na Sua mente.

Confiantes de que os nossos problemas, são as questões mais fáceis de serem resolvidas diante de um Deus Criador tão poderoso, podemos nos aquietar e desabafar diante Dele todas as nossas ansiedades, porque sabemos por certo que Ele tem cuidado de nós.

Muitos homens e mulheres, antes de nós, entenderam e reconheceram isto, e se dirigiram a Ele.

Não usaram as solenes palavras do meu velho pai, mas igualmente foram reverentes e principalmente se achegaram diante dele com fé, certos de que o Espírito Santo encaminharia todas as suas palavras e que cada um dos fonemas seria atentamente observado e ouvido pelo Criador de todas as coisas.

Não sei que palavras os meus filhos usarão para falar com Deus e se serão as palavras do avô.

Na verdade pouco importa as exatas palavras, mas importa que tenham a mesma atitude destes abaixo que também se dirigiram a Deus.

"(Abraão) Então, disse: Senhor Jeová..." Gênesis 15.2a

"(Eliézer, mordomo de Abraão)... e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me, hoje, bom encontro..." Gênesis 24.12a

"(Davi) Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel..." 1 Crônicas 29.18a

"(Elias) Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se..." 1 Reis 18.36b

"(Jesus) Pai nosso, que estás nos céus..." Mateus 6.9b

Depois destes exemplos, pergunto novamente:
Como se dirigir em oração a Deus?

O mais importante na verdade não é o formato e as palavras.
O importante é que oremos ao Senhor.
O hábito é importante.

Dos céus o Senhor observa e procura com olhar atento por verdadeiros adoradores e que o adorem em espírito e em verdade.

Seja você também um deles.

Exercite o hábito da oração.
No ano novo que se inicia, adquira o hábito da oração. 

Deus na realidade não precisa das tuas orações para agir, mas Deus se alegrará com as orações se as fizer, e elas serão verdadeiras palavras que sairão dos teus lábios e ao mesmo tempo trarão cura para a tua alma.

Deus da Glória, 
Deus de Abraão, 
Deus de Isaque, 
Deus de Jacó, 
Deus Criador dos céus e da terra,
Meu Deus, 
Lembra-te da tua promessa 
De que visitarias os filhos dos que cressem em Ti em até 1000 gerações, 
E por causa da promessa feita a Abraão, 
Visita também o coração dos meus filhos, 
E no tempo oportuno promova o novo nascimento.
Que eles sejam mais piedosos do que eu,
Que eles sejam instrumentos fiéis nas Tuas mãos para proveito do Reino,
Não olhes para os nossos pecados,
Mas te "esqueças" deles todos,
Promova em cada dia, a santificação das nossas mentes e prática cotidiana,
Torna-nos sempre desejosos de conversar contigo pela oração,
Aproxime-nos de Ti sempre,
E que não seja sempre pela dor ou pelo fustigar dos pedagógicos sofrimentos,
Perdoa os nossos pecados,
Não se enfade de nós,
E que cada um de nós possa ser,
Uma pessoa segundo o Teu coração e segundo os Teus propósitos Eternos,
A Ti dirigimos nossa oração, 
Através do Espírito Santo
E com a mediação e autorização de Jesus Cristo nosso Senhor.
Amém!

11 Fevereiro 2012

Meio Sola Scriptura?


Por Ednaldo Cordeiro


"É assim que Deus disse... ?" - Gn 3.1

Algumas coisas parecem nunca mudar, desde os primórdios a Palavra de Deus é posta em dúvida. Toda tentação perpetrada por Satanás é, por princípio, colocar o que Deus disse em dúvida. E quantos cristãos tem caído nessa armadilha demoníaca.

Recentemente, tenho lido sobre alguns temas controversos em muitos blogs, fóruns, sites, etc. E por controverso não estou me referindo ao eterno debate entre calvinistas e arminianos, mas aos debates sobre a cessação ou não dos dons espirituais, e sobre a licitude do ministério pastoral feminino.

Diante disso, tenho visto cristãos, pelo menos é assim que se identificam, mutilando a Escritura, para que esta se acomode melhor aos seus pressupostos. Notem que não estou usando a palavra "distorcendo", pois em alguns casos não é isto que estou vendo. Por mutilação, estou me referindo a negação da inspiração de certas passagens bíblicas, que estão sendo transformadas em acréscimos.

