"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

20 fevereiro 2011

Deus também odeia pessoas!

Por Marcos David Muhlpointner

Esse post é inspirado por uma pregação do Pr Paul Washer (veja aqui) e por uma pregação do Pr Décio Leme Júnior. Mas também, e talvez, principalmente, é inspirado pelo que vejo no espelho. Não fosse a graça maravilhosa de Deus e o sacrifício que Jesus fez por mim, eu mesmo seria o alvo desse texto. Spurgeon dizia que muitas vezes ele escolhia seus textos para o sermão com base naquilo que ele precisava ouvir do Senhor. Esse post é assim, tem esse mesmo sentimento.


            Quantas vezes já não ouvimos a seguinte frase: “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Aí vem Paul Washer e nos lembra desse texto do livro de Salmos (5:5-6):

“Os loucos não pararão à tua vista; odeias a todos os que praticam a maldade. Destruirás aqueles que falam a mentira; o SENHOR aborrecerá o homem sanguinário e fraudulento.”

            Devo confessar que não lembrava desse texto. Se algum dia já o tinha lido, não me recordava dele. E é impressionante a clareza com que o texto trata da questão. Em qualquer versão da Língua Portuguesa, Inglesa, no Hebraico é a mesma expressão: “...odeias a todos...”! Então vamos ao dicionário. Minha fonte de pesquisa é o Dicionário Houaiss.

Odiar: 1. sentir aversão por (algo, alguém, a si próprio ou um ao outro); detestar(-se), abominar(-se); 2. achar muito desprazeroso; 3. ter inimizade intensa a; detestar.
Aborrecer: 1. ter horror ou aversão a ou causar aversão, desagrado, mal-estar; abominar ou provocar abominação; 2. causar ou sofrer desgosto ou contrariedade; desgostar(-se); 3. causar tédio ou fastio a ou entediar-se; enfadar(-se), enfastiar(-se), maçar(-se); 4. tornar(-se) zangado; apoquentar(-se), enraivecer(-se), enfurecer(-se).

            Eu não sei o que você pensa quando medita sobre isso – se é que nós conseguimos meditar no ódio que Deus tem – mas o fato é que a Bíblia está afirmando que Deus também odeia pessoas. Não é preciso fazer grandes exercícios de hermenêutica e exegese. Da mesma forma que a Bíblia afirma que “Deus é amor”, que Jesus Cristo é “o caminho, a verdade e a vida”, ela também a firma que Deus odeia certo tipo de pessoa. Para entendermos o amor de Deus e a salvação assegurada por Jesus Cristo não recorremos a livros teológicos, análises teológicas de autores consagrados no meio evangélico. Aceitar que Deus é amor é uma das ações mais simples e básicas do cristianismo. Mas o mesmo não ocorre com essa verdade: a verdade de que Deus odeia pessoas.

            Entretanto, alguém dirá que essa postura de Deus é do Velho Testamento, de antes da vinda de Jesus Cristo, de antes do advento da graça quando Deus lidava com as pessoas através da Lei. Ou ainda, e pior, que a maneira de Deus lidar com as pessoas mudou depois de Jesus Cristo ter realizado seu ministério. Então vejamos o que escreveu o apóstolo Paulo em Romanos 11:22:

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.”

            Voltemos ao dicionário:

Severidade: 1. qualidade, condição ou estado do que é severo; 2. ato rigoroso; atitude severa; 3. falta de flexibilidade ao julgar, disciplinar, castigar; 4. inteireza de caráter; rigor, austeridade.

            Querido leitor, será que já pensamos seriamente na severidade de Deus? Será que Deus será flexível no Seu julgamento? Será que Deus toma alguma decisão sem inteireza de caráter? Será que o comportamento que Deus nos exige não é rigoroso? Talvez não haja nada mais urgente na nossa vida do que vivê-la de modo digno à vocação com que fomos chamados.

            Iniquidade nós praticamos todos os dias contra Deus, contra nós e contra o próximo. Mas graças a Deus fomos colocados debaixo da graça e da misericórdia de Deus para estarmos livres da condenação do pecado. É só pela graça de Deus que não somos mais alvo do ódio de Deus. É só pelo sacrifício eterno de Jesus que não seremos cortados e lançados no fogo que nunca se apaga. Se não fosse a graça de Deus, estaríamos ainda correndo a passos largos e em grande velocidade para o futuro castigo eterno, como pregou Robert McCheyne.

            Não podemos fugir dessa verdade: Deus odeia o pecado e odeia as pessoas que praticam a maldade. Não podemos “tapar o sol com a peneira”. Deus não toma o culpado por inocente. Amamos o amor de Deus, desejamos esse amor mais que tudo, mas infelizmente não tratamos a Sua justiça com o mesmo amor. Não sabemos lidar com a ira de Deus porque não pensamos sobre ela. Quantos sermões você já ouviu sobre a ira de Deus?

            Concordo que pensar na ira de Deus é difícil e nos incomoda. Mas o Deus da Bíblia está contra todos aqueles que praticam a maldade. E Jesus Cristo é o único que pode nos tirar do alcance da ira de Deus. Certamente que pensar no amor de Deus e na Sua salvação dada à nós é mais prazeroso. Mas se quisermos agradar a Deus temos que procurar odiar o pecado com a mesma intensidade que Deus o odeia. Quanto a odiar os pecadores, só Deus pode fazê-lo!

Para entender melhor a ira de Deus: O Futuro Castigo Eterno (Robert McCheyne), Pecadores na mãos de um Deus irado (Jonathan Edwards) e a Ira de Deus (Martyn Lloyd-Jones), todos sermões que foram editados pela Editora PES.

FONTE: Texto originalmente postado em Música, Ciência e Teologia

17 fevereiro 2011

Sem Vergonha da Bíblia







Por Ednaldo Cordeiro


Ontem li no Púlpito Cristão um artigo de autoria do irmão Avelar Jr. intitulado “O dia em que senti vergonha da Bíblia”, onde discorre sobre a dificuldade que muitos têm de compreender o significado das palavras da edição Revista e Corrigida da tradução de João Ferreira de Almeida, e dizendo que em certa ocasião sentiu, por causa disso, vergonha da Bíblia. Embora concorde que a edição de Almeida possui uma linguagem um tanto densa para o atual estágio educacional da maioria das pessoas, discordo que isto seja um problema da tradução, que podemos considerar arcaica.

