"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

18 agosto 2008

INFALÍVEL, INERRANTE E ETERNA







Pr. Júlio César de Salles

Sabemos que a Palavra de Deus não precisa ser defendida pelos homens, mas também não podemos negligenciar o uso da apologética em nossas vidas. Seria correto afirmar que a apologética é para nós e não para Deus, mesmo sabendo que no final a glória pertence toda a Ele. O que está em jogo não é nossa reputação, mas a glória de Deus, a infabilidade e a inêrrancia da Sua Palavra.

Em Salmos 138:2 , está escrito: "Inclinar-me-ei para o teu santo templo,e louvarei o teu nome pela tua benignidade,e pela tua verdade,pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome”. Aqui vemos a importância da Palavra de Deus pelo fato d'Ele a ter exaltada até mesmo acima de Seu próprio nome. A Bíblia não contém a Palavra de Deus, ela é a Palavra de Deus! Nunca podemos limitar a Sua Palavra dentro de uma mera encadernação, mas reconhecer que Sua Palavra sempre existirá por toda eternidade.

Foi fato que durante o período da inquisição muitas Bíblias foram queimadas em praças públicas, mas este ato de vandalismo nunca invalidou o poder da Palavra de Deus. O seu conteúdo e poder transcende as meras páginas de papel. Deus fez um pacto consigo mesmo em colocar Sua Palavra acima de Seu próprio nome. Quando cuidamos de nossas Bíblias não estamos preservando um mero livro, mas reverenciando o nome do nosso maravilhoso Pai.

Um pacto deve conter no mínimo duas partes para que seja confirmado, mas neste caso, Deus fez o pacto consigo mesmo, em que Ele mesmo exaltaria a Sua Palavra acima de Seu próprio nome. Não poderia haver falhas. Deus jurou por si mesmo. O homem por ser pecador não poderia fazer parte desta aliança. Podemos observar como o salmista inicia o versículo: “Inclinar-me –ei”; no sentido de se fazer reverência à Palavra de Deus, reconhecendo toda a glória devida ao Seu santo nome. Este é o aspecto objetivo que comprova a veracidade da Palavra de Deus. O próprio Senhor Jesus disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24:35). Este é o caráter eterno da Palavra de nosso Senhor.

Além do aspecto objetivo, há também o aspecto subjetivo que comprova a veracidade da Palavra de Deus, a saber, a transformação que ela produz na vida dos homens. "Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca, ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo que a enviei” (Is 55:10-11). Deus usa a vida das pessoas para testificar o poder de Sua Palavra. O profeta Isaías depois de fazer uma comparação usando o ciclo da natureza, prova desta maneira a veracidade da Palavra eterna. Assim como a água da chuva cumpre a sua tarefa de regar a terra e depois volta aos céus pelo processo cientificamente provado da evaporização, a palavra de Deus cumpre a Sua vontade na vida dos homens.

Não devemos interpretar como que todos responderão de maneira amistosa para com a Palavra de Deus. Esta vontade de Deus não só inclui àqueles que serão salvos, a saber, os eleitos, mas também àqueles que continuarão negando a Cristo como único salvador de suas vidas. Deus debaixo de sua grande soberania, nunca será pego de surpresa. Muitas vezes somos românticos com relação à vontade de Deus e inconscientemente concordamos com um falso evangelho, que prega uma salvação universal, interpretando este versículo como que todos responderão de maneira positiva ao evangelho da salvação.

O nosso padrão de avaliação é diferente do padrão divino. O profeta está nos mostrando que todo homem é indesculpável diante da sentença eterna de Deus, uns para condenação eterna e outros para vida eterna nos céus.

Mas isto não quer dizer que Sua Palavra falhará em seu propósito eterno. Assim como as leis da natureza não falham, a Palavra de Deus não falhará em seu alvo de mostrar a todo ser humano que existe somente um único Deus que exaltou a Sua palavra acima de seu próprio nome.

