"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

21 setembro 2010

Quando Jesus não salvou ninguém!

Por Marcos David Muhipointner Estou tendo o prazer, privilégio e responsabilidade de ministrar um curso na Escola Bíblica de Discípulos, na minha igreja local. O curso se chama O Evangelho de Jesus e o Jesus dos Evangelhos. Nesse curso abordamos vários aspectos da vida e ministério de Jesus como o Messias prometido. No nosso encontro de ontem vimos como Marcos apresenta Jesus Cristo. Ao contrário de Mateus, no seu relato, Marcos mostra a todo instante Jesus em ação, indo de cidade em cidade e realizando “sinais e prodígios”.
Mas um fato é marcante no ministério de Jesus: nas cidades de Tiro e de Sidom, Jesus não operou nenhum milagre. Apesar de visitar essas cidades várias vezes, Mateus relata que Jesus não operou nenhum sinal miraculoso nelas (Mateus 11:21). E o que chama ainda mais a nossa atenção é o fato que o próprio Jesus afirma que, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os mesmos sinais que ocorreram em Corazim e Betsaida, os habitantes daquelas cidades teriam se arrependido e se vestido de saco e cinzas!
Você percebeu o que não ocorreu? Jesus não fez nenhum sinal nas cidades mesmo sabendo que seus habitantes se arrependeriam! Ora, por que será que Jesus não operou nenhum milagre lá? Será que era por que naquelas cidades não havia nenhum doente? Será que era por que naquelas cidades não havia quem precisasse de salvação? Certamente que não. Jesus conhecia muito bem as necessidades dos habitantes dessas cidades impenitentes. Jesus tinha ciência desse fato e não operou nenhum milagre nessas cidades, simplesmente, porque não quis fazê-lo.
Jesus tinha alguma obrigação de fazer milagres? Os milagres, sinais, prodígios e maravilhas testificavam a Sua obra messiânica, mas Jesus não tinha necessidade dessas obras para ser crido como Messias. Pelo contrário. Quando Tomé exigiu um sinal visível para crer, Jesus lhe adverte dizendo que mais bem-aventurados são aqueles que creram mesmo sem ter visto (João 20:29). Portanto, Jesus não era e não é um “fazedor de milagres”. Ele nunca precisou de milagres para ser crido como Messias. Nem o diabo conseguiu convencê-lO a fazer milagre contra Sua vontade (Mateus 4:1-11).
Será que conseguimos entender que, por não realizar nenhum milagre nas cidades, Jesus limitou o oferecimento da salvação àqueles habitantes? Ora, se eles creriam com os milagres, mas Jesus não os realizou, eles não foram despertos para a salvação como os habitantes de outras cidades. Será que estou exagerando? A Bíblia ensina que a salvação pertence ao Senhor (Jonas 2:9). Já que a salvação pertence ao Senhor, Ele a dá a quem Ele quiser. Será que entendemos isso? Deus tem obrigação de salvar? Não! Ele não tem nenhuma obrigação de nada. Ele tem misericórdia de quem Ele quiser ter. E ponto!
Se a salvação é de Deus, Ele é que tem a prerrogativa de salvar ou não salvar. Na relação com a humanidade, a parte ofendida é Deus. É Ele que precisa oferecer o perdão. É Ele que precisa aceitar o pecador arrependido. É Ele a parte traída. Mas, arrogantes como somos, dizemos que nós é que aceitamos a Jesus como Salvador. Egoístas como somos, dizemos que fomos nós que escolhemos a Jesus. Pecadores que somos, dizemos que fomos salvos porque cremos em Jesus.
Se não tivéssemos recebido de Deus a fé para crermos em Jesus, jamais nos voltaríamos para Ele. Se Ele não nos tivesse amado primeiro, nunca amaríamos a Deus. Se nosso coração não tivesse sido regenerado antes, jamais teríamos escolhido o caminho da salvação. Se não fosse Ele ter operado em nós “tanto o querer com o efetuar” estaríamos ainda na nossa vida de inimizade contra Deus, andando a passos largos em direção ao inferno. Se Deus permitisse que toda a raça humana, de todos os tempos e eras, fosse punida justamente com o inferno, mesmo assim Ele continuaria sendo justo, bom e amoroso.
Lembremos sempre: fomos salvos porque Ele nos quis salvar; fomos perdoados porque a bondade dEle nos levou a isso; fomos lavados das nossas impurezas porque foi o sangue dEle que nos purificou; nosso nome está escrito no livro da vida, porque Ele mesmo o escreveu lá; nós só conseguimos amá-lO por que Ele nos amou primeiro; Ele nos aceitou porque fomos aceito por intermédio de Jesus. A nossa salvação é nossa porque nos foi dada, nós não conquistamos, nós não a merecemos, nós não a garantimos. Quem garante a vitória é o sangue de Jesus e mais ninguém.
Nota:Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível em "Música, Ciência e Teologia" 

