"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

16 setembro 2010

Escatologia Individual


Por Paulo Brasil *


A MORTE

A Escatologia individual considera aquilo que é dado como certo na existência das pessoas. Logo, o primeiro ponto a ser considerado é a morte. O adágio popular leva o homem a saber que "da morte ninguém escapa". Mesmo que a experiência objetiva da morte não seja estendida a todos, conforme às Escrituras, podemos afirmar que em regra geral todos se depararão com ela. 
Compreendê-la, pois, é de vital importância dentro do propósito da Escatologia individual. Devemos, primeiramente, identificá-la, quanto possível por sua dimensão: 
(1) a dimensão física ou natural que todos podem observá-la; 
(2) a dimensão espiritual onde, pela Revelação e a experiência dos santos na regeneração, pode-se  efetivamente compreendê-la.
O texto de 1 Tm 5:6:
 “entretanto, a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta.”
oferece o ensino de morte e vida em uma mesma pessoa. O contexto mostra que pessoas que vivem desordenadamente, à parte da santidade exigida por Deus estão vivas sob determinado aspecto, mas mortas sob outro. Necessário é definir sob qual aspecto há vida, e sob qual há morte. Recorreremos ao livro de Gênesis para caminhar em direção a compreensão do texto supra. A seguir a advertência divina feita a Adão (Gn 2.17): 
"mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás". 
Há eventos que ocorreram que permitirão concluirmos: 

(1) Adão foi expulso do do Jardim, conforme Gn 3:24: 
"E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida".
Depreende-se que a partir desse momento o homem ficou privado da árvore da vida, uma dimensão da morte aqui nos é revelada. 

(2) Lemos ainda em Gn 5:5: 
"Todos os dias que Adão viveu foram novecentos e trinta anos; e morreu."
O contraste entre os termos "viveu e morreu", oferece-nos com clareza que a morte de Adão ocorreu conforme observamos em todos os nascidos. 
Ao primeiro evento, atribuímos o nome de morte espiritual, pois ocorreu quando da quebra da unidade entre o Autor da vida e o homem. Morte que Adão experimentou imediatamente após sua transgressão, o que, por sua vez, nos obriga afirmar a existência da vida em sua dimensão espiritual.
Ao segundo, chamamos de morte natural ou física, ocorre quando quebra da unidade constitucional do homem, a saber, parte material e parte imaterial da criatura. Morte essa que Adão experimentou mediatamente após novecentos e trinta anos de vida, o que nos obriga afirmar a dimensão da vida física ou natural. Em relação à morte natural, 
Salomão retratou-a no livro de Eclesiastes, com a visível separação do corpo (pó, referenciando-se à origem do corpo) e do espírito. 

“e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. (Ec 12:7)

Nossa existência é uma herança passada de geração a geração desde de Adão, portanto herdamos de nossos pais as duas dimensões da existência - natural e espiritual. Nascemos, estamos vivos na dimensão natural, mas mortos, na dimensão espiritual, o que está de acordo com o texto inicial, e ainda com: 
"Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente".(1Co 2:14) 
Assim, a morte espiritual é evidenciada pela rejeição das verdades bíblicas, em virtude da incapacidade natural do homem em discerni-las. Logo mesmo viva (natural) está morta espiritual. Esta condição é também conhecida como Depravação Total. Sendo comum a todos descendentes de Adão, conforme Rm 5:18, que diz: 
"Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida." 
Observe o contraste entre "juízo para condenação" e "graça para justificação e vida".  Podemos concluir que a morte espiritual é ausência de relacionamento com Deus, que toda a humanidade herda por natureza. 
O restabelecimento da vida é feito por um ato exclusivo, livre e soberano de Deus que é a Regeneração (União com Cristo), que como consequência produzirá a fé.  
Portanto, vida e morte NÃO devem ser entendidas como EXISTÊNCIA e NÃO-EXISTÊNCIA, mas sim, como união ou separação de Deus, ambas com existência, ou seja, com consciência. A vida é a existência em unidade com Deus, portanto morte é a existência separada de Deus. Compartilha desta posição Erickson :  
“A morte e a vida, de acordo com as Escrituras, não devem ser entendidos como existência e não-existência, mas como dois estados de existência; não é como costumamos imaginar, extinção.”[1]
O ESTADO INTERMEDIÁRIO
Este tópico trata do intervalo de tempo entre a morte física e a ressurreição, à guisa da Revelação.
temos dificuldades nesta doutrina, a primeira é a escassez de material escriturístico para sua plena sistematização. A segunda, é a perspectiva da Teologia Liberal que influenciou todas as gerações a partir da segunda metade do século XIX, que apontava contrariamente à ressurreição física, contudo afirmava  a imortalidade da alma. Doutro lado a Neo-ortodoxia veio com um conceito de ressurreição necessária, que apregoava que a existência humana exige corporalidade, o que implicava na não existência da alma separada do corpo. 


O Liberalismo, com sua NÃO RESSURREIÇÃO, e a Neo-ortodoxia com a IMPOSSIBILIDADE DA EXISTÊNCIA REAL FORA DO CORPO são os dois falsos conceitos que contribuem negativamente para a aceitação desta doutrina.
Devemos tomar como ponto de partida uma verdade das Escrituras: Há um estado intermediário e que ele é inadequado ou transitório, mas real. Pois o apóstolo expectava por um revestimento, onde é clara a alusão ao corpo ressurrecto. 
"E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; ..[..]..  , para que o mortal seja absorvido pela vida". (2 Co 5:2-4)
Na ressurreição dar-se-á este revestimento (1 Co 15), quando receberemos um corpo aperfeiçoado, eterno. A existência deste estado é claramente mostrada no Evangelho de Lucas 16.22-24.


"Aconteceu morrer o mendigo ..[..].. morreu também o rico e foi sepultado ..[..]... estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama".

Vemos que ambos, Abraão, o rico e Lázaro, passaram pela morte, porém se encontram em situações totalmente diferentes. O rico demonstra consciência mesmo pós a morte: Reconhece Abraão, expressa seu tormento, suplica por algo que amenizasse sua dor e sabe quem é Lázaro e de que ele seria capaz de fazer. Esta passagem permite afirmar da existência de vida consciente após a morte. Podemos inferir que a condição do rico, pelo menos, era de desencarnado.
"..[..].. morreu também o rico e foi sepultado".(v. 22)
Concluímos que o estado Intermediário, ou seja o intervalo de tempo entre a morte e a ressurreição é caracterizada por vida consciente. E pessoas que neste estado se encontram gozam do consolo e a expectação da ressurreição, enquanto outros se encontram em tormentos. Erickson diz :
"Entre a morte e a ressurreição, há um estado intermediário em que crentes e incrédulos experimentam, respectivamente a presença e a ausência de Deus." [2]
[1] M. ERICKSON, Introdução à Teologia Sistemática, p. 484.
[2] M. ERICKSON, Introdução à Teologia Sistemática, p. 493.


