"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

18 fevereiro 2012

Falando com Deus


Por Natan de Oliveira

Como se dirigir em oração a Deus?

Meu velho pai me disse uma vez que usava certas palavras para garantir e que ficasse absolutamente claro que o Deus a quem ele se dirigira era o Deus da Bíblia.

Ele tinha e tem aberturas solenes de orações que viraram lendas entre os que viveram com ele.

A grande abertura de oração que eu prefiro no meu pai é esta:

"Deus da Glória, Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, Deus Criador dos céus e da terra, meu Deus..." e depois disto meu pai orava então as palavras que se aplicavam à ocasião em questão.

Há outras famosas aberturas de oração do meu pai, mas esta é que me diz mais ao coração.

Faço na abertura das minhas orações noturnas o uso das mesmas palavras, e sem a menor vergonha plagio seu prefácio diante de Deus.

Deus da Glória...
... Porque não é um deus da minha imaginação.
Mas um Deus que está acima da compreensão humana e que se revela na Escritura.

Deus de Abraão...
... Porque é o Deus da Bíblia, que se revelou a Abraão como o autor da fé.

Deus de Isaque...
... Porque é o Deus da promessa, que chama pessoas para o seu Reino, não por causa do sangue, mas por causa da fé, dada gratuitamente para homens e mulheres de todos os tipos de povos, línguas e nações, que mesmo sem serem descendentes de sangue de Abraão, o são pela fé, e pela promessa.

Deus de Jacó...
... Porque é o Deus que transforma um enganador (Jacó), em um homem novo (Israel). Qualquer tipo de homem ou mulher pode ser transformado de um "Jacó" para um "Israel".

Deus Criador dos céus e da terra...
... Para que não fique nenhuma dúvida, de que o Deus para quem dirigimos a nossa oração seja um e não outro, o único Deus verdadeiro, aquele que criou tudo do nada e torna toda a realidade presente possível de existir. 

Dirigimos portando nossas orações para Aquele que sustenta todas as coisas.

Confiantes de sermos ouvidos, mesmo que Ele não esteja atentamente nos ouvindo, o que é impossível, pois Ele é onipresente, e as palavras da nossa boca antes de se formarem, já estão patentes e cristalinas na Sua mente.

Confiantes de que os nossos problemas, são as questões mais fáceis de serem resolvidas diante de um Deus Criador tão poderoso, podemos nos aquietar e desabafar diante Dele todas as nossas ansiedades, porque sabemos por certo que Ele tem cuidado de nós.

Muitos homens e mulheres, antes de nós, entenderam e reconheceram isto, e se dirigiram a Ele.

Não usaram as solenes palavras do meu velho pai, mas igualmente foram reverentes e principalmente se achegaram diante dele com fé, certos de que o Espírito Santo encaminharia todas as suas palavras e que cada um dos fonemas seria atentamente observado e ouvido pelo Criador de todas as coisas.

Não sei que palavras os meus filhos usarão para falar com Deus e se serão as palavras do avô.

Na verdade pouco importa as exatas palavras, mas importa que tenham a mesma atitude destes abaixo que também se dirigiram a Deus.

"(Abraão) Então, disse: Senhor Jeová..." Gênesis 15.2a

"(Eliézer, mordomo de Abraão)... e disse: Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, dá-me, hoje, bom encontro..." Gênesis 24.12a

"(Davi) Senhor, Deus de nossos pais Abraão, Isaque e Israel..." 1 Crônicas 29.18a

"(Elias) Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se..." 1 Reis 18.36b

"(Jesus) Pai nosso, que estás nos céus..." Mateus 6.9b

Depois destes exemplos, pergunto novamente:
Como se dirigir em oração a Deus?

O mais importante na verdade não é o formato e as palavras.
O importante é que oremos ao Senhor.
O hábito é importante.

Dos céus o Senhor observa e procura com olhar atento por verdadeiros adoradores e que o adorem em espírito e em verdade.

Seja você também um deles.

Exercite o hábito da oração.
No ano novo que se inicia, adquira o hábito da oração. 

Deus na realidade não precisa das tuas orações para agir, mas Deus se alegrará com as orações se as fizer, e elas serão verdadeiras palavras que sairão dos teus lábios e ao mesmo tempo trarão cura para a tua alma.

Deus da Glória, 
Deus de Abraão, 
Deus de Isaque, 
Deus de Jacó, 
Deus Criador dos céus e da terra,
Meu Deus, 
Lembra-te da tua promessa 
De que visitarias os filhos dos que cressem em Ti em até 1000 gerações, 
E por causa da promessa feita a Abraão, 
Visita também o coração dos meus filhos, 
E no tempo oportuno promova o novo nascimento.
Que eles sejam mais piedosos do que eu,
Que eles sejam instrumentos fiéis nas Tuas mãos para proveito do Reino,
Não olhes para os nossos pecados,
Mas te "esqueças" deles todos,
Promova em cada dia, a santificação das nossas mentes e prática cotidiana,
Torna-nos sempre desejosos de conversar contigo pela oração,
Aproxime-nos de Ti sempre,
E que não seja sempre pela dor ou pelo fustigar dos pedagógicos sofrimentos,
Perdoa os nossos pecados,
Não se enfade de nós,
E que cada um de nós possa ser,
Uma pessoa segundo o Teu coração e segundo os Teus propósitos Eternos,
A Ti dirigimos nossa oração, 
Através do Espírito Santo
E com a mediação e autorização de Jesus Cristo nosso Senhor.
Amém!

11 fevereiro 2012

Meio Sola Scriptura?


Por Ednaldo Cordeiro


"É assim que Deus disse... ?" - Gn 3.1

Algumas coisas parecem nunca mudar, desde os primórdios a Palavra de Deus é posta em dúvida. Toda tentação perpetrada por Satanás é, por princípio, colocar o que Deus disse em dúvida. E quantos cristãos tem caído nessa armadilha demoníaca.

Recentemente, tenho lido sobre alguns temas controversos em muitos blogs, fóruns, sites, etc. E por controverso não estou me referindo ao eterno debate entre calvinistas e arminianos, mas aos debates sobre a cessação ou não dos dons espirituais, e sobre a licitude do ministério pastoral feminino.

Diante disso, tenho visto cristãos, pelo menos é assim que se identificam, mutilando a Escritura, para que esta se acomode melhor aos seus pressupostos. Notem que não estou usando a palavra "distorcendo", pois em alguns casos não é isto que estou vendo. Por mutilação, estou me referindo a negação da inspiração de certas passagens bíblicas, que estão sendo transformadas em acréscimos.

Os cessacionistas negam Mc 16.9-20, já, muitos dos, proponentes da ordenação feminina negam 1Co 14.34,35, para ambos são palavras não originais, são glossas escribais, acréscimos posteriores. Foi-se o tempo em que apenas as seitas alteravam a Palavra de Deus.

Devo concordar com o pastor Douglas Wilson quando diz "No corrente clima de incredulidade, a exegese correta [...] jamais irá solucionar qualquer coisa."¹, apesar do assunto tratado por ele ser o ministério feminino, podemos aplicá-la a qualquer outra aréa, pois o problema não é exegético, mas é uma questão de fé. Já faz um bom tempo que o Espírito Santo foi expulso de muitas convenções e concílios.

Estamos em uma época em que apesar da profusão de "igrejas", há fome da Palavra de Deus, estamos em dias em que Deus está enviando "fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as Palavra de Jeová". Temos "igrejas" em os demônios são entrevistados e, pasmem, falam a verdade, mesmo sendo Satanás o "Pai da Mentira".