Os cessacionistas negam Mc 16.9-20, já, muitos dos, proponentes da ordenação feminina negam 1Co 14.34,35, para ambos são palavras não originais, são glossas escribais, acréscimos posteriores. Foi-se o tempo em que apenas as seitas alteravam a Palavra de Deus.

Devo concordar com o pastor Douglas Wilson quando diz "No corrente clima de incredulidade, a exegese correta [...] jamais irá solucionar qualquer coisa."¹, apesar do assunto tratado por ele ser o ministério feminino, podemos aplicá-la a qualquer outra aréa, pois o problema não é exegético, mas é uma questão de fé. Já faz um bom tempo que o Espírito Santo foi expulso de muitas convenções e concílios.

Estamos em uma época em que apesar da profusão de "igrejas", há fome da Palavra de Deus, estamos em dias em que Deus está enviando "fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as Palavra de Jeová". Temos "igrejas" em os demônios são entrevistados e, pasmem, falam a verdade, mesmo sendo Satanás o "Pai da Mentira".

Alguns anos atrás fui chamado de forma pejorativa de "bibliocêntrico" por um defensor do ministério feminino, mas apesar do pejo, é um ótimo título, fiquei, e fico, feliz por recebê-lo, pois certamente estamos cheios de "biblioexcêntricos" em nosso meio, pessoas para as quais a primazia da Palavra já não tem lugar em seus corações.

Cabe a Igreja do Deus Vivo, que é coluna e guardiã da Verdade, reafirmar, de forma destemida, não somente o SOLA SCRIPTURA, mas acrescentar a isso o TOTA SCRIPTURA. Chega de "meia Sola Scriptura"!


04 Fevereiro 2012

O labirinto do eterno cativeiro














Por Jorge Fernandes Isah

Cristo me converteu em 12 de Outubro de 2004 [1]. Na verdade fui convertido eternamente, pois ele me escolheu antes da fundação do mundo, quando nem mesmo ainda surgira a criação, a qual trouxe à existência pelo seu exclusivo poder, do nada, ainda que o nada não existisse formalmente, pois Deus sempre é e subsiste; o Deus pessoal ainda que espiritual, o Deus vivo ainda que intocado, o Deus presente ainda que imperceptível; o Deus sem o qual o impossível jamais seria possível. Por isso, para que as riquezas da sua glória fossem conhecidas e a sua ira manifestada, ele criou o homem, preparando de antemão uns para a glória, os quais são os eleitos, e preparando outros para a perdição, os quais são os réprobos, dignos de morte [Rm 9.22-24]. Mas tudo isso se tornou notório no tempo, de forma que as suas criaturas imperfeitas e limitadas conhecessem o que sua mente planejou e determinou, e assim viessem a reconhecer todo o seu poder [2].

Para nós, o seu povo, todo o seu amor foi evidenciado no novo-nascimento, quando ainda éramos seus inimigos [mesmo que ele não fosse nosso inimigo], e nos chamou e capacitou ao arrependimento de nossas obras más, de nossa natureza má, de nossa mente má, dos frutos podres que produzíamos na forma dos pecados e dos delitos em que andávamos conforme o curso deste mundo, cumprindo a vontade da carne e do pensamento, nos quais vivíamos como filhos da desobediência [Ef 2.1-3]. O que equivale dizer que todos os salvos, como propósito pelo qual o Senhor laborou desde sempre de forma que não pudesse não acontecer, conhecerão a Deus ainda em vida, reconhecerão o seu poder em vida, provarão da sua misericórdia e graça em vida, e saberão a quem pertencem, e o alto preço com que foram comprados pelo Senhor das suas almas.

Enquanto isso, os réprobos, ainda que reconheçam o poder de Deus, não o glorificaram como a Deus, nem deram graças; antes, se enfatuaram nas suas especulações, e ficou em trevas o seu coração insensato. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e abandonaram a glória do Deus incorruptível por uma semelhança de figuras incorruptíveis [Rm 1.18-23]. 