Dentro desta defesa de caráter subjetivo, podemos perceber a transformação que esta Palavra produz na vida daqueles que se entregam pela fé ao Senhor Jesus Cristo. "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” ( 2Tm 2:16-17). Estas são as qualidades contempladas na vida de um cristão que se submete à autoridade da Palavra de Deus. São inúmeros casos de vidas transformadas pelo poder do evangelho.

Infelizmente há abusos sendo feito com a Palavra de Deus, mas este não será o nosso foco. O que queremos mostrar é que Deus tem feito grandes milagres nas vidas dos seus. Isto é uma prova subjetiva da autenticidade da Sua Palavra. O homem natural não entende as coisas espirituais. Nossas vidas são uma apologia do poder de Deus. Passamos a amar em vez de odiar, a edificar ao invés de julgar, a ajudar ao invés de destruir. E isso só é possível pelo poder da Palavra de Deus mediante o Espírito Santo que habita em nós. Vidas transformadas para a glória de Deus.

Outro fator que comprova a veracidade eterna de Sua Palavra é o princípio da lei da semeadura. Isso é comprovado tanto nas vidas dos salvos como dos não salvos. Ninguém está livre da grande lei da semeadura expressa na Palavra de Deus. Lemos no livro de Gálatas 6:7-10: “Não erreis; Deus não se deixa escarnecer; porque tudo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque ao seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”. Até mesmo na vida dos não cristãos esse principio bíblico é confirmado pelo fato de que, quando essas pessoas são diligentes em qualquer área de suas vidas, elas são bem sucedidas no que fazem.

Tomemos por exemplo um adolescente que obedece aos seus pais, e se dedica aos estudos. Futuramente acabará colhendo mais oportunidades de um emprego melhor. Outros, simplesmente por honrarem aos seus pais, acabam desfrutando de uma vida mais longeva na presença do Senhor. Acabam por cumprir de uma maneira até mesmo inconsciente as palavras do livro de Êxodo 20:12: “Honra a teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. É esplendido ver como os princípios bíblicos são eficazes para todos, mostrando desta maneira como a Palavra de Deus é eficaz em sua autoridade infalível. Este argumento subjetivo já seria o bastante para nos provar o caráter inequívoco das Santas Escrituras.

Lemos no livro de Obadias 15: “Porque o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se farás contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça”. Nos ensinando que tudo que fazemos voltará sobre nós e que o homem é fruto de suas próprias decisões. Ouçamos o que o salmista nos diz: “Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem. Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano. Aparte-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a” (Salmos 34:12-14). Diante dessas declarações, está bem claro que o homem é incapaz de fazer o bem por si mesmo sem antes ter que pelo menos honrar os princípios éticos da Palavra de Deus. A regra áurea de Jesus de amar ao próximo como a ti mesmo, abrange todos os esforços de uma sociedade humana em busca de um bem comum, indo além de um ato feito ao próximo somente no sentido de se obter uma barganha de Deus, mas partindo da premissa em que todos as ações devem ser feitas de coração sem buscar interesse próprio.

Por isso cremos que quando praticamos o que Jesus nos pede: “que nisto conhecerão que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros”; deste modo fazemos uma defesa da fé no sentido de provar que a Igreja é um mistério de Deus. Que quando tomamos o passo de fé e saímos de nossas casas para nos congregar, desta maneira provamos para o mundo que cremos no poder da Palavra do Pai. Para nós, cristãos, a atitude de sair do conforto de nossos lares e buscar um convívio com os irmãos, ao meu ver, já é um apartar-se do mal, procurar a paz e viver de uma maneira que testifica o poder da Palavra de Deus. Como dissemos no início, Deus não precisa ser defendido, mas a apologética é uma maneira bem simples de viver defendendo nossa fé.

Contato: prjuliosalles@hotmail.com

Um comentário:

Jorge Fernandes disse...

Pr. Júlio,
Excelente post. Como diz o salmista: "Olha para mim, e tem piedade de mim, conforme usas com os que amam o teu nome. Ordena os meus passos na tua palavra, e não se apodere de mim iniqüidade alguma". E ainda: "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti".
Que cada um de nós siga o conselho do Senhor, e assim andaremos nos Seus caminhos por toda a eternidade.