"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

13 novembro 2009

Presciência Divina x Arbítrio Humano

 Por Tiago Vieira

Escolhendo o sabor do sorvete

sorvete 

Considere o seguinte exemplo hipotético:
Amanhã você irá até uma sorveteria e escolherá entre vários sabores de sorvete.

Pois bem, por este simples exemplo, veremos que a presciência divina exclui o livre-arbítrio humano, e o livre-arbítrio humano exclui a presciência divina. Não há como os dois co-existirem.
Se Deus é presciente, se Ele sabe de antemão qual você escolherá, isso significa que você não fará, de forma alguma, uma escolha diferente. Se Ele sabe que você escolherá chocolate, então você escolherá chocolate. Não há a mínima possibilidade de você escolher morango ou creme, pois se fosse possível escolher algo diferente do que Deus previu, a presciência de Deus seria falha, e Deus não seria presciente de fato. Aquilo que Deus previu, inevitavelmente deve acontecer. Neste caso, então, a presciência de Deus destrói o livre-arbítrio humano.
Por outro lado, se você tem livre-arbítrio, isso significa que você é completamente livre para fazer qualquer escolha a qualquer tempo. Com o livre-arbítrio, sua decisão é soberana e imprevisível, e não há como Deus conhecê-la de antemão. Ele poderia prever, por exemplo, que você vai escolher morango, mas até o momento exato em que você fará a escolha, sua decisão pode mudar, e mudar até várias vezes, pois você é totalmente livre para isso. Você poderá escolher baunilha ou amendoim, frustrando assim a previsão de Deus. Neste caso, o livre-arbítrio humano destrói a presciência divina.
Portanto, não há como conciliar estas duas crenças opostas entre si: a presciência divina e o livre-arbítrio humano. Ou Deus conhece o futuro ou não conhece; e se Ele conhece, o futuro é inalterável. Portanto, não há como ser arminiano; não há como afirmar que Deus conhece o futuro por simples previsão, pois eventos livres não podem ser previstos. Ou você aceita a soberania de Deus sobre o arbítrio humano como ensinada pelo calvinismo, ou você cai no erro do teísmo aberto, que ensina que Deus não conhece totalmente o futuro e pode mudar de idéia conforme as circunstâncias.
Talvez aqui você esteja pensando: “tudo bem, eu concordo que não é possível prever um evento livre, mas no caso de Deus é diferente, pois Ele pode todas as coisas”.
Sim, é verdade que Deus pode todas as coisas, mas somente todas as coisas logicamente possíveis. Deus é lógico, nEle não há contradições ou paradoxos. Ele não pode fazer uma reta torta, nem criar uma pedra tão pesada que Ele mesmo não possa levantar. Ele não pode se contradizer afirmando e negando algo ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Essa impossibilidade de contradição, porém, não nega a onipotência de Deus, antes a afirma.
Portanto, é impossível que Deus preveja um evento livre, porque eventos livres são logicamente imprevisíveis. Da mesma forma, é impossível que um evento seja livre se Deus o previu. Um evento previsto infalivelmente é um evento predeterminado, e não pode se alterar.
Então, das duas possibilidades (calvinismo e teísmo aberto, pois já demonstramos que o arminianismo é auto-contraditório) qual está de acordo com a Bíblia? O que ela ensina? Que o homem tem livre-arbítrio e que suas ações são imprevisíveis? Ou que Deus conhece o futuro e que, consequentemente, o homem não tem livre-arbítrio?
Vejamos:
Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei. [Isaías 46:9-11]
A Bíblia é clara, Deus conhece previamente o futuro. Portanto, o teísmo aberto está excluído.
E quando afirmamos que Ele conhece o futuro, não nos referimos à mera presciência passiva, pois isto não existe, mas ao Seu decreto ativo. Ou seja, Deus sabe o futuro porque Ele decretou e tem o controle sobre os eventos. Em outras palavras, Ele sabe o que ocorrerá porque Ele próprio fará ocorrer.


3 comentários:

Jorge Fernandes Isah disse...