Nota: * Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível em Através das Escrituras

12 setembro 2010

O Filho do homem, por que?







Por Helvécio S. Pereira*

Que a Bíblia seja repleta de declarações e revelações únicas é um fato. Que muitas são controversas ou até incomprensíveis até o presente momento, também constituem em mais um fato facilmente observável e constatável. Entretanto há, por várias razões e conveniências, uma preferência por algum texto, declaração e revelação, em detrimento franco de outros. Esse também é outro fato.
Muitas vezes nos debruçamos sobre algum tema, não por ser primordial naquele momento, mas por simples gosto, ignorando decididamente elementos e coisas que no nível individual e pessoal se fazem claramente mais importantes. Não é ilegítimo e nem tão  pouco errado, trata-se de fato de uma exercício as vezes aleatório. Essa é uma abordagem, digamos fascinante, como todas as feitas em cima do que as Escrituras revelam, mas que não podem servir de complicador ou de tropeço a caminhada e ao conhecimento pessoal do Senhor, e de Seus perfeitos propósitos. O que não quer dizer que seja desprezável, antes pelo contrário.
Uma expressão encontrada casualmente nos Evangelhos, pode ser usada no dia a dia, por simples gosto ou simpatia por parte de alguns crentes, sendo dai para frente de uso corrente no exercício da sua teologia popular, ou ainda que seja, uma teologia leiga:  a expressão "Filho do Homem". Normalmente por descrição mais objetiva e clara, e Sua divindade, referimo-nos mais comumente a Jesus como "Filho de Deus", por Sua particular e única forma de existência. O dogma máximo do cristianismo e que não pode ser movido, é sem dúvida alguma  "Jesus Cristo é Deus e Filho de Deus". Qualquer igreja ou denominação cristã, independente de seu tamanho e poder institucional, organização, etc, que mover e modificar essa declaração, jaz em terreno movediço e de franca negação do que as Escrituras claramente declaram na sua unidade doutrinária. 
Em um bom compêndio teológico, a simples bibliografia de referência, em que o autor se baseia, ultrapassa uma página inicial do capítulo. Se desejar repisar os passos do autor terá de adquirir, fazer o mesmo estudo e chegar as mesmas ou outras variantes, da mesma conclusão. Tentarei portanto, com as minhas palavras, fugindo do termos teológicos que transforma qualquer abordagem em um gueto, em que contempla somente os que tem prazer e podem usar tais termos, excluindo desse modo da compreensão  os demais leitores, o que pretendo ainda que primariamente evitar.
Direta ou indiretamente, a expressão "Filho do Homem" leva-nos a lembrar da humanidade de Cristo. Para a maioria dos Cristãos, Cristo não era um fantasma, não era uma ilusão, não era um sobrehumano, mas inteiramente e perfeitamente humano. Ninguém imagina o Jesus  da ascensão subindo aos céus pelo fato de ser uma miragem, uma névoa, mas um corpo sólido, com massa de um corpo humano, com imagináveis  bem menos que oitenta quilos. Não era  um Jesus com obesidade mórbida e nem tão pouco um faquir. Era normal, perfeitamente normal com um corpo adequado a todas as funções normais e portanto passíveis de serem plenamente executadas por um corpo funcional.
Vale ter uma relativa atenção ao fato que  a expressão "Filho do homem" foi usada preferencialmente pelo próprio Senhor Jesus e não por outra pessoa. Ninguém mais o usou referente ao Senhor. A igreja primitiva não usou esse título com relação a Jesus Cristo, nosso Salvador. Guarde essas três coisas, esses três detalhes. Uma excessão foi por ocasião do suplício de Estevão ( Atos 7:56). Na boca do próprio Senhor, nos registros dos quatro evangelhos, são mais de sessenta e cinco vezes. Pode-se e deve-se rever cada uma dessas vezes com o uso de uma chave bíblica e recorrendo a traduções diferentes das Escrituras ( daí a diferença de uma para outra dos números ).
Como já repeti ( eu não estou reiventado  presunçosamente a roda ) a expressão tem a ver com a humanidade de Jesus. Refere-se, segundo a abordagens mais antigas à humanidade de Jesus e a Sua identidade com  os homens. Tem, entretanto um problema, ignora o uso e contexto histórico da expressão nos dias de Jesus ou antes. Então há mais do que simplesmente estilo literário ou de  fala empregada.
Os motivos são, portanto, segundo estudiosos, óbvios:
                                     
Tal título não existia em aramaico, língua corrente à época e materna de Jesus.
 Por razões linguísticas o termo é intolerável, considerado como vocábulo impossível. 