Alguns anos atrás fui chamado de forma pejorativa de "bibliocêntrico" por um defensor do ministério feminino, mas apesar do pejo, é um ótimo título, fiquei, e fico, feliz por recebê-lo, pois certamente estamos cheios de "biblioexcêntricos" em nosso meio, pessoas para as quais a primazia da Palavra já não tem lugar em seus corações.

Cabe a Igreja do Deus Vivo, que é coluna e guardiã da Verdade, reafirmar, de forma destemida, não somente o SOLA SCRIPTURA, mas acrescentar a isso o TOTA SCRIPTURA. Chega de "meia Sola Scriptura"!


04 fevereiro 2012

O labirinto do eterno cativeiro














Por Jorge Fernandes Isah

Cristo me converteu em 12 de Outubro de 2004 [1]. Na verdade fui convertido eternamente, pois ele me escolheu antes da fundação do mundo, quando nem mesmo ainda surgira a criação, a qual trouxe à existência pelo seu exclusivo poder, do nada, ainda que o nada não existisse formalmente, pois Deus sempre é e subsiste; o Deus pessoal ainda que espiritual, o Deus vivo ainda que intocado, o Deus presente ainda que imperceptível; o Deus sem o qual o impossível jamais seria possível. Por isso, para que as riquezas da sua glória fossem conhecidas e a sua ira manifestada, ele criou o homem, preparando de antemão uns para a glória, os quais são os eleitos, e preparando outros para a perdição, os quais são os réprobos, dignos de morte [Rm 9.22-24]. Mas tudo isso se tornou notório no tempo, de forma que as suas criaturas imperfeitas e limitadas conhecessem o que sua mente planejou e determinou, e assim viessem a reconhecer todo o seu poder [2].

Para nós, o seu povo, todo o seu amor foi evidenciado no novo-nascimento, quando ainda éramos seus inimigos [mesmo que ele não fosse nosso inimigo], e nos chamou e capacitou ao arrependimento de nossas obras más, de nossa natureza má, de nossa mente má, dos frutos podres que produzíamos na forma dos pecados e dos delitos em que andávamos conforme o curso deste mundo, cumprindo a vontade da carne e do pensamento, nos quais vivíamos como filhos da desobediência [Ef 2.1-3]. O que equivale dizer que todos os salvos, como propósito pelo qual o Senhor laborou desde sempre de forma que não pudesse não acontecer, conhecerão a Deus ainda em vida, reconhecerão o seu poder em vida, provarão da sua misericórdia e graça em vida, e saberão a quem pertencem, e o alto preço com que foram comprados pelo Senhor das suas almas.

Enquanto isso, os réprobos, ainda que reconheçam o poder de Deus, não o glorificaram como a Deus, nem deram graças; antes, se enfatuaram nas suas especulações, e ficou em trevas o seu coração insensato. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e abandonaram a glória do Deus incorruptível por uma semelhança de figuras incorruptíveis [Rm 1.18-23]. 

De forma terrível, o homem afastou-se da verdade para viver uma aparente doce ilusão, uma mentira que o impelia cada vez mais para longe da realidade, de forma que ele se contentava em se entregar à adoração de qualquer coisa, seja outro homem ou a si mesmo, animais, seres imaginários e míticos, forças e fenômenos da natureza, como se pudesse com eles se comunicar, transferindo-lhes a glória que não lhes pertenciam e lhes era dado receber ou almejar. Como um embusteiro, um fraudador, acreditavam ter e poder distribuir aquilo que não tinham nem podiam entregar. Criou-se um mundo paralelo, irreal, em que o homem acreditava existir sem existência; viver sem vida; disposto a perpetuar o seu estado de morte, de tal forma que recebessem em si mesmos a devida recompensa pelo seu desvio [Rm 1.27]. Como parte daquilo que produziam, o homem criou um ser imaginário que é a personificação daquilo que se tornou, um zumbi, o reflexo daquilo que ele não pode reconhecer mas que inconscientemente foi-lhe dado representar-se: o corpo completamente dominado pela ideia fixa, dolorosa e perversa de se conservar morto enquanto se morre sucessivas e consecutivas vezes, num estado de findar-se perpetuamente.

Em todo esse processo de alucinação e desconstrução da realidade, o homem produziu apenas uma coisa verdadeira: a própria morte, como consequência de todos os seus intentos em permanecer distante e desejar ardentemente sofrer a antecipação da condenação iminente, experimentar em doses diárias o malograr extraordinário que desde o início não se materializou num futuro repentino, mas no presente anunciado de que esse homem sem Deus é muito menos que nada, e de que somente é possível no desterro eterno, o inferno, do qual não teme, mas zomba; o qual rejeita mas caminha célere; que diz desconhecer mas o reconhecerá como se ali estivesse nascido e fosse criado; o qual odeia mas o cultiva diligentemente como um jardineiro a tratar enciumado os canteiros de ervas daninhas crescerem desordenados. Ainda que o pecado nasça em nós espontaneamente, ainda que seja algumas vezes indesejado, há uma atração natural em sua negatividade, de forma que não vemos os seus danos, não os reconhecemos como possíveis, apropriamo-nos de todo os seu mal considerando-o um bem, sorvemos todo o seu amargor como se fosse mel; e reputamos alegria ao que não serve nem mesmo como tristeza; e em honra o que é ultrajante e ofensivo. 

Esse homem não conhece limites; anda à beira do precipício, caminha entre minas terrestres, não tem gosto pela vida, desconhece-a completamente, porque seu estado habitual é reservar-se na companhia dos restos putrefatos e decompostos; suas partes nunca estiveram no todo, são como páginas em branco e soltas na ventania que nunca formaram nem formarão um livro. 

Esse homem é autodestrutivo em sua capacidade de pecar; de se mutilar; de perder de vista toda a esperança e viver numa constante guerra consigo mesmo, ainda que cogite haver paz entre uma profusão de agressões, entre muito sangue derramado, entre tiros e explosões, entre corpos inertes e o cheiro mórbido de peste. 

Esse homem tenciona roubar o que não pode sequer alcançar; ele vislumbra o que não pode ver; espera matar a sede insaciável sem água; e a dor insuportável sem analgésicos. Como a história do ratinho que queria comer a lua por acreditá-la um grande queijo, o homem espera em vão alimentar-se do pecado de forma que seja possível estar com Deus, como se o veneno trouxesse saúde e força eternas. Mas sabemos, porque a Bíblia o afirma, que tal coisa é impossível. Que homem algum pode achegar-se a Deus por si mesmo, ainda mais porque está contaminado, tal qual um cadáver radioativo.
 
Esse homem é fracionado, algo inacabado, pronto a permanecer inconcluído, na persuasão incrédula de suas próprias palavras; surdo a ouvir o silêncio da sua voz interior; cego a vislumbrar a escuridão de sua alma; louco em busca da razão na insanidade: "Pois o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, eles fecharam os olhos, para não suceder que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos, entendam no coração e se convertam, e eu os sare" [At 28.27].

Esse homem é impossível na fé, sendo possível apenas na descrença. A paz tomada como guerra, e a guerra como paz. O sofrimento como alívio, o alívio como dor lancinante. A buscar incessante à inutilidade, assim como o velho busca a jovialidade e frescor dos tempos remotos, enquanto se aproxima cada vez mais da senilidade.

