"A Verdade não precisa de defesa; por si mesma ela se defende. A Verdade precisa ser proclamada!"

09 agosto 2009

A Moral Faria Sentido Sem Deus?



Por Mario Persona*

Você escreveu: "esse papo de que a pessoa só pode ser boa se temer a um deus é totalmente sem sentido"

Eu acharia sem sentido viver sem um norte, sem uma definição absoluta de bem e mal dada por alguém acima de mim. Ao dizer "ser boa" você precisa desse referencial e também de uma razão para obedecer ou não esse padrão moral. Talvez você diga que seu motivo ou razão seja sentir-se bem, o que tornaria certo tudo o que nos fizesse sentir bem, inclusive tomar drogas.

Mas aí você poderá argumentar que no longo prazo as consequências não serão boas, e então estaremos falando de consequências no final, que podem ser boas ou ruins conforme as escolhas que fazemos. Se no final tudo se acaba, então não faz qualquer sentido pensar no futuro. Como escreveu Paulo, “se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos que amanhã morreremos”.

"Ser ateu é não acreditar em deus apenas, e não transformar tudo em uma anarquia", diz você, mas o que faz pensar que uma anarquia seja pior ou menos válida do que uma sociedade organizada? Se eliminarmos Deus como um juiz no final para condenar o ímpio, então não haverá mais o que temer e não precisaremos prestar contas de nossos atos. Poderemos sim viver em anarquia e sem qualquer autoridade, se isto nos fizer sentir bem e for conveniente para o momento presente.

Mas você diz que as leis e regras de conduta existem para garantir o bem estar do conjunto humano. Aí eu volto ao ponto de nossa conversa anterior. Sem um padrão superior ao ser humano não há como estabelecer leis e regras, pois a lei que favorece você vai desfavorecer o bandido. Embora alguns considerassem isso justo, o bandido estaria igualmente no seu direito de considerar isso uma injustiça se não existisse uma justiça suprema, acima de todos.

Citar Montesquieu, como você fez, dizendo que "é preciso que o poder limite o poder" é fazer o mesmo que eu faço quando cito a Bíblia. Creio e adoto o padrão "DEUS" como absoluto, e a Bíblia como Sua palavra. E Montesquieu, o que é para você? Sem Alguém maior que Montesquieu até o pensamento dele fica sem sentido. Afinal, baseado em quê alguém pode se arvorar no direito de querer limitar o poder? Só se for alguém com mais poder, o que nos leva ao mesmo desequilíbrio do qual você pensa escapar ao dizer que leis e regras existem para garantir o bem estar do conjunto? Não se iluda, você vai precisar de alguém acima de Montesquieu e se continuar subindo nessa pirâmide vai topar com Deus.

Quando falei das abelhas e seu comportamento tão cruel quanto o das formigas do ponto de vista humano, já que elas não cuidam de seus doentes e velhos e só pensam na própria sobrevivência, você disse que se eu estudasse genética comportamental (nunca estudei) saberia que não existe vantagem evolutiva em matar deliberadamente outros seres vivos. Segundo você, "as abelhas têm esse espírito de união porque a evolução favoreceu as abelhas que se mantinham trabalhando juntas; se existiu um tipo de abelha egoísta que matava seus semelhantes deliberadamente, já foi extinta".

Bem, se o seu raciocínio fosse válido você e eu estamos extintos. No entanto aqui estamos nós, os seres dominantes neste planeta, apesar de descendentes da espécie que mais sangue derramou em toda a história de todos os seres vivos, a maior parte desse sangue sem qualquer objetivo que não fossem o egoísmo e a pura crueldade. Ou será que no andar da carruagem da evolução ainda nos resta a esperança de nos tornarmos abelhas?

"O ponto central do meu argumento foi: Deus não é necessario pra voce ser bom, esse é o ponto", diz você. Muito bem, e o que é ser bom? Quem vai decidir isso? Com base em quê. E se você decidir, por que eu devo aceitar? Quem é você para decidir? E se eu decidir, quem sou eu? Que poder tenho eu para - voltando a Montesquieu - limitar o seu poder de decidir?

Percebe como eu e você precisamos de Deus? Se Deus não existir vai ser preciso inventar um, talvez uma deusa com o nome de Minerva para nos tirar deste impasse. Sugiro pesquisarmos um pouco mais para vermos se não existe algum Deus de fato e direito, que não seja de pedra e nem tenha as imperfeições de Minerva.

Por que não começar com Jesus, que declarou ser Deus em várias ocasiões? Ao menos teremos um Deus que, além de Deus é também homem, ou seja, capaz de nos compreender perfeitamente. Se você quisesse se comunicar com as abelhas do nosso exemplo seria interessante se transformar em abelha para entender como elas vivem e poder falar com elas de abelha para abelha.

Seu argumento de que "se fossemos todos selvagens assassinos já estaríamos mortos" também não tem fundamento. Se estudar história verá que somos sim, todos nós, selvagens assassinos. Como eu disse da outra vez, "traição é uma questão de datas". Eu disse que foi Alexandre Dumas quem escreveu isso, mas na verdade ele citou Talleyrand-Périgord, ministro das relações exteriores de Napoleão. Terrorista é quem perde e vira oposição. Quem ganha, por mais assassinatos que tenha cometido e bombas que tenha explodido, deixa de ser chamado de terrorista para ser chamado de presidente, chanceler, imperador ou algum título de dignidade.

Em Romanos diz que "Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus". Faz sentido ler isto em Romanos, pois está numa Bíblia que se declara a Palavra de Deus e onde existe um código moral para podermos ter um referencial do que seja pecado. É bom lembrar que nela a palavra pecado aparece em dois sentidos: fazer a própria vontade (pecado) e os frutos da vontade própria (pecados).

Já que nos faltam os parâmetros para dizermos "se fossemos todos selvagens assassinos", vamos precisar de um padrão moral que não seja nem meu e nem seu. Então o que diz em Romanos pode ser um bom começo, já que não existe uma afirmação mais democrática do que a de que “todos pecaram”. Ao dizer isso a Bíblia coloca todos no mesmo nível. Não tem melhor nem pior, todos são igualmente incapazes, eu e você inclusive. Então não podemos esperar que algum de nós se arvore no direito de ditar normas para os outros seguirem e vamos precisar de um Deus que faça isso.

Ao que parece você não compreendeu a mensagem da Bíblia, e posso ver isto pelo que escreveu: “você quer colocar todo mundo como malvado, todo mundo como pecador, então as pessoas só ficaram boas depois da chegada dos judaico-cristãos”. Não foi o que eu disse. Eu disse que, apesar de você se dizer ateu, suas conclusões de bem e mal são formadas pela cultura judaico-cristã na qual está inserido.

Mas, ao contrário de seu raciocínio, as pessoas não se tornam melhores quando entram em contato com a Palavra de Deus: elas se tornam infinitamente piores, porque são colocadas diante do padrão de Deus, um padrão impossível de ser alcançado pelo homem pecador. A Palavra de Deus é a medida pela qual você será julgado, a menos que antes disso conheça o perdão de seus pecados que está disponível em Jesus.

Quando sugeri que começasse por Jesus, você perguntou: Porque Jesus? o que ele tem de tão especial que Maomé não tem? O que que o cristianismo tem de tão especial que o hinduísmo ou as religiões indígenas não tem?”