Apesar do irmão Avelar se utilizar do texto de Atos 2.11, quero dizer que a linguagem utilizada nas versões de Almeida, é o nosso bom e velho português, e se ela é uma ilustre desconhecida da maioria dos brasileiros a culpa não é da Bíblia. Desculpem-me a expressão, mas creio que o “buraco é mais embaixo”, o problema não é a dificuldade vocabular da versão de Almeida, mas o nível educacional da maioria da população, diga-se de passagem, composta por analfabetos funcionais que mal sabem escrever o próprio nome e lêem textos simples aos trancos e barrancos. A linguagem usada por Almeida e já “atualizada” diversas vezes, em versões revisadas, revistas, corrigidas e etc. era na época de sua escrita a linguagem usada pela maior parte da população, de forma que palavras como “mancebo”, “varão”, “enxundia”, “ilhargas”, "ósculo", bem como o uso das 2ª pessoas do singular e plural e o vasto uso de mesóclises eram comuns na época.

O que temos que lutar é por melhores condições educacionais e não por uma simplificação que ao invés de elevar o nível cultural o reduz ao mesmo nível das tribos ameríndias do século XVI. Caso contrário, logo logo teremos a “Bíblia em Gíria”, que em pouco tempo terá de ser atualizada, onde Deus diz a Adão que ele “pisou na bola”, ou Moisés se referindo a José como “mó caô", ou que Davi “mandou ver” ou “botou pressão” em Bate-seba, ou ainda que Judas era o maior 171. Ou quem sabe não seria interessante uma Bíblia em “mineirês”, outra em “baianês” e outra em “caipirês”, afinal, na questão lingüística, existem diferenças regionais suficientes para respaldar esta idéia. Antes que alguma sociedade bíblica compre a idéia, quero dizer que estou sendo irônico, mas se comprar quero royalties.

Porque ao invés de reclamar das palavras arcaicas, não tentamos melhorar o vocabulário das pessoas que freqüentam nossas igrejas? A popularização da educação foi, sem sombra de duvida, um avanço conseguido pela reforma protestante, pois todos tinham o direito de ler as Escrituras, vamos despertar nas pessoas o desejo de aprender mais, não copiemos um mundo que produz versões condensadas e comentadas das obras de Machado de Assis porque os estudantes não conseguem compreender o português usado por ele.

Dizem que estamos ficando mais inteligentes, mas quando olho para trás e vejo o nível educacional de muitas pessoas do séculos passados, acho que o nosso nível caiu drasticamente. Podemos até possuir mais informações, um maior conhecimento, mas dizer que estamos mais inteligentes é burrice. Falta-nos prazer pela leitura de bons livros e principalmente da Bíblia, colocar a Escritura de lado apenas por não saber o significado de uma palavra é um atestado de preguiça e impenitência tremendo, pois para que é que existem dicionários? Não sinto vergonha da Bíblia, mas sinto muita vergonha do atual nível cultural e educacional do nosso povo.
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P.S. Este artigo não é uma critica ao artigo do irmão Avelar Jr., mas uma simples análise da situação considerando outro ponto de vista.

Nota: A foto não se encontra na postagem original.
Fonte: Texto originalmente postado em "Divinitatis Doctor"

16 fevereiro 2011

Série Trindade - Parte 1


Por Igor Miguel

A trindade é uma doutrina cujo objetivo é afirmar a unidade de Deus, e que, é inerente a esta unidade certa complexidade relacional. Trindade é uma explicação ao fato de que este Único Deus, apesar de sua unidade, se relaciona de forma complexa, ou seja, apesar dele ser um único Deus, Ele se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. O cristianismo por ser uma religião monoteísta não está disposta discutir a unidade de Deus, pois é um fato, do contrário, o cristianismo seria mais uma religião politeísta ou idólatra. O Credo de Atanásio diz:
"Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus. E contudo não são três deuses, mas um só Deus. "
Observe o cuidado de Atanásio, que ao usar o termo "Deus" três vezes associado ao Pai, Filho e Espírito Santo, deixa claro que não está com isso afirmando que existem três deuses, como ele mesmo explicita logo após "contudo não são três deuses, mas um só Deus". Atanásio está defendendo a interpretação cristã de que este único Deus, que sempre percebemos na revelação das Escrituras como Pai, Filho e Espírito, é trino em pessoa, mas não são três divindades distintas e independentes, do contrário, novamente estaríamos comprometendo a fé monoteísta afirmada pelas Escrituras (Dt 6:4).

Infelizmente muitos questionam esta belíssima doutrina enraizada na Bíblia e explicada pela Igreja. Muito deste questionamento é fruto primeiro de uma desconfiança moderna à doutrina e depois por desconhecimento das confissões e formulações clássicas a respeito. Eu mesmo fui vitimado por esta ignorância.

De fato alguém que nega a trindade, se coloca fora do cristianismo e daquele fundamento que agrega todos os cristãos pelo mundo. E como veremos, negar a trindade, é negar a forma como Deus se dirigiu aos homens para salvá-los. A trindade é uma doutrina pastoral, comunitária e prática, diferente do que se pode imaginar, não é uma formulação especulativa ou de pouca importância prática. Ela define, de fato, quem é e quem não é cristão, e como, Deus mesmo, em amor trinitário, criou, amou, redime e consumará todas as coisas para Sua Glória.

Um dos problemas que eu mesmo tive com a trindade, vinha do próprio termo "pessoa". Meu entendimento da doutrina trinitária fora profundamente iluminada quando entendi duas coisas: a teologia paulina da adoção (que será discutida abaixo) e por outro lado, o uso do termo persona pela tradição cristã.

Persona não tem nada haver com o conceito moderno que temos de "pessoa", que está ligado a uma ideia de "indivíduo humano", "individualização" etc. A ideia de personana tradição cristã tem haver com "pessoalidade" ou "atributos relacionais". O termo é de origem teatral e tem a ideia de "personagem" ou "máscara". Em outras palavras, quando a doutrina da trindade afirma que Deus é único e subsiste em três pessoas, está dizendo com isso, que Ele é relacionalmente tri-pessoal. No século XVI, João Calvino, para sanar qualquer confusão, observa que a palavra "pessoa" deveria ser compreendida com o sentido de "subsistência", ou seja, que este único Deus subsiste relacionalmente em forma tríplice, em três pessoas com atributos (papéis/hipóstase) distintos, entretanto, paradoxalmente, unidas quanto a natureza (substância):
[...] designo como pessoa uma subsistência na essência de Deus que, enquanto relacionada com as outras, se distingue por uma propriedade incomunicável. Pelo termo subsistência queremos que se entenda algo mais que essência. Pois se o Verbo fosse simplesmente Deus, contudo não tivesse algo próprio, João teria dito erroneamente que ele estivera sempre com Deus [Jo 1.1].Quando acrescenta imediatamente em seguida que também o próprio Verbo era Deus, ele nos volve para a essência única. Mas, uma vez que não podia estar com Deus sem subsistir no Pai, daqui emerge essa subsistência que, embora fosse unida à essência por um vínculo indivisível, não se pode separar dela, possui, no entanto, característica especial em virtude da qual se distingue dela. (Institutas, Vol. I, Cap. XIII, parágrafo 6).
A palavra subsistência ou pessoa deve ser compreendida assim: quanto à natureza,unidade, quando aos diversos papéis-pessoais deste único Deus, diversidade(complexidade). Quando olhamos para o único Deus, em sua diversidade relacional, vemos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo, distinguem-se completamente quanto a seus atributos. Um exemplo das características que distinguem as três pessoas de Deus são:

- O Pai que ama, envia o Filho;
- O Filho, o amado, e não o Pai, nasce de uma virgem e morre na cruz;
- O Espírito Santo, o amor, é quem consola e guia a Igreja a toda verdade.

Dessa forma, pode-se ver a clara distinção dos papéis.Seria totalmente errado à luz da doutrina trinitária, afirmar por exemplo, que Jesus é o Pai em carne. Pois isto não é bíblico, por isso a doutrina nunca afirma tal coisa. A explicação correta seria que Jesus representa o Pai, pois quem vê o filho vê o Pai, mas Ele (Jesus) não é o Pai em seus atributos pessoais. (Jo 1:18; 14:9) Jesus é Deus, pleno de divindade (Cl 2:9), gerado do Pai (Hb 1:5; 5:5).Quanto a natureza, pleno de divindade, entretanto quanto a seu papel, distinto.

Vejamos, por exemplo, como o Deus Único se mobiliza em toda sua pessoalidade para salvar os homens:
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da suaglória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. (Ef 1:1-14).
O termo "glória"* funciona neste texto como um marcador de que como o único Deus em trindade se move para salvar os homens. No texto o PAI elege, o FILHO redimee o ESPÍRITO SANTO sela. Aí se vê claramente a atuação trinitária de Deus, para salvar os homens.
A questão é que se há alguma coisa neste movimento que não seja DIVINO, se o Pai, o Filho e o Espírito Santo não forem plenamente divinos e pessoas integrantes de um único Deus, não é Deus quem está salvando. Mas, aprouve a Deus, dirigir toda sua complexidade e pessoalidade, para eleger, redimir e selar aqueles que transformou em filhos.
Diferente do que muita gente pensa, a trindade não é uma formulação doutrinária especulativa, ou um jogo de palavras teológicas que só os "iluminados" podem entender. A doutrina trinitária é construída a partir das Escrituras e é uma doutrina com implicações práticas muito sérias. Esta foi a defesa de Agostinho de Hipona, ao postular que a trindade significa que Deus em sua totalidade relacional e em sua complexidade, se dirige aos homens, ou seja, que as distinções entre as subsistências divinas (Pai, Filho e Espírito Santo), são narrativas do amor divino em si dirigidos aos eleitos.
No batismo de Jesus, fica claro, que o Pai dirige seu amor ao Filho, por isso diz que ele é o Filho amado em que Ele tem prazer (Mt 3:17). Está claro que do Pai procede o amor ao Filho, e também está claro que o Filho é objeto de todo amor do Pai. Entretanto, nenhum homem pode ser objeto do amor do Pai, ou ser acolhido em sua família trinitária, sem se revestir de Cristo. Por isso, Paulo é categórico: "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes." (Gl 3:26-27).
O revestimento de Cristo que o eleito recebe, coloca-o em condição ressurreta e o mais importante, em condição de filho de Deus. Isto significa que o Pai quando olha para o eleito, o vê como seu Filho (Jesus), e por isso, derrama sobre Ele seu amor. O eleito integra-se à família trinitária. Entretanto, a concretização deste amor, dá-se no Espírito Santo, por onde o Pai comunica seu amor, por isso, o Espírito Santo aparece no batismo de Jesus em forma de pompa, como sinal, do amor do Pai pelo Filho. Igualmente, o sinal do amor do Pai por seus filhos (os eleitos) dá-se pelo Espírito Santo, que é o mesmo Espírito que estava em Jesus Cristo:
"E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, {Aba; no original, Pai} Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus." (Gl 4:6-7). "Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o Espírito de Adoção, baseados no qual clamamos: Aba, {Aba; no original, Pai} Pai." (Rm 8:15).
Ninguém pode chamar Deus de Pai sem adoção. Ninguém, pode chamá-lo de Aba, sem que o movimento redentor de Pai, Filho e Espírito Santo, tenham-no envolvido, acolhendo-o na família divina. Por isso, negar a doutrina trinitária, negar a trindade, é ignorar a doutrina que afirma que Deus é amor. Este amor se esclarece, justamente porque em Deus há uma relação de amor entre O Pai (que ama), o Filho (o Amado - Ef 1) e o Espírito Santo (o meio do amor):
"...porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado." (Rm 5:5)
As implicações da trindade sobre a vida comunitária e o amor na Igreja são cruciais. A falta de clareza e da própria vivência de um Deus que age de forma completa para amar seu Filho e por isso estende este amor aos santos, atinge profundamente nossa forma de compreender e de se relacionar com os irmãos em nossa comunidade. O termo "irmão" começa a fazer muito sentido à luz da trindade.
"Deus é comunidade" (Agostinho)
Continua...
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* Devo esta observação a Guilherme de Carvalho durante um sermão de domingo, devo a ele a compreensão da teologia paulina da adoção. 

FONTE: Texto cedido pelo autor e disponível originalmente em "Pensar..."