Esse homem vive aquém ou além da realidade. Como Adão e Eva, no Éden, quis o impossível, desejou o que não lhe era lícito, buscou alcançar o inatingível e, mesmo caindo, chafurdando na lama, continuou lutando contra tudo, intentando contra si mesmo, ao não reconhecer humildemente a derrota, nem o fracasso: a impossibilidade de ser por si mesmo aquilo que jamais poderia não ser; pois somente Cristo pode fazer-nos novos, e tornar-nos no que não somos pelo poder de nos fazer como ele é, aquilo que seremos. Assim o homem se rebelou contra tudo, contra a verdade, contra a realidade, como se ele fosse supra-verdadeiro ou supra-real. Mas o que pode constatar é que toda a sua vida se transformara na miséria que não imaginou, pois era-lhe impossível cogitar, no paraíso, que houvesse uma realidade diminuta, pobre e vergonhosa como resultado daquilo que desejou mas não conseguiu, porque não percebeu que a verdade não pode ser recriada a não ser por aquele que a criou. E a verdade estava lá, diante dele, que não a quis reconhecer, antes se contentou em desprezá-la, em ignorá-la, como se houvesse a chance de tudo ser diferente apenas porque queria, e a sentença pudesse ser modificada sem que fosse reprovada: "De toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvores do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás... a alma que pecar, essa morrerá" [Gn 2.16-17, Ez 18.4]. 

É possível ver como o homem fugiu da ordem para o caos, da realidade para o ilusório, sem ter onde nem como se esconder de seu desarranjo mental, onde a cobiça e o orgulho afetaram-no profundamente, ainda que ele não se desse conta do que estava acontecendo e tentasse criar uma outra maneira de escapar e se refugiar fora da realidade [Gn 3.12]. Na verdade, o homem vive em constante fuga, tentando se livrar de tudo o que é para refugiar-se no que não é. Há um claro desajuste entre a imagem, aquilo que o homem é, e a ideia que o homem tem de si mesmo; o que Deus é, e aquilo que o homem considera que ele seja. De forma que, para aquele homem, assim como para qualquer homem, a realidade não pode ser recriada, nem a verdade modificada; não dá para substituí-las pela ilusão e a mentira, pois não há espaço para elas. Apenas a mente doentia do homem pode inutilmente tentar criá-las num mundo de "faz-de-contas", ao alimentá-las com a estúpida rebeldia, a perpetuá-las como o fedor a espalhar-se em todas as direções. Como uma força a estrangulá-lo, de cujas garras não pode escapar, ele se tornou e é o algoz de si mesmo, ao rejeitar a verdade, ao cogitar a possibilidade de haver vida fora da vida, quando está latente que apenas a morte pode existir fora dela; e ao buscá-la, acalentá-la, e laborar ferrenhamente para possuí-la, o homem, ainda que não reconheça investir nesse propósito, se silencia antes mesmo de dar um último suspiro. E nesse círculo claustrofóbico não há como escapar, pois não há saída, apenas o labirinto angustiante do eterno cativeiro [3].

Nota: [1] Leia o relato da minha conversão em "O dia em que Cristo me fez"
[2] Ainda que eu seja supralapsariano, não estou a discutir a questão da ordem do decreto, pois o foco desta postagem não é este, mas outro.
[3] Mas o que isto tem a ver com a minha conversão em 2004? Tudo. E se Deus quiser, voltarei a este assunto em breve.

13 janeiro 2012

Dr. Marcos Eberlin desafiando a "Nomenklatura Científica"

Excelente entrevista capitaneada pelo Dr. Augustus Nicodemus, da Chancelaria da Universidade Mackenzie, com o cientista, professor e doutor Marcos Eberlin, da Unicamp, sobre as falácias do movimento evolucionista, e a sua impossibilidade de "matar" a Deus. 
Parabéns à Universidade Mackenzie pela iniciativa, e pelo Dr. Eberlin, por sua lucidez, coragem, e amor à verdade, mesmo diante da poderosa "Nomenklatura Científica", como bem diz o amigo Enézio de Almeida Filho, através do qual tomei contato com este vídeo, e a quem agradeço por disponibilizá-lo em seu ótimo blog, o "Desafiando a Nomenklatura Científica".



FONTE: DESAFIANDO A NOMEMKLATURA CIENTÍFICA
Nota: O título da minha postagem não é o título original no blog do Enézio Almeida, mas, de certa forma, foi uma homenagem a ele.

03 janeiro 2012

Aniversário do Kálamos: És pó!


Por Jorge Fernandes Isah


Bem, lá se foi mais um ano, em que aprendi muito [até mesmo a esquecer algumas coisas], mas que, apesar de tudo, ainda me mantém em um estado de ignorância mesmo no pouco que sei.

Não farei um balanço de fim-de-ano, pois não saberia por onde começar; já que os erros foram tantos que um ano seria pouco para relatá-los, e os acertos... deixa pra lá! Não farei planos para o futuro, como normalmente, esperando que o Senhor me guie e me oriente quanto à sua vontade. Na verdade, sempre pretendo fazer isso ou aquilo, e acabo por fazê-los, quando os faço, mal e porcamente. Mas de tudo, tudo mesmo, o que ficou, foi que, em meio a algumas lutas e aflições, Deus fez-me ver que a minha relação com ele estava em frangalhos, que eu, apesar de me considerar "espiritual", agia como um antiespiritual. É claro que isso somente ficou visível quando a mão do Senhor pesou para valer sobre mim. Então, me lembrei de Paulo: Como um Pai, Deus disciplina ao que ama [Hb 12.7].

Pensei que tudo era fruto dos meus pecados. Pensei que, mantendo-me saudavelmente longe deles, as coisas voltariam ao normal, e as feridas seriam saradas. De que um novo pacto entre eu e ele me levaria a obter os seus favores novamente. Mas lembrei-me de que já o refizera inúmeras vezes, sem sucesso. De que por mais que eu tentasse cumpri-los, me esforçasse com o que de melhor possuía, sempre caía na cláusula da "quebra-de-contrato". Isso fez com que me envergonhasse tanto, que vi lançado por terra a minha soberba espiritual. Sim, eu era um homem espiritualmente orgulhoso, o tipo mais doentio e nefasto de orgulho. Ao ponto em que, reconhecer os meus defeitos, falhas e pecados, fazia-me, de certa forma, superior aos meus próprios olhos. Mas que importância isso tem realmente? Pois, quem sou eu? Por que parecer bom aos meus olhos, se eles estão tão habituados ao mal, e não há bem neles? Seria o mesmo que um corvo, acreditando-se um rouxinol,  a participar de um concurso de canto, esperando ganhar o primeiro lugar, e agradar a todos com o seu grasnar monocórdico.

Porém, o que devia ser o motivo para me aproximar de Deus, humildemente, reconhecendo o meu pecado, e buscando nele a reparação do mal que trazia para mim mesmo, fez-me afastar ainda mais. De alguma forma, ainda que inconsciente, pensei que Deus precisava de mim, quando é o contrário. Deus é suficiente em si mesmo, na comunhão e unidade que há entre as três pessoas da Tri-unidade,  e eu era quem necessitava urgentemente de reparação. Minha frieza e distanciamento em relação à vida cristã, significavam perda e prejuízo apenas para mim. Esse foi um processo que durou meses, e do qual eu, inicialmente, não percebera nada. Como se tudo estivesse bem, e eu em paz comigo e com o Senhor. A minha tolice não tem mesmo tamanho...