Muita coisa. Mas eu destacaria a improbabilidade como uma das mais atraentes. Foi isso que chamou a atenção de C. S. Lewis (autor de “As crônicas de Narnia”), um ex-ateu cujo amigo cristão e especialista em lendas (J. R. R. Tolkien autor de “O senhor dos anéis”) convenceu de que os evangelhos não eram uma lenda, mas um relato de fatos. Comece por Mateus e você já encontra uma improbabilidade nos primeiros versículos.

Na genealogia de Jesus você encontra um caso de incesto (Judá e Tamar), uma prostituta (Raab) e um adultério (Davi com a mulher de Urias). Quem escrevesse a genealogia de alguém tido como o Filho de Deus, o equivalente a ser Deus, teria omitido essas coisas, pois são péssimos antecedentes. Por que não falar simplesmente de Davi e de sua mulher Batseba? Por que lembrar o nome de Urias, um dos melhores amigos do Rei Davi, que este mandou abandonar na frente de batalha para ser morto com o inimigo e poder roubar sua mulher?

Continue lendo os evangelhos e você vai se surpreender com o tanto de vezes que os próprios autores evangelistas se colocam na posição de verdadeiros idiotas revelando suas falhas sem qualquer retoque. Você não vê isso nos textos de outras religiões. Eles são cuidadosamente escovados para deixar uma impressão positiva para a posteridade. Os evangelhos realmente formam um texto sui generis, muito semelhante ao Antigo Testamento que revela toda a mesquinhez do povo hebreu também sem retoques.

Você falou que não faz sentido em algo que não pode ser provado e deu o exemplo da gravidade, na qual você acredita porque pode ser provada pela ciência. Sim, pode, mas a ciência ainda não conseguiu explicá-la (as diferentes explicações tentadas pela ciência não funcionam em todos os casos). Deus também pode ser provado, mas não explicado, só que para isso você terá de usar instrumentos diferentes dos usados pelos cientistas. Para se ter uma prova da existência de Deus é preciso colocar os joelhos no chão e pedir a Ele para se revelar a você. Está disposto a fazer o teste? Não, você não está, pois existe o risco de precisar rever sua fé atual. Um dia eu fiz o teste e Ele não me decepcionou. Agora eu sei.

Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” Sl 34:8

* 1- Mario Persona é tutor do blog "O Que Respondi", cujo texto originalmente pode ser acessado AQUI
2 - A foto acima não faz parte do texto original
.
3- Este texto faz parte de uma sequência de respostas às inquirições de um ateu iniciada AQUI.

05 agosto 2009

Se não existe Deus, tudo está liberado?






Por Mario Persona
*

Você escreveu:

"Eu fico impressionado com esse tipo de pensamento de vocês crentes: Se não existe Deus então tudo é liberado, podemos matar, roubar, agredir e fazer tudo de errado porque o inferno não existe. Sempre quando ouço isso lembro do que Einstein disse: 'Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa após a morte, então realmente somos um grupo muito desprezível'"

A grande dificuldade do ateísmo tem a ver com a falta de um referencial absoluto. Deus é o referencial absoluto do crente, o seu norte. Considerando que o ateísmo não provê esse referencial, é preciso criar outro, e foi o que você fez aqui. Enquanto eu cito uma passagem da Bíblia para fundamentar um pensamento, você cita Einstein para fundamentar o que acredita. Assim como eu, você precisou lançar mão de um referencial, no caso o "deus" Einstein e seus oráculos. Não percebe que somos iguais quando fazemos isso?

Mas a realidade é que, se não existe Deus, tudo é liberado, pois não existe um referencial, uma lei ou autoridade moral que esteja acima da vontade própria do ser humano. Você, que crê na teoria da evolução, olhe à sua volta. A natureza é extremamente cruel, é uma competição acirrada pelo predomínio do mais forte. Quem comer o outro mais rápido sobrevive.

Se a sobrevivência do mais forte ou mais capaz é a tônica do pensamento evolucionista que exclui Deus de sua equação, então não havia nada de errado com Hitler em exterminar judeus, ciganos e portadores de deficiência. Eles ameaçavam a evolução do povo ariano. Então não há nada de errado com algumas tribos de índios brasileiros que continuam enterrando vivas a crianças deficientes, gêmeas e albinas. Nada de errado com o costume indiano, interrompido por pressão de cristãos, de imolar a viúva ao lado do marido falecido. Ou o costume oriental de afogar a primogênita caso fosse menina.

Quando você fala em "matar, roubar, agredir e fazer tudo de errado", baseado em quê decidiu que matar, roubar e agredir é errado? Gralhas roubam, leões matam e cangurus agridem, mas ninguém questiona seus atos. Por que os humanos não podem também matar, roubar e agredir, se isso ajudar a aumentar suas chances de sobrevivência? Traficantes fazem tudo isso e acreditam não haver nada de errado. Com que autoridade você diria a um traficante que ele está errado? Ele tem tanto direito quanto você de viver do jeito que acredita ser melhor para sua sobrevivência.

O problema é que você não consegue viver sem um referencial, e adotou este, de que matar, roubar etc. sejam coisas erradas, sem conseguir explicar de onde tirou tal ideia ou não querer admitir que ela é fruto da influência judaico-cristã da sociedade ocidental onde você nasceu.

Ao dizer que é errado o traficante matar, você assume a mesma posição que assume ao dizer que é errado eu acreditar que exista um Deus. Mais uma vez estamos no mesmo barco, cada um de nós adotando um referencial próprio e dizendo para o outro que o outro está errado. A diferença é que, quando eu digo que matar etc. é errado estou atribuindo a Deus a origem dessa ideia. Não se engane: sempre nos baseamos em algo ou alguém superior a nós mesmos. No seu caso aqui um oráculo de Einstein lhe serviu bem para isso.

Outra vez em seu email você apelou para uma lei moral que não faz qualquer sentido se não existir uma autoridade superior. Você escreveu: "Você não consegue ser bom apenas por saber que é o certo?" Percebe o que está dizendo? Para mim "certo" é crer em Deus, portanto na minha opinião eu sei o que é certo e você não sabe. Mas é claro que esta é uma posição idêntica à sua, não é mesmo? É idêntica porque você também não é capaz de definir o certo e o errado sem uma autoridade superior.

Quando criança, seus pais definiam o certo e errado. Seus professores faziam o mesmo na esfera do ensino. Na sociedade é a polícia, o juiz, o governo quem determina o que é certo e o que é errado. Se você questiona o direito e autoridade de Deus em julgar, terá de questionar também todas as outras formas de autoridade. Afinal, que direito têm elas de castigar quem não anda segundo o seu catecismo? Talvez você diga que é diferente, pois essas autoridades são democraticamente constituídas. Não seja ingênuo, a maioria dos países e povos do mundo tem governos nem um pouco democráticos.

E mesmo os governos democráticos têm uma história que nem sempre lhes dá legitimidade. Acho que é de Alexandre Dumas a frase "traição é uma questão de datas". Quem ontem era terrorista, hoje é governo em muitos lugares do mundo. Até na história dos Estados Unidos o governo atual nada mais é do que uma consequência de um grupo de terroristas que derrubou o governo legalmente estabelecido pela coroa britânica quando assumiu a colonização da América. E que, por sua vez, derrubou o governo de direito dos índios que viviam na terra antes da chegada dos homens brancos. Adotamos as autoridades por conveniência ou por estarem em vigor no período de nossa existência. "Traição é uma questão de datas".