15 fevereiro 2011

A Aposta de Pascal


By Vanderson M. da Silva

Blaise Pascal
Blaise Pascal, retratado por Philippe de Champaigne, 1656-57

No presente post gostaria de tratar de uma proposição enunciada pelo célebre filósofo e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662), o qual conhecemos bem de nossos tempos de ensino médio (o seu famoso triângulo, as probabilidades etc., lembram?). Ela ficou conhecida como aposta de Pascal, e é longamente exposta em seu livro Pensamentos, no Artigo II: “O que é mais vantajoso: acreditar ou não acreditar na religião cristã”. Constitui uma espécie de argumento indireto a favor da existência de Deus, com o seguinte teor:
Caso a tua crença em Deus e na Bíblia esteja correta, terás o céu por recompensa;
Caso a tua crença em Deus e na Bíblia esteja errada, não terás perdido nada;
Caso a tua descrença em Deus e na Bíblia esteja correta, não terás perdido nada;
Porém, caso a tua descrença em Deus e na Bíblia esteja errada, teu destino será o inferno.
É importante ressaltar aqui, para se evitar conclusões precipitadas, que não é a religião institucionalizada que o sábio tinha em mente. Isto é, não é a adesão formal de indivíduos a uma igreja que ele contemplava aí. Pascal provinha de uma família que abraçara o jansenismo, movimento católico dissidente, de moral e disciplina rigorosas, cujo conceito de predestinação e graça, aliás, é muito próximo daquele do calvinismo (mais sobre o jansenismo, clicar aqui). Em seu entendimento, trata-se o cristianismo de relação pessoal com o Altíssimo.
Feita essa necessária ressalva, não obstante, tem-se apontado que tal argumento incentiva a adoção oportunista da religião cristã apenas para se estar em consonância com a existência de Deus. Deus que, talvez, até tenha em melhor conta um ateu ou agnóstico sincero e de vida moral do que um semelhante apostador. De fato, a Bíblia é categórica: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6). Por outro lado, o conceito escriturístico de fé salvífica não se ajusta à ideia de aposta: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10.9). Por fim, falando em seu nome e no nome dos demais apóstolos, Pedro nos ensina qual a atitude que todo pecador que vem a Cristo salvificamente deve ter. Perguntado por esse sobre se queriam imitar a multidão e O deixarem, ele proferiu as palavras lapidares: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 6.68,69).
Porém, diga-se que mesmo entre os evangélicos há quem discorde disso e ainda julgue ser a aposta de Pascal uma estratégia apologética válida: confiraaqui.
Se é verdade que há controvérsias entre os teólogos reformados acerca do valor dos chamados argumentos teístas (e.g., Robert L. Reymond e Vincent Cheung concordam quanto a serem eles falaciosos, mas o último ainda vê utilidade no emprego deles), creio que, quanto a essa que é na verdade uma variante de tais argumentos, não devemos endossá-la de forma alguma: cliqueaqui para uma análise e discussão aprofundadas das insuperáveis dificuldades teológicas inerentes à chamada aposta de Pascal, bem como de seus riscos espirituais. Para uma refutação filosófica, recomendo este texto aqui, em inglês.
Numa era de crescente incredulidade e irreligiosidade como a nossa, a qual, além disso, é caracterizada por um pragmatismo exacerbado, eu não ficaria surpreso se surgissem pregadores e denominações inteiras passando a lançar mão de tal argumento em seus planos “evangelísticos”. Se a Deus aprouver que este meu modesto artigo sirva de esclarecimento e alerta sobre a matéria, será um motivo de especial gratidão minha a Ele.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PASCAL, Blaise. Pensamentos. <http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/pascal.html>. Acessado em 14/02/2011.
REYMOND, Robert L. A New Systematic Theology of the Christian Faith.Nashville, EUA: Thomas Nelson Publishers, 1997. Págs. 131s.
CHEUNG, Vincent. Introdução à Teologia Sistemática. São Paulo, SP: Arte Editorial, 2008. Págs. 70ss.

Nota: Texto originalmente postado e disponível em "Polemista Reformado"

12 fevereiro 2011

Ofertas de amor

Por Joelma Rocha

Senhor, sei que nada sou, sei que nada tenho. Sei que nada posso adquirir sem o teu auxílio. Mas venho lhe entregar minha humilhação. Venho devolver-lhe tudo o que tenho recebido das tuas mãos.
Deixo diante do teu altar um coração consciente das suas limitações e das suas fraquezas, um coração quebrantado, totalmente dependente de Ti.
Venho lhe entregar o primeiro... o melhor...Aceite Senhor... é Teu! Teu pois Tu me deste, teu pois te devolvo.
Aceite Senhor, minha gratidão, pelo Teu amor incondicional, por Tuas misericórdias que duram para sempre. Aceite Senhor o meu louvor, por Tua grandeza, Tua Bondade, Tua Fidelidade, Tua Verdade, Tua justiça. Aceite Senhor, minha adoração, por Tua Majestade, Tua Santidade, Tua  Soberania.
Tu Senhor, és a fonte de todas as riquezas, és a fonte do conhecimento, da inspiração, do prazer, do contentamento.
Tudo vem de Ti e te devolvo. Te entrego as emoções, o tempo, as lágrimas, os talentos, os sonhos, os bens..os entes queridos. Te entrego o meu Isaque. Aceite Senhor minha oferta de amor. Aceite meu serviço. Deixo tudo diante do teu altar.
Renuncio o que fui... reconheço o que ainda não sou...e me entrego a Ti, para que faças de mim o que quiseres.

Nota: Texto gentilmente cedido pela autora e disponível originalmente em "Verdade no Coração" 

07 fevereiro 2011

Primeiro a Bíblia. O resto vem depois.



Por Marcos David Muhlpointne

Dizem que a vida começa aos 40. Então nem comecei ainda, mas estou perto de começar. E como somos feitos de fases na vida, percebo que estou passando por uma fase bem importante. Muitas coisas novas têm acontecido - casamento, profissão, igreja - nas três áreas que julgo serem as mais importantes que tenho. Um dia o Nelson Bomilcar me disse que ele renovava os votos do casamento todos os dias. Na época não entendi direito, mas hoje, depois de cinco anos casado, entendo que o casamento é uma construção diária.

Esse ano recebi vários desafios profissionais, como ficar em apenas um colégio, integrar um grupo de professores para um aperfeiçoamento profissional, prestar a prova do Mestrado e começar uma vida acadêmica. Além disso tudo, estamos implementando uma metodologia de ensino de Ciências mais formalizada, mas não rígida. Esse ano os meninos vão aprender habilidades e competências para aprender Ciências. É um desafio e tanto tirar o foco do conteúdo e ensinar o aluno a, simplesmente, pensar de modo científico. O resto, ele vai atrás.

E os desafios na e da Igreja de Cristo. Faço parte da Igreja de Cristo. Aquela Igreja, com "I" maiúsculo, a Igreja invisível para os olhos humanos, mas viva para Deus. Aquela Igreja que é Universal, mas não é a do bispo. A Igreja santa - porque foi separada; perfeita - porque quer viver no vínculo da perfeição que é o amor; imaculada - porque está sendo santificada por Deus; combativa - porque luta contra o pecado, contra o mundo, contra o erro e a mentira.