Para encurtar a história, somente a partir do momento em que percebi que estava como que andando ao lado do meu melhor amigo sem notá-lo ou sem dirigir-lhe a atenção, pude finalmente ver que, a despeito da minha negligência, do meu descaso, e do orgulho que me impedia de desviar os olhos de mim mesmo, o Senhor estava ali, sem me abandonar. Porque não dependia de mim, nem do meu querer, pois o seu amor é eterno. Assim como o pai nunca deixará de ser pai, mesmo diante da rebeldia do filho, Deus jamais deixará de ser o Pai bendito, eterno, misericordioso, para com os seus.

Então, me vi em lágrimas, exultando-o, bendizendo-o, louvando-o, porque ele permanecia fiel enquanto eu insistia na infidelidade. Ele não me abandonaria, ainda que eu me considerasse abandonado; ele não me rejeitaria, ainda que me sentisse rejeitado; ele me amaria, mesmo que não me sentisse amado; porque o erro, o distanciamento, a incompreensão, serão sempre meus; na sua perfeição, Deus me ama plenamente, através do seu Filho Jesus Cristo. Certa vez, o pr. batista Erwin Lutzer disse que sempre, ao acordar, orava a Deus para que ele não o visse como ele era, mas o visse através de Cristo. E é assim que o Pai nos vê; e é assim que devemos vê-lo, como o nosso Senhor o vê. Como já disse em algum lugar, bendito o Pai que nos deu o Filho, bendito o Filho que nos deu o Pai. Já que ele me vê através do Filho, que eu possa vê-lo como o Filho o vê, também. Oro, portanto, para que ele me capacite, sempre, dando-me os olhos de Cristo, para que eu jamais pense em vê-lo com os meus olhos falíveis e imperfeitos.

Como Davi, o homem segundo o coração de Deus [não entendo porque os cristãos o têm como "exemplo de pecador", quando o Senhor o honra de uma forma tão maravilhosa por toda a Escritura], quero esperar com paciência no Senhor, pois ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor... E pôs um novo cântico na minha boca, um hino a ele... Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração... Não retires de mim, Senhor, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade. Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração... Senhor, apressa-te em meu auxílio... Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim [Sl 40].

É esta certeza que traz paz; e faz com que, a exemplo de Paulo, possamos regozijar sempre no Senhor [Fp 4.4], mesmo que sejamos, para nós mesmos, o motivo de tristeza e desolação. Pois certo é que, em nós, não há nada pelo qual nos alegremos, pois a alegria vem do Senhor; e, por isso, regozijarei sempre nele [Ts 5.16]; orando para que jamais, novamente, eu creia-me humilde, quando há apenas orgulho. Creia-me suficiente, quando há insuficiência. Creia-me necessário, quando sou inútil. Creia-me bom, quando sou mau. Creia-me espiritual, quando sou carnal. Que a minha fé não esteja, nunca mais, posta em mim mesmo, ao ponto de eu acreditar possível manter-me longe do meu Senhor; o qual é o único capaz de me alegrar a alma, pois, a ti, Senhor, levanto-a... Porque tu és grande e fazes maravilhas; só tu és Deus... E grande é a tua misericórdia para comigo [Sl 86]; pois conhece a minha estrutura; e sabe que sou pó [Sl 103.14].

A ele, o Deus eterno, bendito, santo, toda honra e glória!

Amém!

Nota: Esta postagem tinha o objetivo inicial de falar do aniversário de 04 anos do Kálamos, e de dizer que estarei sorteando, no próximo dia 30, entre outras coisas, uma Bíblia A.C.F. com referências, concordância e mapas. Mas, sem me conter, acabei confessando-me publicamente, e cheguei a pensar em não publicar o texto. Mas ele está aqui, posto. Aos que desejarem concorrer aos prêmios comemorativos, basta acessar o logo abaixo.

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01 janeiro 2012

Estudo sobre a Confissão de Fé Batista de 1689 - Aula 11: O Ateísmo Secreto













Por Jorge Fernandes Isah


O ateísmo não é algo novo e que surgiu nos últimos séculos. O salmista já o denunciava a seu tempo [Sl 14.1]. Acontece que temos os ateus professos ou dogmáticos, aqueles que declaram e defendem uma fé ateísta, a fé na descrença em Deus. Ela se baseia na ideia central do movimento iluminista nos sec. XVII e XVIII de que tudo o que não pode ser explicado pela razão humana, sendo essa razão superior e final para se estabelecer todo o conhecimento humano, simplesmente não existe. Parte-se do princípio de que se deve "provar", através da razão, se tal coisa ou objeto existe ou não. A esse racionalismo segue-se o empirismo, que resumidamente advoga para si o único poder de guiar seguramente o homem ao conhecimento. Como não é possível provar experiencialmente a existência de Deus, sendo ele quem é, segue-se que ele não existe. Há uma frase célebre de Descartes, um filósofo francês, que disse: "Penso, logo, existo!". Mas ela falha preliminarmente ao não considerar que o Sol existe a despeito de eu pensar ou não. De que outras pessoas existem, também a despeito de eu pensar ou não. E que o mundo continuará existindo, mesmo que eu esteja morto e não pense mais [seguindo o padrão ateísta de que não há vida depois da morte]. Esses são os ateístas clássicos, possíveis de se encontrar em vários círculos, mesmo cristãos, e o perigo está em se retirar toda a sobrenaturalidade da existência, como se tudo fosse algo meramente natural e possível de ser explicado naturalmente.

Ouve-se muito, em discussões entre teístas e ateístas, estes dizerem que as coisas que o homem ainda não conseguiu explicar serão conhecidas um dia, bastando para isso que se decorra o tempo e o homem continue a sua evolução intelectual e científica. Para eles, tudo é sempre uma questão de tempo, principalmente para que toda a vida e o universo sejam desvendados e conhecidos. Temos aqui um "endeusamento" do homem, que em algum estágio da sua suposta evolução deterá o conhecimento total tornando-se em um "deus". Mas esse pensamento é falacioso pois, como vimos, a razão é um elemento da humanidade, portanto, finita, falha, imprecisa, e como poderia explicar um universo infinito e complexo? É a presunção e arrogância novamente se travestindo de sabedoria e superioridade, quando prova exatamente o contrário, torna o seu proponente em tolo e inferior em todos os sentidos, pois sua visão estará contaminada pela tolice e pretensão.

Mas o objetivo central desta aula não é discutir um ateísmo teórico, filosófico. Reconhecemos que esses homens têm em si o "Imago Dei" e o "Sensus Divinitatis", mas em sua rebelião deliberada, num desejo de exaltar a si mesmo e criar um ídolo à sua imagem e semelhança, rejeitaram o conhecimento de Deus que há neles, como Paulo nos diz em Romanos 1, e que pudemos abordar na aula passada. Quero falar é do ateísta prático, aquele que, mesmo não negando a Deus verbalmente o nega em seu coração. Pois, vou-lhes dizer irmãos, nesse sentido, todos fomos ateus. Surpresos? Leiamos o que Paulo tem a nos dizer: "Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo" [Ef 2.12].

No verso anterior, o apóstolo diz que os efésios eram, em outro tempo, gentios na carne, ou seja, em dado momento de nossas vidas, antes da conversão, do chamado de Deus para vivermos a glória da regeneração em Cristo, éramos ateus, pois vivíamos sem Deus. Lembram-se que a palavra ateu quer dizer "sem Deus"? Pois bem, todos nós, sem exceção, ainda que tendo o conhecimento inato de Deus, o qual o próprio Deus colocou em nosso coração, vivemos sem ele, até que sejamos por ele transformados. De criaturas em filhos. Pois há a falsa ideia de que todos os homens, sem exceção, são filhos de Deus. Mas não é o que a Bíblia nos diz: "[Cristo] veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" [Jo 1.11-13]. Portanto, apenas aquele que crê, e para crer tem de ser pela vontade divina não pela vontade do homem ou da carne, é filho de Deus. As demais pessoas são criaturas, não têm vínculo filial com ele.

