"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

18 maio 2012

O Meu Racionalismo




Por Gordon H. Clark

Eu não objeto à palavra racionalismo, embora talvez o termo racionalidadepoderia causar menos mau-entendidos. Descartes, Espinosa, e Leibniz produziram uma teoria epistemológica que poderia muito bem ser chamada Racionalismo do século XVII. Para todos eles o conhecimento deve ser baseado na lógica somente. Num sentido Hegel é similar. Para esses homens, como para Platão, a mente humana é essencialmente onisciente, e nem a experiência sensorial, muito menos a revelação sobrenatural podem adicionar informação aos equipamentos da sabedoria inata. Se alguém me acusar de ser um Racionalista neste sentido do século XVII, creio que ele não precisa de nenhuma resposta complementar nessa conjuntura.

Na teologia de séculos mais recentes, o termo racionalismo tomou um significado diferente. Sem qualquer ligação epistemológica, o termo tem sido aplicado àqueles que rejeitam a revelação. Por exemplo, os deístas, que eram empiristas, tinham uma religião supostamente desenvolvida a partir de um estudo da natureza física e humana. A informação verbalmente revelada por Deus era desnecessária e impossível. Como alguns dos meus antigos oponentes podem tentar me associar com essa linha de pensamento é inexplicável, e novamente não é necessário nenhuma resposta complementar nesta altura do campeonato.

Ainda assim, “absolutizando a lei da contradição”, “fazendo a mera razão humana autônoma” e até mesmo que igualo a mente de Deus à minha própria mente são acusações que têm sido feitas. Talvez as Palestras de Wheaton* são uma réplica suficiente a essas acusações. E eu sorrio diante das objeções mais recentes, pois minha mente meramente humana está tão longe de ser autônoma que eu não a concedo nenhuma capacidade inerente, seja qual for.

Contudo, um cristão deve se comprometer ao racionalismo ou racionalidade sob a pena de ser irracional, e ele deve ser lógico, sob a pena de ser ilógico, e também sob a pena de negar que Deus é sabedoria e verdade, e sob a pena de afirmar que Deus é o autor de paradoxo e confusão.

[...]

Que eu sou um “evangélico racionalista e calvinista”, eu não nego. Mas à luz do uso contemporâneo do termo evangélico, utilizado por aqueles que não têm nenhum direito histórico a ele, seria melhor tornar evangélico um adjetivo e deixar o calvinista como substantivo. 

OBS: * Se Deus quiser, as Palestras de Wheaton serão publicadas no primeiro semestre de 2012 pela Editora Monergismo, com o título “Introdução à Filosofia Cristã”.

** O texto original, que compreende as páginas 367 a 373 do livro editado por Ronald Nash, possui o título “Resposta a Roger Nicole”. Este livro é um Festschrift em honra ao Dr. Gordon H. Clark, no qual Clark interage com os seus críticos.

Fonte: Clark and His Critics, p. 367-368, 373.

Tradução: Felipe Sabino – 08/11/2011

Extraído do site Monergismo

Gordon H. Clark
Gordon Haddon Clark (1902–1985) was a philosopher and Calvinist theologian and taught philosophy at the college level for most of his life. He was an expert in pre-Socratic and ancient philosophy and was noted for his rigor in defending Platonic realism against all forms of empiricism, in arguing that all truth is propositional, and in applying the laws of logic. The Trinity Foundation continues to publish his writings and other books as well. 

2 comentários:

Casal 20 disse...

Jorge, muito bom! Já li algumas coisas dele e o acho uma benção. Identifico-me muito com sua teologia. Nem lembro mais de onde tirei a citação abaixo, mas olha só que sensacional:

“Clark fala corretamente da inspiração orgânica. Ele aponta que, embora a partir de certo ponto de vista a Escritura tenha sido ditada, pois foi verbalmente inspirada, todavia, a inspiração é mais que ditação por causa da verdade da predestinação e providência. Isto é, todos aqueles a quem Deus usou para escrever a Escritura foram determinados por Deus, desde a eternidade, para cumprir esse papel e foram preparados pela providência soberana de Deus para essa obra. Assim, todas as circunstâncias de suas vidas foram determinadas e soberanamente controladas*” - O Martelo de Deus, de Gordon H. Clark (Prof. Herman Hanko)

Abraços sempre afetuosos.

Fábio.

Jorge Fernandes Isah disse...

Fábio,

também gosto muito de Clark; na verdade, muito do que eu pensava, e que alguns irmãos consideravam "heresia", ao descobrir o Clark senti-me mais aliviado, de que não era um herege, pois ele, guardadas as devidas proporções, pensava do mesmo jeito que eu [é claro que há uma imensidão que separa a capacidade do Clark e a minha, do tipo, ele no céu e eu na crosta da terra].

E este trecho do Hanko, com a qual concordo, e cuja ideia defendi durante boa parte das minhas discussões no Kálamos, é a consequência natural do que a Escritura afirma, de que Deus controla tudo e todos, segundo a sua santa e perfeita vontade.

Infelizmente, o desprezo a essa doutrina central da fé cristã, tem produzido a descrença e a dúvida, de forma que muitos cristãos não crêem na sobrenaturalidade da Escritura e se entregam, como juízes, à uma crítica que nada mais é do que o desprezo e a soberba de se fazerem maiores ou superiores a Deus.

E são esses pontos defendidos por Clark que me fazem admirá-lo e reconhecer nele a obra do bom Deus, para a sua glória e honra.

Grande abraço!

Cristo o abençoe!