"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

23 outubro 2011

Trocar de denominação, o que é isso?


Por Luiz Fernando Ramos de Souza

não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia”. Hb. 10:25.

Uma das características da pós-modernidade é o desvinculamento total do homem. Este não finca mais raízes em lugar algum. Seus compromissos são consigo mesmo e seu bem estar. Essa tendência é uma marca dos nossos dias. O mundo, com essa tendência, entrou no arraial dos cristãos. Vemos um grande movimento migratório entre os cristãos. Quero salientar que isso é mundanismo. O cristão que seguir essa tendência está comprometendo sua lealdade a Cristo e Sua Obra. Muitos acham natural sairem de uma igreja e migrar para outra e de denominação diferente, mas não é. Creio que um dos motivos seja a insatisfação consigo mesmo. Daí a tendência em transferir para a igreja local essa insatisfação, achando assim um culpado para suas crises existências. Ao invés de buscarem um conserto com Deus e Sua Palavra, trocam de igreja achando que assim terãoá resolvido seus problemas de insatisfação. A tentativa de recomeçar em outro lugar traz consigo a sensação de novidade e parece gerar uma nova disposição em relação à causa de Deus. Só que esses sentimentos camuflam a realidade que está viva e latente no seu interior. Não é trocando de igreja várias vezes na vida que encontraremos aquilo que buscamos, mas permanecendo e revitalizando nosso pacto com o Senhor Jesus.

A troca só se justifica quando encontro pecado em minha congregação local, mesmo assim deveria lutar em oração para que Deus mudasse. Quando existe uma liderança intransigente a mudança é menos prejudicial ou quando mudo de endereço indo para outra cidade. Mas mudar de igreja sem um motivo sério e dentro da Palavra constitui-se em perda de vida. Há pouco tempo, conversando com uma ovelha de outra igreja, ouvi que este irmão sairia de sua igreja local porque sua esposa havia conhecido um grupo de senhoras de outra denominação e queira ir para lá. Indagado sobre o que deveria ser feito disse: irmão, vou citar Heb. 10:25. Então acrescentei: você está há mais de 10 anos em sua igreja e vai para outra denominação? Você abrirá mão de tudo o que aprendeu ao longo desses anos? É como se você dissesse que foi enganado, defraudado e que mentiram para você ao longo desses anos. Além do mais, disse, você dará um péssimo exemplo de liderança em sua casa. Sua mulher vai entender que pode manipular você quando quiser, e para isso basta pressioná-lo. Seus filhos saberão quem realmente é o chefe e o sacerdote da família. Você terá que se conformar com novas doutrinas e abandonar aquelas que você aprendeu e que já tem como verdadeiras. Que contradição! Sem falar que isso é contrário à vontade de Deus. Você poderá incorrer em pecado, pois, não está se preocupando com a vontade de Deus, mas somente com suas necessidades. Muitos mudam de igreja alegando que seus filhos não se adaptaram e para não perder os filhos precisam trocar de igreja. Fico me perguntando se agem assim com a escola secular ou quando compram uma casa nova em outro bairro? Essa peregrinação no meio evangélico somente traz prejuízo para todos. Ninguém consegue se firmar em congregação alguma, laços são desfeitos abruptamente e fica evidente que doutrina não importa para tais pessoas conquanto que elas tenham seus desejos atendidos. Pouco tempo atrás apresentou-se em nossa igreja uma família que vinha de uma igreja Presbiteriana. Pariticparam de uns 04 cultos e demonstraram desejo de se membrar na igreja. Perguntei-lhe de qual denominação vinham. Então lhes disse: Há 04 quarteirões de nossa igreja existe uma igreja Presbiteriana. Sugiro-lhe que frequente lá por um mês. Se não se adaptarem voltem e trataremos do assunto membresia. Voltaram para agradecer a indicação. Tinham se dado muito bem lá na outra igreja. Se houvesse de minha parte um desejo ardente por membros a qualquer custo, talvez tivesse impingido um fardo pesado sobre aquela família, pois, implicaria em trocar de denominação e assumir doutrinas que eles não conviviam.

Precisamos ser fortes diante dessas ondas de mundanismo. Precisamos repensar nosso compromisso com Deus, que se expressa na igreja local. Deus tem colocado pessoas em locais específicos com um propósito.

Antes de trocar de igreja/denominação tenha convicção que é vontade de Deus. Assim haverá glória para Seu Nome.

Soli Deo Gloria 

18 outubro 2011

Aprenda a justificar suas próprias afirmações



Por Filipe C. Machado

Todo debatedor que se preza busca "calcular" quais as possibilidades de resposta que seu oponente dará à sua própria resposta ou à sua pergunta, isto é, tal qual um jogador de xadrez busca efetuar a melhor jogada de modo que restrinja as futuras jogadas do seu adversário, assim também o cristão precisa saber justificar as sua afirmações. Deixe-me dar um exemplo:

Suponhamos que você defenda que fazer tatuagem não é pecado, e então, eis que certo dia seu amigo lhe pergunta:

Seu amigo: "Ei, o que você acha sobre tatuagem - é pecado ou não é?". Nesse ponto, logicamente você irá dizer que não é pecado, pois você defende esse ponto, mas o problema é saber como defender o seu ponto de vista (sempre biblicamente, é claro). Você talvez responderia: 

Você: "Não é pecado, pois Deus não atenta para as aparências". Observe que essa resposta, por melhor que possa parecer, é extremamente frágil, pois bastaria que o indagador dissesse:

Seu amigo: "Mas como você sabe que Deus não atenta para as aparências?" para que o seu castelo de cartas estivesse prestes a ruir. Então, já se vendo quase que sem saída, você talvez apelaria dizendo: 