Paulo se refere aos efésios e, por tabela, a todos nós que vivíamos segundo a carne e pela carne, como ateus práticos. Eles não negavam a existência de Deus, pelo contrário, eles cultuavam outros deuses. E, muitos, diziam servir a Deus, amá-lo, honrá-lo. Porém, suas vidas revelavam o contrário. Ao darem vazão aos seus instintos e intentos carnais eles negavam a Deus ignorando-o, fazendo exatamente tudo o que lhe afrontava, pervertendo os seus caminhos, afastando-se de todo o seu conhecimento, desobedecendo-o e rejeitando os seus preceitos.  Eles, como nós, viviam para satisfazer os seus prazeres e desejos, na forma do pecado, e assim seus discursos eram aparentemente piedosos, reverentes, mas em seus corações e em suas vidas havia apenas a descrença em Deus: "Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toa a boa obra" [Tt 1.16], resume o apóstolo.

O fato de usarem o nome de Deus não os faz dignos dele; pois o Deus que diziam servir e adorar nada tinha a ver com o Deus vivo e verdadeiro, o Deus bíblico. E é aqui que o problema tem contornos ainda mais dramáticos; pois eles, como nós, criavam a ilusão de estar servindo a Deus, de cultuá-lo, de se colocar a seu serviço, quando não queríam nada com ele. Elegeram um Deus "postiço", um substituto, e o fizeram objeto de adoração. É o que Paulo diz aos atenienses: "Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio" [At 17.23]. A partir daquele momento, Paulo lhes apresentou o Deus vivo, o único Deus, o qual não substituiria todo o panteão de divindades gregas dos atenienses, mas as destruiria, porque Ele, como criador de todas as coisas, e quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas [v. 24-25], "não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam" [v.30]. E, arrependam-se de que? Ora, de ignorá-lo como único Deus, e fazerem para si deuses de várias formas, e assim manterem enraizadas em seus corações a depravação e a rebelião contra ele.
  
Quando ouço coisas do tipo: "Não leio a Bíblia, mas eu sirvo a Deus", pergunto para a pessoa: Mas a qual Deus? Elas, na maioria das vezes, dizem servir a um Deus que não podem identificar, um Deus indeterminado, impessoal. Ele estaria mais para uma entidade abstrata e imprecisa, e, como servir e adorar o que não se conhece ou pode conhecer? Então, normalmente dizem: "Esta é a minha fé, e Deus a aceita como ela é!". Nisso há alguma razão. Ele tem uma fé que não é sobrenatural, que não provém de Deus, mas uma fé humana, claudicante, frágil e enganosa. Uma fé gerada em seu próprio coração iníquo. E que o lança ainda mais na ilusão ao afirmar que Deus a aceita como ela é, mas como sabê-lo? Deus falou diretamente com ele? Ou não passa de uma suposição, um pensamento derivado da sua necessidade de manter-se distante e protegido da verdade?

Todos fomos assim um dia; ateus práticos, que não dizíamos negar a Deus, mas o negávamos diariamente mantendo-nos ignorantes quanto a ele, mantendo-nos distantes dele, presumindo que os nossos conceitos e opiniões pudessem ser superiores à Revelação escriturística, de forma que ela fosse dispensável. De forma que tanto a moral que tínhamos, como a ética, como o julgamento, eram claramente uma indisposição, uma má vontade contra ele.

Qualquer um que diga conhecer e servir a Deus fora dos padrões estabelecidos pelo próprio Deus é um ateu prático. Certamente ele não professará a fé ateísta, mas se manterá como um ateu secreto. Por isso, tanto o ateu militante e teórico, como o ateu não-militante e secreto, necessitam desesperadamente da redenção, a redenção da mente, da alma, do espírito, somente possível através de Cristo, o único mediador entre o homem e Deus. Se Cristo não estiver ali, unindo as duas partes, elas permanecerão distantes, irreconciliáveis. Ele que "é a imagem do Deus invisível" [Cl 1.15], pelo seu sangue derramado na cruz trouxe-nos a sua paz; a nós que éramos inimigos no entendimento pelas nossas obras más, agora nos reconciliou, nos apresentando santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis [Cl 1.20-22]. Por isso, o mundo labuta tanto contra Cristo, e há uma obra em progressão que faz as pessoas terem a ideia de que se é possível apresentar-se dignamente diante de Deus por si mesmos, sem a intermediação do Redentor. As pessoas concentram suas forças no mérito pessoal, na capacidade que consideram ter de, em si mesmo e por si mesmos, achegarem-se a Deus. Também é visível que o homem cria cada vez mais um Deus impessoal, um Deus genérico, capaz de reconhecer em cada indivíduo o seu esforço ou até mesmo esforço algum, numa contradição somente possível aos homens, naufragando em sua própria estupidez. Um Deus assim seria um Deus despropositado, senil, autista e esquizofrênico. Capaz de reconhecer tudo e nada ao mesmo tempo, verdade e mentira, realidade e ilusão, santidade e corrupção, de maneira que ele seria um Deus sem pessoalidade, indefinível. Esse é o desprezo máximo a Deus, saber que ele existe, mas viver sem Deus no mundo, como um ateu.

Nota: [1] Para baixar o áudio para o seu computador ou dispositivo móvel clique em Aula 11.MP3
[2] Aula da E.D.B. do Tabernáculo Batista Bíblico  em 04/12/2011

27 dezembro 2011

"Um Feliz Natal!"

Por Pr. Luiz Carlos Tibúrcio



Você pode baixar o áudio da pregação para o seu computador ou dispositivo móvel em VOICE 005B.MP3

24 dezembro 2011

Dois velhos e um poeta













Por André Venâncio


Estamos chegando ao quinto Natal deste blog. Em três das quatro oportunidades anteriores, fiz posts propícios à ocasião; apenas em 2009 a data passou em branco. Este Natal ia entrar para essa segunda categoria, pelo simples motivo de que não me ocorrera nada de interessante para escrever. Mas, durante o culto dominical de que participamos no último dia 11, voltou à minha mente com força e clareza especialmente intensas uma reflexão já meio antiga, e percebi que chegara o momento de escrever a respeito.

O que aconteceu no referido culto é que foi lido o texto bíblico de Lucas 2.25-35, que na minha versão recebeu o título O cântico de Simeão. Trata-se de um trecho que sempre considerei particularmente belo e tocante. E, com isso, veio à minha memória um poema de T. S. Eliot inspirado nessa mesma passagem bíblica. Creio que a maioria dos meus leitores tem conhecimento da admiração que dedico a Eliot como poeta, dramaturgo, crítico literário e teórico da cultura. Inclusive, já dediquei um post a um de seus poemas em um Natal anterior, o de 2008. Não é, portanto, sem respeito que mantenho, ao mesmo tempo, desacordos quanto a certos aspectos de sua obra. O poema que mencionei tem algo que sempre me incomodou, mas que demorei para conseguir detectar e descrever com clareza. Esse longo processo se completou no último dia 11, e é em torno disso que pretendo construir minha mensagem de Natal deste ano.