De forma terrível, o homem afastou-se da verdade para viver uma aparente doce ilusão, uma mentira que o impelia cada vez mais para longe da realidade, de forma que ele se contentava em se entregar à adoração de qualquer coisa, seja outro homem ou a si mesmo, animais, seres imaginários e míticos, forças e fenômenos da natureza, como se pudesse com eles se comunicar, transferindo-lhes a glória que não lhes pertenciam e lhes era dado receber ou almejar. Como um embusteiro, um fraudador, acreditavam ter e poder distribuir aquilo que não tinham nem podiam entregar. Criou-se um mundo paralelo, irreal, em que o homem acreditava existir sem existência; viver sem vida; disposto a perpetuar o seu estado de morte, de tal forma que recebessem em si mesmos a devida recompensa pelo seu desvio [Rm 1.27]. Como parte daquilo que produziam, o homem criou um ser imaginário que é a personificação daquilo que se tornou, um zumbi, o reflexo daquilo que ele não pode reconhecer mas que inconscientemente foi-lhe dado representar-se: o corpo completamente dominado pela ideia fixa, dolorosa e perversa de se conservar morto enquanto se morre sucessivas e consecutivas vezes, num estado de findar-se perpetuamente.

Em todo esse processo de alucinação e desconstrução da realidade, o homem produziu apenas uma coisa verdadeira: a própria morte, como consequência de todos os seus intentos em permanecer distante e desejar ardentemente sofrer a antecipação da condenação iminente, experimentar em doses diárias o malograr extraordinário que desde o início não se materializou num futuro repentino, mas no presente anunciado de que esse homem sem Deus é muito menos que nada, e de que somente é possível no desterro eterno, o inferno, do qual não teme, mas zomba; o qual rejeita mas caminha célere; que diz desconhecer mas o reconhecerá como se ali estivesse nascido e fosse criado; o qual odeia mas o cultiva diligentemente como um jardineiro a tratar enciumado os canteiros de ervas daninhas crescerem desordenados. Ainda que o pecado nasça em nós espontaneamente, ainda que seja algumas vezes indesejado, há uma atração natural em sua negatividade, de forma que não vemos os seus danos, não os reconhecemos como possíveis, apropriamo-nos de todo os seu mal considerando-o um bem, sorvemos todo o seu amargor como se fosse mel; e reputamos alegria ao que não serve nem mesmo como tristeza; e em honra o que é ultrajante e ofensivo. 

Esse homem não conhece limites; anda à beira do precipício, caminha entre minas terrestres, não tem gosto pela vida, desconhece-a completamente, porque seu estado habitual é reservar-se na companhia dos restos putrefatos e decompostos; suas partes nunca estiveram no todo, são como páginas em branco e soltas na ventania que nunca formaram nem formarão um livro. 

Esse homem é autodestrutivo em sua capacidade de pecar; de se mutilar; de perder de vista toda a esperança e viver numa constante guerra consigo mesmo, ainda que cogite haver paz entre uma profusão de agressões, entre muito sangue derramado, entre tiros e explosões, entre corpos inertes e o cheiro mórbido de peste. 

Esse homem tenciona roubar o que não pode sequer alcançar; ele vislumbra o que não pode ver; espera matar a sede insaciável sem água; e a dor insuportável sem analgésicos. Como a história do ratinho que queria comer a lua por acreditá-la um grande queijo, o homem espera em vão alimentar-se do pecado de forma que seja possível estar com Deus, como se o veneno trouxesse saúde e força eternas. Mas sabemos, porque a Bíblia o afirma, que tal coisa é impossível. Que homem algum pode achegar-se a Deus por si mesmo, ainda mais porque está contaminado, tal qual um cadáver radioativo.
 
Esse homem é fracionado, algo inacabado, pronto a permanecer inconcluído, na persuasão incrédula de suas próprias palavras; surdo a ouvir o silêncio da sua voz interior; cego a vislumbrar a escuridão de sua alma; louco em busca da razão na insanidade: "Pois o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, eles fecharam os olhos, para não suceder que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos, entendam no coração e se convertam, e eu os sare" [At 28.27].

Esse homem é impossível na fé, sendo possível apenas na descrença. A paz tomada como guerra, e a guerra como paz. O sofrimento como alívio, o alívio como dor lancinante. A buscar incessante à inutilidade, assim como o velho busca a jovialidade e frescor dos tempos remotos, enquanto se aproxima cada vez mais da senilidade.