Mas precisamos de uma autoridade superior, precisamos de um pai, de um professor, de um chefe, de um delegado... Não entendeu que temos "deuses" em vários níveis da hierarquia da definição e imposição do que é certo e errado? Quem foi que inventou isso? E quando a pirâmide atinge o nível da autoridade máxima, quem você coloca lá? Se não existir ninguém lá, então a autoridade que está logo abaixo, seja ela uma autoridade civil ou um filósofo ateu, acaba sendo o pico da pirâmide, o seu deus.

Você continua seu raciocínio que, na verdade, dá voltas:

"Vocês vivem afirmando que nós, seres humanos, somos superiores aos outros animais mas não parece. As abelhas vivem em harmonia entre elas sem precisar ter medo de um Deus punitivo, os peixes de um cardume vivem bem entre si sem precisar ter medo de um grande deus peixe que manda pra grelha eterna os peixes pecadores".

A ideia de abelhas e peixes vivendo em harmonia é uma falácia romântica. Para que qualquer coisa atinja um equilíbrio harmônico é preciso que exista uma equiparação das forças que atuam sobre essa coisa, um equilíbrio de forças. Já criei abelhas e elas não são anjinhos. Existe uma hierarquia e, do ponto de vista humano, abelha não tem coração. Você não encontra enfermarias para abelhas doentes numa colmeia. Elas simplesmente são eliminadas quando adoecem ou envelhecem. É a lei da sobrevivência do mais forte. Além disso, elas vivem num ambiente extremamente competitivo e cruel. Quando criava abelhas perdi 5 colmeias para as formigas, que as atacaram pelo simples motivo de que a cera e as larvas eram apetitosas e boa fonte de proteína para a sobrevivência do formigueiro.

Quanto aos peixes, não existe ambiente mais impiedoso do que o fundo do mar. Diga rápido o nome de uma criatura subaquática vegetariana. Demorou. A quase totalidade dos peixes e outros animais marinhos é carnívora. Na natureza o maior come o menor, e você mesmo vive fazendo isso quando toma uma inocente canja de galinha. É vegetariano? Não adianta. O que o faz pensar que tem mais direito de sobreviver do que um pé de alface? Até mesmo quando usa antibióticos ou derrama desinfetante na privada para matar as bactérias você está agindo em seu próprio interesse de sobrevivência. Se todos os seres têm direitos iguais, por que matar um ser humano seria errado, e usar desinfetantes não? A competição é constante: se você não matar os mais fracos antes, eles acabam matando você. Sem Deus, esta deve ser a forma lógica da sobrevivência.

Você mais uma vez faz a mesma pergunta, só de outra forma: "A gente precisa temer o inferno pra agir corretamente?" A ideia de que uma pessoa se torna cristã por medo do inferno é típica de quem não conhece o evangelho (explico isto aqui). Muito bem, vamos eliminar Deus da equação e eu pergunto: Quem tem o direito de decidir o que é "agir corretamente"? Para um muçulmano radical, agir corretamente é extrair o clítoris das meninas para que não tenham prazer no ato sexual quando crescerem. Existe um movimento hoje contra isso, o que é obviamente resquício da influência judaico-cristã na sociedade ocidental, mas o que dá a esse movimento o direito de dizer aos muçulmanos radicais como devem agir?

Dentro da sociedade deles, extrair o clítoris de uma criança pode ter o mesmo papel cerimonial de cortar o prepúcio de um garotinho judeu. Em ambos os casos, agora raciocinando como faria um antropólogo ateu evolucionista, a manutenção de uma cultura religiosa com todos os seus rituais pode ter sido útil para a sobrevivência da espécie e a harmonia dentro do "cardume", só para usar o seu raciocínio. Eliminar isso poderia ser tão fatal para uma tribo ou sociedade quanto proibir a extração da vesícula ou de um apêndice supurado seria uma ideia absurda para a prática da medicina moderna.

Uma das sociedades mais evoluída e organizada de todos os tempos foi a sociedade romana de há dois mil anos. Os romanos viviam muito bem com sua prática de jogar no lixo bebês do sexo feminino e enxergarem a prostituição como prática salutar como alternativa para a mesmice da vida de um casal. O que hoje chamamos de pedofilia não era mais pecado do que ter um poodle de estimação. Um homem adulto podia comprar um menino para ter em casa como fazemos hoje com um animal de estimação, com a diferença de que o romano usava o menino como escravo sexual. Possuir meninos para práticas sexuais era algo normal, não só na Roma antiga, mas na Grécia e no oriente. Foram os abelhudos cristãos, depois dos judeus, que exerceram influência na sociedade romana contra práticas como aborto, infanticídio, adultério, prostituição e pedofilia. Que direito tinham os cristãos de dizer aos romanos o que era certo ou errado se não existe um Deus e se a Bíblia não passa de um conto de fadas?

Existe um argumento do ateísmo que alega que o pensamento religioso fez parte da evolução do ser humano, tendo sido necessário por milênios até como uma forma de preservação da espécie. O pensamento evolucionista alega que não passamos de uma feliz combinação de átomos e nossos pensamentos e crenças nada mais são do que interações químicas favoráveis à sobrevivência, portanto essas sinapses religiosas teriam sido muito úteis até aqui. Mas, alegam alguns ateus, atingimos um grau de evolução que nos permite abrir mão dessas sinapses religiosas e seguirmos adiante acreditando apenas na razão.

O problema é que, neste caso, as sinapses da razão não serão diferentes das sinapses da religião, pois a construção desse raciocínio fundamenta-se em reações químicas do cérebro tanto quanto a construção do raciocínio religioso. Se assim for, o que garante que amanhã não iremos chegar a uma nova conclusão de que a crença na razão não passou de um período evolutivo quando isso era importante para a sobrevivência de nossa espécie? Mesmo assim, o próximo raciocínio também estará comprometido pela mesma lógica.

Como pode ver, o ateísmo tem muitas coisas não resolvidas e é preciso mais fé para crer nisso do que para crer que exista um Deus criador, mantenedor e juiz. Eu acho que você precisa mesmo é de Deus. Sugiro que comece lendo a respeito de Jesus. Há muito o que aprender com ele. Afinal, se você crê na evolução, não irá querer pensar que a opinião que defende hoje é a derradeira, não é mesmo? Sua crença na evolução deve incluir até mesmo a possibilidade de se tornar um crente em sua próxima etapa evolutiva. A menos que considere isso errado, mas aí voltamos ao início de nossa conversa: quem tem o direito de determinar o que é certo e errado?
* 1- Mario Persona é tutor do blog "O Que Respondi", cujo texto originalmente pode ser acessado AQUI
2 - A foto acima não faz parte do texto original
. Ela reflete a insensatez do ateu, que aparenta estar seguro, mas realmente estará?