Você: "Bem, veja só, há um caso na Bíblica (1 Sm 16) onde Deus diz para o homem não atentar para a aparência, pois Deus vê o coração" - então você pensaria: "Ufa! Consegui responder". Porém, o problema não está resolvido. Na verdade, essa resposta mostrou a ignorância de sua resposta, pois agora basta uma jogada para que seu amigo lhe dê cheque-mate - e a jogada vencedora é: 

Seu amigo: "Mas meu amigo, essa situação de 1 Sm 16 não tem nada a ver com tatuagem, e sim com o dever de Samuel ir procurar por Jessé que tinha um filho (Davi) que seria rei no lugar de Saul - como você  pode defender que tatuagem não é pecado num contexto de escolha de um futuro rei?" - Fim. A batalha foi perdida e você fracassou.

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Sei que o exemplo acima é um tanto quanto "infantil", contudo ele nos mostra que precisamos medir a consequência de nossas respostas, ou seja, quando estamos a afirmar determinada doutrina ou posicionamento sobre algum assunto bíblico, precisamos saber quais são as implicações e fragilidades de nossas respostas. No caso acima, embora o homem que estava a defender que tatuagem não é pecado fosse um homem que tentava se pautar pela Bíblia (pois citou até um exemplo bíblico), viu-se encurralado numa fração de apenas duas respostas - traduzindo: defendia algo que não tinha certeza se era ou não verdade.

Portanto, busque estudar, conversar, debata e esteja sempre pronto, conforme lemos na Santa Palavra de Deus, onde Paulo dá as diretrizes para o homem cristão (sim, Paulo está falando de pastores, mas certamente que essas qualidades também são requeridas de todos os crentes): "Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes (Tt 1:9 - grifo meu).

14 outubro 2011

Vontade

Por Ednaldo Cordeiro


Esta manhã ouvi a leitura de Gênesis 24 no rádio, e 
comecei a meditar. Muitos não acreditam que 
Deus governe, de forma imediata, a vontade 
humana, defendem que Deus deixa todos 
livres para que Lhe sirvam voluntariamente, mas 
olhando para esta passagem biblíca, parece que 
Deus interferiu na vontade de Rebeca. Por que 
penso assim? Vamos fazer um resumão...

 Após a morte de Sara, Abraão envia Eliezer 

para buscar uma noiva para Isaac, porém o faz 
jurar que não tomará das mulheres cananitas, mas 
uma de sua parentela.

 Eliezer, ao chegar a Harã, ora a Deus 

pedindo que a mulher que Ele designou, faça 
determinada ação ao encontrar-se com ele.

 A mulher designada faz a determinada ação ao encontrar-se com Eliezer.

Esta passagem impossibilita muitos dos contra-argumentos utilizados pelos que não 

acreditam que Deus interfira na vontade humana. O principal deles é o da presciência, 
"Deus sabia que Rebeca faria isso", eu sei que Deus sabia, mas o fato é que ainda que 
apelemos para a presciência arminiana, ela não é possível, pois não foi Deus quem disse a 
Eliezer como agiria a mulher que Ele designou, mas este foi um pedido de Eliezer a 
Deus. Eliezer foi quem deu os parâmetros, e ao que parece eram parâmetros impossíveis 
de serem cumpridos sem a intervenção divina, pois se fosse algo comum Eliezer não teria se 
dirigido a Deus em oração, ou teria pedido que a primeira que aparecesse fosse a mulher 
eleita.

O que vemos nesta passagem é Deus agindo sobre a vontade de Rebeca de tal forma 

que ela, por ser a mulher designada por Deus, agiu exatamente como Eliezer pediu a 
Deus em oração. Ou ainda que alguém afirme que Deus não interferiu na vontade de 
Rebeca, temos que considerar que Deus interferiu na vontade de Eliezer, quando 
este pediu alguém que agiria exatamente da forma como Rebeca agiu. De qualquer 
forma fica-se num beco sem saída.

10 outubro 2011

A bênção esquecida












Por Natan de Oliveira


"Deus Todo-Poderoso te abençoe..." Gênesis 28.3a

Antes de dormir principalmente e sempre que achamos necessário, não economizamos tais palavras, tenho eu e a minha esposa adotado um hábito para abençoarmos nossos filhos.

Sim, eu não sou um homem que gosto de orar em público.
Não gosto nem mesmo de orar na igreja, falo daquela oração em voz alta que todos ouvem enquanto você a faz sozinho a pedido do pastor ou em situação semelhante.

Tenho aversão ao que eu chamo de ostentação espiritual.

Mas em muitos momentos o pai como sacerdote da sua casa e a mãe como referência espiritual para os filhos, devem sim verbalizar e mostrar para os filhos o caminho mais excelente.

O nosso hábito é o de abençoar os nossos filhos em voz alta.
E a nossa benção predileta é a mais famosa de todas, e por muitas famílias já esquecida em ser hábito:

“Deus te abençoe, meu filho.” Gênesis 43.29b

Antes de dormir, vou à cama da minha filha e a toco e lhe digo tais palavras.
Ela sempre responde com um quase inaudível “Amém” e logo desmaia de sono.

O meu pequenino, que ainda não domina a fala completamente, já sabe que quando a mãe lhe diz “dá boa noite para o papai” ele olha para mim e meio que espera o ritual da minha parte e eu lhe digo em alto e bom som “Deus te abençoe meu filho” e ele responde num movimento de uma pequena mãozinha me dando “tchau”.