10 comentários:

Filipe Luiz C. Machado disse...

Excelente reflexão!

Jorge Fernandes Isah disse...

Olá, Felipe!

Realmente, o Marcos acertou em cheio nesta reflexão.

Grande abraço!

Cristo o abençoe!

Helvecio.p disse...

Parece que deve ser investigado um dado importante: Tiro e Sidom não foram visitadas por Jesus. Em todas as cidades Jesus operou milagres, de fato em algumas menos, em algumas poucos, mas em todas fez milagres.

Favor conferir dados geográficos e históricos. Se eu estiver certo,muda totalmente a abordagem do texto que terá que ser refeito na sua intenção.

Um abraço a todos.

Helvecio.p disse...

Corrigindo:

Jesus foi a costa de Tiro e não a cidade e o seu propósito era pregar primeiramente aos Israelitas e não aos não Israelitas, mesmo assim curou a mulher que insistiu dizendo: até os cães comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores". As pessoas lhe eram trazidas até da Síria para que eles as curassem.

Fica assim explicado porque Jesus não curou pessoas em Tiro e Sidom.

Mateus 15:21 a 32 )

Helvecio.p disse...

A intenção do texto não encontra amparo no registro bíblico. Jesus não visitou Tiro e Sidom como visitava as cidades de Israel, mesmo porque Jesus não deixou Israel a não ser na infância quando Maria e José fugiram com o menino sob ordem de Deus para lá. Sindom fica no Líbano e Jesus chegou a ria a costa próxima. As pessoas sabendo de seus prodígios e fama, deixaram os seus lares e foram até ele.

continua...

Helvecio.p disse...

continuando...
Para se ter uma idéia geográfica e histórica da passagem em questão:

SIDOM: 1. o filho mais velho de Canaã, o legendário fundador de Sidom 2 (Gn 10.15). 2. É hoje Saída. Uma antiga e rica cidade da Fenícia, edificada sobre um pequeno promontório que entra no mar Mediterrâneo. Em tempos antiquíssimos foi mais importante do que Tiro (Js 11.8 - 19.28 - Jz 18.7). Um antigo historiador afirma que os habitantes de Sidom fundaram TIRO - mas não há prova deste fato, a não ser chamarem-se sidônios os habitantes de Tiro. os sidônios, porém, é que nunca são chamados tírios. Seja como for, esta circunstância tende a mostrar que nos tempos primitivos foi Sidom uma cidade de extraordinária influência. Além disto, usa-se a palavra sidônios como sendo um nome genérico, significando os fenícios ou os cananeus (Js 13.6 - Jz 18.7,28). Na última passagem teria sido a cidade de Tiro mencionada, se fosse efetivamente de igual importância, porque era da mesma religião, e achava-se mais perto 32km. Mas em tempos bíblicos estava geralmente Sidom subordinada a Tiro. Sidom ficava nos limites de Zebulom: foi cedida a Aser, e ocupada - mas a idolatria dos seus habitantes, que não tinham sido expulsos, era um laço para os israelitas (Gn 49.13 - Js 13.6 - 19.28 - Jz 1.31 - 10.6 - 2 Sm 24.6 - 1 Rs 16.31,32). Do mesmo modo que Tiro, que fica uns 32km ao sul, vivia Sidom em estreita aliança com os israelitas. Um dos seus reis foi Etbaal, pai de Jezabel, mulher de Acabe (1 Rs 16.31) - a cidade de Sidom foi denunciada pelos profetas (is 23 - Jr 25.22 - 27.3 - 47.4 - Ez 28.21,22 - Jl 3.4 - Zc 9.2). Jesus visitou os sítios próximos de Sidom, afastados quase 80km de Nazaré (Mt 15.21 - Mc 7.24 a 31) - os seus habitantes recorreram a Ele (Mc 3.8 - Lc 6.17) - estava sujeita ao governo de Henxies (At12.20) - e foi residência de cristãos (At 27.3).