25 julho 2009

Teonomia














Por Willim O. Einwechter


Teonomia é a visão da ética cristã que ensina que a lei de Deus como revelada no Antigo e Novo Testamento é o único padrão autoritativo de verdade e justiça, e que a Escritura é inteiramente suficiente para nos instruir na justiça em cada esfera da vida. A Palavra de Deus é o único padrão aceitável para julgar o certo e errado de qualquer e todo comportamento humano. A teonomia ensina que o motivo correto da ação humana é o amor por Deus e pelo homem; que o padrão da ação humana é a Palavra de Deus; e que o fim ou propósito da ação humana é a glória de Deus.
A teonomia, como um sistema de ética estritamente bíblico, se opõe a todas as formas de autonomia ética; vê a lei natural como uma regra de ética insuficiente; repudia todas as formas de antinomianismo e legalismo; defende uma interpretação e aplicação cuidadosa da lei; e sustenta que a lei de Deus deveria ser o padrão para a vida social e política de toda nação.
Teonomia, como uma formulação estritamente bíblica de ética, glorifica a Deus; apresenta o verdadeiro dever do homem; é a verdadeira ética do amor; é a resposta apropriada à graça; é a vereda da bênção; é o caminho da vitória; e é o caminho do reavivamento e reforma.
Em essência, a teonomia é a aplicação consistente e fiel do princípio da Reforma do sola Scriptura à questão da ética.
Pode haver algumas diferenças em alguns pontos entre aqueles que aderem à ética teonômica, mas todos os teonomistas diriam a Confissão de Fé Escocesa que a lei de Deus é "a mais justa, a mais imparcial, a mais santa e a mais perfeita". A essência da teonomia é um amor por Deus e sua lei, e um desejo de ordenar tudo da vida de acordo com os mandamentos de Deus. Possa Deus conceder a cada um de nós a graça para declarar alegremente com o salmista, "Oh! quanto amo a tua lei!".

De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus,
e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau (Ec 12.13-14).


Extraído do livro "Ética & A Lei de Deus" - Editora Monergismo
Leia meus comentários ao livro AQUI

15 julho 2009

Por Que o Cristianismo é Verdadeiro













Por Joseph R. Farinaccio


Segundo as Escrituras, todas as pessoas possuem um conhecimento real de Deus que tem origem na sua autorrevelação na criação (Rm 1.18-21; 17.27,28). Embora a maior parte das pessoas negue ter esse conhecimento, as Escrituras ensinam que o homem não apenas o tem como também procura suprimi-lo. Sendo portador da imagem de Deus, o homem não pode logicamente refletir sobre si mesmo, sobre a condição humana ou sobre qualquer outro fato sem mostrar que, de fato, possui tal conhecimento. Aqueles que não sustentam uma visão bíblica da realidade devem inevitavelmente "tomar emprestado" da cosmovisão cristã, ainda que rejeitem a teologia bíblica. "Aqueles que não conhecem Deus apenas 'sabem' com base num capital emprestado; essas pessoas realmente conhecem coisas, mas apenas porque foram criadas à imagem de Deus. Elas não possuem justificativa para o seu conhecimento"*. Embora neguem a metafísica cristã na teoria, elas necessariamente agem com base nela no mundo real.
Embora o homem aja para suprimir o seu conhecimento de Deus a partir de outras cosmovisões, somente a cosmovisão cristã fornece aos seres humanos uma base para realidades como as leis da lógica, a dignidade do homem, as regularidades da natureza e os absolutos éticos. Essas coisas não existem de forma independente e à parte de qualquer razão significativa. Sua existência é possível a partir da existência do Deus da Bíblia e do seu controle soberano do universo, como revelado nas Escrituras. Cosmovisões não cristãs não podem justificar a liberdade humana, a ciência, a moralidade ou os instrumentos da razão empregados na vida produtiva e na experiência humana dotada de significado. A Bíblia justifica a existência dessas coisas ao fornecer o único princípio unificador possível de todas as áreas do conhecimento - o próprio Deus Trino.
... portanto, deve ser afirmado ao homem que somente o Cristianismo é racional para ser defendido. E é absolutamente racional. Defender qualquer outra posição que não seja o Cristianismo é totalmente irracional. Somente o Cristianismo não crucifica a própria razão. Sem ele, a razão operaria num vácuo total... deve ser defendido com Agostinho que a revelação de Deus é o sol de onde emanan todas as outras luzes. A melhor, a única e a absolutamente segura prova da veracidade do Cristianismo é que, a menos que a sua verdade seja pressuposta, não há prova de qualquer espécie. O Cristianismo é provado como o próprio fundamento da noção de prova em si.*
O conhecimento da ciência, da ética e do homem se encontra fundamentado em uma visão cristã da realidade. As visões não cristãs, no entanto, acabarão "se opondo mutuamente" (2Tm 2.25). Suas crenças fundamentais sucumbirão até propriamente se integrar umas às outras. Seus sistemas serão inerentemente contraditórios ou suas pressuposições irão fracassar no desafio de justificar o conhecimento e a experiência do homem. Quando confiam nas reivindicações de verdade da Bíblia como o fundamento necessário para a epistemologia, os cristãos podem demonstrar que os sistemas não cristãos se mostram falsos no nível fundamental. A realidade metafísica revelada na Bíblia deve ser sustentada como verdadeira porque apenas essa realidade pode tornar possível ao home "conhecer" verdadeiramente alguma coisa.
* Dan McCartney e Charles Clayton, Let The Reader Understand, pg 26.
*
Cornelius Van Til, The Defense Of The Faith, p. 298.
Extraído do livro "Fé com Razão", Editora Monergismo.
Leia meus comentários ao livro AQUI

06 julho 2009

O Que Acha do Dawkins?










Por Mário Persona*

A princípio Richard Dawkins não era conhecido por seu ateísmo, mas por sua contribuição ao meio científico. Embora tenha escrito livros principalmente em defesa da teoria da evolução, ele só virou uma celebridade conhecida fora dos limites científicos e acadêmicos quando passou a criticar a existência de Deus. Seu livro "Deus, um delírio" levou sua popularidade ao status de ídolo dos ateus.

Eu não posso confiar em suas ideias por duas razões. A primeira é que ele me faz lembrar esses pastores que ganham a vida pregando contra a Disney. Adotam a plataforma e saem por aí de púlpito em púlpito dando detalhes das mensagens subliminares escondidas em desenhos animados ou de algum detalhe erótico de um personagem, coisas que só podem ser percebidas se você usar um microscópio, tocar um disco ao contrário ou virar o desenho de ponta cabeça. Se a Disney fechar eles ficam sem assunto.

Embora Richard Dawkins possa não admitir, é graças a Deus que ele tem comida na mesa e carro na garagem. Se não fosse por Deus, seu saldo bancário seria muito menor, tocando a vida como cientista, autor de livros acadêmicos e professor da Universidade de Oxford. Cientistas costumam viver no ostracismo, livros acadêmicos nunca vão para a lista dos best-sellers e ninguém fica rico dando aulas em universidades.

É no seu combate a Deus, à Bíblia e ao cristianismo que reside o sucesso de Richard Dawkins, por isso não posso confiar em tudo o que ele diz. Há interesses demais envolvidos nisso e acaba ficando difícil saber onde acaba o que ele diz por convicção e o que diz por força de contrato. Se é ateu e, portanto, não acredita que existe um Deus a Quem deverá prestar contas, devo crer que não haverá mal algum se ele escrever seus textos deliberadamente para enganar as pessoas. Afinal, se a sua crítica contra Deus não for bem apimentada, que editor vai se interessar?Dawkins ganha dinheiro com Deus e se Deus não existisse ele viveria frustrado e mais pobre. Seu site é na verdade uma loja, não um site de um cientista disposto a divulgar suas descobertas. Tem de tudo ali: livros, CDs, DVDs, canecas, sacolas e camisetas. Na lista dos mais vendidos o item que ocupa o primeiro lugar é um alfinete de lapela com a letra "A" de "Ateu". Quem não usa paletó pode comprar uma camiseta com textos falando mal do Deus que ele diz não existir.Existem cientistas ateus que você nem sabe que são ateus. Simplesmente trabalham, desenvolvem suas pesquisas e não se preocupam muito em tentar provar que Deus não existe. Afinal, por que iriam gastar seu precioso tempo tentando provar que elefantes voadores não existem se eles efetivamente não existem? Há também ateus que não são cientistas, mas são ateus por convicção pessoal e vão vivendo assim, sem se preocuparem em convencer os outros. Mas há ateus que não vivem bem se não conseguirem ganhar algum com isso ou destruir a fé dos que acreditam em Deus, em Cristo, na Bíblia, na Criação etc. Eles simplesmente se sentem incomodados por existirem pessoas que pensam diferente, ou talvez sejam inseguros demais para continuar vivendo sem ver o seu time aumentar. É o caso de Richard Dawkins, que empunha, não a bandeira científica pró-evolução, mas a bandeira religiosa contra-criação. Um cristão não precisa do ateísmo para expressar suas crenças, mas um ateu assim precisa desesperadamente do cristianismo para sua crença fazer algum sentido.