Esse homem vive aquém ou além da realidade. Como Adão e Eva, no Éden, quis o impossível, desejou o que não lhe era lícito, buscou alcançar o inatingível e, mesmo caindo, chafurdando na lama, continuou lutando contra tudo, intentando contra si mesmo, ao não reconhecer humildemente a derrota, nem o fracasso: a impossibilidade de ser por si mesmo aquilo que jamais poderia não ser; pois somente Cristo pode fazer-nos novos, e tornar-nos no que não somos pelo poder de nos fazer como ele é, aquilo que seremos. Assim o homem se rebelou contra tudo, contra a verdade, contra a realidade, como se ele fosse supra-verdadeiro ou supra-real. Mas o que pode constatar é que toda a sua vida se transformara na miséria que não imaginou, pois era-lhe impossível cogitar, no paraíso, que houvesse uma realidade diminuta, pobre e vergonhosa como resultado daquilo que desejou mas não conseguiu, porque não percebeu que a verdade não pode ser recriada a não ser por aquele que a criou. E a verdade estava lá, diante dele, que não a quis reconhecer, antes se contentou em desprezá-la, em ignorá-la, como se houvesse a chance de tudo ser diferente apenas porque queria, e a sentença pudesse ser modificada sem que fosse reprovada: "De toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvores do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás... a alma que pecar, essa morrerá" [Gn 2.16-17, Ez 18.4]. 

É possível ver como o homem fugiu da ordem para o caos, da realidade para o ilusório, sem ter onde nem como se esconder de seu desarranjo mental, onde a cobiça e o orgulho afetaram-no profundamente, ainda que ele não se desse conta do que estava acontecendo e tentasse criar uma outra maneira de escapar e se refugiar fora da realidade [Gn 3.12]. Na verdade, o homem vive em constante fuga, tentando se livrar de tudo o que é para refugiar-se no que não é. Há um claro desajuste entre a imagem, aquilo que o homem é, e a ideia que o homem tem de si mesmo; o que Deus é, e aquilo que o homem considera que ele seja. De forma que, para aquele homem, assim como para qualquer homem, a realidade não pode ser recriada, nem a verdade modificada; não dá para substituí-las pela ilusão e a mentira, pois não há espaço para elas. Apenas a mente doentia do homem pode inutilmente tentar criá-las num mundo de "faz-de-contas", ao alimentá-las com a estúpida rebeldia, a perpetuá-las como o fedor a espalhar-se em todas as direções. Como uma força a estrangulá-lo, de cujas garras não pode escapar, ele se tornou e é o algoz de si mesmo, ao rejeitar a verdade, ao cogitar a possibilidade de haver vida fora da vida, quando está latente que apenas a morte pode existir fora dela; e ao buscá-la, acalentá-la, e laborar ferrenhamente para possuí-la, o homem, ainda que não reconheça investir nesse propósito, se silencia antes mesmo de dar um último suspiro. E nesse círculo claustrofóbico não há como escapar, pois não há saída, apenas o labirinto angustiante do eterno cativeiro [3].

Nota: [1] Leia o relato da minha conversão em "O dia em que Cristo me fez"
[2] Ainda que eu seja supralapsariano, não estou a discutir a questão da ordem do decreto, pois o foco desta postagem não é este, mas outro.
[3] Mas o que isto tem a ver com a minha conversão em 2004? Tudo. E se Deus quiser, voltarei a este assunto em breve.

13 Janeiro 2012

Dr. Marcos Eberlin desafiando a "Nomenklatura Científica"

Excelente entrevista capitaneada pelo Dr. Augustus Nicodemus, da Chancelaria da Universidade Mackenzie, com o cientista, professor e doutor Marcos Eberlin, da Unicamp, sobre as falácias do movimento evolucionista, e a sua impossibilidade de "matar" a Deus. 
Parabéns à Universidade Mackenzie pela iniciativa, e pelo Dr. Eberlin, por sua lucidez, coragem, e amor à verdade, mesmo diante da poderosa "Nomenklatura Científica", como bem diz o amigo Enézio de Almeida Filho, através do qual tomei contato com este vídeo, e a quem agradeço por disponibilizá-lo em seu ótimo blog, o "Desafiando a Nomenklatura Científica".