A forma plural, "filhos dos homens"  entretanto aparece em Marcos 3:28. Estudiosos concluem em parte que Filho do Homem pode ser uma título messiânico. Há outras objeções linguísticas de menor importância se fossem verdadeiras, como a simples substituição da primeira pessoa  ( eu ) pela expressão "Filho do Homem", algo sem tradição e no costume do uso na língua usada pelos  judeus contemporâneos de Jesus. Trataria, de no mínimo, uma expressão invulgar.
Se não é comum no Novo Testamento, é amplamente usada no Antigo Testamento, a expressão "filho do homem" ( Daniel 7:13 e 14, Daniel 7:21 a 27 ). Mas sem pressa, estudiosos eruditos, a teologia acadêmica, não fecham o assunto com base nesses únicos textos.
O debate é longo e as leituras tem de ser obrigatoriamente refeitas não uma, duas, mas várias vezes, e sem contudo garantia absoluta de uma conclusão satisfatória e cem por cento segura, teologicamente falando. Entretanto gostaria de ressaltar algo bastante pertinente: a certa altura, Jesus contrasta o seu ministério ( serviço, obra ) com a de João Batista que, dentro dos propósitos divinos o antecedia.
Jesus contrastou sua própria conduta com a de João Batista. de que modo? Em que ponto exatamente?João veio como um asceta; Jesus, por outro lado, como o Filho do Homem, veio como um ser humano normal, comendo e bebendo (  Mateus 11:19 e Lucas 7:34 ). Em, Marcos 2:27 e 28 fica mais clara  a  possível reivindicação de Jesus ao usar a expressão "Filho do Homem" como um título somente atribuído e legitimamente a Si próprio:  "O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Pelo que o Filho do Homem (Jesus) até do sábado é Senhor." O Filho do Homem é portanto alguém com autoridade distinta dos demais homens, embora todos os demais homens sejam mais importantes que o sábado.
Em outra ocasião fica claro o contraste entre a autoridade e a condição de humilhação em que Jesus é exposto todos os dias do exercício de Seu ministério junto a nós, seres humanos. Em Mateus 8:20 e Lucas 9:58, encontramos:
"As raposas têm covis, e as aves do céu ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça."
Filho do Homem é portanto claramente um título que reflete uma missão, e o sue uso pelo próprio Senhor, tem caráter revelador de Seu ministério, tanto em poder como em extensão, alcance. Em Lucas 19:10 encontramos:
"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido". Tal novidade, de fato o era para os seus interlocutores judeus, conhecedores  da visão de Daniel, os deixavam perplexos pois entendiam que aquele Jesus era pré-existente, um ser celestial, reivindicando uma deidade de Cristo. O fato do Filho do Homem pré-existente,  aparecer sobre a terra como homem entre os homens, em humildade e limitação e ao mesmo tempo ser homem celestial e pré-existente os chocava grandemente e demandava uma posição: crer ou não nesse fato e obviamente nas Suas declarações.
Vale ressaltar que a idéia de um "Filho do Homem" em glória era, não somente aceita e familiar, como desejável e esperada pelos judeus contemporâneos de Jesus. A grande "novidade", poderíamos dizer, era o fato de o "Filho do Homem" Jesus, ter que padecer e sofrer, submetendo-se a esse sofrimento e provação. Em Mateus 26:64  encontramos a predição da exaltação final do Filho do Homem:
"Vereis  o Filho do Homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu". Uma conclusão é que longe de inócua ou apenas expressiva como linguagem a expressão "Filho do Homem" 
revela a dignidade como Salvador (Messias) e sua função como Salvador, o que Ele, Jesus, deveria passar para efetuar essa salvação. Os discípulos, vale lembrar, já criam -No como Messias, mas a compreensão de como isso se daria era ainda distante.

Os ensinos de Jesus, nosso Senhor e Salvador, a respeito do Filho do Homem estão intrícicamente ligados aos ensinos do Reino de Deus. O Reino de Deus manifestou-se entre os homens de um modo inesperado. Jesus o futuro Filho do Homem glorificado, foi enviado, digamos incógnito, ente os homens, contra as mais humanas expectativas. A expressão Filho do Homem, empregada pelo próprio Senhor Jesus, quando corretamente equacionada, dá-nos a fiel descrição de Jesus como o Messias, um ser celestial e humano, nem mais um nem mais outro, com as duas características inegáveis ao Seu  messianato. 

*Nota: Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível originalmente em O Pregador

10 setembro 2010

Frustrações Proféticas




Por Natan de Oliveira*

O homem tem um defeito que é o do imediatismo.

Em geral os homens são ansiosos e impacientes, desejando que as coisas ocorram na sua vida e na sua geração.
Não são poucos os que eu conheço (cristãos) que acreditam piamente que não irão morrer, e que fazem parte da geração que irá ser arrebatada ainda viva.

O tempo vai passando e eles vão morrendo um por um.

Esta mania de que as profecias devam ou se apliquem a sua geração, acaba gerando certa frustração profética, que só não é mais grave porque os homens morrem antes da frustração se consumar totalmente.

Importante também notar que Deus trabalha com outro sistema de contagem de tempo, e parece ser tardio.

"Porque mil anos são aos Teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite." Salmos 90.4

Exemplos são vários:

- Especulo que Abraão sofreu de tal frustração, uma vez que recebeu a promessa de Deus e acabou morrendo sem ver “materializadas” todas as promessas;

"Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te este terra, para a herdares." Gênesis 15.7

- Jacó, reconheceu no final da vida que os seus anos foram sofridos, e talvez no final da vida com a posição de José, tenha se consolado e sido o que menos se frustrou, mas... também não viu as promessas feitas ao pai e avô se cumprirem;

"E Jacó disse a Faraó:... poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida..." Gênesis 47.9

- O povo que saiu do Egito, com grandes milagres, e o fim de uma escravidão de 430 anos, certamente saiu de lá com uma grande expectativa de na sua própria geração dar entrada na terra prometida, mas... a terra prometida ainda demoraria 40 anos para iniciar a ser conquistada. Morreram todos os adultos no deserto exceto duas pessoas (dos que saíram com vida do Egito);

"Neste deserto cairão os vossos cadáveres... contra mim murmurastes; Não entrareis na terra... salvo Calebe filho de Jefoné, e Josué, filho de Num." Números 14.29-30

- Uma vez na terra prometida, o milagre não caiu do céu... ela teve que ser conquistada cidade por cidade, luta a luta, com muito esforço, e por várias e várias gerações, e com algum retrocesso. A conquista foi lenta, e se deu na medida em que os animais selvagens foram ficando em menor número e na medida em que a iniqüidade dos povos a serem conquistados ia chegando a um limite de tolerância por parte de Deus. Assim Deus ia liberando a conquista na mesma medida que julgava tais povos cruéis e impiedosos;

"Não os lançarei (heveus, cananeus, heteus) fora de diante de ti num só ano... Pouco a pouco os lançarei de diante de ti, até que sejas multiplicado, e possuas a terra por herança." Êxodo 23.29-30

- A medida que os anos passavam e os profetas sinalizavam a vinda futura do Messias, o sentimento da expectativa da vinda do mesmo foi se intensificando, e dezenas de gerações morreram nesta espera;

"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas... E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa." Hebreus 11.32...39

- O povo hebreu em cativeiro também tinha no coração tal espera, e Daniel estudando as escrituras entendeu que já haviam se passado em dado momento, os 70 anos profetizados sobre a duração do cativeiro do povo. Depois de um tempo, o anjo veio então lhe anunciar que 70 semanas de anos estavam ainda determinadas sobre o povo, e isto dava... que "frustração"... (70 semanas * 7 anos cada) 490 anos ainda a serem esperados;

"... eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de cumpri-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos." Daniel 9.2

- Mas enfim, os anos foram passando, e os 490 anos foram chegando a uma contagem cada vez menor, até que finalmente as profecias precisavam se cumprir, e de tal forma que o velho Simeão quando pegou o menino Jesus no colo, ele disse “Senhor, despede o teu servo pois....”. Certamente não passava (especulo eu) outra coisa na imaginação do ancião, de que o Reino estava próximo (e de fato estava) e que se “materializaria” trazendo grande prosperidade à Israel. Imagino que se ele não tivesse morrido logo após ter visto Jesus, acredito que seria mais um de certa forma frustrado profeticamente;

"Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão... E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor... Ele, então, o tomou em seus braços (o menino Jesus), e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação..." Lucas 2.25...30