Pais devem abençoar os filhos (e eles precisam ouvir isto dos pais), não só com palavras, mas também orando pelos seus filhos.

Mil e umas dificuldades eles passarão pela vida e no futuro o pecado que já está latente, mas principalmente na adolescência e vida adulta, os espera para atacar com todas as forças de sua malignidade.

Alguém pode achar fútil um pai abençoar seus filhos, mas a Bíblia assim determina que o façamos.
Gosto muito da benção que Deus determinou que Arão fizesse pelo povo:

“O Senhor te abençoe e te guarde;
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti;
O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” Números 6.24-26

Com estas palavras Deus nos mostra que tem para nós bênçãos, proteção, atenção, misericórdia, e paz.

BENÇÃOS imerecidas, pois tanto eu como meus filhos somos pecadores miseráveis.
Eles ainda muito sob a influência da Graça Comum de Deus, que os refreia, mas mesmo assim miseráveis pecadores.
Deixe Deus de atuar nas suas naturezas, se tornarão tão maus quanto suas naturezas pecaminosas permitirem.

Sim, precisamos demais das bênçãos do Senhor e a sua Graça Comum é muito preciosa, e oro para que Deus também alcance o quanto antes aos meus filhos com a Graça Salvadora, falo do novo nascimento espiritual.

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” Salmos 91.1

PROTEÇÃO das circunstâncias ruins da vida, das setas malignas do pecado, proteção de nós mesmos, não a ponto de nos isolar de tudo e de todos, mas de tal forma que vocês estarão no mundo, e em contato com os outros jovens da vossa idade, mas sempre poderão perseverar no temor do Senhor, afinal pelos meus filhos eu oro como o Senhor também orou pelos seus quando disse:

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal” João 17.15

ATENÇÃO e carinho da parte de Deus, principalmente nos momentos em que se sentirão desprezados, sozinhos, confusos na fé, tentados a duvidar que Deus os esteja sustentando e atento a cada passo seu.

“Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.” Salmos 139.9-10

MISERICÓRDIA, pois sem ela nenhum de nós poderá ver a Deus Filho no momento oportuno. Pelas misericórdias de Deus, e não por causa de nossas obras é que somos salvos. Miseravelmente mesmo após o novo nascimento o cristão eventualmente ainda peca, mas logo se lembra de que Deus é fiel, e as suas misericórdias duram de geração em geração.

“Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tuas misericórdias.” Salmos 31.16

Na dúvida e na insegurança o Senhor nos faz lembrar da Sua Palavra e dos Seus conselhos e relembrando Suas promessas encontramos força para continuar e caminhar cada dia, um de cada vez, sem se deixar levar pelas ansiedades do amanhã.

“Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo e ensina-me os teus estatutos.” Salmos 119.135

Meus filhos

Quando vocês estiverem crescidos e tiverem sob os seus cuidados, os meus netos, façam como eu fiz com vocês: Orem pelos seus filhos...

“Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas... ... Faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor.” Daniel 9.17

O nosso Deus não é surdo, e no momento oportuno voltará seus olhos para mim (vosso pai), para vocês (meus filhos) e para eles (meus netos).

E não esqueçam jamais, como muitos já se esqueceram, de ter sempre o hábito de abençoar seus filhos em voz alta.

Por isto hoje já disse, e vocês agora dormem, mas não me canso de repetir e de agora escrever: “Deus vos abençoe, meus filhos”.

“Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem, ou que tu formasses a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” Salmos 90.1-2

FONTE: Reflexões Reformada

08 outubro 2011

Mais sobre o orgulho arrogante















Por Roberto Vargas Jr.

Numa postagem recente mencionei o pecado do orgulho arrogante, ou o "complexo de Jesus Cristo": "Sem mim nada podeis fazer". Assistindo um trecho de um filme ontem percebi um complexo parecido...

O filme falava de uma mãe cristã e um filho gay. À parte de qualquer estereótipo que possa haver no cristão e no gay, chamou-me a atenção o diálogo em que o gay diz: "Eu sou assim". Não devo entrar no mérito de quaisquer possíveis determinações. Menos ainda nas possíveis do homossexualismo, se houver. O que vale ressaltar aqui é o "complexo de Jeová": "Eu Sou".

Esta é uma muito comum tanto acusação contra a redenção quanto uma desculpa para os pacados comitidos: "pau que nasce torto, cresce e morre torto". Bem, eu creio na depravação total, tal como revelada, e por isso digo que, sem Deus, é mesmo impossível ao homem endireitar-se. Mas eu creio também na redenção, pelo que, com Deus, o torto pode se fazer reto. Não posso, portanto, concordar com acusação e desculpa.

Nem posso deixar de ver aqui o mesmo orgulho: "vocês serão como Deus". Não somos necessários nem eternos. E, principalmente, não somos imutáveis nem livres (entenda-se aqui "autonomos, livres ou independentes de Deus"). E é, talvez, neste desejo de liberdade, a tal busca da felicidade que faz do homem o centro de seu universo, que reside todo o efeito da queda.

De fato! Conhecemos o bem e o mal, não precisamos mais de qualquer tutela divina. Não, melhor: nós mesmos ditamos o que é o bem e o mal. E porque somos assim livres, tornamo-nos escravos de nós mesmos, acreditando que aquilo que pensamos que somos faz aquilo que realmente somos. E então temos não só nós mesmos, mas todo um mundo à nossa imagem e semelhança. Pobre homem livre...