FONTE: DESAFIANDO A NOMEMKLATURA CIENTÍFICA
Nota: O título da minha postagem não é o título original no blog do Enézio Almeida, mas, de certa forma, foi uma homenagem a ele.

03 Janeiro 2012

Aniversário do Kálamos: És pó!


Por Jorge Fernandes Isah


Bem, lá se foi mais um ano, em que aprendi muito [até mesmo a esquecer algumas coisas], mas que, apesar de tudo, ainda me mantém em um estado de ignorância mesmo no pouco que sei.

Não farei um balanço de fim-de-ano, pois não saberia por onde começar; já que os erros foram tantos que um ano seria pouco para relatá-los, e os acertos... deixa pra lá! Não farei planos para o futuro, como normalmente, esperando que o Senhor me guie e me oriente quanto à sua vontade. Na verdade, sempre pretendo fazer isso ou aquilo, e acabo por fazê-los, quando os faço, mal e porcamente. Mas de tudo, tudo mesmo, o que ficou, foi que, em meio a algumas lutas e aflições, Deus fez-me ver que a minha relação com ele estava em frangalhos, que eu, apesar de me considerar "espiritual", agia como um antiespiritual. É claro que isso somente ficou visível quando a mão do Senhor pesou para valer sobre mim. Então, me lembrei de Paulo: Como um Pai, Deus disciplina ao que ama [Hb 12.7].

Pensei que tudo era fruto dos meus pecados. Pensei que, mantendo-me saudavelmente longe deles, as coisas voltariam ao normal, e as feridas seriam saradas. De que um novo pacto entre eu e ele me levaria a obter os seus favores novamente. Mas lembrei-me de que já o refizera inúmeras vezes, sem sucesso. De que por mais que eu tentasse cumpri-los, me esforçasse com o que de melhor possuía, sempre caía na cláusula da "quebra-de-contrato". Isso fez com que me envergonhasse tanto, que vi lançado por terra a minha soberba espiritual. Sim, eu era um homem espiritualmente orgulhoso, o tipo mais doentio e nefasto de orgulho. Ao ponto em que, reconhecer os meus defeitos, falhas e pecados, fazia-me, de certa forma, superior aos meus próprios olhos. Mas que importância isso tem realmente? Pois, quem sou eu? Por que parecer bom aos meus olhos, se eles estão tão habituados ao mal, e não há bem neles? Seria o mesmo que um corvo, acreditando-se um rouxinol,  a participar de um concurso de canto, esperando ganhar o primeiro lugar, e agradar a todos com o seu grasnar monocórdico.

Porém, o que devia ser o motivo para me aproximar de Deus, humildemente, reconhecendo o meu pecado, e buscando nele a reparação do mal que trazia para mim mesmo, fez-me afastar ainda mais. De alguma forma, ainda que inconsciente, pensei que Deus precisava de mim, quando é o contrário. Deus é suficiente em si mesmo, na comunhão e unidade que há entre as três pessoas da Tri-unidade,  e eu era quem necessitava urgentemente de reparação. Minha frieza e distanciamento em relação à vida cristã, significavam perda e prejuízo apenas para mim. Esse foi um processo que durou meses, e do qual eu, inicialmente, não percebera nada. Como se tudo estivesse bem, e eu em paz comigo e com o Senhor. A minha tolice não tem mesmo tamanho...

Para encurtar a história, somente a partir do momento em que percebi que estava como que andando ao lado do meu melhor amigo sem notá-lo ou sem dirigir-lhe a atenção, pude finalmente ver que, a despeito da minha negligência, do meu descaso, e do orgulho que me impedia de desviar os olhos de mim mesmo, o Senhor estava ali, sem me abandonar. Porque não dependia de mim, nem do meu querer, pois o seu amor é eterno. Assim como o pai nunca deixará de ser pai, mesmo diante da rebeldia do filho, Deus jamais deixará de ser o Pai bendito, eterno, misericordioso, para com os seus.