Um abraço a todos mais uma vez.

Helvecio.p disse...

dados históricos e geográficos:

SIDOM: 1. o filho mais velho de Canaã, o legendário fundador de Sidom 2 (Gn 10.15). 2. É hoje Saída. Uma antiga e rica cidade da Fenícia, edificada sobre um pequeno promontório que entra no mar Mediterrâneo. Em tempos antiquíssimos foi mais importante do que Tiro (Js 11.8 - 19.28 - Jz 18.7). Um antigo historiador afirma que os habitantes de Sidom fundaram TIRO - mas não há prova deste fato, a não ser chamarem-se sidônios os habitantes de Tiro. os sidônios, porém, é que nunca são chamados tírios. Seja como for, esta circunstância tende a mostrar que nos tempos primitivos foi Sidom uma cidade de extraordinária influência. Além disto, usa-se a palavra sidônios como sendo um nome genérico, significando os fenícios ou os cananeus (Js 13.6 - Jz 18.7,28).

continua...

Helvecio.p disse...

continuando...

Na última passagem teria sido a cidade de Tiro mencionada, se fosse efetivamente de igual importância, porque era da mesma religião, e achava-se mais perto 32km. Mas em tempos bíblicos estava geralmente Sidom subordinada a Tiro. Sidom ficava nos limites de Zebulom: foi cedida a Aser, e ocupada - mas a idolatria dos seus habitantes, que não tinham sido expulsos, era um laço para os israelitas (Gn 49.13 - Js 13.6 - 19.28 - Jz 1.31 - 10.6 - 2 Sm 24.6 - 1 Rs 16.31,32). Do mesmo modo que Tiro, que fica uns 32km ao sul, vivia Sidom em estreita aliança com os israelitas. Um dos seus reis foi Etbaal, pai de Jezabel, mulher de Acabe (1 Rs 16.31) - a cidade de Sidom foi denunciada pelos profetas (is 23 - Jr 25.22 - 27.3 - 47.4 - Ez 28.21,22 - Jl 3.4 - Zc 9.2). Jesus visitou os sítios próximos de Sidom, afastados quase 80km de Nazaré (Mt 15.21 - Mc 7.24 a 31) - os seus habitantes recorreram a Ele (Mc 3.8 - Lc 6.17) - estava sujeita ao governo de Henxies (At12.20) - e foi residência de cristãos (At 27.3).

continua...

Helvecio.p disse...

Assim sendo, embora a intenção fosse sustentar que Jesus não quis, desejou fazer algum milagre alguma vez,o episódio e o registro bíblico não dão esse respaldo.

É absolutamente estranho procurar uma razão para justificar que Jesus não queira fazer algo e tentar prová-la.

Mas isso não depõe contra o irmão nem contra o blog que a exemplo do Kálamos é uma excelente proposta que nos anima a debruçarmos sobre os textos bíblicos e sobre o trabalho reflexivo dos demais irmãos. E a reflexão em questão é exemplo de erro de análise que todos nós estamos sujeitos a fazer e o fazemos não poucas vezes. Trata-se de um exercício salutar sem dúvida.

Um grande abraço querido irmão Jorge e aos demais.

Helvecio.p disse...

Há mais uma coisa:

A referência feita por Jesus a essas cidades provam a sua onisciência, pois cita Tiro, Sidom, Sodoma e Gomorra, não do seu tempo mas do passado, da época da glória de cada uma dessas cidades.

Lembra quando você refletiu sobre o alcance do conhecimento do Senhor Jesus e sua humanidade? Se puder volte a esse tema, mostrando fatos e regisdtro s bíblicos que comprovem o conhecimento de Jesus do passado, do presente, do coração das pessoas e do futuro.

Um abraço Jorge.