A Igreja é perfeita, mas eu não. A Igreja é santa, mas eu ainda peco diariamente. A Igreja é única, mas ainda há dentro de mim vozes que teimam querer falar mais alto do que a Palavra de Deus. E no campo da Igreja eu também estou sendo a desafiado. Desafiado a "fazer a coisa direito", a andar duas milhas, a dar a capa e a túnica, a oferecer o outro lado da face. Isso custa, isso dói, isso cansa, isso machuca, porém isso é compensador pois é a Igreja de Cristo, o corpo de Cristo que está sendo edificado.

"De repente" redescobri a Palavra de Deus e o quanto eu a amo. Ela ficou meio escondida no coração, mas não como o salmista a escondeu. Ela estava, na verdade, esquecida no fundo do coração. Lá no fundinho, junto das teias de aranha que vão se acumulando nos recônditos da alma. Não sei onde eu li isso, mas nada como uma crise para um novo despertamento. E ao redescobrir o amor pela Palavra de Deus, lembrei-me que se ela não nortear a minha vida, a desgraceira será certa. Isso tenho aprendido com o Fabiano, uma grande amigo (e bota grande aí - risos).

Com ele tenho redescoberto que se eu não submeter tudo na minha vida à Palavra de Deus, eu vou errar em tudo, no casamento, na profissão e na igreja local. A Palavra de Deus deve realmente ser a palavra final em todas as questões. O que ela diz, deve ser dito por nós. O que ela sugere, deve ser considerado por nós. E onde ela se cala, não devemos questionar. A Palavra de Deus é o "fiel da balança", é a bússola, é a direção, "é a lâmpada para os meus e a luz para o meu caminho". Como amo a Palavra de Deus!!!

Mas há um perigo nisso. A Palavra de Deus fala coisas contrárias a mim. Você já percebeu que a livro mais lido no mundo em todos os tempos - a Bíblia - tem passagens que nos encostam contra a parede, que mostram nossos erros e que mostram que o nosso fim pode ser trágico! A palavra de Deus mostra que se o homem não tomar certas atitudes ele vai para o inferno e, mesmo assim, ela continua sendo o livro mais lido de todos os tempos!!! Aí eu me pergunto: Marcos, você realmente está disposto a crer na Palavra de Deus? Marcos, você realmente está interessado em ter sua vida direcionada por ela?

Querido leitor, se realmente quisermos ter a Palavra de Deus escondida no nosso coração, como o salmista a tinha, temos que ser lembrados sempre: primeiro ela, depois as minhas opiniões, as minhas vontades, as minhas convicções, os meus "achismos". De todos os autores bíblicos que eu li até hoje, nenhum deles pode ser maior que a própria Bíblia. Se algum deles fala ou faz algo que é contrário à Bíblia eu devo tomar muito cuidado. Se a Palavra de Deus está sendo relativizada, há um grande perigo do erro e da queda. Sua autoridade é inquestionável. Sua inspiração é divina e seu alcance é para todas as áreas da minha vida.

Fonte: Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível originariamente em "Música, Ciência e Teologia"

04 fevereiro 2011

A Tribuna ou o Púlpito?



Posse dos deputados federais eleitos para a 54a. legislatura
Posse dos novos deputados federais. Créditos: Site da Câmara dos Deputados


Por Vanderson Moura da Silva


Hoje é o dia em que tomam posse os 513 deputados federais eleitos para a nova legislatura. Destes, 71 compõem a chamada “bancada evangélica”, o que representa um acréscimo de 65% em relação aos 43 do período antecedente. A maioria desses congressistas, como é largamente sabido, ocupam posição de liderança em suas respectivas igrejas, isto é, ao menos em tese, exercem função pastoral, ainda que com títulos como bispo etc. Pelas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores Brasil afora a participação desses políticos é igualmente significativa, como sabemos.


O testemunho que essa crescente bancada vem dando ao longo dos anos, com as honrosas exceções de sempre, tem deixado muito a desejar. Para ficarmos apenas na esfera federal, em escândalos como os do “Mensalão”, da “Máfia das Ambulâncias”, dos “Anões do Orçamento” etc. sempre tem aparecido o nome de parlamentares a ela pertencentes, enxovalhando o nome de Cristo (de que se dizem portadores) aos olhos da sociedade brasileira, já tão carente de exemplos de autoridades que lhe sirvam de referência na integridade ética e moral.


Porém, não é sobre o péssimo testemunho desses supostos “irmãos” que quero tratar hoje aqui. O que gostaria de abordar hoje é um aspecto pouco debatido quando se discute a atuação dos políticos evangélicos: o fato de muitos deles deixarem a função pastoral que alegam exercer para atuarem em cargos eletivos. Afinal, não é no mínimo questionável que, num País onde a falta de obreiros em muitos campos missionários é gritante, tantos pastores pretextem ter chamado do Senhor e, no entanto, se lançarem candidatos para a carreira política? E o chamado ao pastorado que receberam (ou dizem ter recebido), não estaria sendo traído por eles? E, se estão traindo o chamado, estariam eles em condições espirituais para o próprio papel original de liderança eclesiástica?


No estado de São Paulo mesmo, a minha denominação batista se vê às voltas com a constrangedora realidade de igrejas e congregações fechadas por falta de obreiros — e, para maior constrangimento ainda, a situação é mais grave justamente na região onde se estabeleceram os seus primeiros missionários, vindos dos EUA, os quais organizaram em 1871 a primeira igreja batista em território nacional. E, passados tantos anos, ainda é grande o número de municípios sem nenhum trabalho batista em terra bandeirante. Tudo isso torna legítimo questionar, por exemplo, o porquê de um ministro do Evangelho jubilado, ou perto do jubilamento, ter ainda “lenha para queimar” na atividade política, mas não para dar alguma ajuda naqueles trabalhos, onde a contribuição dele seria de valor inestimável.


Portanto, salvo situações excepcionais, seria mais apropriado deixar que alguns dentre as próprias ovelhas (não gosto do termo “leigos”) se envolvessem na disputa e exercício de cargos políticos eletivos, e os pastores se ocupassem da “excelente obra” do episcopado (1 Timóteo 3.1), que é o seu mister (1 Pedro 5.1ss). E essa “excelente obra”, como nos lembra o autor de Hebreus, consiste em  velar pelas almas das ovelhas, como aqueles que hão de dar conta delas (Hebreus 13.17). Aos ministros fieis à sua vocação é dada a bendita promessa: “Quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória” (1 Pedro 5.4).


O grande número de pastores (ou “pastores”) lançando-se candidatos em cada período eleitoral é mais um indicador da triste situação espiritual em que se encontra hoje o movimento evangélico nativo. E é mais um motivo para encararmos com maior senso crítico o bordão “irmão vota em irmão”.