Bem, talvez passemos uma vida lutando contra alguma possível determinação, se houver. Mas feliz é o homem que se vê tal qual é, que conhece sua contingência e o quanto é efêmero. Este homem também sabe que a eternidade cala em seu coração, um coração inquieto enquanto a Eternidade não o habita e ele nEla não repousa... E ele clama para que Aquele que É, o Imutável, o Eu Sou, ele clama para que Ele o molde em sua contigência, frágil e mutável, para que seja conforme Ele quer que este homem seja...

Então este homem é verdadeiramente livre, pois aqueles que o Filho libertar...

SOLI DEO GLORIA!

Nota: A fota nesta postagem não consta no original.

05 outubro 2011

O Fundamento da Filosofia Cristã na visão Calvinista















Por Ricardo Castro

Sicut scriptum est... 

“Ninguém possui coisa alguma, em seus próprios recursos, que o faça superior; portanto, quem quer que se ponha num nível mais elevado não passa de imbecil e impertinente. A genuína base da humildade cristã consiste, de um lado, em não ser presumido, porque sabemos que nada possuímos de bom em nós mesmos; e, de outro, se Deus implantou algum bem em nós, que o mesmo seja, por esta razão, totalmente debitado à conta da divina graça.” – Calvino

Calvino muito se agradava da sentença de Crisóstomo: “O fundamento da nossa filosofia é a humildade”. E, mais ainda, a sentença de Agostinho: “Como Demóstenes, o orador grego, sendo interrogado sobre qual seria o primeiro preceito da eloquência, respondeu que é a pronúncia, e, sendo interrogado sobre a segunda, respondeu a mesma coisa, como também sobe a terceira, assim também, se me perguntares quais os preceitos da religião cristã, eu te responderei: o primeiro, o segundo e o terceiro, é a humildade”.

Mas, qual é a verdadeira humildade? A ideia de Agostinho é que, a verdadeira humildade consiste no homem conhecer de tal maneira a verdade que só encontra refúgio em humilhar-se diante de Deus. Ele, Agostinho, chega a usar sentenças fortes: “Que ninguém se gabe de si mesmo, pois cada um é diabo; todo o bem que existe é de Deus. Porque, que tens tu de ti mesmo, senão pecado? Se queres ficar com algo que seja teu, fica com o pecado, porque a justiça é de Deus”.

Para Calvino, a nossa humildade é a exaltação de Deus e, a confissão da nossa humildade traz consigo a misericórdia divina, como remédio. Não que o homem deva renunciar a seus direitos diante de Deus, ou mudar o seu pensamento e não reconhecer a sua virtude, se é que ele tem alguma, para reduzir-se à humildade e nada mais. O desejo de Calvino é que o homem, desfazendo-se de todo o estulto amor a si próprio, e da auto-exaltação e da ambição, cegado que fora pelo apego a essas coisas, contemple-se no espelho das Escrituras. Mas, dizer que a inteligência humana é tão cega que não lhe resta nenhum conhecimento quanto às coisas do mundo seria contrário, não somente à Palavra de Deus, mas também à experiência comum. Há no espírito humano certo desejo de pesquisar a verdade, não tanto por propensão, mas principalmente por uma questão de gosto. Esse desejo, no entanto, antes mesmo de entrar em ação, mostra o seu defeito e cai na vaidade. Isso porque o entendimento humano, em sua rudeza, não pode ter o correto desejo de buscar a verdade, mas se perde em diversos erros. Salomão, em seu Eclesiastes, narra todas as coisas das quais os homens gostam e nas quais se julgam muito sábios, e, por fim as declara vãs e frívolas. Certo é que o trabalho do entendimento humano não é inútil, principalmente quando se volta para as coisas inferiores. Assim, também não é tão tolo que não tenha gosto, ainda que pequeno, pelas coisas superiores, se bem que se aplica negligentemente a buscá-las.

Para que o homem possa compreender melhor até que nível pode elevar-se nalgum tipo de conhecimento, Calvino considera que devemos fazer a seguinte distinção: o entendimento das coisas terrenas é um, e o das coisas celestes é outro. Para ele, terrenas são as coisas que não chegam a tocar em Deus e em seu reino, nem na verdadeira justiça e na imortalidade da vida futura, mas estão ligadas à vida presente e quase encerradas sob os limites desta: a doutrina política, a maneira de governar bem a casa, as artes mecânicas, a filosofia e todas as disciplinas chamadas liberais. Já as coisas celestes são, para ele, Calvino, as coisas que constituem a norma e a razão da verdadeira justiça e os mistérios do reino celestial: o conhecimento de Deus e da sua vontade, e as normas pelas quais o homem pode conformar a sua vida à vontade de Deus. Quanto ao gênero terreno, Calvino chama a atenção para o fato de que o homem, sendo por natureza amigo de companhia, é também inclinado, por um afeto natural, a ter e manter sociedade. Assim, conclui Calvino, há algumas noções gerais de honestidade e de ordem civil impressas no entendimento de todos os homens. E, isso nos mostra que há uma apercepção universal da razão impressa naturalmente em todos os homens; e, não obstante, isso é tão universal que cada pessoa, por si mesma, por sua inteligência, deve reconhecer uma graça especial de Deus. A esse reconhecimento Deus nos exorta o bastante, produzindo loucos e insensatos, pelos quais ele mostra, como num espelho, qual seria a qualidade da alma humana, se não fosse esclarecida por sua luz. E, Deus dá essa luz naturalmente a todos como um benefício gratuito da sua generosidade para com cada um dos seres humanos. Do mesmo modo podemos ver que a invenção das artes, a maneira de ensiná-las, a ordem doutrinária, o conhecimento singular e a excelência deste, são coisas comuns a bons e maus, e, por consequência podemos reputá-las como graças naturais. Calvino, novamente então conclui que, quando vemos em escritores pagãos essa admirável luz da verdade que transparece em suas obras, devemos estar advertidos de que a natureza do homem, conquanto havendo perdido sua integridade e se tornado grandemente corrupta, não deixa, entretanto, de ser ornada por muitos dons de Deus. Se reconhecermos o Espírito de Deus como a única fonte da verdade, não lutaremos contra a verdade onde quer que ela apareça; caso contrário, estaremos ofendendo o Espírito de Deus. Assim, não devemos considerar coisa alguma como excelente e louvável sem reconhecer que procede de Deus – de outro modo, seria uma grande ingratidão nossa, sendo que até mesmo os poetas pagãos confessaram que a Filosofia, as Leis, a Medicina e outras doutrinas são dons de Deus.