Esta semana um ateu assim deixou uma mensagem criticando um de meus vídeos do evangelho. Entrei em seu perfil do Youtube e descobri que ele faz isso sistematicamente em vídeos cristãos, e em alguns ele deixa uma mensagem aconselhando as pessoas a não perderem tempo com os cristãos.Talvez alguém argumente que os cristãos fazem o mesmo, perturbando todo mundo com sua insistência em provar que Deus existe. Eu diria que essa atitude de um cristão, de querer contar para todo mundo do Deus que ele descobriu, é muito mais coerente com o espírito científico das descobertas do que a atitude do ateu que tenta contar para todo mundo do Deus que não descobriu.

Mas, voltando a Richard Dawkins, eu disse que tinha duas razões para não confiar no que ele diz, e uma é por ele depender de Deus para fazer sucesso. A outra está mais para sua posição como Darwinista. Se ele acredita na evolução e, por conseguinte, na evolução também de seu cérebro, como posso estar seguro de que as conclusões que ele produziu com seu cérebro em processo de evolução sejam definitivas? Talvez seja prudente esperar um pouco mais...
* 1- Texto reproduzido com a autorização do autor e publicado originalmente em O Que Respondi com o título "O que acha do que diz o ateu Richard Dawkins?"
2- A foto não consta da postagem original

26 junho 2009

Sobre o Bem e o Mal









Por Vincent Cheung

Deus tem existido na eternidade; o próprio tempo foi criado por ele. Isso significa que, antes da criação do universo, Deus tinha existido sozinho. E visto que a Escritura ensina que não há mal em Deus, a questão que se levanta quanto à fonte e origem do mal. Nós não podemos dizer que o próprio Deus, embora não haja mal nele, cometeu o mal; a Escritura nega essa possibilidade. Tiago 1.16-17 afirma: "Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda a boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras incontantes". Se Deus é fonte de "toda boa dádiva e todo dom perfeito", e ele "não muda", isso significa que ele não realiza alguma outra coisa senão aquilo que é bom.
Uma resposta consistente com o registro bíblico seria que Deus criou criaturas com a capacidade de escolher, embora ele possua controle completo sobre até mesmo suas vontades, e que foi bom para ele ter feito assim. Mas, essas criaturas, pelo bom decreto soberano de Deus, decidiram fazer escolhas que eram contrárias à bondade de Deus, e, portanto, resultaram no mal. Devemos insistir, contrário ao "livre-arbítrio" do humanismo, que Deus não meramente "permitiu" o mal, mas ele o decretou; de outra forma, ele não poderia ter se originado.
Ora, a Bíblia diz que se não houvesse lei moral, então não haveria nenhum pecado. Portanto, pecado é uma transgressão da lei moral. Visto que a lei moral declara o que é bom, o mau é, dessa forma, um desvio dessa bondade objetiva, e não é, portanto, realmente uma coisa em si mesma. O que se segue a partir disso é que a bondade pode existir sem o mau, mas o mau não pode existir sem a bondade objetiva. Se mau, como parece, é um "não deve", então ele não pode existir sem um "deve". É possível haver um padrão de bondade objetivo sem qualquer desvio dele, mas não é possível haver um desvio da bondade se a própria bondade não é definida ou não existe.
Por exemplo, é concebível ter um limite de velocidade sem qualquer violação dele, mas é impossível violar o limite de velocidade se não existe tal coisa. Da mesma forma, somente é possível existir o mal se houver o bem, mas é possível que haja o bem sem a existência do mal. Deus não precisa de Satanás para defini-lo.
O mal, de fato, existe mas não como uma coisa em si mesma; antes, ele é um desvio do bem. Isso não significa que o mal seja uma ilusão, como alguns sistemas de pensamento não cristãos afirmam, mas que ele não tem existência independente e objetiva como no caso da bondade. Resumindo, a bondade é definida pela palavra de Deus, e o mau é, consequentemente, definido pela (o desvio da) bondade. O que Deus diz que é bom é bom; o que se desvia ou contradiz o que ele diz é mau.

(1) Extraído do livro "Sobre o Bem e o Mal" - Click Editora Monergismo para adquirir um exemplar
(2) Leia meus comentários ao livro AQUI

13 junho 2009

Conselho a Jovens Escritores





Caro Sr. Raymond Johnston
(1)



Perdoe-me, por favor, esta demora em acusar o recebimento da sua muito amável carta do dia 6 deste, e em agradecer a sua gentileza em dar-me a conhecer as suas conversas sumamente interessantes em Swanwick. Naturalmente as considerarei confidenciais. São verdadeiramente muito valiosas. A reedição de Santidade (Holiness), de autoria de Ryle, parece ter conseguido realizar até mais do que eu previa.
Acho que você e o Sr. Packer estão realizando uma obra muito importante, que poderá muito bem ter grande influência no futuro. Mas, vocês dois precisam aprender a "andar prudentemente" (Efésios 5.15). Quero dizer com isso que há o perigo de seu ensino ser rejeitado devido ao modo como ele é apresentado. Devemos ser pacientes e ensinar as pessoas de maneira construtiva. Escrevo como alguém que pessoalmente achou muito difícil aprender esta lição; porém, com o passar dos anos, fui vendo cada vez mais que a dificuldade do outro lado deve-se realmente à ignorância. Devemos aguardar, e penso que veremos que a extraordinária mudança já ocorreu quanto aos conceitos sobre profecias, ocorrerão também com relação a esta outra questão.
Quanto à dificuldade de explicar os benefícios que Keswick e Ruanda acaso fazem, há pelo menos duas respostas:
1. Muitas vezes a heresia está certa em muitos pontos verdadeiramente essenciais, mas erra num ponto. Em termos modernos, isso é frequentemente ilustrado nos círculos pentecostais com relação à doutrina do Espírito Santo, linguas, curas, etc, enquanto que eles estão absolutamente certos e são ortodoxos nos pontos essenciais, e as pessoas recebem real bênção por meio deles.
2. Os argumentos baseados em resultados e benefícios são sumamente perigosos. Todas as seitas prosperam baseadas nisso. Questionaria também, e muito, se Keswick dá realmente às pessoas uma verdadeira consciência de pecado. Penso que é neste ponto que ele de fato falha mais.
Realmente você precisa voltar a Londres, para que possamos conversar sobre estas coisas, em vez de escrevermos sobre elas.
Todos nós nos juntamos na expressão da nossa mais favorável estima e consideração. Sinceramente ao seu dispor,
D.M. Lloyd-Jones

(1) O. R. Johnston (1927-85), um dos graduados de Oxford responsáveis pelo início da Conferência Puritana, e desta vez, com Jim Packer, exercendo uma nova influência na IVF (Inter-Varsity Fellowship) por meio da publicação Graduado Cristão (Christian Graduate) e por outros meios. Deste ponto em diante, Lloyd-Jones teve um novo papel, aconselhando aos jovens cuja descoberta dos puritanos lhes era causa de grande entusiasmo, que se contivessem e agissem com sabedoria. Tanto por seu próprio ministério como pelo incentivo que deu a James Clarke para reeditar As Institutas de Calvino (1949) e a obra Santidade, de J. C. Ryle (1952), Lloyd-Jones fora usado para preparar o caminho para este desenvolvimento, e os críticos o consideravam grandemente responsável pelo mesmo.