Fonte: Texto gentilmente cedido pelo autor  e disponível originariamente em "Polemista Reformado" 

03 fevereiro 2011

Anti-Gospel 2 - Tristeza nas Livrarias Evangélicas














Por Mauricio Pereira do Carmo

Quem gosta de ler, e muito como eu, certamente sempre que surgem oportunidades, senão as cria, visita uma livraria ou um sebo. Eu visito tanto as seculares quanto as evangélicas. Já comprei excelentes livros nas seculares, sebos, e o mesmo digo das evangélicas, pois já encontrei muita coisa boa. Quando digo boa, quero dizer que é edificante, construtivo, que agrega algum valor tanto espiritual quanto intelectual. 

Tirando o prazer de entrar em uma livraria, em sebos na tentativa de garimpar algo de valor e que valha o esforço, sou tomado por outro sentimento, o da tristeza, e isso não é só comigo tenho certeza absoluta.

Quando olho os muitos livros que versam sobre prosperidade, 10 passos para a cura, respostas para sucesso financeiro, sei lá quantos passos para se livrar da doença, você tem direito de ter saúde, a fé que move montanhas ($), como obter fé para ficar rico etc. Quando vejo isso sinto náuseas, me irrita profundamente, cause-me desconforto e tristeza.

Experimente andar na Rua Conde de Sarzedas no Centro de São Paulo, visite as muitas galerias e perceba o movimento. Em alguns corredores parece existir uma disputa acirrada pelos clientes, o que é normal, pois todos precisam vender. Mas aquela coisa de irmão posso te ajudar, vai levar alguma coisa, estamos em promoção....soa muito a conversa de vendedor.

Claro que existem os que fazem pelo prazer de trabalhar atendendo irmãos em Cristo, existem aqueles que se alegram por ter um Box que vende produtos evangélicos, quem não queria trabalhar em um ambiente assim? Eu queria com certeza.

Mas me refiro à banalização, me refiro àqueles que estão nessa pelo dinheiro, já que o mundo gospel dá lucro, me refiro aos oportunistas, os malandros, os que conseguem com uma boa lábia ganhar à custa alheia sendo desonestos. Eles imitam quem está no topo.

Tem livrarias evangélicas vendem livros de auto-ajuda seculares, embora para tristeza geral, temos os nossos escritores de auto-ajuda gospel. Isso é muito mais triste de se ver.

Os temas que citei acima vocês encontram facilmente em algumas livrarias evangélicas, não sei se todas, mas na grande maioria sim.

Um tal de Mike Murdock, o mesmo que apareceu num programa pedindo Mil Reais de oferta para liberar uma benção financeira, esse mesmo, lembram? Pois é, seu ultimo livro, pelo menos até onde sei, pois o cara escreveu mais de 200, chama-se “O Desígnio” - (Desvende os verdadeiros projetos de Deus para os quais você foi designado...) soa familiar?

Note que o livro se parece muito com outro que fez grande sucesso aqui no Brasil, até o layout, a fonte e proposta se parecem com este livro que fez muito sucesso, “O Segredo” – Lembrou? Agora temos o gospel, chama-se O Desígnio.

Não sei de onde vem tanta imaginação, quer dizer sei sim, do Senhor Jesus é que NÃO vem.

Lembro-me do texto de II TIMóTEO 3 – 1 a 7 “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos penosos; pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade.”

Em Apocalipse 6;2 quando o Cordeiro abre o primeiro selo, O apostolo João vê um cavalo branco, “Olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava montado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vencendo, e para vencer.”

Estudiosos do apocalipse afirmam que esse cavaleiro é o anticristo, o seu “desígnio” é enganar as nações com falsa prosperidade e paz. Todos têm o direito de ter riqueza, saúde, paz e prosperidade, o mundo precisa disso, esse será seu principal discurso.

Então quando vejo essa avalanche de livros sobre esses temas que citei acima, quando ouço pregações no mesmo nível, só posso concluir que satanás está conseguindo implantar na mente destes lideres e escritores o seu “desígnio”, seu “propósito”, que é preparar as massas para o surgimento do anticristo e o falso profeta. Você percebe que agora faz sentido o mundo gospel caminhar por esta estrada sem ao menos questionar se o que eles ensinam é a verdade? Será que temos que aceitar tudo o que estes renomados palestrantes, pregadores, ministros e escritores nos dizem? Eu digo que não! Pois a palavra de Deus nos ordena; “examinai as escrituras, pois cuidais ter nelas a vida eterna, João 5;39” em 1º João 4;1 temos outra ordem; “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.”

Quem ordenou a vocês as ensinarem essas coisas ao povo de Deus?

Quem ordenou a vocês a pedirem quantias fixas de dinheiro, e na mídia?

Quem ordenou a vocês pregadores a conduzirem as ovelhas de Jesus desta forma?

Jeremias 23;1 e 2 “ Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor. Portanto assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes. Eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o Senhor.”

Jeremias 14;14 – “E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam.”

Eu desafio qualquer um destes lideres a provarem ao contrario. E não me venham com textos arranjados, tirados de seus contextos para favorecerem suas convicções. Mostrem um texto em que Jesus ensinou algumas destas coisas, pelo menos um, mas, por favor, sem arranjos. Tenham coragem de admitir o equivoco, arrependam-se, corrijam o caminho, voltem-se a Deus e sua única palavra viva. Não me importa quantos títulos vocês têm, o que me importa e deveria preocupar a vocês é o que Cristo pensa de tudo isso, se é que vocês tem o Espírito de Cristo.

Eu desafio a que preguem a palavra, escrevam sobre a palavra, cantem a palavra, dêem palestras sobre a palavra, tirem suas fotos dos livros, dos CDs e DVDs, tirem seus nomes da mídia, exaltem a Cristo o único a quem os holofotes devem estar mirando.

Parem de mentir ao povo de Deus, digam a verdade, digam que haverá juízo sobre a terra, que todo aquele que não se arrepender de seus pecados e se converter a Cristo, será lançado no lago do fogo e enxofre. Digam ao povo que olhem somente para Jesus mesmo quando não tiverem dinheiro algum no bolso, e quando tiverem dêem glória a Deus que lhes deu.

Se tiverem coragem, digam a verdade, sejam honestos mesmo que tenham que perder todo o império que construíram sob o alicerce do engano, pois um dia isso vai acabar de qualquer jeito. O dia do Senhor está chegando rápido.

Digam ao povo a verdade, que Jesus está às portas, falem do severo juízo de Deus, e, por favor, chega de tanta mentira, de tanta arrogância, parem de esfolar as ovelhas de Cristo.

1º Pedro 5 ,2 “Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade;”

Galatas 6,7 “Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”

Ao Senhor Jesus Cristo toda glória para sempre!