Todavia, Calvino nos alerta para não pensarmos que o homem é muito feliz por concedermos a ele o grande poder de entender as coisas inferiores e existentes neste mundo corruptível, pois, a faculdade de entendimento, e a de inteligência que se lhe segue, é coisa frívola e sem nenhuma importância perante Deus, quando lhe falta o firme fundamento da verdade.

“As graças ultranaturais dadas ao homem desde o princípio lhe são dadas após a sua queda em pecado, e assim também as graças naturais que nele subsistem foram corrompidas; não que tenham sido ou possam ter sido contaminadas quando e como procederam de Deus, pois foram entregues puras ao homem, sendo que depois ele se corrompeu. Por isso não se atribui ao homem nenhum louvor.” – Agostinho de Hipona (Frase aprovada pelo Mestre das Sentenças, Petrus Lombardus, mesmo que sob constrangimento.)

Relembrando o título desse artigo, aqui finalizo:

O FUNDAMENTO DA FILOSOFIA CRISTÃ, NA VISÃO CALVINISTA, É A HUMILDADE.

Sicut scriptum est... 

Bibliografia utilizadas na construção deste artigo:

- As Institutas, volume 1 (João Calvino – Editora Cultura Cristã)
(Há, no artigo acima, várias compilações da obra acima, não havendo indicação por aspas ou referências, a todas elas. Minha intenção é incitar o leitor a pesquisar nessa obra e, assim lê-la.)

28 setembro 2011

O Ministério da Informação da Nomenklatura Científica e o fato, Fato, FATO da evolução


Por Enézio Almeida Filho*





Nem sei por que eu me lembrei desta parte do filme Brazil retratando tão bem o poder da burocracia. Por que associá-la com a Nomenklatura científica e o fato, Fato, FATO da evolução? É porque os mandarins da Nomenklatura científica e a Grande Mídia reportam que a evolução é um fato científico inconteste e que a prova disso são os milhares de trabalhos e pesquisas publicados anualmente corroborando a teoria da evolução de Darwin através da seleção natural e mecanismos (de A a Z, e até imaginários).

Nada mais falso. A maioria desses trabalhos e pesquisas diz respeito, quase que na sua totalidade, à microevolução e não à macrovevolução. Microevolução ocorre diante de nossos olhos. A macroevolução demanda, pelas especulações transformistas darwinianas, de milhões e milhões de anos. Deixaria pistas no registro fóssil e moleculares.

É aqui que a porca torce o rabo epistêmico contra Darwin: o registro fóssil mostra descontinuidade e as formas biológicas completamente funcionais, com poucas evidências de ancestralidade comum. Pior fica se formos seguir as pistas moleculares: as pesquisas revelam árvores filogenéticas incongruentes.

Como interpretar a sequência do filme Brazil com toda aquela atividade frenética e a imponência ditatorial do chefe? Bem, cientistas precisam trabalhar (ou fingir que trabalham - conheço muitos assim, especialmente chefes de departamento), e produzir conforme a imagem e semelhança de Darwin: ai de quem mijar fora do caco de Down, oops, discordar do paradigma consensualmente aceito pela Akademia - Kaput na sua carreira acadêmica!

Hoje, é isso que vemos na comunidade científica - uma atividade frenética querendo de todo o jeito corroborar o fato, Fato, FATO da evolução com milhares e milhares de pesquisas. Todavia, a natureza tem sido muito, mas muito mesquinha em fornecer evidências macroevolutivas, e muito, mas muito pródiga em fornecer evidências microevolutivas.

Por isso o olhar preocupado do chefe da Nomenklatura científica olhando o relógio antes de sair de cena: o tempo está cada vez mais contra Darwin - desde 1859 que as suas especulações transformistas não são corroboradas no contexto de justificação teórica. Já vem aí Darwin 3.0 - a SÍNTESE EVOLUTIVA AMPLIADA, mas só em 2020. Pela montanha de evidências negativas, a nova teoria geral da evolução não deve ser selecionista e vai incorporar alguns aspectos lamarckistas. Traduzindo em miúdos: Darwin já era heuristicamente falando!

Foi só o chefe, com seu olhar de intimidação, entrar no seu escritório que a linha de produção para toda a atividade frenética para fazer o que é mais importante: deixar de lado esta atividade massacrante e alienadora, para se divertir! É justamente isso que faremos até 2020: sem um referencial teórico a nos guiar nas pesquisas evolucionárias (e fomos e somos informados nas universidades que a ciência abomina o vazio epistêmico), faremos pesquisas com uma teoria científica que foi declarada morta por Stephen Jay Gould em 1980???

A ciência é a busca pela verdade, e o cientista segue as evidências aonde elas forem dar. Darwinistas, façam como os jovens no filme: carpe diem fora da vista ditatorial da Nomenklatura científica. Este blogger disse adeus a Darwin em 1998. Sem medo de ser feliz! Vamos, coragem, vocês nada têm a perder, a não ser as algemas ideológicas do naturalismo filosófico que posa como se fosse ciência...