- Os apóstolos igualmente apostaram todas as suas fichas na implementação do Reino, e disputavam quem seria literalmente o mais próximo no Reino do Senhor. Imaginavam eles um Reino literal que os libertaria da mão do Império Romano.... Ao final totalmente frustrados não sobrou nenhum só junto ao Senhor quando da sua prisão, e depois só retornaram todos meio envergonhados a se ajuntarem quando souberam que o Senhor havia sido visto após a morte... Se não fosse a ressurreição, a frustração teria sido total;

"Então, deixando-o (os discípulos), todos fugiram. E um certo jovem o seguia, envolto em um lençol sobre o corpo nu. E lançaram-lhe a mão, mas ele, largando o lenço, fugiu nu." Marcos 14.50...52

- Mesmo após a ressurreição, e agora então sabedores que o Reino era espiritual, que o verdadeiro Israel não era mais o de sangue (nunca tinha sido na realidade), saíram fortemente motivados a pregar as Boas Novas e conseguiram isto por todo o mundo ainda naquela geração... mas... a expectativa da vinda do Senhor para implementar o Reino “literalmente” era grande entre eles, que até mesmo o apóstolo Paulo teve que corrigir que a vinda não seria em breve, e mesmo o apóstolo pode ter sofrido de tal “frustração” pois em um escrito demonstra que de certa forma almejava estar entre os vivos quando do arrebatamento;

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento... como se o dia de Cristo estivesse já perto." 1 Tessalonicenses 2.1-2

- O não entendimento correto (escrevo aqui pressupondo que o entendimento correto é o pós-milenista preterista parcial – mas respeito as demais correntes escatológicas) das profecias, levou desde aquela época até os dias de hoje, a que os cristãos marcassem a volta de Jesus por mais de 200 vezes desde o ano 100 (recebi esta lista não faz muito tempo de um amigo);

- E frustração sobre frustração... ele não voltou como idealizado;

Pois bem, vivemos uma geração que sofre do mesmo mal (a frustração profética).

Vivemos uma geração que vive diariamente a marcar a data da volta do Senhor e que colocou Deus em xeque-mate, pois a “Figueira” é a geração de 1948 e Jesus então tem que voltar até que todos os nascidos neste ano ainda estejam vivos... Daria quem sabe 2068?

"Aprendei, pois, esta parábola da figueira... Em verdade vos digo que não passará este geração sem que todas estas coisas aconteçam." Mateus 24.32...34

Mas o Senhor virá neste limite? Provavelmente não. Principalmente porque ele virá inesperadamente como um ladrão.

"... porque o Filho do homem há de vir á hora em que não penseis." Mateus 24.44

Não é como nós queremos.
Os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos.

"Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os Meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os Meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos." Isaías 55.9

É muito provável, mas muito mesmo, que todos venhamos a morrer, a medida que o tempo passe.

Como se curar desta frustração profética?

Minha receita é:

- Entenda que o Reino não é deste mundo, mas com reflexos neste mundo;
- Trabalhe para que o mundo seja melhor e que os valores do Reino sejam levados a todos os lugares;
- Entenda que a sua vida pode terminar a qualquer momento, mas que a perspectiva do Reino enchendo toda a terra como as águas cobre o mar, pode levar ainda muitos e muitos anos;
- Não se omita de atuar na sociedade, ocupe os espaços que ninguém quer ocupar;
- Não seja pessimista quanto ao mundo, nem quanto ao futuro, por mais que as coisas piorem, trabalhe sempre pela melhora, pois o Senhor prometeu que estaria conosco até a consumação dos séculos;
- Creia na promessa do Grão de Mostarda;
- Creia na promessa da Levedação da Massa;
- Selecione o que os seus olhos vão ver: boas leituras, bons programas...;
- Não permita que seu filho e as novas gerações se contaminem com o atual pessimismo global, pregue a eles que o futuro a Deus pertence, mas cabe a nós subordinados a Ele trabalharmos por um futuro melhor a partir da realidade presente;
- Entenda que o sal foi feito para salgar (aqui e agora). No céu, já não teremos função de sal.

"Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar." Habacuque 2.14

É claro que mesmo aplicando todos os conselhos acima, é possível que você ainda seja atacado pelo “vírus” da frustração profética.

Mas entenda que:

- As profecias todas se cumprirão;
- A Escritura não falhou naquilo que ainda não se cumpriu;
- Apenas ocorre, que como os antigos (já listados acima alguns casos) interpretamos a escritura pela duração e o imediatismo da nossa vida de no máximo 100 anos;
- Deus não é mentiroso, apenas tardio (pela nossa perspectiva);
- Viva por fé!

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho." Hebreus 11.1-2

"Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixamos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos COM PACIÊNCIA a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus." Hebreus 12.1-2 


Nota: * Texto gentilmente cedido pelo autor e originalmente disponível no blog "Reflexões Reformadas"

01 setembro 2010

Igreja Ladeira Abaixo

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Por mais que busque justificativas para as bizarrices encontradas no meio das igrejas não encontro. Parece-me uma luta inglória. Estou ficando enjoado e enojado diante daquilo que tenho visto e ouvido. A grande marca das igrejas é a estreiteza de mente e uma busca implacável pela mediocridade. Tirando um percentual de comunidades que ainda preservam a Sã Doutrina, esbarramos em número assustador de comunidades e principalmente as neo-pentecostais praticando um anti-cristinianismo.

Gostaria de apontar algumas situações que tem me levado a obviar tais comunidades e líderes.
1 - Tenho visto com muita freqüência uma nociva insistência por parte de um grande percentual da liderança evangélica em desprezar o saber e principalmente o saber teológico. Insistem em desprezar a história e suas lições. Insistem em abandonar os marcos deixados e fazendo assim encontram-se sem parâmetros para seus comportamentos. Creio que a busca por uma teologia sadia é mais dolorosa do que a aceitação tácita de heresias grotescas. O grande problema é que quanto mais as lideranças distanciam da Sã Doutrina mais comprometidas ficam com os erros doutrinários e depois não possuem a hombridade de voltar atrás. Muitos líderes ouviram o galo cantar e não sabem onde. Ouviram algumas afirmações no passado e nunca procuraram saber se eram ou não verdadeiras. Em meu tempo de mocidade havia um livro que fez muito sucesso. Seu autor era Don Gosset e o livro era Há Poder Em Suas Palavras. Virou Best Seller. Aceitávamos como verdade as palavras do autor, pois, este era americano e se era bom para os americanos deveria ser bom para os Brasileiros. Conceitos distorcidos que durante anos vivi. Mas como Paulo disse em sua carta aos corintos chegou o tempo de deixar as coisas de menino e buscar as coisas de adulto. Aprendi na faculdade que é preciso dialogar com os autores e checarmos as bases de suas afirmações. Procurar encontrar o cerne ideológico dos mesmos e separar joio do trigo. Depois de muitos anos percebo que boa parte da liderança evangélica ainda aceita acriticamente os livros e nunca empreendem um diálogo com seus autores. Estão assentados em bases frágeis e se aferrenham a elas como bóias salva-vidas. Quase sempre não se abrem para outros pontos de vistas e insistem em argumentos ultrapassados e com data de validade vencida.