Então, me vi em lágrimas, exultando-o, bendizendo-o, louvando-o, porque ele permanecia fiel enquanto eu insistia na infidelidade. Ele não me abandonaria, ainda que eu me considerasse abandonado; ele não me rejeitaria, ainda que me sentisse rejeitado; ele me amaria, mesmo que não me sentisse amado; porque o erro, o distanciamento, a incompreensão, serão sempre meus; na sua perfeição, Deus me ama plenamente, através do seu Filho Jesus Cristo. Certa vez, o pr. batista Erwin Lutzer disse que sempre, ao acordar, orava a Deus para que ele não o visse como ele era, mas o visse através de Cristo. E é assim que o Pai nos vê; e é assim que devemos vê-lo, como o nosso Senhor o vê. Como já disse em algum lugar, bendito o Pai que nos deu o Filho, bendito o Filho que nos deu o Pai. Já que ele me vê através do Filho, que eu possa vê-lo como o Filho o vê, também. Oro, portanto, para que ele me capacite, sempre, dando-me os olhos de Cristo, para que eu jamais pense em vê-lo com os meus olhos falíveis e imperfeitos.

Como Davi, o homem segundo o coração de Deus [não entendo porque os cristãos o têm como "exemplo de pecador", quando o Senhor o honra de uma forma tão maravilhosa por toda a Escritura], quero esperar com paciência no Senhor, pois ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor... E pôs um novo cântico na minha boca, um hino a ele... Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração... Não retires de mim, Senhor, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade. Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração... Senhor, apressa-te em meu auxílio... Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim [Sl 40].

É esta certeza que traz paz; e faz com que, a exemplo de Paulo, possamos regozijar sempre no Senhor [Fp 4.4], mesmo que sejamos, para nós mesmos, o motivo de tristeza e desolação. Pois certo é que, em nós, não há nada pelo qual nos alegremos, pois a alegria vem do Senhor; e, por isso, regozijarei sempre nele [Ts 5.16]; orando para que jamais, novamente, eu creia-me humilde, quando há apenas orgulho. Creia-me suficiente, quando há insuficiência. Creia-me necessário, quando sou inútil. Creia-me bom, quando sou mau. Creia-me espiritual, quando sou carnal. Que a minha fé não esteja, nunca mais, posta em mim mesmo, ao ponto de eu acreditar possível manter-me longe do meu Senhor; o qual é o único capaz de me alegrar a alma, pois, a ti, Senhor, levanto-a... Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus... E grande é a tua misericórdia para comigo [Sl 86]; pois conhece a minha estrutura; e sabe que sou pó [Sl 103.14].

A ele, o Deus eterno, bendito, santo, toda honra e glória!

Amém!

Nota: Esta postagem tinha o objetivo inicial de falar do aniversário de 04 anos do Kálamos, e de dizer que estarei sorteando, no próximo dia 30, entre outras coisas, uma Bíblia A.C.F. com referências, concordância e mapasMas, sem me conter, acabei confessando-me publicamente, e cheguei a pensar em não publicar o texto. Mas ele está aqui, posto. Aos que desejarem concorrer aos prêmios comemorativos, basta acessar o logo abaixo.

INSCREVA-SE E PARTICIPE DO SORTEIO DESTE MÊS!

01 Janeiro 2012

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 11: O Ateísmo Secreto













Por Jorge Fernandes Isah


O ateísmo não é algo novo e que surgiu nos últimos séculos. O salmista já o denunciava a seu tempo [Sl 14.1]. Acontece que temos os ateus professos ou dogmáticos, aqueles que declaram e defendem uma fé ateísta, a fé na descrença em Deus. Ela se baseia na ideia central do movimento iluminista nos sec. XVII e XVIII de que tudo o que não pode ser explicado pela razão humana, sendo essa razão superior e final para se estabelecer todo o conhecimento humano, simplesmente não existe. Parte-se do princípio de que se deve "provar", através da razão, se tal coisa ou objeto existe ou não. A esse racionalismo segue-se o empirismo, que resumidamente advoga para si o único poder de guiar seguramente o homem ao conhecimento. Como não é possível provar experiencialmente a existência de Deus, sendo ele quem é, segue-se que ele não existe. Há uma frase célebre de Descartes, um filósofo francês, que disse: "Penso, logo, existo!". Mas ela falha preliminarmente ao não considerar que o Sol existe a despeito de eu pensar ou não. De que outras pessoas existem, também a despeito de eu pensar ou não. E que o mundo continuará existindo, mesmo que eu esteja morto e não pense mais [seguindo o padrão ateísta de que não há vida depois da morte]. Esses são os ateístas clássicos, possíveis de se encontrar em vários círculos, mesmo cristãos, e o perigo está em se retirar toda a sobrenaturalidade da existência, como se tudo fosse algo meramente natural e possível de ser explicado naturalmente.