18 setembro 2011

Nenhuma condenação há...










Pr. Luiz Carlos Tibúrcio


O texto base para esta noite é:
Romanos 8.1: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito".
Romanos 1.18: "Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça".
- Deus manifesta a Sua ira! Lemos nas Escrituras sobre o amor de Deus, sobre a misericórdia, a graça e a compaixão de Deus. Mas aqui, lemos sobre a ira de Deus sobre toda a impiedade.
- Impiedade é a prática daquilo que não é justo, ou seja, injustiça.
Versículo 19: "Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis. ".
- Deus manifesta a Sua ira contra a injustiça, contra o pecado.
- Tudo dá testemunho da bondade de Deus. Portanto, o homem devia reverenciá-lO.
- O poder e a justiça de Deus são manifestos pelas coisas criadas para que ninguém diga: "Não vi o poder de Deus". Estas pessoas são indesculpáveis diante de Deus, pois Ele se manifestou a todos os homens.
Versículo 21: "Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu".
- Os homens não deram a Deus a glória devida; mesmo diante de todo o Seu poder, suas mentes criaram fantasias: uns criaram imagens de homens, outros de animais e disseram: "Este é o meu deus!". Que loucura, meus irmãos!
1 Coríntios 6.10: "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido...".
- E é o que alguns de vocês foram! Deus nos chamou para uma mudança de vida, para uma nova vida em Cristo nosso Senhor. Ele nos transformou, libertando-nos do que éramos, daquilo que fomos um dia.
"...mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus".
- Deus nos chamou quando estávamos em pecado. Mas Ele não nos chamou para vivermos em pecado, pois nos lavou, santificou, justificou para uma nova vida.
- Deus nos chamou para servi-lO, abandonando a antiga vida de pecados para vivermos em santidade.
Lucas 18.10: "Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele".
- O Senhor conta-nos uma parábola em que dois homens oravam no Templo. Um dizia: Senhor, como sou santo! Não sou como os homens comuns. O outro dizia: Tem misericórdia de mim, Senhor!
- Aquele que reconheceu os seus pecados, esse saiu justificado. Porque Cristo veio para os pecadores, para dar o perdão ao arrependido.
- Agora não há mais condenação para os que estão em Cristo Jesus. Agora, meus irmãos! Não amanhã, ou depois de amanhã. Mas agora! Contudo, aqueles que não reconhecem Jesus Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas JÁ estão sob a condenção e a ira de Deus.
Ezequiel 18.4: "Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá".
- Nós pertencemos ao Senhor. Todos, quer servos, quer não, porque Ele nos criou.
- Não há crime sem lei que o defina como tal. E se há um crime e uma lei, há uma punição, uma sentença. Deus decretou que o pecado é crime, e a sentença para aquele que pecar é a morte!
- O pecado é transgressão da lei, a desobediência à lei.
Deuteronômio 21.22: "Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e for morto, e o pendurares num madeiro,O seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus; assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança".
- Deus fez um decreto, no qual o cadáver pendurado no madeiro teria de ser enterrado.
Deuteronômio 27.15: "Maldito o homem que fizer imagem de escultura, ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser em um lugar escondido. E todo o povo, respondendo, dirá: Amém".
- maldito o que fizer uma imagem.
Versículo 16: "Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe. E todo o povo dirá: Amém" (Os versículos seguintes ao 16 descrevem uma série de pecados, os quais Deus amaldiçoa - Nota do Editor).
- Maldito aquele que transgredir a lei de Deus. Deus amaldiçoava os que desobedeciam a Sua lei.
Gálatas 3.10: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las".
- Deus decretou várias maldições. Maldito o que não cumprir toda a lei. Ninguém é capaz de cumprir a lei, portanto, todos são malditos.
- Somente Jesus Cristo cumpriu-a integralmente.
- Deus exige santidade, justiça, retidão. E ninguém satisfez a Deus, porque somos pecadores. Mas Cristo foi o único capaz de satisfazer as exigências de Deus.
- Em Cristo somos capazes de agradá-lO, visto que Ele, o Filho, nos justificou perante Deus. Então, não devemos viver em pecado, mas ter uma vida de santidade, retidão e justiça, porque Cristo nos libertou da prisão do pecado, para vivermos conforme a vontade Deus.
- A lei somente nos trará condenação. Ninguém poderá viver e ser salvo pela lei. Se você mentir será condenado. Se adulterar será condenado. Se roubar será condenado.
- Não há outra salvação, somente em Cristo Jesus. Todo aquele que buscar uma outra salvação está debaixo da maldição e da ira de Deus.
Romanos 8.3: "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne".
- As Escrituras nos dizem que a lei é boa: "E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" (Rm 7.12).
- Mesmo sendo santa, justa e boa a lei não pode nos salvar.
Mateus 15.19: "Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem".
- Há coisas que contaminam o homem. E elas procedem do coração, é dele que procedem o pecado, os maus pensamentos.
- A santidade de Deus exigiu uma justiça que está acima de nós, muito além de nossas forças e possibilidades.
Mateus 6.21: "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração".
Mateus 9.4: "Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações?".
- O Senhor sabe o que se passa no coração do homem, Ele conhece a maldade que há no coração do homem.
Mateus 12.34: "Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más".
Mateus 15.8: "Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim".
Versículo 18: "Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem.Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem".
- Em Rm 8.3,lemos que a lei não pode nos salvar. Que o nosso coração está afastado de Deus.
Gálatas 3.13: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro".
- Em deuteronômio, quando Deus dá a lei aos homens, disse que maldito aquele que for pendurado no madeiro. Cristo se fez maldição por nós! Aquele que não tem pecado, nem culpa, nem desobedeceu a Deus, morreu na cruz do Calvário, suspenso em um madeiro, para nos livrar da maldição do pecado.
- Ele ocupou o lugar que deveria ser nosso, substituindo-nos.
- Ainda que éramos pecadores, afastados de Deus, em desobediência a Ele, Cristo, pelo seu muito e maravilhoso amor, chama-nos à reconciliação com Deus, pelo Seu perdão dado ao coração arrependido.
Jeremias 24.7: "E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o Senhor; e ser-me-ão por povo, e eu lhes serei por Deus; porque se converterão a mim de todo o seu coração".
- Jeremias é perseguido por tentar fazer o povo voltar-se para Deus.
- E Deus dá um coração para que O conheçam. Se Ele não nos der um novo coração, jamais o buscaremos,nem O conheceremos... Sabe porque nós o buscamos? Porque Ele coloca em nosso coração o desejo de buscá-lO, de conhecê-lO.
- Deus tem aberto o meu coração para que eu veja a Sua bondade, a Sua misericórdia, a Sua graça, e receba o Seu perdão; distanciando-me do pecado, da rebeldia e aproximando-me d'Ele, vontando-me ao caminho que O honre e glorifique.
- E assim, Ele será o meu Deus, e nós seremos o Seu povo. Não O honraremos mais apenas com os lábios, mas com o coração. E isso só foi possível pelo sacrifício de Cristo na cruz, resgatando-nos da condenação e da separação eterna de Deus.
- Ele nos chamou para sermos crentes, não apenas aos domingos, mas em tempo integral, testemunhando com nossas vidas dia após dia a conversão do nosso coração a Deus.
Jeremias 29.13: "E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração. E serei achado de vós, diz o Senhor, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei".
- Esta é uma promessa de Deus para todos os tempos: buscai ao Senhor, clamai ao Senhor por misericórdia, e deixe o ímpio o caminho do mal, e converta-se a Deus.
- Ele tem transformado a nossa vida, mas ainda assim, devemos buscá-lO incessantemente.
- Rm 8.1, "portanto agora" significa no tempo de hoje, no tempo do sacrifício de Jesus Cristo, neste instante... pois "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".
- Nós sentiremos tristeza por nossos pecados, quando desobedecemos e nos rebelamos contra Deus. Mas, também, sentiremos conforto, e a certeza de que Ele nos perdoará quando nos arrependemos, voltando-nos para Ele em busca do Seu perdão.
- Temos a certeza de que o perdão de Deus é realidade em nossas vidas; e de que a salvação é um milagre que somente Cristo poderia fazer por nós.