Realmente existe uma resistência à pureza do Evangelho simplesmente por falta de amor à verdade como Paulo disse. “Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade”. II Tm. 3:7 - II Tes. 2:10.
 
2 – Tenho visto com freqüência uma atitude de lassidão em relação ao pecado. E isso acontece no meio da liderança evangélica e se espalha pelo corpo de Cristo. Destaco o fato de que pecados cometidos por líderes não são tidos como coisas hediondas, mas normais. Sempre apresentam o mesmo argumento idiotizante que não podemos julgar para não sermos julgados. Fico pensando, se julgar é incompatível com a fé cristã como denunciaremos os erros dentro de nossos arraiais? Se existe incompatibilidade entre julgamentos e o crer em Deus então logo não existe pecado nem erros, pois, os mesmos não podem ser julgados. Atribuem esse julgamento a Deus somente. Se assim fora, teremos que erradicar do Novo Testamento as denúncias de Paulo e Pedro que abertamente apontaram para o pecado e mostraram o que fazer. Eis alguns exemplos: I Cor. 5:1-5; II Tm. 2:14-18; II Pe. 2.

Pecados de lideranças devem ser tratados com a maior intensidade possível, pois, seus exemplos são seguidos por muitos. Cristo disse que “... e, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. Lc. 12:48.

Ficou normal um líder se divorciar e permanecer na mesma igreja como se nada tivesse acontecido. A igreja perdoa e tudo continua bem. Isso é uma aberração em nosso meio. Como permanecer na liderança aquele que não governou bem sua casa? Se houve adultério por parte da liderança, que exemplo foi dado para a igreja principalmente para os jovens. Muitos pensarão e agiram assim: “se o pastor pode também nós podemos”.
E o que dizer sobre os pecados contra a Palavra? Afirmações grotescas que ultrapassam e contradizem a Palavra de Deus são tidas como verdadeiras. Quem faz tais afirmações por ter grande visibilidade torna-se oráculo celestial inquestionável e infalível.

Aqui está em foco a igreja, seus membros. Essa tendência de aceitação acrítica de tudo que é exarado dos púlpitos é algo doentio. Pessoas com grandes capacidades mentais em seus segmentos de atuações se anulam dentro das igrejas, pois, têm medo de pecar contra Deus. Vêm as maiores aberrações sendo derramadas sobre suas mentes e nada dizem. Tais pessoas andam no limite da idiotice. Não existe incompatibilidade entre fé e conhecimento. Nunca existiu. Qualquer afirmação que Deus revelou ou falou deve passar pelo crivo, crisol da Santa Palavra de Deus e se se constatar desvio deve ser desprezada por completo.
 
3 – Tenho visto com freqüência uma insistência em desprezar a Palavra em troca de revelações estapafúrdias.
No meio neo-pentecostal isso é contumaz. Aceitam tudo como sendo de Deus e mesmo que ofenda a Palavra vale mais a pseudo-revelação. Isso da enjôo em qualquer um. Vi uns vídeos postados no youtube onde o pregador advinha a rua, o número da casa e trabalho das pessoas. O pregador dizia o tempo todo assim: “to entendendo Jesus, to entendendo Jesus...”. O que mais me entristeceu foi que pessoas que conheço pessoalmente aceitaram acriticamente tais coisas e achavam que eram revelações de Deus. Esse tipo de revelação já virou coisa comum no meio evangélico. A postura desses pregadores dá a entender que possuem uma comunhão especial com Cristo e que recebem revelações diretas e se intitulam profetas de Deus. Não pregam a Palavra, mas promovem espetáculos para as massas. Como diziam os romanos: “panis et circenses”. As pessoas rodopiam, caem, são arrebatadas, pulam como cangurus, choram e depois percebem que nada mudou. Paulo nos adverte contra tais homens: “Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, É soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento”. I Tm. 6:3-6.

Creio firmemente que as igrejas neo-pentecostais e suas lideranças inaptas estão jogando o evangelho ladeira abaixo. Creio que os estragos feitos são irreparáveis. Creio que o desprezo pelo ministério tem trazido mais vergonha do que glória para o nome de Cristo. Creio que o momento da igreja tenha passado no Brasil. Creio que os maiores culpados são aqueles que se calam covardemente diante de tais atrocidades. Creio que cada pastor consagrado sem o devido preparo, guardando as devidas proporções, será uma porta aberta para heresias e comportamentos exóticos e anti-bíblicos.

Por haver uma insistência em desprezar a Palavra o que sobra é a exaltação das emoções. Vale mais o sentir. Vale mais o arrepio. Vale mais o sensorial. Estou cansado de ver idolatria na igreja. Sim, idolatria mesmo. Quantos cultos têm como maior atrativo a entrada de um modelo da arca da aliança com seus querubins etc. Os líderes se vestem com longas batas e o povo e incentivado a tocar neste embuste em forma de arca da aliança. Em uma galeria em Belo Horizonte existe boxe somente para vender coisas ligadas à idolatria como: candelabro de sete pontas, modelos variados da arca da aliança, óleos especiais para unções variadas etc. Fiquei sabendo que em uma cidade do interior mineiro abriram uma loja gospel que vende kits para campanhas nas igrejas. Tudo já vem pronto é só pegar e distribuir. Se os kits não estiverem no balcão abrem um catálogo e você escolhe o que melhor lhe convier.

Precisamos encontrar o equilíbrio entre razão e emoção. Nossos cultos podem e precisam ser vivenciados com emoção, mas nunca emoção desprovida de razão. Paulo aponta para que nossos cultos sejam racionais e íntegros, mas isso virou carência.
 
4 – Tenho visto com freqüência uma insistência pelo imediatismo e pragmatismo.
Como vivemos em uma sociedade Fast Food, as soluções para vida também devem ter essa característica. As igrejas estão oferecendo soluções milagrosas a qualquer custo. Estão oferecendo soluções que nunca chegarão. Afirmações mentirosas e incabíveis são feitas para atrair os incautos. As pessoas querem o imediato o curto prazo. Daí termos profecias esdrúxulas e mundanas. Quem não se interessa ou quer ter vitória financeira rapidamente? Quem não ofertaria dinheiro para alcançar cura, salvação e libertação financeira. Em um país que tem um governo assistencialista e uma população que quer levar vantagem em tudo, tais promessas ou profecias são juntar o útil ao agradável.