Fonte: Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível originariamente em "Verbo Vivo"

01 fevereiro 2011

Dezenove semanas de amor


Por André Venâncio

"Os mandamentos de Deus são melhor lidos por olhos úmidos de lágrimas."(Spurgeon)


Soubemos da gravidez de minha esposa no começo de outubro, dias depois que um estranho mal-estar, ocorrido durante o culto dominical matutino, nos levou a suspeitar dessa possibilidade. Foram momentos de intensa alegria. Pouco tempo depois, no entanto, a ocorrência de alguns sangramentos ameaçou a nova vida humana que se instalava entre nós. A médica recomendou o repouso absoluto da Norma, o que significava sair da cama só para ir ao banheiro. Além da dedicação necessária ao novo emprego, precisei encarregar-me das compras, dos gatos, das tarefas da cozinha (que foram a pior parte), de levar à cama tudo de que ela precisasse, desde água até cotonetes - de todos os detalhes, enfim. Eu deixava o café da manhã semipronto para ela antes de sair para o trabalho, vinha correndo na hora do almoço com comida comprada em algum lugar para comer com ela e voltar correndo ao trabalho, e sobrou-me um tempo praticamente nulo para qualquer outra coisa. A pesada carga de tarefas que se abateu sobre mim só não foi pior que a total ausência de tarefas de minha esposa, que enfrentou o desafio oposto: sem poder sequer se sentar, restaram-lhe o tédio da quase total imobilidade e, ao menos em parte do tempo, a solidão. Além disso, tivemos de suspender o sexo e abrir mão de algumas noites de sono, no todo ou em parte. Muitas pessoas oraram por nós três em muitos lugares. Tudo isso deu resultado: os sangramentos pararam e a placenta voltou ao normal. A ultrassonografia seguinte nos permitiu respirar aliviados.

Em dezembro, na décima quarta semana de gestação, os exames revelaram uma hidropsia fetal, um acúmulo de fluidos no corpo do bebê que podia impedir o desenvolvimento adequado dos órgãos, levando à morte. Desta vez, porém, exceção feita às orações, não havia nada que pudesse ser feito. Sem perder a esperança, mas também sem qualquer garantia quanto ao futuro, passamos o Natal e o Ano Novo na expectativa do que os novos exames revelariam na primeira semana deste mês. E eles trouxeram más notícias: a hidropsia progrediu, tomando todo o corpo do bebê, incluindo a região do coração e dos pulmões. Vimos na tela do ultrassom, cheios de tristeza, o corpinho deformado pelo inchaço generalizado. No dia 13 de janeiro, um novo exame revelou que o coração já batia com fraqueza e lentidão, prenunciando a morte iminente. E dois dias depois, no dia em que a gravidez completaria dezenove semanas, foi enfim constatada a morte do nosso bebê. Trocamos bem poucas palavras no trajeto para casa e, tendo chegado, fizemos a única coisa que havia a fazer: abraçamo-nos e choramos longa e dolorosamente.

Naquele mesmo dia, lembrei-me do único poema que já li sobre um bebê morto antes do nascimento, escrito pelo inglês G. K. Chesterton (1874-1936). Sempre o considerei um belo poema; nele o bebê expõe a situação de sua própria perspectiva, imaginando, das trevas do ventre materno, como seria sua vida neste mundo, se tivesse chegado a nascer. Transcrevo-o abaixo. Fiz uma tradução, não muito boa, mas suficiente para os leitores que porventura não saibam ler em inglês. Aos que sabem, recomendo a leitura do original, que se encontra logo em seguida.
Pelo bebê que não nasceu

Se as árvores fossem altas e a grama baixa,
como em algum conto maluco,
se aqui e ali houvesse um mar azul
que se estendesse para além do horizonte,

se um fogo constante pendesse no ar
para me aquecer o dia todo,
se cabelos verdes crescessem nas colinas,
eu sei o que eu faria.

Na escuridão eu vivo, sonhando que existem
grandes olhos, amáveis ou frios,
e ruas tortuosas, e portas silenciosas,
e homens vivendo por trás delas.

Que venham as tempestades: viver uma hora
tendo saído à luta e às lágrimas
é melhor que todas as eras em que tenho
governado os impérios da noite.

Penso que se me deixassem
entrar e ficar no mundo,
eu seria bom durante o dia todo
que passasse nessa terra encantada.

Eles não ouviriam de mim uma palavra sequer
de egoísmo ou de desdém,
se eu apenas tivesse encontrado a porta,
se eu apenas tivesse nascido.

By the Babe Unborn


If trees were tall and grasses short,
As in some crazy tale,
If here and there a sea were blue
Beyond the breaking pale,

If a fixed fire hung in the air
To warm me one day through,
If deep green hair grew on great hills,
I know what I should do.

In dark I lie; dreaming that there
Are great eyes cold or kind,
And twisted streets and silent doors,
And living men behind.

Let storm clouds come: better an hour,
And leave to weep and fight,
Than all the ages I have ruled
The empires of the night.

I think that if they gave me leave
Within the world to stand,
I would be good through all the day
I spent in fairyland.

They should not hear a word from me
Of selfishness or scorn,
If only I could find the door,
If only I were born.

Amo esse poema porque ele capta de maneira mui sensível, além de literariamente magistral, a razão pela qual a vida humana deve ser preservada desde o ventre - e, por conseguinte, denuncia com toda a força a hediondez do crime que é o aborto. O poema evoca oportunamente o velho tema da pureza infantil. Não se pode prever que tipo de personalidade humana emergirá daquele misterioso organismo. É deveras pertinente a consideração feita pelo bebê do poema sobre sua própria bondade: se ninguém pode acusá-lo de crime algum, não é justo condená-lo. Ninguém tem o direito de sentenciar um feto à morte, nem de julgar em nome dele se esta lhe é preferível à vida. Acima de tudo isso, paira o fato óbvio (ou que deveria sê-lo) de que uma vida humana não pertence a nenhum outro ser humano.