(2) Extraído do livro "D. Martyn Lloyd-Jones Cartas 1919-1981" - Editora Pes

(3) Meus comentários ao livro podem ser lidos AQUI

01 junho 2009

Guerra Santa: Física ou Espiritual?


Por Tremper Longman III

A primeira voz que ouvimos no NT é a de João Batista que, à semelhança dos profetas do estágio 3, ressoa extraordinariamente:
"Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: "Abraão é nosso pai". Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir ilhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3.7-10; cf v.11,12).
João tinha a esperança de que aquele que viria depois dele cumprisse a tarefa do poderoso Guerreiro de banir da terra os opressores. Imagine sua surpresa, mais tarde, quando aquele que ele reconhecera pelo batismo passou a pregar as boas-novas, curar os doentes e expulsar demônios. Para falar a verdade, há um registro dessa reação em Mateus 11.1-19. Naquele momento, João estava preso e ouviu os relatos acerca do ministério de Jesus. Suas dúvidas o elvaram a enviar dois de seus discípulos a Jesus a fim de transmitir a cética pergunta:
"És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?" (v. 3).
Jesus respondeu: "Voltem e anunciem a João o que voc ês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não escandaliza por minha causa" (Mt 11.4-6).
Pelas suas obras, Jesus informou a João que ele, de fato, havia escolhido a pessoa certa. Entretanto, Jesus sutilmente também mudou - na realidade, enriqueceu - a concepção de João sobre seu ministério. Numa realidade lacônica, Jesus era o Guerreiro divino, mas ele intensificou e elevou o nível da batalha. Não era mais uma batalha física contra inimigos de carne e sangue, e sim uma luta travada contra poderes e autoridades espirituais. Além do mais, era uma batgalha empreendida sem armamentos físicos.
Os exorcismos do NT são um caso à parte. Aqui percebemos a natureza violenta do conflito. Mateus 8.28-34 narra a história da permissão que Jesus deu aos demônios que habitavam dois homens para entrar em porcos, os quais se atiraram dentro de um lago e morreram.
O climax do estágio 4 é um método violento, mas irônico. Paulo volta seus olhos para a crucificação, retratando-a como uma vitória militar sobre o domínio demoníaco:
"Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz" (Cl 2.13-15).
A ascensão de Jesus aos céus também é descrita em linguagem militar, caracterizada pela citação de um hino de guerra santa do AT, o salmo 68:
E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo. Por isso é que foi dito:
"Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens" (Ef 4.8).
Jesus derrotou os poderes e autoridades, não pelo ato de matar, mas pelo ato de morrer!
Na verdade, a transição da antiga prática da guerra física para a nova era da guerra espiritual é dramaticamente ilustrada pela cena que se passa no jardim do Getsêmani. No momento em que Jesus era preso, Pedro, sempre impetuoso, sacou uma espada e decepou a orelha do servo do sumo sacerdote (Mt 26.47; MC 14.43-52; Lc 22.47-53; Jo 18.1-11). Jesus, na mesmoa hora, declarou:
"Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão. Você acha que eu não posso pedir a meu Pai, e ele não colocaria imediatamente à minha disposição mais de doze legiões de anjos? Como então se cumpririam as Escrituras que dizem que as coisas deveriam acontecer desta forma?" (Mt 26.52-54).
Quando Jesus ordenou a Pedro que guardasse a espada, era o mesmo que dizer à Igreja que esse exemplo de violência não poderia ser seguido para difundir sua causa*. O Alvo da guerra de Cristo não é físico, mas espiritual, e as armas utilizadas são espirituais, e não físicas.
*Em minha opinião (diz o autor), isso não põe fim ao debate entre os defensores da guerra justa e os pacifistas. Trata-se de uma simples declaração de que guerras em nome do cristianismo não são legítimas.

Extraído do livro "Deus Mandou Matar?" 4 pontos de vista sobre o genocídio cananeu - Editora Vida - Adquira o livro AQUI
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25 maio 2009

As Paredes da Prisão Falam
















Por Haralan Popov*

Fui levado de minha cela a um confortável escritório, no andar térreo. Para minha surpresa, encontrei ali um jovem que eu conhecia bem. Seu nome era Veltcho Tchankov... Apesar das diferenças de nossa maneira de viver, há muito parecia que tínhamos uma espécie de respeito mútuo. Portanto, alegrei-me por vê-lo novamente e pensei que aquele seria o primeiro raio de esperança, desde o meu aprisionamento. Mas, como ele havia mudado!... Eu vi o que o poder é capaz de fazer com um homem.
Quando os comunistas estão fora do poder, frequentemente se mostram cordiais, cooperadores e brandos. Mas, se chegarem ao poder, veremos o que eles realmente são! Aqueles que "brincam" com o comunismo devem lembrar-se da história de Veltcho, o "gentil" comunista que obteve o poder.
Os partidos comunistas quando estão fora do poder parecem propositalmente "razoáveis" e gentis; mas, logo que chegam ao poder, revelam a sua verdadeira natureza. As prisões estavam repletas de pessoas que pensavam que os comunistgas eram somente outro partido político.
Muitas das pessoas que diziam serem os comunistas "apenas outro partido político", e que os toleravam, foram executadas quando eles tomara o poder. Os países ocidentais que toleram partidos comunistas devem tomar cuidado! Aqueles "pequenos" partidos talvez pareçam brandos agora, mas, se conquistarem o poder, esses países verão a verdadeira natureza dos comunistas, assim como aconteceu conosco!
Eu disse: "Veltcho, é ótimo vê-lo novamente". Ele me olhou com hostilidade e disse: "Conhecemo-nos um ao outro, Popov, e eu lhe aviso que, se quiser ver novamente sua esposa, terá de fazer exatamente o que eu lhe disser".
"Mas, o que fiz eu, Veltcho?".
Ele replicou, gritando: "Nunca me chame de Veltcho, novamente. Sou o Camarada Tchankov, e você é o prisioneiro Popov. Nunca esqueça isso!"... "Se você se recusar a obedecer-me, estará fazendo o pior erro de sua vida; e só terá de lamentar-se. Aprenderá que não estamos brincando e não permitiremos que você se transforme um mártir religioso. Você gostaria disso, não é mesmo, Popov? Pois bem, não vamos lhe dar essa chance. Se fizéssemos de você um mártir religioso, isso fortaleceria os cristãos. Não permitiremos que isso aconteça. Você pensa que somos estúpidos? Vamos caluniá-lo e difamá-lo até os cristãos mencionarem o seu nome com desgoto".
Eu repliquei: "O povo da Bulgária me conhece. Eles saberão a verdadeira razão". Veltcho apenas riu. Mais tarde percebi que eu estava lutando contra especialistas em fazerem o preto parecer branco, e a verdade parecer mentira.
Os nazistas eram cruéis, mas os comunistas são cruéis e diabolicamente astutos. Na prática, esta é a verdadeira diferença entre os nazistas e os comunistas. As ameaças de Veltcho se cumpriram mais tarde, com precisão matemática, ponto por ponto.
Veltcho ordenou-me que voltasse à cela. Retornei em completo desespero... Sentei-me, quase atordoado. Eu pensara que os comunistas eram apenas homens mal orientados. Mas aquele encontro com Veltcho me abalou profundamente. Percebi que estava combatendo a astúcia e a maldade do próprio Satanás. Pela primeira vez, a enormidade do que eu enfrentava e astúcia daqueles homens diabolicamente inspirados me atingiram.
Do livro "Torturado Por Sua Fé" - Editora Fiel - Pg 24-26 - Adquira um exemplar AQUI
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*Para os cristãos-marxistas (um termo autocontraditório) seria aconselhável e boa a leitura desse livro do pr. Popov. Através dele poderiam ter os olhos abertos, e emergiriam da profunda ilusão e trevas em que a dialética socialista lançou-os (na verdade, tudo começa com a insurreição contra Deus, e a não-submissão à Sua autoridade; onde os discursos retóricos substituem a pregação e exposição bíblica, e os valores cristãos são abandonados ou mascarados pelo falso cristianismo, pelo proselitismo marxista).
Infelizmente, para si mesma, a esquerda "cristã" trocou o Evangelho de Cristo pelo discurso de pastores e teólogos anti-evangelho de Cristo, e fazem jus à afirmação de Paulo: "E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe" (Ef 5.11-12).