Resumo da mensagem pregada no Tabernáculo Batista Bíblico em 14 de Setembro de 2008
Todos os versículos da Almeida Corrigida e Fiel da SBTB(ACF)

02 setembro 2011

Pagando a dívida, e ainda devedor [Comentário a Gl 2.20]













Por Jorge Fernandes Isah

    Gálatas 2.20 é um versículo precioso, poderia dizer, inigualável. Não somente porque foi o versículo da minha conversão [que descrevi no texto O dia em que Cristo me fez], mas porque, de uma forma singular, poder-se-ia resumir a vida cristã ou, ao menos, descrevê-la plenamente. É também o alvo, o de um dia poder dizer: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”. São palavras que me acalentam, me dominam, me compungem a encontrar-me nelas. Poderia ser a epígrafe cravada na minha sepultura, porém, muito mais a quero gravada em meu coração. O resumo de tudo o que almejo e quero experimentar. Mais do que isso, ser. E desde aquele momento, decorei-as, como se decora a melodia da mais bela entre todas as canções. Como se ouvisse a sinfonia perfeita, inefável, a síntese do mais puro e santo sentido, ainda que com palavras indizíveis em sua verdade absoluta e extraordinária. Como se estivesse a construir algo que sei impossível, por mim mesmo, construir. De certa forma, invejo a Paulo por ter sido ele e não eu a proferi-las; mas creio que saídas de sua boca, elas têm o som da minha voz, o som da sua voz, o som da voz de todos os santos, daqueles que são um em Cristo, e por ele vivem.
     
       Mas, o que levou o apóstolo a proferi-las?
    
     A mensagem central de Gálatas é a disputa: Lei x Evangelho. Em vários momentos, parece haver o desprezo de Paulo pela lei, como se fosse descartável e não existisse mais nenhum sentido nela. Mas esse não é o caso. Em outra carta, ele diz: "E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” [Rm 7.12]. E, ainda: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” [Rm 3.31].
    
   O que está em disputa entre Paulo e os judaizantes é a lei como instrumento de salvação. Eles pregavam contra o Evangelho, ao afirmar que era necessário se cumprir toda a lei para salvar-se. Por isso, o apóstolo diz: “Se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” [ 2.21]. Ora, se para ser salvo o crente deveria cumprir toda a lei, qual a razão de Cristo encarnar, padecer, e morrer na cruz? Por isso o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo [2.16]. Desta forma, Paulo constrói a defesa do Evangelho da Graça, sem que haja nenhum tom antinominiano [1] em seu discurso, pelo contrário: “É porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor” [2.18].