Ouve-se muito, em discussões entre teístas e ateístas, estes dizerem que as coisas que o homem ainda não conseguiu explicar serão conhecidas um dia, bastando para isso que se decorra o tempo e o homem continue a sua evolução intelectual e científica. Para eles, tudo é sempre uma questão de tempo, principalmente para que toda a vida e o universo sejam desvendados e conhecidos. Temos aqui um "endeusamento" do homem, que em algum estágio da sua suposta evolução deterá o conhecimento total tornando-se em um "deus". Mas esse pensamento é falacioso pois, como vimos, a razão é um elemento da humanidade, portanto, finita, falha, imprecisa, e como poderia explicar um universo infinito e complexo? É a presunção e arrogância novamente se travestindo de sabedoria e superioridade, quando prova exatamente o contrário, torna o seu proponente em tolo e inferior em todos os sentidos, pois sua visão estará contaminada pela tolice e pretensão.

Mas o objetivo central desta aula não é discutir um ateísmo teórico, filosófico. Reconhecemos que esses homens têm em si o "Imago Dei" e o "Sensus Divinitatis", mas em sua rebelião deliberada, num desejo de exaltar a si mesmo e criar um ídolo à sua imagem e semelhança, rejeitaram o conhecimento de Deus que há neles, como Paulo nos diz em Romanos 1, e que pudemos abordar na aula passada. Quero falar é do ateísta prático, aquele que, mesmo não negando a Deus verbalmente o nega em seu coração. Pois, vou-lhes dizer irmãos, nesse sentido, todos fomos ateus. Surpresos? Leiamos o que Paulo tem a nos dizer: "Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo" [Ef 2.12].

No verso anterior, o apóstolo diz que os efésios eram, em outro tempo, gentios na carne, ou seja, em dado momento de nossas vidas, antes da conversão, do chamado de Deus para vivermos a glória da regeneração em Cristo, éramos ateus, pois vivíamos sem Deus. Lembram-se que a palavra ateu quer dizer "sem Deus"? Pois bem, todos nós, sem exceção, ainda que tendo o conhecimento inato de Deus, o qual o próprio Deus colocou em nosso coração, vivemos sem ele, até que sejamos por ele transformados. De criaturas em filhos. Pois há a falsa ideia de que todos os homens, sem exceção, são filhos de Deus. Mas não é o que a Bíblia nos diz: "[Cristo] veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" [Jo 1.11-13]. Portanto, apenas aquele que crê, e para crer tem de ser pela vontade divina não pela vontade do homem ou da carne, é filho de Deus. As demais pessoas são criaturas, não têm vínculo filial com ele.

Paulo se refere aos efésios e, por tabela, a todos nós que vivíamos segundo a carne e pela carne, como ateus práticos. Eles não negavam a existência de Deus, pelo contrário, eles cultuavam outros deuses. E, muitos, diziam servir a Deus, amá-lo, honrá-lo. Porém, suas vidas revelavam o contrário. Ao darem vazão aos seus instintos e intentos carnais eles negavam a Deus ignorando-o, fazendo exatamente tudo o que lhe afrontava, pervertendo os seus caminhos, afastando-se de todo o seu conhecimento, desobedecendo-o e rejeitando os seus preceitos.  Eles, como nós, viviam para satisfazer os seus prazeres e desejos, na forma do pecado, e assim seus discursos eram aparentemente piedosos, reverentes, mas em seus corações e em suas vidas havia apenas a descrença em Deus: "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toa a boa obra" [Tt 1.16], resume o apóstolo.