Naturalmente, nada do que acabo de dizer descreve bem a situação de nosso filho. A principal diferença reside no fato de que ninguém lhe fez mal algum, nem pretendeu fazê-lo. Ao contrário, nosso bebê foi muito amado, e fizemos tudo o que pudemos - e que, na verdade, não foi tanto assim - para conservá-lo conosco. Foi o próprio Deus quem o levou, e ninguém mais. E isso faz toda a diferença, pois Deus, na qualidade de autor da vida, é o único que tem direitos irrestritos sobre ela. Oito meses atrás, ao redigir a página de agradecimentos de minha dissertação de mestrado sobre o diagnóstico de doenças em laranjeiras, fiz uma menção algo bem-humorada ao "Deus Trino, Autor de toda vida, humana ou cítrica". Eu nem sonhava em quão cedo as pesadas implicações desse fato se manifestariam em minha própria família. O Senhor exerceu seu direito exatamente conforme a descrição de Moisés em seu famoso salmo sobre a transitoriedade da vida humana: "Tu reduzes o homem ao pó e dizes: tornai, filhos dos homens". O versículo evoca com fidelidade a linguagem do Gênesis, na ocasião em que Deus amaldiçoou Adão: "No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás". Moisés se referia ao poder que Deus possui e exerce de fazer tornar ao pó a vida humana que Ele mesmo criara - dezenove semanas antes, no caso em questão. E aqui nosso dever é o de responder como Jó, que não perdeu um bebê no ventre, e sim dez filhos já crescidos, além de todos os seus muitos bens: "o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor".

Da mesma forma, diante da santidade de Deus não cabem considerações sobre a pureza das crianças, ou de quem quer que seja. A revelação divina não endossa os desvarios de alguns pensadores sobre uma suposta neutralidade moral inata do homem. "Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe": eis o testemunho bíblico acerca do estado moral do bebê, do feto, do embrião, do zigoto. O poema de Chesterton fornece, por contraste, evidência adicional desse fato. Ele apresenta com grande beleza o sentimento de intensa gratidão que deveria inundar a vida de todo ser humano que tem o privilégio de vir a este mundo. Apesar de todos os terríveis efeitos do pecado, este universo é de fato tão belo que as promessas de bondade e de evitar toda palavra "de egoísmo ou de desdém"deveriam ser levadas muito a sério por todos os homens. Entretanto, não há uma criança - e muito menos um adulto - que não tenha agido precisamente da maneira oposta. As bem-intencionadas promessas do bebê do poema não enganam o observador arguto de nossa natureza. Nosso filhinho era um miserável pecador que, se não cometeu pecado algum, foi apenas por falta de oportunidade. Se Deus o tivesse conservado com vida, o combate constante à sua depravação, em atos e em orações, teria sido, por longo tempo, uma das prioridades fundamentais de nossa vida.

Não deve ser difícil notar que esta breve exposição teológica não tem nenhum componente abstrato e distante da realidade, especialmente para nós, os pais do bebezinho morto. E, longe de agravar nosso sofrimento, a convicção acerca desses dois pontos fundamentais da fé cristã - a soberania divina e a depravação humana - nos abre as portas para a mais sólida alegria possível numa situação como esta. Nosso bebê é um filho da aliança; é, portanto, um santo, não por alguma pureza que possuísse em si, mas por uma causa eficiente muito mais sólida e perene: a pureza de Cristo - o Cristo cuja gloriosa face minha criança veio a contemplar antes de mim. De modo que não posso deixar de me sentir alegre ao repetir as milenares palavras de Davi:"Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim".

Esse episódio tem me levado a pensar com frequência naquele audacioso repúdio do apóstolo Paulo a toda proporção entre as obras dos santos e a recompensa que recebemos de nosso Senhor: "nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação". Isso é verdadeiro de modo mui evidente na curta vida de meu filho, cujo único sofrimento foi uma hidropsia que não durou mais que algumas semanas. Os poucos gramas de fluido acumulado em seu corpinho lhe são agora, no máximo, uma lembrança muito leve. Quando penso no contraste entre a nulidade de suas realizações e a glória de seu destino final, agiganta-se aos meus olhos a manifestação da graça de Deus em sua pequenina vida, e por um momento quase cedo à tentação de invejá-lo. Mas não há o que invejar, já que minha própria condição é idêntica à dele. Meus méritos não são maiores, e tampouco é menor a eficácia da graça de Deus em mim. Se não sou capaz de ver isso com igual clareza em meu próprio caso, é apenas porque minha visão ainda se encontra turvada pelo pecado. A vinda e a partida de meu filho me levaram a uma compreensão mais profunda da misericórdia divina. Nos momentos de maior lucidez, ao menos, vejo que meu bebê e eu estamos exatamente na mesma situação. Nossa recém-formada família já se encontra dividida pelo abismo da morte, mas está unida para sempre sob o cetro de um mesmo Rei, sob a sombra do mesmo amor derramado na cruz.

Nada disso anula nosso sofrimento. Há tempo para tudo, e agora é tempo de chorar. E temos chorado. Minha esposa e eu lutamos pela vida de nosso filho, conversamos com ele, oramos por ele, choramos por ele e sonhamos com ele. É claro que sentimos saudades dele. E é claro que foi para mim uma experiência dolorosa ver seu corpinho sem vida e deformado pela hidropsia. Já vi muitos defuntos, mas nunca vira a morte de tão perto. Jamais ela atingiu alguém que estivesse tão junto ao meu coração e ao meu corpo. Em decorrência disso, a morte me é hoje uma entidade menos abstrata. Agora tenho uma compreensão mais exata do quanto ela é terrível e do quanto são tolos aqueles que procuram jamais pensar nela. Vislumbrei o justo desespero que eu sentiria diante da morte se esse último inimigo não tivesse sido derrotado por Cristo na cruz. Mas é exatamente porque não posso desconsiderar esse evento que a tristeza não pode ir além de certo ponto. Nesta hora de lágrimas, a vitória que Cristo conquistou para minha família não é mero consolo, e sim causa de uma intensa e positiva alegria que coexiste com a dor em meu coração.

Sofro porque meu filho partiu tão cedo, pela intimidade que não chegamos a ter, pelas muitas alegrias (e algumas dores de cabeça) que não terei mais, por tudo o que eu teria aprendido com ele, por todos os momentos com que sonhei e que jamais acontecerão. É como se nossa vida tivesse empobrecido de repente. É justo chorar por tudo isso. Mas não há nenhuma necessidade de chorar por meu bebê, como se ele fosse uma vítima inocente de um destino cruel, nem de queixar-me das injustiças deste mundo, no qual tantos perversos incorrigidos passam vidas longas e saudáveis. A verdade é o oposto exato disso tudo: meu filho se foi deste mundo mau sem que ninguém lhe tivesse feito mal algum. Deus foi maravilhosamente bom para ele. Sua morte foi preciosa aos olhos de meu Senhor, que o alcançou com sua graça salvadora. Todo pai deseja que seu filho seja bem-sucedido. Pois o meu foi, naquilo que pode haver de mais importante. E isso muito me alegra nesta hora de lágrimas.

Texto originalmente postado no blog "Retratos por escrito"