O poema está transcrito abaixo; a tradução foi feita pelo célebre Ivan Junqueira, exceto em dois pontos nos quais, em minha opinião, ele cometeu equívocos que comprometem a integridade do texto lírico. Identifiquei esses pontos com asteriscos, e expliquei as razões de meu desacordo com Junqueira em notas apropriadas. Mas esse aspecto é apenas acessório. Antes de apresentar o próprio poema, transcrevo o trecho bíblico correspondente, pensando sobretudo nos leitores pouco familiarizados com as Escrituras. O poema de Eliot contém tantas alusões e paráfrases desse trecho (e também de alguns outros textos) que sua leitura ficaria consideravelmente empobrecida sem o conhecimento prévio do texto de Lucas. Logo depois da passagem bíblica, transcreverei o poema, e depois farei alguns comentários. A título de introdução, basta esclarecer que o episódio narrado se passou quando o Senhor Jesus ainda era bebê, e José e Maria o levaram ao templo de Jerusalém pela primeira vez. Foi ali que encontraram Simeão.

"Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Revelara-lhe o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, foi ao templo; e, quando os pais trouxeram o menino Jesus para fazerem com ele o que a lei ordenava, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: 'Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos: luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo de Israel'. E estavam o pai e a mãe do menino admirados do que dele se dizia. Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe do menino: 'Eis que este menino está destinado tanto para ruína quanto para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações'."

A Song for Simeon

Lord, the Roman hyacinths are blooming in bowls and
The winter sun creeps by the snow hills;
The stubborn season has made stand.
My life is light, waiting for the death wind,
Like a feather on the back of my hand.
Dust in sunlight and memory in corners
Wait for the wind that chills towards the dead land.

Grant us thy peace.
I have walked many years in this city,
Kept faith and fast, provided for the poor,
Have taken and given honour and ease.
There went never any rejected from my door.
Who shall remember my house, where shall live my children’s children
When the time of sorrow is come?
They will take to the goat’s path, and the fox’s home,
Fleeing from the foreign faces and the foreign swords.

Before the time of cords and scourges and lamentation
Grant us thy peace.
Before the stations of the mountain of desolation,
Before the certain hour of maternal sorrow,
Now at this birth season of decease,
Let the Infant, the still unspeaking and unspoken Word,
Grant Israel’s consolation
To one who has eighty years and no to-morrow.

According to thy word.
They shall praise Thee and suffer in every generation
With glory and derision,
Light upon light, mounting the saints’ stair.
Not for me the martyrdom, the ecstasy of thought and prayer,
Not for me the ultimate vision.

Grant me thy peace.
(And a sword shall pierce thy heart,
Thine also).
I am tired with my own life and the lives of those after me,
I am dying in my own death and the deaths of those after me.
Let thy servant depart,
Having seen thy salvation.


Um cântico para Simeão

Senhor, os jacintos romanos estão florindo nos vasos
e o sol do inverno resvala sobre as colinas de neve.
Rendeu-se a quadra obstinada.
Minha vida é leve, à espera do sopro da morte,*
tal uma pluma no dorso de minha mão.
A poeira entre os raios de sol e a memória nos cantos
aguardam o vento que esfria rumo à terra morta.

Concede-nos tua paz.
Muitos anos caminhei nesta cidade,
guardei fé e jejum, poupei para os pobres,
dei e recebi honra e conforto.
Ninguém jamais repeli de minha porta.
Quem se recordará de minha casa, onde viverão os filhos de meus filhos
quando vier o tempo do infortúnio?
Buscarão eles a trilha da cabra e a toca da raposa,
esquivando-se às faces e às espadas forasteiras.

Antes do tempo das cordas e dos flagelos e dos lamentos
concede-nos tua paz.
Antes das estações na montanha da desolação,
antes da hora certa da aflição materna,
agora, nesta quadra em que a morte se avizinha,
possa o Infante, o Verbo que ainda não falou nem foi falado,**
conceder a consolação de Israel
a quem tem oitenta anos e nenhum amanhã.

Conforme tua palavra.
Eles Te haverão de exaltar e de sofrer em cada geração
com glória e escárnio,
luz sobre luz, galgando a escada dos santos.
Não para mim o martírio, o êxtase do pensamento e da prece,
não para mim a última visão.

Concede-me tua paz.
(E uma espada trespassará teu coração,
o teu também.)
Estou cansado de minha vida e da vida dos que virão depois de mim,
estou morrendo de minha morte e da morte dos que virão depois de mim.
Deixa partir teu servo,
após ter visto tua salvação.

*: Junqueira traduziu o início desse verso como "minha vida é luz". Mas o restante do verso e o seguinte, ao comparar a vida a uma pena que cai ao menor sopro, mostra claramente que a intenção do poeta é aludir à leveza de sua vida. Aqui, portanto, "light" não é o substantivo "luz", e sim o adjetivo "leve".

**: O original diz "the still unspeaking and unspoken Word". "Unspoken"é algo que não foi falado, mas "unspeaking" é alguém que não fala. Como se vê, Eliot se vale do duplo sentido do termo "Verbo", que é aplicado a Cristo nas Escrituras: como Verbo, portador da revelação de Deus, ele ainda não foi revelado; e, como ser humano, é bebê e ainda não fala. Ao traduzir como "inexpresso e impronunciado", Junqueira introduziu no poema uma redundância empobrecedora, que perde de vista o duplo caráter do Verbo, pretendido pelo poeta.

Além da beleza e da profundidade, que evidenciam a genialidade do poeta, creio que a primeira coisa que chama a atenção no poema é que, se comparado à narrativa bíblica, ele contém uma porção de acréscimos: em sua oração, o Simeão de Eliot discorre sobre o jugo estrangeiro que pesava então sobre seu povo, antevê as horrendas consequências, para seus descendentes, da guerra contra o Império Romano que tomaria lugar sete décadas mais tarde (e talvez os infortúnios milenares do povo judeu em geral), e vislumbra também a superioridade do novo pacto sobre o antigo, do permanente sobre o provisório, do cristianismo sobre o judaísmo, do Evangelho sobre a Lei. É claro que não condeno de modo algum essa liberdade poética, inclusive porque o Simeão bíblico também tem, de um modo menos explícito, todas essas percepções. Apesar disso, esses conteúdos são parte do problema, de algum modo menos direto, e pretendo explicar por que penso assim. No poema, ao mesmo tempo em que há esse olhar voltado para o futuro, também está presente uma atenção contínua de Simeão sobre si mesmo enquanto ausente desse futuro. O ancião lamenta sua velhice, com a consequente impossibilidade tomar parte na nova dispensação, e declara-se cansado da existência incompleta na antiga, na qual, a despeito de sua vida piedosa, resta apenas a exaustão de quem prefere, diante das circunstâncias, o repouso da morte.

Contrasta nitidamente com esse espírito o do Simeão histórico. Em vez de ter dito "Deixa partir teu servo, após ter visto tua salvação", como o Simeão do poema, o que ele disse foi: "Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra; porque os meus olhos já viram a tua salvação". A compactação poética deixou de lado pelo menos dois elementos deveras relevantes, que distorcem a mensagem em uma mesma direção. Primeiro, a submissão à manifesta vontade divina, "podes despedir [...], segundo a tua Palavra", se transformou em uma súplica quase desesperada: "Deixa partir". Nada no texto bíblico indica que Simeão estivesse insatisfeito com a vida. Mas, no poema de Eliot, nada indica que lhe restasse alguma satisfação. Isso me incomoda profundamente, e esse incômodo é reforçado pela segunda omissão: o Simeão bíblico diz "podes despedir em paz o teu servo". Não há essa paz no poema, a não ser como uma coisa três vezes pedida, mas não alcançada, restando apenas uma autocomiseração incompatível com a alegria de ser um servo daquele Senhor.