16 maio 2009

A MÃO DE DEUS NO SOFRIMENTO


Por Mark R. Talbot*

Desde acontecimentos tão pequenos, como a queda do menor pardal (Mt 10.29), até a morte de seu querido filho nas mãos de homens iníquos (At 2.23 c/ 4.28), Deus fala e depois cumpre ou executa a sua palavra (Is 46.11). Nada que existe ou ocorre escapa da vontade ordenadora de Deus.
Nada, inclusive nenhuma pessoa, coisa, acontecimento ou feito iníquio e mal. A preordenação ou predestinação de Deus é a razão final por que tudo acontece, até mesmo a existência de todas as pessoas e coisas más e a ocorrência de todo e qualquer ato ou acontecimento iníquo. Nesse caso, não seria impróprio falar de Deus como o criador, o mandante, o autorizador e, algumas vezes, como o instigador do mal. É isso que as Escrituras alegam explicitamente. Por exemplo, Isaías 45.7 apresenta Deus declarando: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas". A palavra para "criar" nesse versículo é o termo hebraico "bara", a mesma palavra que é usada para descrever o trabalho criativo de Deus em Gênesis 1; e a palavra para "mal" é "ra' ", que é quase sempre traduzida por "mal" no Antigo Testamento, e que podemos encontrar em lugares como Gênesis 2-3; 6.5; 13.13; e 50.15,20. E também quando Amós pergunta retoricamente: "Tocar-se-á a trombeta na cidade, sem que o povo estremeça? Sucederá algum mal à cidade sem que o Senhor o tenha feito?" (3.6). Isaías também diz: "O Senhor derramou no coração deles [os líderes das cidades egípcias de Zoã e Mênfis] um espírito estonteante, eles fizeram estontear o Egito em toda a sua obra" (19.14).
Tampouco manter que Deus nunca faz o mal é equivalente a dizer que ele não envia o mal. Algumas vezes ele envia espíritos maus - como o que atormentou o rei Saul 16.14-23), outro que levou os líderes de Siquém a agir traiçoeiramente com o rei Abimeleque (Jz 9.23), e um terceiro para mentir por meio dos profetas de Acabe, levando-o a viajar até Ramote-Gileade, onde seria morto (1Rs 22.13-40). E algumas vezes ele envia ilusão, como afirma Paulo quando diz que: "aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos... Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça" (2Ts 2.10).
Deus manda seus anjos para destruirem Sodoma e Gomorra (Gn 19); em Êxodo 7-12, ele envia dez pragas; ele envia cobras venenosas para picar os israelitas resmungões (Nm 12.6); ele enviou sobre Israel uma peste que matou 70 mil homens (2Sm 24); após haver jurado anteriormente que, em razão dos pecados de Manassés ele traria sobre Jerusalém e sobre Judá "tais males (ra')... que todo o que os ouvir, lhe tinirão ambos os ouvidos" (2Rs 21.12); mandou sobre Judá, bandos de saqueadores estrangeiros para destruí-la por causa dos pecados do rei Manassés. Tudo isso veio sobre Judá pela palavra de Deus (ver 24.3); Deus promete enviar a Assíria contra Judá infiel, mas depois promete também que "castigará a arrogância do coração do rei da Assíria" (Is 10.12), enviando uma praga entre seus guerreiros (v.16).
As Escrituras também estabelecem que Deus permite que outros façam o mal, como quando ele permitiu a Satanás que destruísse as propriedades e os filhos de Jó, pois isso deixaria claro que mesmo assim Jó não amaldiçoaria a Deus (Jó 1.6-12), e quando ele permitiu que as nações estrangeiras no A. T. andassem cada uma em seus caminhos pecaminosos (At 14.16). A idéia de que ninguém jamais fará o mal contra outra pessoa a não ser que Deus o permita ou conceda é sugerida por outras passagens como Gn 31.7; e em Ex 12.23; e em Lc 22.31.
Na realidade, algumas passagens bíblicas, como Isaías 19.2, retratam Deus induzindo outros a fazer o mal: "Farei com que egípcios se levantem contra egípicios, e cada um pelejará contra seu irmão e cada um contra seu próximo; cidade contra cidade, reino contra reino" (ver 9.11). Outras passagens: 2Sm 24.1; Jó 1.6-12.
Debrucei-me sobre as Escrituras com o propósito de provar este ponto: como um de meus alunos afirmou maravilhosamente em resposta ao teísmo aberto: "Os adeptos do teísmo aberto estão tentando inocentar Deus do mal. Mas Deus não quer ser inocentado"... Nada - nenhuma obra, pessoa, acontecimento ou ação maligna - está fora da vontade ordenadora de Deus. Nada acontece, existe ou permanece independentemente da vontade Deus. Portanto, mesmo quando o pior dos males nos assalta, em última análise ele não procede de nenhum outro lugar senão das mãos de Deus.

*Fiz uma síntese de parte do texto de Talbot sem, contudo, comprometer a sua mensagem. Apesar da afirmativa do autor de que Deus "permite" o mal, presumivelmente como algo alheio à Sua vontade, como se o poder de permitir fosse uma submissão ao desejo de suas criaturas, Talbot apenas "ameniza" a situação, visto que ele sustenta ser Deus o criador, o planejador, aquele que decreta, ordena e faz cumprir seus decretos, ou seja, toda a ação de Deus é objetiva e positiva em relação a tudo o que acontece no universo, inclusive o mal. Portanto, para não deixar os seus leitores mais "chocados", ele não usou o termo "autor do mal" para Deus. O que, no fim das contas, dá na mesma.
Como Talbot vai muito além do que a maioria em relação à soberania de Deus e o mal, considero a sua abordagem correta, ainda que seja amenizada e diluída em alguns aspectos, tornando-a indiretamente conclusiva.
(Jorge Fernandes)

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Extraído do ótimo "O Sofrimento e a Soberania de Deus", Editora Cultura Cristã, o qual pode ser adquirido AQUI

07 maio 2009

A RECUSA DE REPUDIAR O MUNDO




















Por John MacArthur Jr.