Por pensar somente no curto prazo estamos degradando o meio ambiente, multiplicando os assaltos, matando desavergonhadamente no útero materno. Vi um vídeo onde Edir Macedo defende o aborto como programa de planejamento familiar. Trata o aborto como solução para criminalidade e pobreza. Tais posturas somente apontam para o curto prazo. Quem deveria defender a vida a processa, condena e executa sua sentença de morte em menos de sete minutos de vídeo.

Pastores oferecem soluções mágicas para verem suas igrejas cheias e seus caixas abarrotados de dinheiro, pois, assim ganharão prestígio socialmente. Oferecem ocuidade para o vazio do homem. Fazem das pessoas massa de manobra para alcançarem seus objetivos mundanos. Esquecem-se que prestarão contas das almas a Cristo o Senhor. Perderam o temor do Senhor e tratam a Sua Obra como empresas e não como igreja.

O certo é que esta visão de curto prazo não leva lugar algum. Somente aumenta o vazio do homem e fortifica a desesperança já reinante.

Soli Deo Gloria

Pr. Luiz Fernando R. de Souza

*Nota - Texto gentilmente cedido pelo autor e disponivel originalmente em Forca para Viver

21 agosto 2010

Deus é Soberano




Por Mizael Reis *

 
Afirmar-se ao lado de uma declaração qualquer, mesmo não provando-a,  e não experimentando nos lábios o sabor de sua veracidade não é difícil. Palavras podem ser irresponsavelmente ditas por lábios de corações não tão entranhavelmente comprometidos com as implicações que inevitavelmente carregam algumas declarações que se pretende afirmar. E sem dúvida a afirmação em voga elenca infelizmente no rol de muitas dessas más intenções, ou seja, afirmar que Deus é Soberano sem responsabilizar-se das conseqüências inevitáveis que essa declaração carrega, não é difícil, conquanto ditas por mentes não submetidas ao que as Escrituras Sagradas dizem a respeito dela. 

Deus é Soberano. Eis uma argumentação perpetrada por não poucas comunidades cristãs que se declaram ortodoxas e por muitos cristãos que dizem crer no Deus que a tudo sabe e a tudo governa. Por vezes, muitos sem hesitar, ratificam-na sem a devida consciência teológica, que deveria levá-los às últimas conseqüências de uma teologia que faz com que todas as coisas, sem exceção, de quaisquer naturezas, sejam submetidas à regência mestra da soberania de Deus. Dizer por dizer, por mero chavão litúrgico-denominacional, que Deus é soberano é fácil. Agora, afirmar essa incomensurável verdade, interpretando-a lado à lado dos acontecimentos da história à luz do escrutínio bíblico acarretará com que muitos sejam demovidos de sua zona de conforto que sustenta uma crença em um deus fraco, em detrimento da crença em um homem forte. A verdade é que, quando tratamos de questões, julgadas por muitos de nós, como não tão importantes à fé que se professa (Algo que não seja a Soberania de Deus – algo mais simples), sempre existe um meio de alinharmos tais questões e alguns questionamentos, com algumas das fracas concepções de Soberania divina que muitos insistem em defender. Contudo, quando ousamos argumentar sobre algumas questões que fazem sucumbir este fraco casamento de idéias, como a existência do mal, do pecado e da dor, alguns se dão por vencidos e já o deus que afirmam ser soberano, não reina o suficiente para por ao chão algumas questões que tais pessoas julgam-nas como dilemas insolúveis. Essa confusão mental e humana, em grande medida, tem como alvos vulneráveis, pessoas que não abraçam inegociavelmente tudo quanto as Escrituras sagradas banqueteia-nos sobre a Supremacia de Deus sobre todas as coisas. 

Portanto, Dizer que Deus é Soberano significa responsabilizá-lo por tudo que aconteceu, ora acontece e ainda acontecerá, pois não há nada que se suceda no mundo dos homens, que não seja decretado pela vontade irreduzível de Deus. Para Deus não existem planos frustrados, isso porque “nenhum dos teus propósitos pode ser impedido” (Jó 42.2), e não há nada que tenha saído de uma maneira por ele não determinado, tal como um tiro pela culatra, pois, “Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos.” (Sl 135.6). Analise comigo, se nenhum dos planos de Deus pode ser frustrado então a possibilidade de que algo esteja acontecendo na terra a seu contragosto, longe de seu diretivo controle, é totalmente impossível de conceber-se sendo, portanto, descartada pelas Escrituras, porque o Eterno assegura: “O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” (Is 46.10). Em nenhum momento da história a criatura sublevou as intenções de seu Criador, que não olha para trás em busca de erros que ele jamais cometeu, e que olha para frente dirigindo a história, sobre a certeza de que nunca, jamais errará em tudo que realizar isso porque o que “O SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás?”. (Is 14.27) Não houve momento algum que sua vontade tenha sido preterida pela intervenção de uma suposta volição humana, isso porque tal volição é impossível, pois é “Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.” (Sl 33.15). Os homens podem até gloriarem-se por levar a cabo seus próprios planos, mas no final das contas é o SENHOR quem determina os seus passos  (Pv 16.9). Isso nos leva a crer que  Deus conhece todos os nossos passos, que são soberanamente delimitados pelo tempo que ele próprio contabilizou para cada ser humano, isso porque “Os passos do homem são dirigidos pelo SENHOR” (Pv 20.24) e os “seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles” (Jó 14.5). Deus ainda é aquele que diz que “ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos” (Is 43,13), e se os homens forem surpreendidos pelas insólitas dores do mal, O Eterno não estará à margem dos seus infortúnios, de forma que o não-desejado ocorra, contra o que supostamente deveria acontecer, ou Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem?”(Lm 3.38). E se o homem iníquo resistindo a Deus, dos seus planos nesciamente se queixar, o tal queixar-se-á, “cada um dos seus pecados” (Lm 3.39), e jamais contra o beneplácito irrevogável do Eterno, pois quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”(Rm 9.19), porque “Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos? Ai daquele que diz ao pai: Que é o que geras? E à mulher: Que dás tu à luz? “Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, aquele que o formou: Perguntai-me as coisas futuras; demandai-me acerca de meus filhos, e acerca da obra das minhas mãos”. (Is 45.9). Ainda quanto ao mal, não podemos categorizá-lo como algo que o Eterno não tenha determinado como se fosse algo desconexo à sua vontade, pois veja: Deus estava por trás da traição dos irmãos de José (Gn 45.5-8), na esterilidade de Ana (1 Sm 1.15), no Furor dos Babilônios (Is 14.26,27), no desejo de Sansão de tomar um mulher entre os filisteus (Jz 14.4), no desprezo que teve Roboão contra os sábios conselhos dos anciãos, deflagrando a divisão do Reino de Israel (1 Rs 12.15) até o ódio que teve um tal faraó que não conhecia a José, em tempos posteriores à fome, também vinha de Deus:
“E aumentou o seu povo em grande maneira, e o fez mais poderoso do que os seus inimigos.Virou o coração deles para que odiassem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos”. (Sl 105.24,25)