Alegria, eis a palavra-chave. O texto bíblico nos diz que Simeão recebera de Deus a promessa de não morrer sem contemplar o Messias com seus próprios olhos. Não nos é dito quanto tempo ele aguardou o cumprimento dessa promessa, se um único dia ou uma vida inteira. Mas ele "esperava a consolação de Israel" e sabia como ela viria; podemos estar certos de que contemplar o Cristo do Senhor era seu maior anseio. Quando, enfim, essa expectativa é satisfeita, não o vemos perdido em lamúrias ou divagações de qualquer espécie; muito ao contrário, a passagem nos diz que "Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus". O texto bíblico transmite alegria intensa, empolgação incontida, louvor esparramado, lágrimas de gratidão escorrendo profusamente pelas faces enrugadas e descendo até uma barba grisalha. Aquele momento foi, sem dúvida, o ponto mais alto da vida desse justo.

Simeão não é mencionado em nenhuma outra parte das Escrituras, mas, nesse breve registro, Deus nos deixou um modelo de piedade, esperança, gratidão e senso de prioridade. Um exemplo de como Cristo deve e quer ser recebido. Não sejamos como o Simeão de Eliot, que, tendo Cristo em seus braços, distraiu-se miseravelmente em exaltar o passado, lamentar o presente e temer o futuro, perdendo-se em considerações sobre si mesmo, sobre os outros, sobre política - enfim, sobre tudo, menos sobre a Pessoa divina em cuja presença estava, e que deveria ocupar o centro de sua atenção, bem como de sua vida. Sejamos, ao contrário, como o Simeão histórico, o de Lucas, o das Escrituras, recebendo Cristo com a alegria que ele merece e dando-lhe, em nosso coração e em nossa vida, o lugar que é dele por direito. Que possamos aprender, cada vez mais, a tomar o menino Jesus nos braços com a devida reverência, e a depositar aos pés do Jesus crescido, humilhado e exaltado, todos os temores, frustrações e inquietações de que ele prometeu nos aliviar. O velho Simeão teve, nesta vida, uma única oportunidade de estar com Cristo, e aproveitou-a muito bem. Que não desperdicemos nossas oportunidades, que não sabemos quantas serão. Que, neste Natal, ao comparecer à presença de Cristo e olhar para ele, o vejamos como ele é, e nada menos que isso.

Feliz Natal a todos!


NOTA: A foto acima não pertence à postagem original

19 dezembro 2011

Dizem amar Jesus




Por Eric N. de Souza

Quando afirmamos que o mundo, ou seja, os não cristãos, odeiam o cristianismo, as leis de Deus e o próprio Cristo, as pessoas sentem-se assustadas com as afirmações e logo retrucam: você está errado! Não é assim. E como não dispõem de argumentações coerentes, não falam mais nada, somente negam a afirmação feita e dizem amar Jesus. Pensam que estão sendo coerentes, mas mostraremos que não.

Vamos pensar que realmente tais pessoas amam Jesus, mas como este amor é manifestado? Conhecem o Jesus que dizem que amam? Para eles Jesus realmente existiu ou fala-se tanto dele que o aceitam para satisfazer a opinião pública, digo sociedade? Notamos que vagamente estas pessoas mostram algo realmente coerente para que elas possam afirmar como dantes seu amor por alguém que pouco ou nada conhecem.

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Os 4:6a)

Então, falamos da revelação de Deus na Escritura, e aí é que tudo complica, pois em seguida vém os questionamentos: “não é bem assim. Foram homens que escreveram no passado num tempo diferente. Foram homens, não Deus”. Embora elas acertem que foram homens que escreveram, erram ao desconsiderar a inspiração divina guiando os homens nos relatos escriturísticos. Embora acertem que a Bíblia fora escrita no passado, erram ao desconsiderar que as Escrituras não possuem validade, correspondendo ao passado, presente e futuro, a Palavra de Deus, simplesmente permanece. Embora acertem o tempo diferente referindo-se ao contexto em questão, erram ao desconsiderar a Palavra absoluta de Deus, a verdade máxima, inegável e irreversível que não muda com as diversas gerações e contextos – somente é substituída ou satisfeita naquilo que a própria Palavra indica (sacrifícios, festas sazonais, etc).

“mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada.” (1 Pe 1.25)

Portanto, aquelas pessoas que ora afirmavam sua certeza em amar Jesus e não ser contra o cristianismo, descartam a validade e a veracidade do livro que revela o caráter e a vida daquele que era o seu amado. Pergunto: Como ratificar que se ama algo ou alguém tendo dúvidas ou até mesmo convicção que o livro que revela tais instruções e informações para respaldar sua certeza é duvidoso? Ou seja, eles consideram incerta a fonte de seu conhecimento na qual obtém dados da pessoa amada e das questões morais e mesmo assim, o amam e dizem acreditar no cristianismo? Não existe coerência. Para afirmar algo é preciso ter certeza da veracidade da fonte em que este algo é conhecido ou pressupor sua auto autenticação.

"As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre" (Sl 119.160)

09 dezembro 2011

A culpa é do pai [Crônica de uma viagem insólita]



Por Fábio Ribas

Já estávamos há 200 quilômetros da nossa cidade de origem, quando o inusitado aconteceu. “Pai, o senhor quer um chiclete?”, perguntou Ana Lissa. Prontamente, respondi que sim. “Mãe, então me dá dinheiro”, disse Ana para a Lu. Lu se aproximou do carro, espiou pela janela e disse assustada: “Meu Deus!!!”. Todos olhamos para ela perplexos: “O que foi?”. Ela levantou um olhar de descrença, abriu a porta, mexeu debaixo do banco do carro, olhou atrás... “O que foi, Lu?”, perguntei sem saber o que a estaria exasperando. Ela olhou nos meus olhos com olhos bem arregalados e confessou a tragédia: “A bolsa! A minha bolsa! Esqueci a minha bolsa!”.

Na bolsa da Lu, além do óbvio como maquiagem, espelho e uma nécessaire, havia também o cartão de crédito, dinheiro, nossos documentos de identidade, CPF, etc. A descoberta da ausência se deu porque Aninha quis mascar chiclete. Mas é claro que minha esposa não sofre de alguma deficiência que a impossibilite de lembrar de coisas tão essenciais. A culpa não foi da mãe. A culpa foi do pai. Vou contar. Três horas antes da descoberta da ausência da bolsa, fomos pegar nossas filhas que tinham ido dormir na casa de uma amiguinha. Estava tudo combinado, então bem cedo passaríamos para pegá-las e tomaríamos o rumo de Brasília. Assim, hoje de manhã, parei o carro na frente da casa onde estavam minhas filhas. 

- Amor, fecha o carro.
- Para quê, Lu. A gente vai rapidinho. Não vou fechar não.
- Então, eu vou pegar a bolsa para que ela não fique aí.
- Menina, a gente vai rapidinho, ninguém vai passar aqui e roubar o carro há uma hora dessa da manhã.