Trascrevo o meu comentário à postagem no site Internautas Cristãos:

"Tiago,
Excelente artigo. Claro, lógico e bíblico. Você está de parabéns por sintetizar de maneira simples todo o conflito que existe entre a Soberania de Deus e o livre-arbítrio. Quem acredita no L.A, não pode crer na Soberania divina, ao menos nos moldes bíblicos pelos quais o Senhor se revelou. A insistência na falsa doutrina do L.A. apenas tenta retirar de Deus parte da Sua glória, transferindo-a aos homens.
Ou se cre 100% na soberania de Deus, ou não se crê nela. Logo, o proponente do livre-arbítrio, para o seu próprio prejuízo, é antibíblico.
Abraços"

Helvecio.p disse...

Queridos...evidentemente eu já sabia do quiprocó que existe entre esses dois conceitos, que aliás nem é mencionado na Bíblia. O que há e antes de surgir a filosofia do livre-arbítrio é o que tudo mundo entende: você escolhe crer, buscar e amar a Deus. Aliás "Amarás a teu Deus sobre todas as coisas e com todo o teu entendimento, etc,etc." Deus manda amá-lo. Não precisaria ordenar amá-lo se não pudesse se fazer diferente ou ao contrário, mesmo que quizesse não pudesse amá-lo. Esaú desprezou a primogenitura e trocou-a por um prato de lentilhas. Depois quando percebeu o seu valor a quis de volta. Há ainda a parábola, contada por Jesus do homem que achou um grande tesouro em um campo. Em segredo vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo. Mostrando que entender a graça de Deus é um ato de sabedoria ( não cultura, alta educação, etc.) Ele percebeu a grandeza do tesouro e sabiamente dispôs do que tinha em troca do tesouro melhor. É uma confusao grosseira achar que diminui a soberania de Deus o fato de podermos escolher o nosso destino. O coração do homem determina aquilo que ele quer. há pessoas que não se interessam por fumo vivendo em meio a fumantes, bebida em meio a pessoas que bebem. Escolhem. Há até um caso curioso, uma adolecente filha de um satanista que escolheu ser religiosa. Eu digo para os meus filhos: vocês tem que desejarem viver para Deus. Vocês tem que fazer essa escolha. Eu nem ninguém pode fazê-lo por vocês. O que há é que se você ora por alguém , Deus dirige o seu olhar de misericórdia àquela pessoa para que ela ouça ou tenha algum contato com a verdade da Palavra de Deus. Vamos a parte prática: Quando você estava longe eu permaneci orando por você e em meu coração não importava o que dissesse você era meu irmão em Cristo. Faço isso com outras pessoas. A Rose mais do que eu e quando anos depois as encontramos elas estão convertidas, surpreedentemente. Lembra quando Deus deu a chance a Abraaão que continuasse intercedendo por Sodoma e Gomorra? pois é. Não existe essa confusão teológica. Postarei em meu blog um esquema de como eu vejo essa situação. No mais essas reflexões são ótimas e necessárias. O blog é excelente. Os textos são maravilhosos. E os pontos discordanrtes em nada vão contra o evangelho. Pelo contrário enfatizam o fato da Palavra de Deus ser sempre importante e que devemos investir a nossa inteligência em entendê-la, discutí-la, gastar tempo com ela. É ela rica e tão rica que ainda que passemos toda a vida buscando as suas riquezas elas, sem dúvida não se esgotarão.

Mais uma vez um grande abraço.

Jorge Fernandes Isah disse...

Meu amigo e irmão Helvécio,

Não lhe parece um mundo caótico onde Deus depende da decisão de suas criaturas para saber o que fazer? E, se Ele depende das decisões de suas criaturas, é possível que a Sua vontade seja estabelecida? Se, em algum momento, ainda que num ponto insignificante, Deus pode ter a Sua vontade frustrada por uma de suas criaturas, sinto-lhe em dizer que Deus não é soberano.
Ao contrário, se você se ater à Escritura, verá que em tudo, nos mínimos detalhes, mesmo nos pensamentos humanos, Deus intervém. Foi o caso do faraó, o caso de Esaú, Saul, e tantos outros. Deus agiu e age completamente no universo, nada lhe escapa. Especialmente no caso de Esaú, basta dar uma lida no que Paulo escreveu em Rm 9, para ver que não foi Esaú quem escolheu primeiro, mas Deus escolheu reprová-lo muito antes dele nascer.
Mas os debates são assim mesmo, e, ao seu tempo, Deus dará o discernimento completo, segundo a Sua vontade, aqui ou na eternidade.
Grande abraço ao irmão!
Cristo o abençoe e a sua família!