Deus é aquele que endureceu o coração de Faraó, afim de que este o resistisse, por um pouco de tempo, enquanto ELE envergonhava-o diante do seu povo eleito, na magistral intervenção milagrosa das dez pragas. E isso é-nos afirmado em inúmeras passagens de Êxodo, como uma linha a costurar as suas páginas, certificando-nos do controle de Deus em todos os momentos. (4.21; 7.3,13; 9.12; 10.1,20, 27; 11.10; 14.4,87).
Diante da Palavra do Senhor, como olvidá-lo ou como não imputar-lhe a soberania ao desenrolar da história, se até o dia da calamidade que aflorará contra os perversos fora determinado por Deus? (Pv 16.4)
Se do Senhor vem a salvação (Jn 2.9), então  o objeto sobre o qual ele despensa sua redenção não poderá interrogá-lo, exigindo-lhe explicações sobre sua Soberania na salvação, e ainda a todo homem é vedado a revelação dos caminhos que ele toma para tal “pois compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer.”(Rm 9.18). E a estes a quem Deus deseja salvar que são alvos de sua misericórdia que soberanamente os atrai para o seu reduto paterno, são afortunadamente ditosos, pois “Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios; nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu santo templo”(SL 65.4) 

Há muito ainda a ser dito, sobre a Soberania de Deus, mormente sobre a Soberania de Deus na salvação (intencionalmente reduzida no presente artigo), e tão vastíssima doutrina ainda a ser conhecida, faz com que esse ínfimo artigo se assemelhe a minoridade de uma minúscula ponta de gelo a esconder a grandiosidade de um iceberg. Não que tal doutrina esteja inacessível tal como a parte maior de um Iceberg, mas sim como ainda não compreendida por aqueles que não mergulham na profundidade das Escrituras, no afã de visualizarem a grandeza dessa doutrina, larga e exaustivamente proclamada em suas páginas. Essa doutrina doravante permanecerá oculta aos que não abdicarem de suas compreensões demasiadamente sentimentais de ver os acontecimentos do mundo, forma essa ingenuinamente acunhada, embora não sem dolo, por alguns cristãos, do racionalismo, e até do ateísmo que tentam explicar todas as coisas sem entronizar Deus como a medidas de todas as coisas, e sua vontade como a explicação final de tudo que acontece. Não resta dúvida, Deus não está perdido no mundo que ele mesmo criou, enquanto os homens, como dizem alguns controlam a história com base em suas decisões, isso porque o cetro não está em mãos humanas; a coroa não está sobre sua cabeça; o trono não é o adorno de sua moradia, sequer é divino, senão um verme (Jó 25.6), ou ainda, um gafanhoto (Is 40.22) diante da imponente soberania daquele que não consulta a homens quando deseja agir.
“Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (Rm 11.34,35)

“E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?” (Daniel 4:35)


É Deus quem governa, e tudo quando deseja, levará a cabo na consecução dos seus planos, sem que nada, absolutamente nada, se interponha aos seus desígnios, isso porque “dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11.36)

*Nota: Texto gentilmente cedido pelo autor, e disponível originariamente no blog Somente pela Escritura e por ela Somente

17 agosto 2010

Presciência, a soberania do acaso












 Por Paulo Brasil*
 
 
Igreja Batista Regular Renascer. 
Manaus, 08.08.2010.


Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais? Jo 18:4
Este texto ressalta e salta aos nossos olhos: “Sabendo, pois, Jesus tudo o que lhe havia de suceder”. Traz a clareza dos céus, simples assim, Nosso Senhor sabia o que lhe sobreviria, sempre soube.
Como podem a partir daqui ensinar algo que não chegue até o trono soberano do Deus Altíssimo? Como ousam alguns a colocar o próprio coração como guia das verdades eternas?
Mesmo assim, em sentido contrário, vem o desafio feito pelo ensino das milhões de vozes mundo afora, vozes que são ouvidas. Elas forjam  texto dando-lhe um novo sentido, assaltam nossa consciência na busca de roubar Deus de Deus.  Incluem a soberania do acaso em lugar do poder de Deus, são tentativas de sedução e tem logrado êxito, vejam a multidão que aceita tal infâmia, e ainda sorri altiva.
É a oferta das glórias e reinos da terra, fazer do homem senhor, dar-lhe as rédeas do destino de todo o universo, enquanto o Criador é feito refém dessas escolhas, isto é o que propõem.
Não nos deixemos seduzir por tais ensinos, são doutrinas das trevas, a obra mestra da sabedoria humana.
Não nos deixemos enganar por essa falácia evangélica, pois nada mais é que a incredulidade ungida pela psicologia, filosofia e seus agregados naturais. Estão entorpecidos e rugem em nosso derredor para tragar corações altivos. acautelem-se desses lobos, que nem mais aparência de ovelhas possuem.
Que o Senhor seja abundante em meio de nossa congregação, luz às nossas mentes e conforto aos nossos corações seja nossa oração.
Percorreremos as sagradas Letras e mais uma vez não me furtarei de afirmar quem é nosso Deus. Comecemos pelos momentos que antecederam o texto lido, iniciemos na última páscoa. 
"E achou Jesus um jumentinho e montou nele, CONFORME ESTÁ ESCRITO: Não temas, ó filha de Sião; eis que vem teu Rei, montado sobre o filho de uma jumenta". (Jo 12:14)
É a chegada do Senhor em triunfo para ser aclamado Rei, conforme Zc 9.9. Estava ali um pequeno animal, nunca montado para servir ao Senhor em sua chegada a Jerusalém. Desceria entre hosanas e aleluias das multidões para que se cumprisse as Escrituras, caso não o fizessem as pedras o fariam, a Palavra do Senhor se cumpriria.
Lemos mais, “Em verdade o Filho do homem vai, CONFORME ESTÁ ESCRITO a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido.” (Mt 26:24).
Deus nos deu palavras para uso em seu sentido natural, comum, e devemos lê-las de acordo com essa graça. Vale ressaltar que nem a soberba punida em Babel revogou-a, pelo contrário multiplicou-a: a comunicação se dá pelo sentido natural das palavras. E isso se multiplica através das Escrituras, onde há poder e soberania: Jesus sabia tudo o que viria acontecer.
Prossigamos um pouco mais, leiamos a sentença do Mestre a Judas: “o que pretendes fazer, faze-o depressa” (Jo 13.27). Assim satanás e Judas em conluio, reproduzido nas ribaltas evangélicas de nossos dias, saiu para realizar livremente a determinação do Senhor.  Como negar soberano poder sobre satanás, sobre Judas, sobre todos os eventos, tudo se ajustaria à sua caminhada rumo ao Calvário.
E em oração ao Pai: “nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se CUMPRISSE A ESCRITURA. (jo 17:12).  Apenas os onze discípulos, ficariam com o Senhor, e outra vez lemos, ”para que se cumpra a Escritura”. Uma textura eterna de poder e honra são desenhadas por este dois textos: O cumprimento da Escritura, o mandamento do Senhor e a vontade escrava de Judas.
Somente a desonestidade intelectual ou incredulidade tentam diminuir a forças dessas evidências. Toda a realidade que percebemos e que não percebemos foram determinadas conforme o conselho do Santo Deus  na eternidade passada.
Prossigamos, Marcos nos relata: “E eles, havendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras”. Um pequeno coral entoa louvores, e caminha ao lado Deus de Israel, na verdade antecipam a morte do Senhor, que em meio a eles caminha sabendo TUDO O QUE LHE HAVIA DE SUCEDER. O Senhor tem contado todos os passos que dará ... como ovelha muda perante seus tosquiadores segue rumo à cruz, em Isaías o Senhor determinou.
E mais, antes que chegasse o beijo da traição, antecipa a reação de todos seus discípulos: "Todos vós esta noite vos escandalizareis em Mim; PORQUE TEM SIDO ESCRITO: 'Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas. (Mc 14.26-27).  
Com coração abatido, sabe que ouvirá de todos, “Ainda que seja necessário, morrerei por ti” (Mc 14.31). Há tristeza e pesar no semblante do Cristo de Deus, assim frente à criaturas tão pequenas e frágeis, pensando contribuirem para o Mestre, manifestam sua bravata contrária às Escrituras. Todos deixariam o Mestre só, igual faríamos caso lá estivéssemos. A promessa de fidelidade eterna é declarada ao Senhor, que sabe resistiria apenas alguns minutos,CONFORME ESTAVA ESCRITO.
Pergunto: O Senhor construiu esse cenário, ou apenas se aproveitou da crueldade humana, em apatia celeste? Ao ver a morte do Filho, morto pelo acaso, propôs a redenção? 
Os textos lidos reafirmam a soberania de Deus e garantem que os ensinos contrários vem daquele sob maldição do “rastejarás sobre o pó da terra”. 
Percebamos sobre o poder de mudar todas as coisas: ”Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mt 26:53.54). Havia no Senhor todo o poder e autoridade para cancelar a sentença da cruz, mas não o fez para que se cumprissem as Escrituras, para que a vontade e a palavra do Pai conduzissem a história. 
Todos os pequenos e grandes detalhes foram soberanamente determinados para que o Santo chegasse à bendita cruz. E para regozijo nosso e confrontação com nossos adversário lemos: “Jesus, o nazareno, varão aprovado foi entregue pelo  desígnio e presciência de Deus.” (At 2.23). 
É hora de por de lado nossos fardos, lançarmos mãos de nossas espadas, é a luta contra as hostes do mal. Leiamos novamente, para o relato da morte de Jesus, Deus utilizou o termos DESÍGNIO E PRESCIÊNCIA. Jesus foi morto de acordo com a presciência de Deus. Isso exige nossa atenção:
Nossos acusadores humanistas – e há aqui seus representantes - afirmam ser a presciência a aceitação da parte de Deus das decisões humanas. E vendo Deus  antecipadamente - daí, dizem eles, a presciência - todas as coisas que adviriam montou seu plano.  É isso mesmo que pensam homens e mulheres cujo coração tem se elevado acima das nuvens. Não afastemos nossas mentes desta afirmação: Isso é ensinado mundo afora, e, pior, aprovado por homens e mulheres que se dizem povo de Deus.
Asseveram eles, que Deus viu que iria ocorrer, e daí AJUSTOU seu plano. Logo presciência é a passividade poderosa de Deus, pois fez um plano baseado nas escolhas humanas. 
Ao aceitar tal tese – violência hermenêutica e corrupção exegética, além de um engodo etimológico – concordamos que nossa salvação foi obra do acaso. Isto posto, destitui de Deus o poder de santificar-nos, de preservar-nos e mais chegaremos ao céu baseados em nós mesmos. O Senhor dos Exércitos, o Santo viu que eu iria crer; mais, viu que iria me santificar; mais, viu que "não me desviaria", viu que cheguei ao céu. Essa abordagem não é a salvação por obras? Não há Deus Pai na escolha, Deus Filho na redenção e Deus Espírito na santificação. Presenciamos a exumação das doutrinas romanas. A morte ressurgiu em manto evangélico. É o poder das trevas, e sutilmente sem imagens – não nas paredes. Assim, é possível entender o cristo evangélico, pois nada mais é que  retórica e mantra.
Mas quantas vezes lemos que o Filho do homem vai conforme está escrito? para que se cumprisse a Escritura? Há dolo no Altíssimo que se fez poderoso apenas para nos impressionar? Seu poder nada me oferece além de minhas próprias possiblidades? Esse é o deus que tem sido pregado por lábios profanos. Anátema sejam todos que proclamam tal discurso, são porta-vozes das trevas, não lhes tarda o juízo lavrado desde a eternidade.
Não, assim não, esse não é nosso Deus que escreveu com sangue o caminho da paz e liberdade. Que desde a eternidade determinou todas as coisas conforme o conselho de Sua vontade, senão, leiamos o que foi estabelecido para seu Filho: Nascido de uma virgem, na cidade de Davi, anunciado por João, o batista, traído, abandonado, pendurado no madeiro, morto desde a fundação do mundo, em glória ressuscitou, subiu aos céus. O Rei, Justo e Justificador, Juiz, Alfa e Ômega e tanto mais que Ele próprio, em sua humildade não revelou.
Adverte aos seus adversários: “Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47).
Conforta os nossos corações pois nos chama para Si e ensina: A fé não é de todos, isto nos basta, levantemo-nos. 
A Ele honra, louvor e glória de eternidade a eternidade. 

Nota: * Texto gentilmente cedido pelo autor e disponível originariamente no blog "Através das Escrituras"