O fato de usarem o nome de Deus não os faz dignos dele; pois o Deus que diziam servir e adorar nada tinha a ver com o Deus vivo e verdadeiro, o Deus bíblico. E é aqui que o problema tem contornos ainda mais dramáticos; pois eles, como nós, criavam a ilusão de estar servindo a Deus, de cultuá-lo, de se colocar a seu serviço, quando não queríam nada com ele. Elegeram um Deus "postiço", um substituto, e o fizeram objeto de adoração. É o que Paulo diz aos atenienses: "Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio" [At 17.23]. A partir daquele momento, Paulo lhes apresentou o Deus vivo, o único Deus, o qual não substituiria todo o panteão de divindades gregas dos atenienses, mas as destruiria, porque Ele, como criador de todas as coisas, e quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas [v. 24-25], "não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam" [v.30]. E, arrependam-se de que? Ora, de ignorá-lo como único Deus, e fazerem para si deuses de várias formas, e assim manterem enraizadas em seus corações a depravação e a rebelião contra ele.
  
Quando ouço coisas do tipo: "Não leio a Bíblia, mas eu sirvo a Deus", pergunto para a pessoa: Mas a qual Deus? Elas, na maioria das vezes, dizem servir a um Deus que não podem identificar, um Deus indeterminado, impessoal. Ele estaria mais para uma entidade abstrata e imprecisa, e, como servir e adorar o que não se conhece ou pode conhecer? Então, normalmente dizem: "Esta é a minha fé, e Deus a aceita como ela é!". Nisso há alguma razão. Ele tem uma fé que não é sobrenatural, que não provém de Deus, mas uma fé humana, claudicante, frágil e enganosa. Uma fé gerada em seu próprio coração iníquo. E que o lança ainda mais na ilusão ao afirmar que Deus a aceita como ela é, mas como sabê-lo? Deus falou diretamente com ele? Ou não passa de uma suposição, um pensamento derivado da sua necessidade de manter-se distante e protegido da verdade?

Todos fomos assim um dia; ateus práticos, que não dizíamos negar a Deus, mas o negávamos diariamente mantendo-nos ignorantes quanto a ele, mantendo-nos distantes dele, presumindo que os nossos conceitos e opiniões pudessem ser superiores à Revelação escriturística, de forma que ela fosse dispensável. De forma que tanto a moral que tínhamos, como a ética, como o julgamento, eram claramente uma indisposição, uma má vontade contra ele.

Qualquer um que diga conhecer e servir a Deus fora dos padrões estabelecidos pelo próprio Deus é um ateu prático. Certamente ele não professará a fé ateísta, mas se manterá como um ateu secreto. Por isso, tanto o ateu militante e teórico, como o ateu não-militante e secreto, necessitam desesperadamente da redenção, a redenção da mente, da alma, do espírito, somente possível através de Cristo, o único mediador entre o homem e Deus. Se Cristo não estiver ali, unindo as duas partes, elas permanecerão distantes, irreconciliáveis. Ele que "é a imagem do Deus invisível" [Cl 1.15], pelo seu sangue derramado na cruz trouxe-nos a sua paz; a nós que éramos inimigos no entendimento pelas nossas obras más, agora nos reconciliou, nos apresentando santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis [Cl 1.20-22]. Por isso, o mundo labuta tanto contra Cristo, e há uma obra em progressão que faz as pessoas terem a ideia de que se é possível apresentar-se dignamente diante de Deus por si mesmos, sem a intermediação do Redentor. As pessoas concentram suas forças no mérito pessoal, na capacidade que consideram ter de, em si mesmo e por si mesmos, achegarem-se a Deus. Também é visível que o homem cria cada vez mais um Deus impessoal, um Deus genérico, capaz de reconhecer em cada indivíduo o seu esforço ou até mesmo esforço algum, numa contradição somente possível aos homens, naufragando em sua própria estupidez. Um Deus assim seria um Deus despropositado, senil, autista e esquizofrênico. Capaz de reconhecer tudo e nada ao mesmo tempo, verdade e mentira, realidade e ilusão, santidade e corrupção, de maneira que ele seria um Deus sem pessoalidade, indefinível. Esse é o desprezo máximo a Deus, saber que ele existe, mas viver sem Deus no mundo, como um ateu.

Nota: [1] Para baixar o áudio para o seu computador ou dispositivo móvel clique em Aula 11.MP3
[2] Aula da E.D.B. do Tabernáculo Batista Bíblico  em 04/12/2011