Mesmo assim, a Lu voltou no carro e pegou a bolsa. O resto da história já dá para imaginar: as mãos cheias de malas e sacolas e outras bugigangas infantis. E a bolsa? Coloca em cima da mesa, depois pega. Assim, por causa de mim, três horas depois, estávamos nós retornando à casa da amiguinha das meninas para pegar a bolsa da Lu. Mas você acha que a nossa viagem se encerrou só por causa disso?! Uma bolsa esquecida? Nada. Vínhamos animados e cheios de planos. Pegaríamos a bolsa e retornaríamos felicíssimos ao rumo de Brasília. Enquanto enchíamos nossas conversas com esses sonhos de viagem e quase chegando na casa onde se encontrava a bolsa: PUM!!! Um terrível barulho se fez. Segurei firme o volante, enquanto tentava entender o que estava acontecendo. O pneu da frente, que ficava do lado esquerdo, acabava de estourar. Como? Só Deus sabe. Paramos e trocamos o pneu. Mas a borracha do pneu (o pneu estava irreconhecível) havia voado na direção do meu retrovisor lateral e, creiam, o retrovisor foi arrancado do carro. Agora, estávamos sem bolsa, sem pneu e sem retrovisor.

A bolsa foi pega logo que entramos na cidade, o estepe deu lugar a um pneu novo (o que nos obrigou a comprar outro novo “por causa do alinhamento do carro”, convenceu-nos o vendedor de pneus), agora, o retrovisor só foi possível depois do almoço, uma vez que a hora avançara e minha cidade fecha o comércio de meio-dia até 13:30. É a siesta.

Estava tarde para tomarmos o rumo de Brasília? Sim, deixamos para o dia seguinte nossa saída. Mas, infelizmente, houve uma nota trágica no desenrolar dessa nossa história. Quando chegamos aqui em casa, minhas filhas vieram em minha direção com as mãos na cabeça e os olhos cheios de lágrima e indignação: “Pai! Pai! Ela morreu! A Tica morreu!”. Neste momento, juro que não acreditei em mais esse item dessa lista tão cheia de ocorrências inesperadas. “Pai! Ela está sem a cabeça! Só o corpo dela está lá. Ela está sem a cabeça!”, diziam minhas filhinhas com os olhos cheios de lágrimas.

Gisele e seus coelhinhos

Tica era um dos setes coelhinhos nascidos recentemente aqui no terreno da nossa casa. O gato a matou nesta noite. “Pai, você disse que a Tica era rapidinha e que o gato não ia alcançá-la!”, disse-me Gisele, cortando meu coração. Mais uma vez, a culpa foi do pai. Sim, acho que me deixei levar pela minha ingenuidade urbana – nunca imaginei que o gato iria conseguir alcançar aqueles coelhinhos tão serelepes e agitados. Depois disso, a minha primeira providência foi arranjar um jeito de salvar os demais coelhinhos do gato tirano. 

Estamos todos bem agora, descansados e curtindo a ideia de amanhã vermos o vovô e as vovós (se Deus quiser!). Entretanto, devo confessar que não me sai da cabeça a incrível ideia de que nossa viagem fracassou hoje não por causa da bolsa, do pneu ou do retrovisor, mas porque tínhamos que voltar para salvar a vida dos outros pequeninos lindos seis coelhinhos das minhas filhas.

FONTE: CASAL 20

03 dezembro 2011

Os vasos não fazem a si mesmos...











Por Natan de Oliveira

Mas ó homem, quem és tu, que a Deus replicas?" Romanos 9.20

Geralmente a visão de uma criança e de um bebê, principalmente se bonito, é uma linda figura que desperta na mente humana um sentimento de intocabilidade e inocência.

Baseado nesta falsa aparência a filosofia em geral concluiu que o homem nasce bonzinho e que as crianças são inocentes.

Não é isto que a Bíblia ensina.
A Palavra de Deus diz que o homem nasce pecador.

"Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe." Salmo 51.5

Após o nascimento já temos um pecador no mundo, que de fato ainda não pecou, mas sua natureza está toda ali potencialmente disponível para ser o que é.

Deixe crescer e o menino manifestará a sua natureza da forma mais "natural" possível, pecando.

E a Escritura vai além, nos revela que antes mesmo do nascimento, já éramos pecadores miseráveis.

"Os ímpios erram o caminho desde o ventre; desviam-se os mentirosos desde que nascem." Salmo 58.3

Esta malignidade se manifesta em rebeldia, desde pequeno, primeiramente em pequenas doses, depois em maiores rompantes.

Para conter sua rebeldia, os pais da criança o corrigem com disciplina, educação e chineladas apropriadas.

"A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela." Provérbios 22.15

Os pais que se deixam iludir pela suposta aparência de almas inocentes e não corrigem seus filhos, acabam gerando para a sociedade, rebeldes insuportáveis, mimados e sem limites que serão fonte de angústia para os pais quando adultos e em muitos casos um peso social também.

"A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma, envergonha a sua mãe." Provérbios 29.15

Sua disposição para pecar (fazer aquilo que desagrada a Deus, ou fazer aquilo que Deus não permite que se faça) e sua rebeldia natural contra as leis de Deus cresce à medida que a criança cresce.

No coração de um homem rebelde, o conhecimento da lei de Deus lhe produz reação contrária, expressa sempre em andar segundo o desejo da sua própria vontade.

"Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." Efésios 2.3

Entram em conflito dois adversários ferrenhos, de um lado a vontade do homem na procura de deleites, do outro lado a vontade Deus.

Esta luta perdurará sem grandes mudanças até o novo nascimento em muitos, ou então até a rebeldia total e perdição nos demais.

Os que persistem em ser rebeldes, mas são letrados na filosofia e ciência, quando descobrem que Deus se revela soberano na Escritura, chegam a desafiar a Deus em suas mentes com perguntas tipo:

"Por que você (Deus) se queixa ainda? Porventura, quem tem resistido à Sua vontade? Afinal se eu sou rebelde Ele (Deus) me fez assim..." Paráfrase de Romanos 9.19

Deus então responde prontamente: "Mas ó homem Rebelde, quem és tu, que a Mim replicas?" Romanos 9.20

E Deus ainda continua dizendo, "Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?" Romanos 9.20b

Todo homem dará conta do que pensou, fez, ou deixou de fazer diante do Criador e Este tem poder para fazer vasos como achar que devem ser feitos.

"Ou não tem o oleiro (Deus) poder sobre o barro (a terra), para da mesma massa (terra) fazer um vaso para honra (eleitos) e outro para desonra (reprovados)?" Romanos 9.21

E ainda...

"E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição..." Romanos 9.22

E ainda mais...

"Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou...?" Romanos 9.23

Lição profunda para a qual os chamados pelo Senhor se mostram gratos e maravilhados.

Lição intrigante para a qual, os que persistem em continuar rebeldes contra o Senhor, se mostram ainda mais incomodados, endurecidos e irados.

O Evangelho provoca alegria e ira ao mesmo tempo, dependendo do coração para quem ele é proclamado.

Não seja o teu coração endurecido em ira e rebeldia.

Ouça o Evangelho, vá em velórios, acompanhe o cortejo até o cemitério, fique até o fim, observe com atenção o que lá ocorre, saiba que o que é pó se tornará novamente pó...

"Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor; como pois, entenderá o homem o seu caminho?" Provérbios 20.24

Para evitar tais verdades e textos bíblicos, o homem inventou um outro evangelho, o cristianismo humanista, para o qual Deus é somente um tipo de “Marshmalow de Amor”.

E este outro evangelho se tornou um sucesso... Todavia a própria Escritura revela que tais doutrinas são doutrinas de demônios e que Satanás é seu mentor maior.

Que outro evangelho é este, alguém me perguntaria? 
A própria Escritura dá a resposta:

“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.” Gálatas 1.8-9

Que outro evangelho é este, alguém teimaria em perguntar?
É todo aquele que prega loucamente que os vasos fazem a si mesmos...