     Se Cristo pagou na cruz a dívida que tínhamos para com Deus, e se está paga, definitivamente paga, o que mais podemos fazer que ele não fez? Fico a imaginar Paulo rindo-se da tolice desses homens, mas entristecendo-se pelo caráter sutil e maligno de distorcerem a fé a fim de enganar incautos, e anular a graça.  Cristo, ao destruir o pecado e seu caráter condenatório sobre os eleitos, não poderia restituí-lo novamente, ao ponto em que seria exigido o cumprimento da lei para a salvação. Se a justiça foi decretada na cruz para os que crêem, se o pecado foi morto, ressuscitá-lo significaria dizer, entre outras coisas, que a obra do Senhor não foi eficaz, e de que, loucamente, ao trazer a justiça, trouxe a injustiça.

  O apóstolo está a condenar aqueles que anteriormente pregavam o Evangelho da graça, para agora viver pela lei, tornando-os em transgressores, porque quem não está morto para a lei, vive para ela, ou seja, vive para a morte, pois pela lei ninguém pode ser justificado perante Deus [3.11],  antes está debaixo da maldição da lei. Ao contrário, quem está morto para a lei, vive para Deus, eternamente. Paulo ensina a teologia correta, a doutrina correta, mas muito mais do que isso.

      Ele disse que estava morto para a lei.

      Que estava crucificado com Cristo.

      Que vivia, não mais ele, mas Cristo.

      Que Cristo o amou, e se entregou a si mesmo por ele.

      Então, o que levou o apóstolo a proferir o verso 2.20?

    A consciência de tudo isso acima, mas, sobretudo, reconhecer que, sem Cristo, nada disso seria possível. Nem mesmo ele, Paulo, seria possível. De uma forma maravilhosa, Paulo reconhecia a completa dependência do Senhor, e a obra fantástica que fez para que ele pudesse reconhecer-se em Cristo. Sem ele, o que seria Paulo? Sem Cristo, o que seria eu? Você? Não haveria esperança, não haveria o perdão, nem a salvação. Apenas a tristeza assoladora de que a condenação era questão de tempo, irremediável, uma maldição a pairar sobre nossas cabeças eternamente. E se eu, antes condenado, agora salvo pelo poder de Deus, o que quereria exaltar em mim mesmo para voltar à destruição? Ou seria possível exaltar-me na ruína? Ou antes, arrependendo-me de mim mesmo para ser um dia como Cristo é? Pois se olharmos para nós, como somos, sem Cristo, não haverá nada além de  condenados sem que seja preciso esperar o castigo, pois estamos já a “curtir”, sobre nós, a ira de Deus. Se olhar para mim, descobrirei apenas que sou miserável, e nu, e cego. Se olhar, e apenas me ver, há um pecador naufragando em pecados. Se sou o futuro, não há futuro; apenas o passado de morte, de sofrimento e angústia. Ao contrário, se vejo Cristo em mim, assim como Paulo o via em si, as coisas mudam de figura. Já não sou mais um condenado, antes justificado. De pecador, a santo. De maldito, a bendito. De desgraçado e vil, a agraciado e amado.

    A teologia de Paulo [2] estava certa. Ela lhe trouxe esperança, certeza, convicção. E abriu-lhe os olhos para a mais surpreendente e inesperada verdade, de que ele já não era mais ele, mas Cristo a viver nele. E trazia no seu corpo as marcas do Senhor [6.17], marcas profundas que não o impediam de se ver como era, de reconhecer o que era, de gloriar-se nas fraquezas para que o poder do Senhor em si habitasse [1Co 12.9].  Porém, antes era necessário que compreendesse e conhecesse isso, para depois sentir; pois, como sentir o que não se conhece ou não compreende? Como alguém desejará o que não conhece?

    Como qualquer homem, ele tinha de nascer, crescer e amadurecer na fé. Mas ninguém nasce por si mesmo; era necessário que fosse gerado por Cristo; que o sangue do Senhor não somente o limpasse dos pecados, mas corresse em suas veias e bombeasse no seu coração a vida. A vida que somente o Senhor poderia dar, e deu, a despeito de todo o desejo de nos apossar dela como se fosse nossa por direito, e não por dádiva, misericordiosa, e graciosamente entregue pelo amor com que Deus nos amou. O caminho nos é mostrado, mas não há nada que nos faça andar nele, se não nos for revelado. Quem não pode ver, como saberá onde andar?

    O certo é que, como João o Batista disse, era necessário que ele diminuísse e Cristo crescesse [Jo 3.30].

      E assim será para todos os que foram crucificados e mortos com Cristo.

     Se ele não viver em nós, a morte viverá.

Nota: [1] Antinomianismo significa “antilei”. É o oposto de legalismo, e como ele, uma heresia. Para os defensores do antinomianismo, o crente não tem de obedecer à lei de Deus, pois Cristo à pregou na cruz. E se a pregou na cruz, está-se livre para viver como quiser, inclusive pecando o quanto quiser; ao ponto de até mesmo distorcerem o sentido de graça, ao afirmar que, quanto mais se peca, mais a graça se manifesta.
[2] Paulo, ao defender magistralmente o Evangelho da graça, afirmando a justificação somente pela fé no sangue derramado de Cristo na cruz, defende também a sua autoridade e ministério contra os falsos-mestres, os detratores que buscavam difamá-lo e desqualificá-lo como apóstolo. E nada mais verdadeiro do que reafirmar que estava morto para si, para viver para Cristo, enquanto aqueles queriam viver por si mesmos.
[3] Aguçado pela conversa com uma querida irmã, lembrei-me que devia um texto sobre Gl 2.20. E, por mais que escreva, sempre serei devedor a Deus por tê-lo dado a mim.
[4] Não entrei muito na questão da impossibilidade da lei como meio de salvação, a qual farei brevemente em outro texto.