Já indicamos outro fator que contribui para o declínio de discernimento na igreja contemporânea. É a preocupação com a imagem e a influência. Ela surge da falsa idéia de que, a fim de ganharmos o mundo para Cristo, precisamos, primeiramente, conquistar o favor do mundo. Se conseguirmos que o mundo goste de nós, ele aceitará o nosso Salvador. Por muito tempo, essa tem sido a filosofia das igrejas sensíveis aos interessados. Esta é, também, uma das suposições motivadoras do movimento da Igreja Emergente.
Essa filosofia sugere que os cristãos devem tentar fazer com que os pecadores não-convertidos sintam-se confortáveis com a mensagem cristã. O objetivo é tornar a igreja em um lugar totalmente livre de ameaças, no qual os incrédulos, em vez de confrontar a incredulidade deles; fazer amizade com o mundo, em vez de separar-se dele. Tudo isso parece muito agradável, caloroso e amável às pessoas de sensibilidade pós-modernas, mas não é a estratégia de evangelismo que as Escrituras nos propõem. Na realidade, essa filosofia é totalmente incompatível com a sã doutrina. É uma forma de comprometimento com o mundo. Tiago o chamava de adultério espiritual (Tiago 4.4).
E observe os efeitos dessa estratégia. No movimento das igrejas sensíveis aos interessados, a pregação tem sido substituída por entretenimento. No movimento da Igreja Emergente, a própria verdade deu lugar ao ceticismo. Em ambos os movimentos, qualquer pregador que tentar assumir uma posição em favor da verdade, falar com clareza, tornando compreensível a mensagem bíblica, provavelmente será convidado a voltar ao seu assento. Esse tipo de pregador é um problema, um embaraço e um tropeço para os não-cristãos.
Se a verdade não pode ser proclamada sem temor na igreja, que lugar existe para a verdade? Como podemos edificar uma geração de cristãos perspicazes, se nos aterrorizamos com a idéia de que os não-cristãos talvez não gostem de ouvir a verdade pura e simples?
Desde quando tem sido legítimo para a igreja o procurar o amor do mundo? O apóstolo João não escreveu: "Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia" (1Jo 3.13)? E Jesus não disse: "O mundo... a mim me odeia, porque eu dou testemunho a seu respeito de que as suas obras são más" (Jo 7.7)? Os cristãos bíblicos sempre entenderam que devem repudiar o mundo. Eis as palavras de nosso Senhor:
"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Tudo isso, porém, vos farão por causa do meu nome, porquanto não conhecem aquele que me enviou" (Jo 15.18--21).
Por acaso essa mensagem dá a entender que temos liberdade para usar uma estratégia evangelística que abranda a mensagem da cruz?
Acredito que o apóstolo Paulo não teria paciência com táticas desse tipo. Ele nunca procurava conquistar o mundo por meio de aceitabilidade intelectual, popularidade pessoal, imagem, status, reputação ou coisas desse tipo. Ele escreveu: "Temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos (1Co 4.13). A igreja contemporânea está correta ao tentar uma abordagem "mais sofisticada"? Ousamos abandonar o exemplo de homens piedosos do passado, os quais, todos, tiveram de lutar pela verdade?
E, podemos acrescentar, no momento em que qualquer igreja se propõe a fazer amizade com o mundo, essa igreja se coloca em inimizade contra Deus (Tg 4.4).
Em termos práticos, o movimento para acomodar a igreja ao mundo diminui a confiança dos cristãos na verdade revelada por Deus. Se não podemos confiar na pregação da Palavra de Deus para converter os perdidos e edificar a igreja, como podemos, de algum modo, confiar na Bíblia - até como um guia para nosso viver diário?
As pessoas estão sendo enganadas pelo exemplo de alguns de seus líderes eclesiásticos. Estão aceitando a ilusão de que a fidelidade à Palavra de Deus é opcional.
Além disso, à medida que a pregação bíblica continua a diminuir, a ignorância acerca das Escrituras aumenta. Esse fato agrava, ainda mais, todos os problemas que resultam do declínio do discernimento, e o ciclo de desgraças continua.
Extraído do excelente livro "A Guerra Pela Verdade" - Pg 235/238 - Editora Fiel - Adquira um exemplar AQUI .
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25 abril 2009

O AUTOR DO PECADO



Por Vincent Cheung


Há muitas passagens bíblicas dizendo que Deus causa todas as coisas, e a metafísica por detrás disso é explicada pela onipontência de Deus - a mesma onipotência criou tudo. Por outro lado, todas as passagens que as pessoas usam para negar que Deus é o autor do pecado ou para provar o compatibilismo, são apenas descrições de eventos e motivos, sem tratar com a causa metafísica daqueles eventos e motivos.
Ao invés de dar a resposta popular, que é fraca, evasiva, incoerente, e confusa, Deus sem embaraço algum diz: "Sim, eu faço todas as coisas. O que você vai fazer a respeito disso? Quem é você para sequer me questionar sobre isso?". Quando chegamos na metafísica, incluindo a relação de Deus com as decisões humanas, seja para o bem ou para o mal, é assim que a Bíblia responde.
Então, leiamos Romanos 9.19-21:

Mas algum de vocês me dirão: "Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?"
Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou:'Por que me fizeste assim?'"

O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?
*

Novamente, isso tem algo a ver com metafísica (determinismo, liberdade, etc), visto que o contexto tem a ver com eleição e reprovação, e o criar do eleito e do não-eleito, assim como o oleiro faz o vaso a partir do barro.
Paulo não diz: "Oh, não, você não entende. Embora Deus determine todas as coisas, ele causa todas as coisas apenas te permitindo fazer decisões livremente segundo a sua própria natureza, que veio de Adão, cuja natureza misteriosamente de santa se tornou má, de forma que Deus não é o autor do pecado, e você é responsável pelas suas próprias decisões e ações".
Pelo contrário, Paulo diz que o controle de Deus tanto sobre os "vasos para honra" como sobre os "vasos para desonra" é como o controle do oleiro sobre uma massa de barro. E assim como a massa de barro não pode questionar o oleiro, a responsta de Paulo ao objetor não é, "Mas você se tornou mal por si mesmo" ou "Mas você pratica o mal segundo a sua própria natureza"; mas, pelo contrário, ele diz, "Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: 'Por que me fizeste assim?"'. E Paulo não diz, "Mas Deus não é o autor do pecado", mas, pelo contrário, ele diz, "Deus tem o direito de fazer uma pessoa justa e outra pessoa má, de salvar uma e condenar outra. Certamente ninguém pode resistir Sua vontade! Mas quem é você para replicar?".
Essa é a atitude da Bíblia. Ela repreende o objetor e responde a objeção ao mesmo tempo. Mas a resposta não nega que Deus seja a causa direta do pecado; pelo contrário, ela ousadamente diz que Deus tem o direito de fazer tudo o que ele quer e que ele faz tudo o que ele quer. Ao invés de dar um passo para trás ou para o lado, ela dá um passo em direção ao objetor e dá-lhe uma bofetada na cara!
E essa é a resposta de Deus. Ela é forte, direta, simples, coerente e irrefutável. Ela é perfeita.
*Obs: O texto utilizado é o da NVI, por isso, transcrevo o texto da ACF o qual considero mais apropriado: "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra" (Rm 9.18-21)
Do livro o "Autor do Pecado", Pg 7- 8.
Editora Monergismo. Compre o livro AQUI
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